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As três mentiras sobre o amor

António Pinto Leite Observador 5/6/2015 Esta suposta interdição do amor na política, na economia e na comunicação social são três grandes mentiras sobre o amor. Em Portugal, segundo o último Census, cerca de 9 em cada 10 portugueses diz-se “cristão”. Não há dúvida de que a matriz cultural portuguesa é cristã. O centro vital da matriz cultural cristã é o amor ao próximo. Dito de outro modo, o amor é a raiz dos valores em que os portugueses acreditam e deve, assim, conformar toda a nossa realidade. Há, no entanto, três áreas em que o amor, a própria palavra “amor”, se considera estar interdita: na política, na economia e na comunicação social. Raríssimos politicos ousam dizer “amor” na sua ação. Raríssimos líderes empresariais ousam dizer “amor” na sua gestão. Raríssimos jornalistas ousam dizer “amor” no seu critério editorial. Parece mal, inadequado, inútil, impróprio, perdedor, talvez ridículo. Esta suposta interdição do amor na política, na economia e na comunicação soc...

Amor na gestão

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JOÃO CÉSAR DAS NEVES DN 2012-07-09 Nestes dias quentes de Verão somos por vezes surpreendidos pela proverbial lufada de ar fresco. Sensação paralela encontra-se na leitura de alguns textos, como o recente livro de António Pinto Leite "O Amor como Critério de Gestão" (Principia, 2012). Com um título destes seria de esperar um chorrilho de disparates benévolos ou filosofias irrealistas. Por isso o raciocínio lúcido e operacional do volume surge inesperadamente refrigerante. O autor consegue sempre manter a integridade dos dois lados da insólita equação do título, resolvendo o que muitos consideram paradoxos impossíveis. O estilo é sempre leve e interpelante, conciso e cortante, sem perder o rigor ou ceder no equilíbrio. Parte de um princípio simples: "o   centro   vital da ética cristã é o amor" (p. 23), ideia que repetidamente revolucionou o mundo e não perdeu eficácia ou vigor em 2000 anos. Só que Pinto Leite está a escrever para gestores actuais, que nã...

O amor como critério de gestão

Discurso Sessao Abertura APL

Amor ao próximo é um critério de gestão - Entrevista Antonio Pinto Leite - DE

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DE 2011.11.15 O presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores explica como os valores cristãos podem ser lucrativos. Bruno Proença Na primeira entrevista como presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), António Pinto Leite usa um discurso disruptivo. Numa linguagem pouco habitual nos líderes empresariais, o advogado explica como os princípios cristãos trazem maior competitividade às empresas. Qual a diferença na abordagem à crise entre um empresário cristão e outros empresários ou gestores? No último Censos, 90% dos portugueses revelam que são católicos. Assim, nove em cada dez gestores devem ser cristãos. Nesta perspectiva, os valores da doutrina social da Igreja são entendidos e desejados pela maioria dos que dirigem as empresas ou são donos dos negócios. A proposta da ACEGE passa por adoptar o amor ao próximo como critério de gestão empresarial. Pode parecer místico ou ingénuo, mas é um critério de grande solidez operacional e pragmático por...

Tempo de assumir responsabilidades

António Pinto Leite RR on-line 24-05-2011 12:38 É preciso entender bem o contexto em que vamos votar no dia 5 de Junho. Portugal é como um doente que está ligado à máquina para sobreviver. Se não fosse haver credores estrangeiros que ainda se dispuseram – e com que dificuldade e a que preço – a emprestar dinheiro a Portugal, o nosso país tinha ido à falência. Sucede que o dinheiro só vem se cumprirmos à risca um programa exigentíssimo, isto é, podem desligar-nos a máquina. O Estado ficará sem dinheiro para pagar os salários da função pública, o Estado Social ficará sem condições para pagar aos pensionistas, os bancos entrarão em colapso e as empresas perderão as condições para assegurar o emprego. A grande questão para os eleitores é, assim, muito simples e cada português vai ter de assumir a sua responsabilidade pessoal. A questão é esta: para tirar Portugal da bancarrota, confiamos na mesma pessoa que trouxe Portugal à bancarrota? É que as sondagens dizem que há o risco real de o...

União de vida entre pessoas do mesmo sexo

António Pinto Leite Expresso, 28.02.2009 A questão da consagração legal da união de vida entre pessoas do mesmo sexo toca em sentimentos profundos. De um lado, o sentimento dos homossexuais. A sociedade impressiona-se com a sua arrogância, com o seu excesso, com a sua intolerância, até, mas é preciso perceber o contexto de onde tudo isso emerge: uma longa história de desconsideração social, proscritos, discriminados, ridicularizados, 'desamados'. Há 40 anos, desde que cresci, que me comove a solidão abandonada e secreta da generalidade dos meus amigos e amigas homossexuais. Revolta-me a sentença social de uma vida irreconhecida, a condenação à vergonha, deles e dos pais. Como crente, não acredito que Deus, que é Amor ou não é, queira uma condenação social de vida assim. Cabe-me, enquanto ser humano, calcular e integrar um plano de Deus em que, aceitando a diferença, acolho o outro até onde se joga a sua dignidade e a minha se não perde. De outro lado, o sentimento p...

Não há talentos grátis

Expresso, 20080927 António Pinto Leite Cada empresa portuguesa, assim como Portugal como país, deve perguntar-se: onde estaremos daqui a dez anos com a gestão do talento que hoje fazemos? As comunicações atenuaram as distâncias de tal modo que a geografia deixou de ser o factor competitivo que antes foi. O capital é relevante, mas em campeonatos homogéneos não faz a diferença. As máquinas ainda são importantes em muitos sectores, mas a boa gestão pode compensar a diferenciação competitiva que daí resultaria. A geografia, o capital e a máquina foram substituídos por outro activo diferenciador, pelo talento. O factor competitivo que faz a diferença na economia de hoje é o talento. O talento sempre fez diferença, hoje faz toda a diferença. O talento é um bem escasso, o talento é um bem por desenvolver. O talento é um bem escasso, como uma matéria-prima essencial. Consegui-lo, mantê-lo e desenvolvê-lo é o desafio mais importante das organizações modernas de alto desempenho. Mesmo ao nível ...

A meia decepção olímpica

António Pinto Leite Expresso, 080823 Se queremos um Portugal vencedor, alinhado pelos primeiros, é virtuoso colocar o país sob desafio, sob pressão, sempre As derrotas ensinam mais do que os sucessos. A meia decepção olímpica portuguesa, salva por Nelson Évora, traz lições a que vale a pena prestar atenção. A competição olímpica é um contexto especial, mas não é totalmente estranha à competição do mundo de hoje. Em primeiro lugar, Portugal está mais rico. Houve mais apoios, apoios que nunca houve, e houve mais atletas a ter a sua oportunidade. Não se pode dizer que o Estado não melhorou o seu desempenho. Todavia, comparando com o desempenho de outros Estados, Portugal, melhorando, ficou para trás, mais para trás. A lição moderna é esta: melhorar não é suficiente no mundo global. A palavra-chave é alinhamento, estarmos alinhados com o que de melhor se faz. Se não, perdemos. Em segundo lugar, o contexto que envolveu os nossos atletas, incensados, e o ambiente festivo fazendo crer que irí...

Empresa e família

António Pinto Leite Expresso, 2004.04.26 «A desagregação da família, fenómeno historicamente recente, contém um factor multiplicador tremendo.» UMA DAS preocupações centrais de um gestor ou de um empresário com recta consciência é a de possibilitar a todos os colaboradores um equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar. Foi neste quadro de preocupações que a ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores) encomendou à Universidade Católica um estudo sobre a Família, estudo dirigido, com a qualidade usual, por João Carlos Espada e agora publicado. Se os responsáveis empresariais cristãos estavam já motivados para a necessidade de protecção dos equilíbrios de vida dos seus colaboradores, ainda mais motivados deverão ficar. A primeira conclusão do estudo é a de que as tendências verificadas em Portugal estão alinhadas pelas tendências europeia e norte-americana. Portugal não é uma ilha. O estudo analisa a realidade norte-americana e apresenta indicadores ...

O bem e o mal

António Pinto Leite Expresso, 2001.11.17  O mês de Novembro do ano 2001 foi o tempo em que uma organização terrorista, capaz do crime de Nova Iorque, ameaçou o Mundo com o uso de armas nucleares. Estes são os dias em que potências nucleares escondem as suas próprias armas, ou se desdobram, talvez mais do que nos bombardeamentos no Afeganistão, a proteger as suas centrais nucleares. Neste contexto, a Humanidade vive com ansiedade diária a nova guerra. A questão de fundo, todavia, está para além dos protagonistas concretos do momento. A questão de fundo da actualidade é uma luta de ontem, de hoje e de sempre, é a luta entre o Bem e o Mal. O Bem e o Mal não tanto entendidos como categorias morais, mas como conceitos que se jogam na fronteira patológica do demoníaco. O Mal existiu, existe e existirá sempre. O Ocidente não tem, sequer, razões para se orgulhar: a evidência mais cruel da maldade humana recente pertence-lhe. Foi Hitler. O que hoje há de novo na tensão ent...

Qual é o mal ?

António Pinto Leite Expresso, 2000-11-11 A JUVENTUDE dos anos 60 e 70 fazia uma pergunta ao sistema de valores que então imperava: «Porque não?» A juventude de hoje faz uma outra pergunta: «Qual é o mal?» Há diferenças decisivas nestas duas perguntas, e as diferenças resumem os últimos 30 anos. A pergunta «Porque não?» era alternativa e implicava a existência, do outro lado, de um conjunto definido de valores. Dizia-se «não» a um conjunto de valores que não satisfazia mas que claramente se identificava. A juventude dos anos 60 e 70 confrontou-se com gerações mais velhas de fortes convicções, com uma noção transparente do que estava bem e do que estava mal. Confrontou-se ainda com noções de autoridade muito nítidas, por vezes exageradas ou perversas; mas, em qualquer caso, associado às convicções fortes das gerações que dominavam, sempre foi simples perceber que existia um sistema de autoridade em que aquelas convicções se fundavam e que as protegia. Os tempos de agora são bem ...

O mistério de Fátima

António Pinto Leite Expresso, 2000/05/06 O Papa Está a Chegar a Portugal. No centro desta terceira presença de João Paulo II na nossa terra está Fátima. «Eu devo a minha vida a Nossa Senhora de Fátima», confidenciou o Papa ao cardeal Eduardo Peróneo, logo depois do atentado de 13 de Maio de 1981, na Praça de S. Pedro. João Paulo II, uma das figuras centrais da história contemporânea, situa na terra portuguesa a sua sobrevivência, o seu pontificado. É a História, a de Portugal e a da Humanidade, e é a fé, essa realidade insondável da intimidade humana, que se entrelaçam nesta visita. A beatificação de Jacinta e Francisco entrelaça também os factos humanos, a História, com o mistério da fé. Jacinta e Francisco não são figuras virtuais, são duas crianças que existiram, com uma história própria e intorneável. A fé que move João Paulo II, que o traz a Fátima no auge de um martírio físico, num testemunho impressionante que silencia qualquer coração de boa-vontade, não é um acto gratuito, um ...