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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Pedro Vaz Patto

ILIBERALISMO

PEDRO VAZ PATTO        VOZ DA VERDADE            02.07.17 Tim Farron demitiu-se do seu cargo de dirigente do Partido Liberal-Democrata britânico depois das recentes eleições. Mas o resultado destas não o justificaria; não se verificou nenhum insucesso no plano político, pelo contrário: esse partido reforçou a sua votação e representação parlamentar e afirmou-se como o mais convictamente europeísta, ocupando, assim, um espaço político próprio e bem delimitado. A razão dessa demissão foi, antes, no dizer do próprio, a dificuldade em conciliar essa sua posição de dirigente de um partido que ele qualificou como “liberal e progressista” com as suas convicções pessoais de cristão evangélico que procura ser fiel aos ensinamentos bíblicos. Durante a campanha eleitoral, Tim Farron foi insistentemente assediado por jornalistas para se pronunciar sobre as suas convicções a respeito da moralidade de aborto e do comportamento homossexual...

Fátima actual como há cem anos

PEDRO VAZ PATTO  VOZ DA VERDADE   07.05.17 Um historiador já classificou Fátima como o maior fenómeno de massas em Portugal dos últimos cem anos. E essa parece ser uma evidência indiscutível. A multidão que se aí se espera para o próximo dia 13 de maio vem confirmá-la mais uma vez. É um fenómeno que a muitos surpreenderá e que permanece para além de todas as profundas mudanças socias e culturais que o nosso país e o mundo conhecerem nestes cem anos. De entre os comentários, de pessoas de vários quadrantes, que tenho ouvido a propósito deste centenário, uns de adesão, outros de apreço, outros de simples respeito, alguns passam ao lado de aspetos centrais da mensagem de Fátima. Talvez na tentativa de a adaptar à mentalidade hoje corrente. Alguns desses aspetos, na verdade, contrastam com a mentalidade hoje dominante. Falar do inferno, por exemplo. Mas também Jesus no Evangelho fala do inferno de modo claro e inequívoco. A mensagem de Fátima, como a mensagem de Jesus, não...

Martírio e Fraqueza

PEDRO VAZ PATTO Recordo-me bem de ter lido Silêncio , do autor japonês Shusaku Endo, já lá vão uns bons anos. Ficou-me retido o fascínio pela profundidade da análise do drama existencial do protagonista, mas também alguma perplexidade a respeito da mensagem do livro. Os comentários (contrastantes entre si), que agora li, ao recente filme de Martin Scorcese baseado nesse livro confirmam essa mesma perplexidade. Nun desses  comentários, o bispo norte-americano Robert Barren afirma que «como qualquer grande filme ou novela, Silêncio resiste a uma interpretação unívoca». Também isso revelam esses comentários. Trata-se da história de dois missionários jesuitas portugueses que, no século XVII, percorrem o Japão em busca de um outro missionário, Cristovão Ferreira, o qual, de acordo com as crónicas da época, depois de ter sido mentor de muitos outros missionários jesuitas, não resistiu à tortura e renegou a sua fé, no período de violenta perseguição aos cristãos. Esse período de...

Sociedade 'Down-free'?

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PEDRO VAZ PATTO   OBSERVADOR   17.12.16 Chère future maman  ( Querida futura mamã ) – é este o título de um spot elaborado em França e difundido através do Youtube por todo o mundo (foi visto por mais de sete milhões de pessoas), premiado no festival de Cannes, que recolhe depoimentos de jovens com trissomia 21 que testemunham a sua felicidade e a sua capacidade de trabalhar e de amar. O Conselho Superior do Audiovisual francês proibiu a difusão desse spot com o fundamento de que poderia perturbar as mulheres que decidissem abortar quando fosse detectada tal doença no feto. A intenção de quem elaborou esse  spot  não é – claramente – a de condenar essas mulheres, mas a de evitar que tomassem tal decisão irreversível com base no medo e na ignorância, uma decisão de que poderiam vir a arrepender-se. E- tive ocasião de ver esse  spot  – com uma linguagem serena e nada ofensiva. Alguns jovens adultos com trissomia 21, mas com as necessárias facul...

Quando se derruba o alicerce

PEDRO VAZ PATTO  VOZ DA VERDADE  05.11.16 Já várias vezes ouvi a pessoas que defendem a legalização da eutanásia que esta deve restringir-se a casos excecionais e extremos, a situações de doença terminal e sofrimento insuportável. A lei deverá estabelecer com rigor um quadro bem delimitado e não pode considerar-se à partida que ela não será respeitada. A legalização da eutanásia será, de qualquer modo, uma exigência do respeito pela autonomia. A prática dos países que legalizaram a eutanásia revela, porém, que essa legalização nunca se restringiu a casos excecionais e extremos. Vão-se sucedendo passos sempre no sentido de um alargamento progressivo do campo de aplicação dessa legalização, de facto ou de direito. A imagem da  rampa deslizante  tem aqui plena aplicação: começamos a descer em plano inclinado e não conseguimos travar a descida. Ou a de um dique que é derrubado sem que a enxurrada de água possa ser contida. Ou a de uma janela que é aberta, se...

O burkini e os nossos valores

Pedro Vaz Patto Observador26/8/2016 Não pode exigir-se dos muçulmanos que deixem de o ser para se integrarem nas sociedades europeias. Deve é exigir-se-lhes que respeitem outras culturas e identidades, como pretendem serem respeitados. O primeiro-ministro francês Manuel Valls aprovou com veemência a proibição nas praias francesas do chamado “burkini” (um fato de banho, usado por mulheres muçulmanas, que cobre quase todo o corpo), por ser «contrário aos nossos valores». Mas não são valores característicos das sociedades europeias os da liberdade, tolerância e pluralismo? Não será, antes, contrário a esses valores impedir a frequência de uma praia pública a uma mulher apenas porque esta recusa exibir o seu corpo? Tal como será incoerente admitir em escolas, em nome da tolerância, as indumentárias mais bizarras, mas não o uso de um véu que cobre apenas a cabeça (o hijab). É claro que o uso do “burkini” não pode ser descontextualizado. Não se trata, pura e simplesmente, de ir ...

UMA LEI QUE NÃO PODE SER MELHORADA

Pedro Vaz Patto 2016.07.20 No momento em que escrevo, o Parlamento acaba de aprovar uma nova versão do projeto que legaliza a maternidade de substituição. Para os proponentes, trata-se da resposta ao apelo do Presidente da República no sentido de “melhorar” a primeira versão dessa lei, suprindo algumas lacunas já anteriormente apontadas em dois pareceres do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (C.N.E.C.V.). Impõe-se afirmar, com vigor e clareza, que uma qualquer lei que legalize a maternidade de substituição não pode ser “melhorada”, porque esta é uma prática intrinsecamente contrária à dignidade humana (e, assim, contrária ao disposto no artigo 67.º, n. 2, e), da Constituição portuguesa) e nenhum enquadramento jurídico poderá obviar a isso. Os problemas que pode suscitar nunca serão resolvidos de forma satisfatória e só a sua proibição em qualquer caso os afasta. Essa proibição vigora em muitos países e também é preconizada na recente Resolução do Parlamento Euro...

O gorila e a criança

Pedro Vaz Patto | Observador 17/6/2016 Declarações recentes do Papa Francisco, críticas em relação a quem dispensa mais atenção e cuidados a animais do que a seres humanos, não deixaram de  ser muito criticadas por associações animalistas. A morte do gorila Harambe, para evitar o perigo sério de morte de uma criança, suscitou protestos com uma intensidade maior do que a dos protestos que provavelmente suscitaria a morte dessa criança, ou que suscita a morte de muitas pessoas. Houve até quem (Bran Taylor, no Huffington Post) defendesse, a propósito, o valor superior, na perspetiva do equilíbrio entre as várias espécies animais, de um animal de uma espécie rara (como era esse gorila) sobre uma entre milhões de crianças da espécie humana. Este facto, como a recente discussão parlamentar sobre a alteração do estatuto jurídico dos animais, torna oportuno relembrar mais um dos princípios fundamentais em que tem assentado a nossa civilização e a nossa ordem jurídica e que ago...

Not dead yet

PEDRO VAZ PATTO Voz da Verdade, 2016.05.01 Not dead yet (Mortos ainda não) – este é o nome de uma associação que combate a legalização da eutanásia e do suicídio assistido em nome da defesa dos direitos das pessoas com deficiência e que está presente nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Canadá (em cuja zona francófona assume o nome Encore vivants – Ainda vivos). Mas são muitas as associações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência que se opõem à legalização da eutanásia e do suicídio assistido, embora não façam dessa oposição o seu objectivo principal, como faz esta. Na verdade, ao contrário do que tende a suceder em relação a outras causas de defesa da vida, no campo da oposição à eutanásia a Igreja Católica, ou mesmo as várias comunidades cristãs ou religiosas, não estão sozinhas. Nessa oposição destacam-se tradicionalmente as associações médicas (hoje menos do que outrora – é verdade) e as associações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Poder...

A eutanásia e a rampa deslizante

Pedro Vaz Patto Observador 17/2/2016, 22:15 A rampa deslizante não é um fantasma de alarmistas: é uma realidade comprovável pelas experiências dos países que legalizaram a eutanásia, uma realidade que segue um percurso lógico e previsível. São de dois tipos os argumentos que podem ser invocados contra a legalização da eutanásia e do suicídio assistido. Um primeiro diz respeito aos princípios civilizacionais que estão em jogo: o valor e a indisponibilidade da vida humana (a protecção da vida vem antes da protecção da autonomia, porque a autonomia pressupõe a vida) e a igual dignidade da vida humana em todas as suas fases (esta dignidade é uma qualidade intrínseca, não se perde em situações de doença e sofrimento). Um segundo depende de juízos prudenciais, relativos à previsibilidade dos efeitos que essa legalização possa acarretar, para além da ofensa a tais princípios, e, designadamente, da impossibilidade prática de conter legalmente a eutanásia no âmbito de situações verdade...