Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Camilo Lourenço

CGTP, FENPROF, UGT... Lembra-se deles?

Camilo Lourenço Facebook, 20160905 O governo travou violentamente no investimento e não está a gastar uma boa parte das verbas que estavam inscritas no Orçamento do Estado. Fora os atrasos nos pagamentos a fornecedores, com destaque para a Saúde (mais de 200 milhões de pagamentos em atraso). Há dias, o Presidente da República avançou que essas cativações devem transformar-se em cortes definitivos, já depois de o governo ter declarado que em 2017 não haverá aumentos salariais. Apesar do que se está a passar, não se ouve CGTP, FENPROF, UGT e demais grupos de pressão brindarem o governo com o mesmo tipo de reação que dedicavam aos anteriores inquilinos de São Bento. Na CGTP, Arménio Carlos finge que protesta: quando abre a boca tem a mesma credibilidade de alguém que grita "Fujam, a casa está a arder!" com um sorriso nos lábios. Na FENPROF, Mário Nogueira deixou de aparecer (provavelmente porque anda a assessorar o ministro da Educação). Na UGT Carlos Silva parece ter e...

Oh camarada Jerónimo, seja comunista!

Camilo Lourenço Jornal de Negócios, 20160830 Já olhou para a fatura do seu IMI? Não ficou contente pois não? Agora vá ver a fatura de IMI que os partidos pagam pelos imóveis que têm... Exato: pagam zero. Não, não perca a cabeça e guarde os insultos para mais tarde. Os partidos (e os sindicatos, que estão muito caladinhos!) têm mais de 27 milhões em imóveis. Os do PCP valem mais de 14 milhões de euros. Mas não pagam rigorosamente nada. Nem os partidos nem os sindicatos (com destaque para a CGTP). Enquanto isso, as famílias têm de pagar o couro e o cabelo por um simples imóvel a que chamam "lar". Só isto chega para mostrar o nível de podridão a que chegou a política portuguesa (até agora só o CDS se pronunciou a favor da mudança). Nas últimas semanas, depois da estupidez do agravamento do IMI via "exposição solar", o assunto foi glosado à exaustão nas redes sociais. De tal forma que o PCP se viu obrigado a falar do problema. Jerónimo de Sousa veio dizer que...

A falta de vergonha não tem limites

Camilo Lourenço Jornal de Negócios, 20160819 Este governo não para de surpreender. Pela negativa. O BCE decide chumbar 19 administradores para a CGD e proibe a acumulação de cargos entre CEO e chairman. O que faz o governo? Insiste na segunda e diz que vai mudar a lei para contornar a "nega" do BCE no número e nomes dos administradores. Mudar a lei? Para servir os interesses do governo? Isto é como o presidente de um clube pedir a mudança da regra do penalty porque o árbitro marcou penaly (justo) contra a sua equipa. O governo não entende duas coisas. A primeira é que a imposição do BCE faz todo o sentido: o conselho de adminisração (administradores não executivos) fiscaliza o trabalho do CEO e equipa. Logo tem de ter tempo para fazer isso. Ora alguns dos nomeados pelo governo já têm muito trabalho em outros órgãos sociais em que participam. Além disso, existe um conflito de interesses entre empresas onde essas pessoas exercem funções e as funções que vão exercer na ...

Marcelo e Costa fazem jus à silly season

Camilo Lourenço Jornal de negócios, 2016.08.11 Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa parece que não viveram em Portugal nos últimos dez anos e, por isso, nunca viram incêncios. O Presidente repetiu aquilo que todos os políticos disseram em anos passados: é preciso reordenar o território coordenar esforços para apostar na prevenção. O 1º ministro foi pelo mesmo caminho, repetindo ideias de um plano contra incêndios feito quando ele foi ministro da Administração Interna. Quem for ao Google pesquisar o que os dirigentes disseram nos últimos 10 anos encontrará um somatório de banalidades muito parecidas com aquilo que o Presidente e o 1º ministro disseram ontem. É a confirmação de que os políticos não percebem que o problema dos incêndios não é o diagnóstico. Isso está feito há muitos anos, como mostra o plano de 2006. O problema é a execução (ver artigo de 2ªa feira). Se Marcelo e Costa querem resolver o problema têm de questionar a razão pela qual falha essa execução. Ou seja,...

A esquerda só cede quando fica sem dinheiro

Camilo Lourenço Jornal de Negócios, 2016.06.24 Em 1978 Mário Soares meteu o socialismo na gaveta porque Portugal ficou sem dinheiro e precisou do FMI para obter dinheiro nos mercados internacionais. Em 1983 a cena repetiu-se, com novos contornos: o governo socialista foi obrigado a abrir os setores da banca e seguros à iniciativa privada. Em 2011 voltou a acontecer a mesma coisa: o governo de Sócrates precisou da Troika porque os mercados porque já ninguém emprestava dinheiro Portugal. O que é que isto mostra? Que a esquerda só cede (na questão orçamental e nas reformas estruturais) quando fica sem dinheiro. As organizações internacionais que nos "policiam" deviam tomar nota deste pormenor: se querem que Portugal faça as tais reformas estruturais, e ponha ordem nas suas finanças públicas, só têm de esperar pela próxima vez que nos faltar dinheiro. Com exigências bem mais exigentes do que as de 2011

O que tem a coerência ideológica a ver com educação?

Camilo Lourenço Jornal de Negócios, 2016.06.15 No artigo de 15 de Maio explicámos porque tinha António Costa arriscado tanto ao cortar o financiamento às escolas privadas (criando fissuras dentro do próprio PS e irritando o Presidente da República). Costa precisava de dar alguma coisa em troca ao PCP e Bloco que, já o sabiam, teriam de ceder no "salvamento" da Caixa Geral de Depósitos. Os dois partidos precisavam de se agarrar a algo propenso à radicalização ideológica para retirar importância à discussão sobre os 4 mil milhões de euros que o contribuinte vai ter de meter na Caixa... Essa estratégia começa agora a ficar clara: PCP e Bloco, que se diziam absolutamente contra a recapitalização de bancos pelos contribuintes, meteram a viola no saco e já aceitam a injeção de dinheiros públicos na CGD. E o que ela traz, por imposição de Bruxelas: despedimentos (provavelmente 2 mil trabalhadores) e venda de ativos. Há dois anos uma medida destas (sobretudo os despedimentos) ...

Eles provaram o poder e gostaram

Camilo Lourenço Jornal de Negocios, 20160428 Quem ler o Programa de Estabilidade apresentado pelo governo (atenção, eu disse quem ler!!!) percebe uma coisa: com algumas diferenças, poderia ter sido apresentado pelos partidos que estão agora na oposição. Se é assim, fica uma pergunta: porque é que os partidos de esquerda, que apoiam o governo, não o chumbam a (tanto o PCP como o Bloco já disseram que não o apoiam, mas também não o querem ver submetido a votação no Parlamento)? Porque já perceberram que nem Bruxelas nem os credores aceitariam um documento muito diferente. Mas isto não viola as suas convicções, tão propaladas na campanha eleitoral e nas declarações diárias de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa? Claro que viola. Mas os dois partidos mudaram com a sua subida ao poder. Eles provaram esse poder... e gostaram. E para o manter vão fazer tudo e mais alguma coisa. Como se verá quando o governo tiver de engolir mais medidas de austeridade, impostas por Bruxelas. Vai uma...

E agora, vão pedir desculpa?

Jornal de Negócios 11 Dezembro 2013 Camilo Lourenço  O leitor lembra-se das prosas de há um ano? Que a economia estava em "free fall", que a espiral recessiva já cá andava (havia até quem previsse uma queda do PIB superior aos 2,3% do governo), que o desemprego ia sair de controlo, que éramos a segunda Grécia, etc e tal. Ontem, o Banco de Portugal veio dizer que os sinais dos últimos meses, que já desmentiam muita da profecia negra do início do ano, vieram para ficar. E até duplicou a sua previsão de crescimento, aproximando-a da do governo: 0,8% (a queda do PIB, este ano, deve ficar em 1,5%). Apesar de toda a austeridade (e é muita!) prevista para o próximo ano. Ou seja, o banco central diz que a melhoria da confiança e do emprego vão compensar o efeito dos cortes de 3,9 mil milhões na despesa. É verdade que estamos perante previsões. Mas a recuperação de vários indicadores, entre eles as exportações (com ganhos de quotas de 10%), o indicador avançado da O...

O desespero de Arménio Carlos

Jornal de Negócios , 27 Novembro 2013, 23:05 Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com Arménio Carlos está entalado. Ele sabe que já perdeu a guerra da contestação à austeridade. É por isso que ensaia todas as semanas uma manifestação contra as medidas que a Troika impôs a Portugal . O líder da CGTP precisa de acções que levem as televisões a fazer aberturas de noticiário com os protestos que organiza. Mesmo que algumas dessas acções não mobilizem mais do que algumas dezenas de pessoas. O que interessa é o barulho que os manifestantes fazem, exactamente quando começam os directos. Para passar a (falsa) ideia de que o país está à beira da ingovernabilidade. Foi isso que o levou a inventar a ocupação de quatro ministérios. Perdida a batalha da votação do Orçamento, era preciso um golpe de asa para manter viva a ideia de contestação. O problema é que Arménio já perdeu a guerra. A maioria dos cidadãos que diz representar está-se a marimbar para a CGTP. E a prova disso é que, e...

In memoriam... António Borges

Jornal de Negócios, 25 Agosto 2013, 22:30 por Camilo Lourenço |   camilolourenco@gmail.com Esta é a crónica mais difícil que já escrevi. De um lado está a amizade de longa data para com o melhor economista que Portugal já teve; do outro o dever de isenção exigido a um jornalista. Não sei se conseguirei ser isento. Provavelmente não. Mas sei que o leitor me perdoará…   Durante 25 anos acompanhei a sua carreira. Umas vezes mais perto do que outras. Fui o primeiro jornalista a noticiar o seu regresso a Portugal, para ser vice-governador do Banco de Portugal. Fui o primeiro a noticiar a sua saída, depois das ingerências do governo, chefiado por Cavaco Silva, na independência do banco central (uma das suas convicções inabaláveis). Foi a sua carta de recomendação (soube-o mais tarde pelo director do curso…) que se revelou decisiva para ser aceite na University of Michigan.   A ele lhe devo muito do que aprendi sobre Economia desde os tempos de estagiário de Jornalismo. Nã...

O Estado, figura omnipresente na nossa vida…

30 Abril 2013, 00:05 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com Portugal não sabe viver sem o Estado. E o Estado não sabe viver sem a "protecção" que a sociedade civil lhe exige. Vem isto a propósito do protesto dos taxistas, ontem em Lisboa. Protesto, recordo, relacionado com os cortes do Ministério da Saúde nas verbas para pagar o transporte de doentes por táxi. A páginas tantas alguém perguntava a um dos "protestantes" por que estava ali. E a resposta foi elucidativa: na zona onde vive, o seu rendimento cingia-se quase exclusivamente ao "contrato" para transportar doentes não acamados. Agora, com os cortes do Ministério da Saúde, os outros clientes não chegam para lhe rentabilizar o negócio. Ou seja, há um "empresário" que não sabe o que é diversificar o negócio e pensa que o Estado não pode fazer cortes na despesa… porque ele precisa de garantir a sua sobrevivência. E, por isso, decide vir protestar para São Bento. O problema de P...

Salários sobem em recessão? Hummm…!!!

Negócios on-line 22 Março 2013, 00:01 por Camilo Lourenço | camilolourenco@gmail.com A OCDE diz que as remunerações subiram em Portugal 0,7% no último trimestre do ano passado. Como no mesmo período os salários aumentaram 0,2% na zona Euro e 0,3% nos países que fazem parte daquela organização, a conclusão é inevitável: os salários em Portugal estão a crescer acima do que acontece nos nossos concorrentes. Mais: a OCDE diz ainda que a subida da produtividade em Portugal, no período em causa, também abrandou. Conclusão: os custos unitários do trabalho (CUT) subiram 0,6%, acima do que aconteceu nos outros países da zona Euro (no 1.º trimestre os CUT desceram 4,5%, no 2.º aumentaram 1,5%, no 3.º caíram 0,2% e no 4.º trimestre subiram 0,6%). Com destaque para os nossos vizinhos espanhóis, onde os CUT baixaram 0,7% no 1.º trimestre, caíram 1,4% no 2.º, voltaram a cair (0,8%) no 3.º e sofreram uma quebra de 3,8% no 4º trimestre de 2012. Como os custos unitários de trabalho levam em con...

A TSU, a recessão e a amnésia de Soares

Imagem
Negocios on-line 19 Setembro 2012 | 23:30 Camilo Lourenço - camilolourenco@gmail.com Do ponto de vista técnico a baixa da TSU, em moldes diferentes, pode ser um "estímulo" para transferir recursos da "economia interna" para a "externa": a queda do consumo e dos custos de produção força as empresas a procurarem outros mercados. A descida da TSU, como foi apresentada, suscita dúvidas? Sim. Mas mais pela perda do consenso social (ninguém quer transferir rendimentos para as empresas) do que por razões técnicas. Do ponto de vista técnico a baixa da TSU, em moldes diferentes, pode ser um "estímulo" para transferir recursos da "economia interna" para a "externa": a queda do consumo e dos custos de produção força as empresas a procurarem outros mercados. Nem todos beneficiam? Sem dúvida. Mas as escolhas públicas nunca beneficiam toda a sociedade. Quando Mário Soares aceitou as desvalorizações impostas pelo FMI , em 1983...

Assim não vamos lá

Negócios on-line , 12 Setembro 2012 | 23:30 Camilo Lourenço -  camilolourenco@gmail.com Há meses, Paul Krugman, o prémio Nobel preferido da Esquerda, dizia que os salários nos países do sul, nomeadamente Portugal, tinham de baixar 30%. A declaração chocou os apoiantes portugueses mais fervorosos. Como se está a ver, Krugman tinha razão. Há meses, Paul Krugman , o prémio Nobel preferido da Esquerda, dizia que os salários nos países do sul, nomeadamente Portugal, tinham de baixar 30%. A declaração chocou os apoiantes portugueses mais fervorosos. Como se está a ver, Krugman tinha razão. Basta consultar as estatísticas de Bruxelas, que mostram que a produtividade portuguesa é 70% da média da União, para perceber que os salários têm de baixar… 30%. Isto são verdades. Incontornáveis. Para Esquerda e Direita. E o dever dos políticos é dizer a verdade. Mas como contam meias-verdades, adoptam medidas meio verdadeiras. Resultado: não funciona. E, por isso, ...

Somos uns calimeros

Negócios online 22 Agosto 2012 | 23:30 Camilo Lourenço -  camilolourenco@gmail.com Em 19 de Janeiro deste ano os juros da dívida a 10 anos estavam em 14,67%; ontem caíram para 9,18%. Em 19 de Janeiro os juros a cinco anos estavam em 18,46%; ontem caíram para 7,83%. Já no prazo a dois anos os juros estavam em 16,6% e ontem desceram para 4,76%. De referir que a comparação peca por defeito: o valor mais elevado ocorreu no final de Janeiro (os juros a cinco anos chegaram a encostar nos 21%)… Nos prazos de dois e cinco anos os juros até já estão abaixo dos valores de antes do pedido de ajuda externa . A descida é tanto mais notável porque ela se mantém apesar da queda do PIB (3,3% em termos homólogos) no segundo trimestre de 2012 e da turbulência em Espanha, para onde vão 24% das nossas exportações. Explicações para este comportamento há-as para todos os gostos: eventual intervenção do BCE ; abertura a cedências no programa da Grécia; descida dos jur...

'Shame on us' (jornalistas)?

Imagem
19 Julho 2012 | 23:30 Jornal de Negóciox Camilo Lourenço -  camilolourenco@gmail.com Ontem uma senhora, com ar de executiva, abordou-me na rua criticando-me por não ter falado no facto de Portugal se ter financiado a taxas de 2010. Uma referência às duas emissões de BT onde a República foi buscar dinheiro a juros muito aceitáveis. " Como assim?", perguntei. Os jornais falam no assunto". A senhora contestou: "Estou a falar das manchetes. Vocês jornalistas só gostam das más notícias. Esta é uma boa notícia para o contribuinte, não é para o governo".   Quando lhe disse que soava a teoria da conspiração, interrompeu: "E o estudo da Reuters, que diz que somos melhores do que Espanha? Se fosse ao contrário era notícia de primeira página e abria telejornais".   Fui verificar. No "Público", "i", "Correio da Manhã" e "DN" de facto o assunto não vinha na 1a página. As TV tocaram ao de leve na matéria (com ex...