A ascensão do animal e a decadência do valor da pessoa
Ana Sá Lopes | ionline 2016.05.17 Há um poema muito antigo de Sophia de Mello Breyner, chamado “As pessoas sensíveis”, que começa assim: “As pessoas sensíveis não são capazes de matar galinhas/ Porém são capazes de comer galinhas.” Lembro-me muitas vezes dele a propósito da recente ascensão na sociedade atual do animal em detrimento da “pessoa” ou, se preferirem, da “pessoa humana”. Tendo em conta os últimos desenvolvimentos, é provável que falar em “pessoa humana” deixe de ser uma redundância. Vem isto a propósito do aumento de penas relativamente aos maus-tratos aos animais e ao “animalicídio”, conforme está no projeto do PAN, o partido chamado “dos animais” que, ao eleger um deputado nas últimas legislativas, deu a conhecer o sinal dos tempos. O parlamento aprovou projetos, do PS, Bloco e PAN, que fazem equivaler, na prática, a punição por maus-tratos a animais à punição por agressão física a uma pessoa “humana”. Este crime prevê até três anos de prisão, o mesmo que o PAN def...