Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Pedro Picoito

Nada mais

Imagem
PEDRO PICOITO   11.01.2019    CORTA-FITAS.BLOGSPOT.COM Alertado por alguns comentários no Facebook, fui ver a já célebre reportagem da TVI sobre a não menos célebre terapia da psicóloga Maria José Vilaça para "converter" homossexuais. Antes de mais, duas ressalvas. Primeira: este é um daqueles posts que preferia não escrever porque o tema é complexo, foge à simplificação das redes sociais e só me vai trazer dissabores. Segunda: conheço a Dra. Maria José Vilaça e, mesmo que não conhecesse, tenho fraco apreço por linchamentos públicos, com ou sem fogueiras. Não esperem, portanto, que vá dar uma no cravo e outra na ferradura só para parecer tolerante. De qualquer modo, tenho a pele dura, já perdi a ilusão de agradar a toda gente e prefiro chatices mediáticas a silêncios cúmplices.  Indo directo ao assunto, a reportagem é sensacionalista (com uma musiquinha de fundo que parece saída do  Tubarão  do Spielberg), cínica ("salvar almas perdidas"?  ...

Nem todos nascemos

Imagem
Crónicas da Renascença: Nem todos nascemos* Pedro Picoito, 2012-02-13 No último Sábado, dia 11 de Fevereiro de 2012, assinalaram-se cinco anos sobre o referendo que abriu caminho à liberalização do aborto em Portugal. Do aborto legal em caso de violação, malformação do feto ou perigo de vida para a mãe  passámos para a legalização do aborto a pedido. Já vai sendo tempo de fazer um balanço da aplicação da lei que o Governo de então, liderado por Sócrates, nos prometeu respeitadora das “melhores práticas”. Um estudo recente da Federação Portuguesa Pela Vida revela alguns números que fazem pensar. 97% dos 80 mil abortos legais desde 2007 foram enquadrados na cláusula “por opção da mulher”, um facto previsto pelos defensores do “não”, mas sempre minimizado. 60% das mulheres que abortaram têm entre 24 e 39 anos e cerca de metade o ensino secundário ou superior, contrariando o mito de que o aborto seria uma solução de último recurso para adolescentes pobres e desinformadas. ...

No centenário da lei da separação

Pedro Picoito RR on-line 17-04-2011 Na próxima 4ª-feira, 20 de Abril, comemoramos o centenário de uma das maiores guerras culturais da I República: a Lei da Separação entre a Igreja e o Estado. Símbolo histórico da laicidade em Portugal, a lei cometeu o erro, no entanto, de transformar a laicidade em questão religiosa, na expressão de Fernando Rosas. Ou seja, a Lei da Separação entre a Igreja e o Estado foi, em muitos aspectos, uma lei de submissão da Igreja ao Estado. O fim das suas duas centenas de artigos, actualização do eterno programa do Estado moderno descrito por Tocqueville de esvaziar as instituições intermédias entre o poder central e os indivíduos, era destituir a Igreja de personalidade jurídica, convertendo-a em mera associação de direito privado. Em consequência, todos os bens das dioceses e das paróquias foram nacionalizados, uma vez que a Igreja não podia ser proprietária. (Convém lembrar que os bens das ordens religiosas já tinham sido nacionalizados em 8 de Outubro ...

So uma escola exigente é democrática

Só uma escola exigente é democrática PÙBLICO, 25.09.2008 Pedro Picoito Condenar todos os alunos à mediocridade é o melhor que a democracia portuguesa tem para lhes oferecer? Por estes dias, milhão e meio de alunos portugueses voltam às aulas. Vão encontrar um sistema de ensino burocratizado, centralista e ineficiente. Irão para a escola que o Estado impõe aos seus pais, de acordo com a área de residência ou de trabalho. Talvez não tenham ainda todos os professores nos primeiros dias, porque a colocação de contratados é um processo nacional de tentativa e erro. Alguns acabarão o ano sem dar todo o programa de Português ou de Matemática por causa da indisciplina dos colegas ou da desmotivação dos professores. Vão encontrar, sobretudo, um sistema que, ao fim de um século de ensino obrigatório, ainda não ultrapassou o maior desafio da escola pública: conciliar a igualdade de oportunidades e a procura da excelência. É o mesmo dilema entre a paixão da igualdade e a paixão da liberdade que To...

O massacre dos cristãos-novos, Pedro Picoito, Cartas ao Director, Publico, 080426

O massacre dos cristãos-novos A última crónica de Rui Tavares, sobre a inauguração do monumento em memória do massacre dos cristãos-novos de Lisboa em 1506, continha três imprecisões históricas na seguinte frase: "Foi o pior momento da história da Lisboa portuguesa (talvez apenas superado pela própria conquista da cidade, quando os cruzados passaram a fio de espada muçulmanos, judeus e cristãos que viviam dentro da cerca moura)."Não contesto a justiça da homenagem, embora dispense o paternalismo de quem se sente capaz de decidir quais foram os melhores e os piores momentos da história de Lisboa - ou outra qualquer. O que contesto seguramente é que se possa corrigir os erros do passado escrevendo erros sobre o passado.Em primeiro lugar, nem as fontes islâmicas nem as cristãs nos dão conta da presença de judeus em Lisboa em 1147, ainda que essa presença seja muito provável. Como lembra a historiadora Maria José Ferro, só no reinado de D. Afonso III as fontes nos permitem afirma...