Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: João Miranda

Outras leituras

BLASFÉMIAs 25 MAIO, 2016 by   JoaoMiranda Entre os colégios financiados pelo Estado há um com 27 escolas públicas próximas Outras leituras: 1. Há 27 escolas estatais com 26 outras escolas estatais próximas. Mas nenhuma está a mais nem há redundâncias entre elas. 2. Em 28 escolas na mesma proximidade, 27 têm o mesmo modelo de gestão e só uma tem um modelo de gestão diferenciado. Adivinhem qual vamos retirar da rede pública? 3. Em 28 escolas da rede pública, aquela que tem mais procura vai ser retirada da rede pública. 4. De entre 28 escolas vamos tirar uma da rede pública, e o critério não é a qualidade de ensino. 5. De 28 escolas em concorrência entre si, não vamos retirar a que tem perdido mais alunos mas a que tem ganho mais. 6. Temos 27 escolas estatais e nenhuma consegue superar a escola associada pelo que vamos terminar o contrato de associação. 7. O modelo de gestão escolar não é suficientemente monolítico pelo que decidimos reduzir a diversidade. ...

Modelos de sistema de ensino

Blasfémias 23 MAIO, 2016 by   JoaoMiranda Modelo estatal centralizado:  Todas as escolas são do Estado e todos os professores são funcionários públicos. Existe uma lista nacional de professores ordenada por graduação. Os professores mais graduados escolhem a escola onde querem dar aulas. Os directores são escolhidos pelos professores, mas de qualquer forma todas as decisões importantes são tomadas pela burocracia do ministério da educação. Tudo está especificado em leis, decretos e portarias, que mudam todos os anos. Acesso dos alunos a uma escola é por alocação geográfica, podendo haver alguma concorrência entre escolas, se as direções regionais autorizarem. Como a concorrência entre escolas é mínima o poder dos sindicatos é máximo. Modelo estatal misto:  Igual ao estatal centralizado mas em que a burocracia faz contratos com escolas privadas em algumas localidades. Estas escolas privadas com contrato de associação têm ampla autonomia de gestão dado q...

Assim se fazem as cousas

JoaoMiranda  | Blasfémias | 26 MARÇO, 2016 Abril de 2015:  PS exige que processo de privatização da TAP pare imediatamente “O problema da TAP está no processo de privatização e no Governo. É preciso parar o processo de privatização e é preciso mudar de Governo. O Governo não tem legitimidade política para o que está a fazer”, sustentou o deputado do PS, antes de acusar o atual executivo de ser “obcecado” com as privatizações em fase final de mandato, de ser “pouco transparente” e de não ter espírito de diálogo nem com os partidos da oposição nem com as estruturas sindicais Agosto de 2015:  PS promete inquérito à concessão por ajuste directo dos transportes do Porto Agosto de 2015:  PS avança com comissão de inquérito se Governo não travar ajuste directo de STCP e Metro do Porto Fevereiro de 2016:  Governo chega a acordo com Pedrosa [Barraqueiro] e Neeleman sobre a TAP Fevereiro de 2016:  Governo deixa entrar chineses no capital da ...

Filioque

Blasfémias 9 JANEIRO, 2016 by   JoaoMiranda O governo decidiu acabar com os exames do 4º, 6º e 9º anos de inglês. Em seu lugar criou as provas de aferição do 2º, 5º e 8º ano. Esta decisão mostra a profunda divisão que existe em matéria de educação entre o PS e a direita. Não só não estão de acordo com o nome que dar às provas como discordam do ano em que elas devem ser feitas. Outras profundas divisões que separam o PS da direita incluem o tipo de papel em que as provas são feitas (virgem, diz a direita, reciclado, diz o PS) e o arquitecto responsável pelos candeeiros das escolas ( Siza pelo PS, Tomás Taveira pela direita).

Banca: falência versus resolução

JoaoMiranda | Blasfémias 23 DEZEMBRO, 2015 Há quem defenda que não deve ser aplicado aos bancos um processo de resolução mas que estes devem falir como qualquer empresa. Um processo de falência de uma empresa não é assim tão diferente do processo de resolução bancaria aplicado ao BES (ou mesmo o Banif). Num processo de falência determinados credores têm prioridade sobre outros (por exemplo, trabalhadores têm direitos específicos que lhes dão prioridade sobre alguém que emprestou dinheiro à empresa). Num processo de falência os accionistas da empresa perdem tudo. Num processo de resolução bancária ocorrem coisas semelhantes. Os depositantes têm prioridade sobre os restantes credores. Os accionistas perdem tudo, ou pelo menos as perdas para os restantes stakeholders só podem ocorrer depois de os accionistas perderem tudo. Numa falência de empresa, tal como no processo de resolução de um banco, considera-se que os accionistas não são donos dos activos mas sim do saldo entre activos...

Fim dos exames do 4º ano

Blasfémias 27 NOVEMBRO, 2015 João Miranda Um sistema mastodôntico como o Ministério da Educação dificilmente consegue funcionar se centenas de escolas se mantiverem permanentemente sem avaliação externa. O exame do 4º desempenhou durante algum tempo esse papel. O que permitiu fazer rankings, identificar escolas problemáticas, premiar as boas e ajudar as más a resolver os seus problemas. Sem esses exames o sistema fica cego. Outro papel dos exames é o de estabelecer um ponto de partida mínimo e comum para os alunos que entram no ciclo seguinte. Sem isso a transição entre ciclos continuará a ser desastrosa para muitos alunos. Quem é prejudicado com isto? Os alunos pobres das escolas públicas, evidentemente. Nas escolas privadas há formas eficazes de compensar estes problemas. Curioso que a luta contra os exames é uma causa de adultos que não gostam deles, ou por ideologia, ou porque, lá está, sendo professores e pais, não lhes agrada ver o seu trabalho educativos avaliad...

Interpretação das frases mais polémicas de Cavaco

Blasfémias | 26 OUTUBRO, 2015 by   JoaoMiranda 1. É aos Deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem. Isto quer dizer que é aos deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem. 2. É tanto mais incompreensível que as forças partidárias europeístas não tenham chegado a um entendimento quando, num passado recente, votaram conjuntamente, na Assembleia da República, a aprovação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental e do Mecanismo Europeu de Estabilidade, enquanto os demais partidos votaram sempre contra. Cavaco acha incompreensível que PS e PSD não se tenham entendido apesar de terem tantas coisas em comum. 3. Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, ga...

Mais um atentado aos direitos de cidadania

Imagem
João Miranda, Blasfémias , 2014.12.26 Estabelecimento Prisional devolve livro enviado por Arnaut a Sócrates O Estabelecimento Prisional de Évora devolveu ao antigo ministro e dirigente socialista António Arnaut o livro «Cavalos de Vento», que este tinha enviado como prenda para José Sócrates. Arnaut enviou, a 10 de dezembro, por correio, um livro da sua autoria, tendo sido surpreendido, esta sexta-feira, com a indicação de que a sua oferta tinha sido recusada pela direção do estabelecimento prisional. No entender de Arnaut, esta situação ofende os direitos de cidadania de Sócrates. Regulamento Geral dos Estabelecimentos Prisionais (PDF)

39 anos para dar uma notícia

Imagem
Blasfémias   12 ABRIL, 2014   João Miranda O Expresso demorou 39 anos para dar a notícia de que o salário mínimo real é menor que o salário mínimo do PREC. Como mostra este gráfico do próprio Expresso, o salário mínimo ao longo dos últimos 39 anos foi sempre menor que o do PREC. O salário mínimo do PREC era de tal forma irrealista que só em 1984 recomeçou a crescer sutentadamente. De notar os três períodos de subidas irrealistas do salário mínimo: PREC, 77-80  e Sócrates.

O caminho não percorrido nunca tem problemas

João Miranda Blasfémias , 2013-03-19 Tenho lido muitas críticas ao ministro das finanças. Que corta muito, que corta pouco, que não aposta no crescimento, que devia cortar nas gordura, que só sabe fazer contas, que não sabe fazer contas, que não acerta nas previsões, que faz muitas previsões … A maior parte destas criticas não são às opções de ministro das finanças, mas à realidade. A realidade não nos convém. . Para uma crítica ao ministro das finanças ser minimamente fundamentada tem que considerar em detalhe as dificuldades de partida. Não deve haver muitos exemplos de ministros das finanças que tiveram de lidar com um país que em simultâneo acumula um défice externo insustentável, uma dívida externa elevada, bancos semi-falidos, estado falido e sobredimensionado,  um grande sector de bens não transaccionáveis dependente da procura interna. Note-se que o problema não é apenas a falência do Estado. A economia privada perdeu o seu principal cliente e tem que desalavancar e ...

Hospital de S. Marcos vs. McDonald's

João Miranda, Blasfémias, 20090118 Um restaurante típico da McDonalds tem várias filas, sem qualquer estrangulamento. Quando a procura aumenta abrem novas caixas. O pessoal é reforçado nas horas de ponta. Não existem “horas de abertura” que funcionem como estrangulamento temporal. O Hospital de S. Marcos em Braga é diferente. Existem duas filas para as visitas aos doentes. Estas duas filas convergem para uma única porta, que por acaso coincide com a saída e com a entrada para o serviço burocrático que gere os cartões de entrada. continuar a ler...

Crítica e tolerância

Diário de Notícias, 20090117 João Miranda Investigador em biotecnologia jmirandadn@gmail.com D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, defendeu que os casamentos entre mulheres católicas e muçulmanos podem ser uma fonte de sarilhos. Com estas declarações, D. José Policarpo fez uma crítica implícita ao estatuto da mulher no mundo muçulmano, estatuto esse que não seria facilmente aceite por uma mulher de cultura católica. Estas palavras geraram uma onda de críticas. D. José Policarpo foi acusado de fazer generalizações abusivas e de promover a discriminação dos muçulmanos. A Amnistia Internacional pediu que D. José Policarpo fizesse uma retractação. A Amnistia considera que as declarações de D. José Policarpo fomentam a intolerância e atentam contra o espírito de fraternidade e paz. Existe uma infeliz ironia nesta posição da Amnistia Internacional. A Amnistia Internacional adquiriu a sua reputação por lutar pelos direitos humanos mais básicos. A Amnistia Internacional devia, por ...

GUERRA EM GAZA

DN 20090110 João Miranda Investigador em biotecnologia - jmirandadn@gmail.com O conflito israelo-palestiniano gera discussões intermináveis na Internet e nos jornais entre os defensores do lado israelita e os defensores do lado palestiniano. Discute-se quem tem o direito à terra, quem iniciou as várias fases do conflito, quem é mais democrático ou quem usa métodos mais reprováveis. Estes debates acabam frequentemente na propaganda e no insulto. Reproduzem, em detalhe, as dezenas de anos do conflito e ajudam a perceber porque é que ele se eterniza. Se, a milhares de quilómetros de distância, existem portugueses que se recriminam por causa de um assunto que não lhes diz directamente respeito, então é natural que quem se encontra no terreno recorra à guerra e ao terrorismo. A análise da questão da legitimidade, em que se procura determinar uma solução para o conflito com base no direito das partes aos territórios em disputa, está condenada ao fracasso. Por um lado, essa abordagem não tem ...

UM PAÍS PERIFÉRICO

Diário de Notícias, 20090103 João Miranda Investigador em biotecnologia- jmirandadn@gmail.com Portugal é uma região empobrecida da Península Ibérica, que por sua vez é uma região periférica de um continente em decadência. A adesão à Comunidade Económica Europeia eliminou barreiras ao fluxo de capitais entre Portugal e o centro da Europa. A eliminação de barreiras entre o centro e a periferia tem dois efeitos contraditórios. Por um lado, algumas actividades económicas tenderão a concentrar-se no centro para aproveitar ganhos de escala. Por este motivo, muitas empresas estrangeiras deslocaram os seus centros de distribuição de Lisboa para Madrid ou para o Norte da Europa. Por outro lado, outras actividades económicas tenderão a deslocar-se para a periferia para aproveitar os baixos custos de produção. Por este motivo, várias empresas alemãs optaram por se instalar em Portugal. Idealmente, os factores que favorecem a transferência de capital do centro para a periferia devem superar os fac...

O QUE NÃO SE VÊ

Diário de Notícias, 20081227 João Miranda Investigador em biotecnologia - jmirandadn@gmail.com A demonização da classe política faz parte dos rituais democráticos. De acordo com a voz popular, os políticos são incompetentes, demagogos, mentirosos e corruptos. E, no entanto, o eleitorado tem grandes expectativas sobre o papel do Estado na sociedade. O eleitor espera que, perante uma crise, o Governo faça alguma coisa. Espera que o Governo apresente soluções. Paradoxalmente, a crise fez baixar o nível de exigência e reduziu os níveis de cepticismo em relação aos políticos. Como que por magia, a classe política é vista como uma fonte de esperança no futuro, apesar de ser responsável pela crise e de ser considerada incompetente e demagoga.A obra de Frédéric Bastiat, um economista francês do século XIX, pode ajudar a esclarecer este paradoxo. Bastiat observou que as medidas políticas de carácter económico têm consequências visíveis e consequências invisíveis. Por exemplo, os subsídios à act...

Consenso em Ciencia

DN 20081206 João Miranda Investigador em biotecnologia jmirandadn@gmail.com O aquecimento global tornou-se numa questão política incontornável. Os ambientalistas alegam que existe um consenso científico sobre o assunto. No entanto, "consenso" não é um critério científico mas sim um critério político. O método científico não é um processo democrático em que a voz da maioria conta mais que a voz da minoria. O processo científico é um processo adversarial de descoberta da verdade em que o que conta é a qualidade dos argumentos e dos resultados experimentais. David Hume mostrou que não é possível provar teorias gerais sobre a realidade por métodos empíricos. Esta ideia de Hume limita aquilo que o método científico pode fazer. O método científico não permite confirmar as teorias que são verdadeiras. Permite apenas rejeitar as teorias que são falsas. Como Karl Popper explicou, o método científico é uma sucessão de conjecturas e refutações. A fiabilidade de uma teoria é tanto maio...

MAIS REGULAÇÃO?

Diário de Notícias, 20081101 João Miranda Investigador em biotecnologia - jmirandadn@gmail.com Os economistas americanos continuam a estudar e a debater as causas da crise financeira. Deviam prestar mais atenção aos políticos portugueses. Vital Moreira, José Sócrates e Manuel Alegre já sabem a resposta. A "culpa" é da falta de regulação dos mercados financeiros. Falta de regulação? Mas então para que servem os bancos centrais, as autoridades reguladoras das bolsas de valores, os acordos de Basileia, os ministros das Finanças, os parlamentos e as autoridades para a concorrência? Não existem mercados mais regulados do que os mercados financeiros. E, no entanto, para os políticos a regulação pública nunca é suficiente. Porquê?A informação económica está dispersa por toda a economia. Cada agente conhece a sua própria situação económica, mas desconhece os detalhes da situação económica dos restantes agentes. Os mercados financeiros permitem que a informação circule entre os agente...

Os Portugueses e as eleições americanas

DN, 080907 João Miranda investigador em biotecnologia jmirandadn@gmail.com As eleições americanas despertam na opinião pública portuguesa um interesse que, por vezes, ultrapassa o interesse pela política interna. Os portugueses não se limitam a seguir e a analisar as eleições americanas. Tomam partido. São militantes. Tentam convencer e ganhar votos. Difamam os candidatos adversários. Repetem a propaganda dos partidos americanos. Temos casos que oscilam entre o paroquial e o cómico, como o caso do jornal  A Capital , que em 2004 declarou o seu apoio a John Kerry (sem grande impacto no resultado final), ou o caso do especialista em assuntos americanos de um canal de televisão que, em vez de fazer reportagens, faz tempos de antena de Barack Obama. O argumento de que o presidente dos Estados Unidos tem uma grande influência em todo o mundo não chega para justificar este interesse. Os portugueses não vão conseguir influenciar o mundo através do presidente dos Estados Unidos. A opinião e o ...

Os snipers, Joao Miranda, DN, 080816

OS 'SNIPERS' Diário de Notícias, 080816 João Miranda investigador em biotecnologia jmirandadn@gmail.com   No assalto ao BES de Campolide, a polícia usou snipers contra criminosos comuns e sem cadastro. Um dos assaltantes foi morto e o outro foi gravemente ferido. As negociações falharam, o tiro dos snipers colocou em risco a vida dos reféns e a operação só não foi um desastre por sorte. A reacção da opinião pública foi de júbilo. As explicações da polícia foram aceites sem contestação. Nada disto gerou dúvidas, mas devia. Os snipers são uma força com características militares usada para matar. São uma óptima solução para eliminar soldados inimigos e combater grupos terroristas. São uma forma de violência extrema que responde a grupos que se organizam de acordo com a lógica da guerra. Mas a lógica da guerra não é a lógica da vida civil. A guerra é regida pela força, a vida civil deve ser regida pela lei. Numa sociedade regida pela lei, os cidadãos são inocent...

O 'MAGALHÃES'

Diário de Notícias, 080809 João Miranda investigador em biotecnologia jmirandadn@gmail.com O choque tecnológico está a chegar às escolas portuguesas. Os alunos portugueses vão ter direito ao Magalhães , um computador produzido pela Intel e subsidiado pelo Governo português. Os governantes acreditam que se juntarmos boa tecnologia (concebida nos Estados Unidos, produzida no Extremo Oriente e embalada em Portugal) a maus alunos, más escolas e maus professores vamos obter génios da física e da matemática. Alguém anda a confundir as causas com as consequências. A tecnologia não produz físicos e matemáticos. Os físicos e os matemáticos é que produzem tecnologia. Os alunos portugueses têm hoje acesso a computadores baratos porque alguns dos melhores alunos americanos andaram durante décadas a estudar Física e Matemática. A tecnologia é o resultado de bons alunos. Não são os bons alunos que resultam da tecnologia. E, de qualquer das formas, é um pouco tarde. Bill Gates e Paul Allen (fundado...