Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Graça Canto Moniz

Progressistas ontem, reacionários hoje

GRAÇA CANTO MONIZ    20.12.16   iONLINE Há duas semanas o “i” publicou uma entrevista com o Ricardo Araújo Pereira (RAP) onde o humorista confessava as censuras do politicamente correto e a dificuldade de usar, nos dias de hoje, certos termos em contexto de humor, como “marrecos, coxos e mariconços”. Os ofendidos rapidamente se manifestaram e as reações não tardaram a surgir, sobretudo por parte de quem representa a(s) causa(s) das “minorias” visada(s), ainda que se tenha registado uma menor ênfase na defesa de marrecos e coxos. Coincidência ou não, há algum tempo que revejo “Friends”, a famosa série que conta as aventuras e desventuras de um grupo de amigos que vivem em Nova Iorque. Ainda não terminei este longo processo, mas creio, próxima do desenlace, estar em condições de concluir que os ofendidos por RAP não são apreciadores da série. Perguntei ao Google que rapidamente me a conhecer, pela simples pesquisa dos termos “Friends” e “homofobia”, uma infindável list...

Quem não deve não teme? Snowden discorda

Graça Canto Moniz ionline 20160927 “Snowden”, de Oliver Stone, não é sobre um banal whistleblower. É um filme sobre um patriota, um admirador de Ayn Rand, um homem dedicado ao seu país que, com o passar do tempo, se apercebe da profundidade dessa sua ilusão. A fórmula usada neste filme não é inovadora, já a encontrámos de forma vincada no clássico sobre o Vietname “Born on the Fourth of July” (1989). “Snowden” tem informação, dados. Computadores e vigilância. É esse o tema principal do filme (e o maior contributo de Snowden): a forma como as agências securitárias norte americanas, abençoadas por Obama, estão autorizadas, de forma discricionária e não sujeita ao controlo democrático, a monitorizar e violar a privacidade de quem entendam, sem terem sequer de justificar os critérios adotados na sua ação vigilante. Aos que pelos dias de hoje defendem a filosofia simplista do “quem não deve não teme”, recomendo que vejam o filme com atenção, em particular o diálogo em que Snowd...

A burla fundamental do comunismo

Graça Canto Moniz ionline, 20160816 A sua descrição, manipulada por uma fé cega, quase é convincente, não fosse a história ensinar-nos que todas as tentativas artificiais e não espontâneas de alcançar a felicidade, todas as promessas de certas utopias têm redundado em fracassos. Antes destas férias assisti a alguns filmes do realizador russo Nikita Mikhalkov que passaram no cinema Nimas, em Lisboa, entre eles “Burnt by the Sun” (1994) cuja tradução para português (“O Sol Enganador”) se revela hedionda à medida que se desenrola a narrativa, num momento histórico muito preciso na Rússia: um domingo de 1936, aparentemente idílico, sereno, bucólico, cheio de reminiscências de Tchekhov, mas que coincide com as purgas de Estaline, às quais não escapará o herói principal, o coronel Sergei Petrovich Kotov, um antigo cão de fila do próprio Estaline.  É o próprio Mikhalkov que assume o papel de Kotov, um indivíduo cuja esperança no seu país, na glória da revolução e do comunismo...

Líderes queridos

Graça Canto Moniz ionline 20160628 Portugal não precisa de políticos rendidos a esta lamentável cultura de afetos, mas de líderes que sejam capazes de, sóbria e esclarecidamente, tomarem as decisões difíceis que a situação do país e do mundo exige A democracia fundamenta-se na escolha dos cidadãos; o Estado de direito, na separação de poderes. O que dá consistência e progresso a uma comunidade é a força das suas instituições - económicas, políticas e judiciais -, privadas e públicas, e a autonomia dos seus cidadãos para fazerem escolhas não condicionadas e livres. A ambição máxima de uma sociedade estruturada é que a gestão da coisa pública se institucionalize nestes dois pilares e não domine o espaço comunicacional até à náusea. Esse espaço, em Portugal, está longe de ser o expoente de uma sociedade saudável e madura, vivendo antes dominado pelo culto de personalidades presentes ininterruptamente, quais santos elevados num altar. Os nossos políticos, em vez de se dedicare...

Barrigas altruístas ou barrigas de aluguer?

Imagem
Graça Canto Moniz | ionline 2016.05.18 Numa trágica sexta-feira 13, o parlamento aprovou um projeto de lei de iniciativa do BE sobre a “gestação de substituição”. Todo o edifício legal aprovado assenta na natureza gratuita do negócio jurídico em causa. O diploma não deixa margem para dúvidas, proibindo “qualquer tipo de pagamento ou doação de qualquer bem ou quantia dos beneficiários à gestante de substituição”, esclarecendo ainda que “para evitar formas de pagamento dissimulado ou de chantagem sobre uma possível gestante de substituição (...) não é permitida a celebração de negócios jurídicos de gestação de substituição quando existir uma relação de subordinação económica, nomeadamente de natureza laboral ou de prestação de serviços, entre as partes envolvidas”. Sendo gratuito, o regime jurídico proposto pelo BE assenta no altruísmo, boa vontade e generosidade de uma mulher que, durante nove meses da sua vida se dispõe, em prol da felicidade alheia, a suportar as “maleitas” q...

O que quer o PCP

Graça Canto Moniz, online, 20151218 Mas que processo revolucionário é esse na Venezuela e quais são as históricas conquistas que merecem a solidariedade do PCP, suporte parlamentar do governo socialista de António Costa? A 7 de Dezembro, o Partido Comunista Português (PCP), suporte parlamentar do governo, expressou a sua “solidariedade” com os camaradas (socialistas e comunistas) venezuelanos porque, de acordo com os comunistas portugueses, o “processo revolucionário bolivariano e as suas históricas conquistas”, que “importante repercussão têm tido na América Latina”, foram interrompidos. Mas que processo revolucionário é esse e quais são as históricas conquistas que merecem tal manifestação de solidariedade do PCP?   Vejamos: a inflação disparou para taxas estapafúrdias, superiores a 150% ao ano; no início deste ano circularam vídeos ora de saques ora de filas para os supermercados; as prateleiras estão vazias, não há papel higiénico (e a justificação de tal escassez foi a a...