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Quando a fé dá sentido ao sofrimento maior

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CHRISTIANA MARTINS       EXPRESSO       11.05.17 A primeira peregrinação de Inês a Fátima foi aos 14 anos. Começou a caminhar com o pai, que morreu no ano passado, no percurso do santuário. Este sábado ainda não sabe se consegue voltar. Se for, leva o filho, Pedro, uma criança que “está a morrer há quatro anos”, mas que vive para dar sentido à fé. Tudo depende do ar, o ar que nos permite continuar. Inês tem uma vida marcada por Fátima. Antes mesmo de ser conhecido, o mistério fez-se anunciar na sua vida. Também pela morte. A mais velha de três filhas, de um casal católico pouco praticante, tinha apenas sete anos quando perdeu uma irmã mais nova para uma doença genética que não a tocara. A seguir, perdeu outra e os pais tiveram de encontrar apoio, e foi a fé que lhes deu chão. "Foi com a morte da segunda filha que começou a história de conversão dos meus pais", explica, serena. Na adolescência, Inês quis ir à Fátima e trouxe o pai. "Inesquecível", c...

11 de Maio :: na Igreja da Encarnação

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Verdade e sofrimento

Num mundo em que a mentira é poderosa, a verdade paga-se com sofrimento. Quem quer esquivar-se ao sofrimento, tê-lo longe de si, afasta a própria vida e a sua grandeza; não pode ser servidor da verdade e desse modo servidor da fé. Não há amor sem sofrimento, sem o sofrimento da renúncia de si próprio, da transformação e purificação do eu pela verdadeira liberdade. Lá onde não existe nada que valha que por isso se sofra, até a própria vida perde o seu valor.  Bento XVI _____________

Vale realmente a pena viver até ao fim

Filipa Ribeiro da Cunha Já dizia o poeta francês Paul Claudel, “Deus não veio suprimir o sofrimento, nem sequer veio explicá-lo. Veio enchê-lo com a sua presença”. Eis a grande diferença entre aqueles que acreditam num Deus de amor que se fez carne e morreu na cruz para redimir a humanidade e que permanece presente entre os homens e aqueles que o negam. Mais do que discutir a existência de Deus impõe-se, como o afirmava o filósofo dinamarquês Kierkegard, saber se Ele é Amor. Pois se Deus é Amor e permite a experiência do Sofrimento, o sentido desse sofrimento será alargado. Acompanho, como voluntária, doentes na sua fase terminal. Todas as semanas sou confrontada com o mistério do sofrimento humano. Dramático mistério que nos interpela tão profundamente! Vejo dor no rosto de alguns desses pacientes, noutros uma tremenda solidão, noutros uma vida ligada a máquinas numa aparente inutilidade, noutros uma luta para não ceder à morte que se aproxima, noutros ainda uma serenidade inex...

A CHAMA DA VIDA E O FOGO DAS PAIXÕES

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José Luís Nunes Martins   Facebook , 12 de setembro de 2015  Ilustração de Carlos Ribeiro Nem sempre estar apaixonado é bom. A maior parte das paixões tomam conta da vontade e assumem o controlo do sentir e do pensar. Prometem a maior das libertações, mas escravizam quem desiste de si mesmo e a elas se submete.  A paixão é sofrimento, um furor que é o oposto da paz e do contentamento. Um vazio fulminante capaz das maiores acrobacias para se satisfazer. Mas que, como nunca se sacia, acaba por se consumir, por se destruir a si mesmo. Para ter paz precisamos de fazer esta guerra, na conquista do mais exigente de todos os equilíbrios: entre a monotonia de nada arriscar e a imprudência de entregar tudo sem uma vontade própria profunda. É essencial que saibamos desafiarmo-nos, por vezes, a um profundo desequilíbrio momentâneo. Afinal, quem nunca ousa está perdido, para sempre.  Há boas paixões. São as que trabalham como um fermento. De forma pacata, pacífica...

Job

Paulo Tunhas Observador 27/8/2015 O que o Livro de Job diz já chega para muito no que respeita ao sofrimento. E à estupidez. O Livro de Job é mesmo um grande escrito sobre a estupidez humana. Há escritos que parecem conter tudo o que se pode dizer de essencial sobre uma determinada matéria. Tome-se, por exemplo, o sofrimento. Conhecemos directamente o sofrimento ao longo das nossas vidas, e desde o princípio, de múltiplas maneiras. E conhecemo-lo indirectamente através dos outros. As duas formas de conhecimento encontram-se, é claro, tão ligadas em tantos casos, quando o sofrimento dos outros vem de nós, e o nosso dos outros, que é difícil separá-las absolutamente.  Para além disso, a arte – a poesia, a música, o romance, a pintura, os filmes, tudo – fala-nos do sofrimento. E a televisão expõem-no, devida ou indevidamente, mais indevida do que devidamente, várias vezes ao dia. Estamos, literalmente, rodeados de sofrimento. Mas, na medida em que há algo de essencial que se ...

O DOM DE SOFRER

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José Luís Nunes Martins, Facebook , 2015.07.11 Muitas vezes a fé é o único fundamento da coragem... . Ninguém deseja o sofrimento. Mas muitos buscam alcançar aquilo que só através dele se consegue... face a face com as adversidades da vida há que seguir para diante, pois que o bom caminho nunca se faz para trás, para onde já está feito, nem para os lados, que não levam a lado algum... . Por vezes, temos mesmo de inventar novos gestos de amor. Mesmo os momentos mais felizes da nossa vida, chegará o dia em que serão o motivo das nossas lágrimas. Ainda assim, vale sempre a pena, por mais dolorosa que seja essa pena, lutar pela felicidade mais profunda... não porque o resultado seja garantido, mas porque a luta em si já é uma vitória. . Somos do tamanho do que combatemos. Que glória pode haver em lutar e vencer algo fraco? Que desonra pode sentir quem luta contra algo muito mais forte? . Os nossos dons não são direitos que nos foram dados, antes deveres a ser cumpridos. Custe o qu...

Aos que sofrem

Neste dia especial, proponho esta última mensagem do Papa Paulo VI no encerramento do Concílio Vaticano II ( aos Pobres, aos Doentes, a todos os que sofrem ) permitindo-me destacar este trecho do qual testemunho uma correspondência estreita: "Mas nós temos algo de mais profundo e de mais precioso para vos dar: a única verdade capaz de responder ao mistério do sofrimento e de vos trazer uma consolação sem ilusões: a fé e a união das dores humanas a Cristo, Filho de Deus, pregado na cruz pelas nossas faltas e para a nossa salvação.  Cristo não suprimiu o sofrimento; não quis sequer desvendar inteiramente o seu mistério: tomou-o sobre si, e isto basta para. nós compreendermos todo o seu preço".  Pedro Aguiar Pinto  

Testemunho: A família e o sofrimento

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Voz da Verdade  19.04.2015 Casados há 17 anos e com 4 filhos recebemos no Verão passado, sem aviso prévio ou antecedentes familiares, a notícia de que um dos nossos filhos, então com 6 anos, tinha um cancro. Nestas linhas tentamos partilhar alguns pontos da nossa experiência em família da vivência desta situação. Não nos parece que a questão que mais nos tenha ocupado tenha sido “porquê o nosso filho?”. Ao entrarmos no IPO demos de caras com todo um mundo novo, com uma concentração de sofrimento por metro quadrado que tornaria redutora e egoísta a pergunta “porquê o nosso filho?”. A fazer alguma pergunta seria “porquê a todos estes miúdos?”. Não tivemos (não temos) uma resposta a essa pergunta e nem sabemos se está ao alcance do entendimento do homem. Mas a experiência de sofrimento que atravessámos deu-nos muitas outras respostas, alertou-nos para outras perguntas, trouxe-nos luzes, abriu-nos horizontes, fez-nos redescobrir o nosso filho e reinventar a nossa relação com e...

O mistério do Sábado Santo

VISITA PASTORAL A TURIM |  VENERAÇÃO DO SANTO SUDÁRIO | MEDITAÇÃO DO PAPA BENTO XVI Domingo, 2 de Maio de 2010 Queridos amigos! Para mim, este é um momento muito esperado. Estive diante do Santo Sudário noutras ocasiões, mas desta vez vivo esta peregrinação e esta reflexão com intensidade particular:  talvez porque o passar dos anos me torna ainda mais sensível à mensagem deste extraordinário Ícone; talvez, diria sobretudo, porque estou aqui como Sucessor de Pedro e trago no meu coração toda a Igreja, aliás, toda a humanidade. Dou graças a Deus pelo dom desta peregrinação e também pela oportunidade de partilhar convosco uma breve meditação, que me foi sugerida pelo subtítulo desta solene Ostensão:  "O mistério do Sábado Santo". Pode-se dizer que o Sudário é o Ícone deste mistério, o Ícone do Sábado Santo. De facto, é um lençol sepulcral, que envolveu o corpo de um homem crucificado totalmente correspondente a quanto os Evangelhos nos dizem de Jesus, o qual, cru...

Âncoras

FERNANDO SEARA | D N 2014.10.27 Permitam-me uma nota pessoal. De arranque destas notas quinzenais, mas também de memória e reconhecimento. Quando se perde a Mãe - aqui a Senhora Minha Mãe - perde-se uma das nossas âncoras. Na passada segunda-feira, bem no arranque do dia, fui confrontado com a notícia que não queria escutar. Reconhecemos que a longevidade é uma graça mas que, como tudo, ela também tem limites. No negro da noite, ali no velório da Igreja da Misericórdia em Viseu, pensámos como se recomporá o nosso mundo amputado de um dos seus elementos de referência, de uma das suas matrizes, de uma das suas identidades. Mas a dureza da separação é imensa. E o adeus final é irrepetível. É a consumação. É um passo sem retrocesso. E fica a imagem, uma imagem que se fecha num ritual lento, cadenciado, que quase nos anestesia. Por entre os abraços de reconforto, uns esperados e outros bem inesperados, e manifestações que nos surpreendem de solidariedade, ficamos atordoados quais parda...

Sofrer sem incomodar

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José Luís Nunes Martins ionline 2014.10.18 Há pessoas que nos dizem "espero que esteja tudo bem consigo!" com o sentido oculto de uma verdadeira esperança, a de que não lhes demos trabalho algum. O sofrimento é algo tão natural, quanto inevitável e universal. No entanto, cada vez mais é remetido para a esfera privada, íntima, como se fosse algo que pode e deve ser vivido apenas longe dos outros. Num recanto qualquer, desde que distante dos que lhe querem ser alheios. Estes, sentem-se no direito de exigir que as nossas dores não os incomodem. Como uma árvore atingida por um raio, quando sou tocado por uma dor profunda, rasgo-me, divido-me e consumo-me com dúvidas, ansiedades e pesadelos… o próprio pensar dói. Estou só e com medo... e o medo faz sempre que qualquer mal pareça muito maior. Sofremos... e sofremos mais ainda quando estamos sós. É impossível conter o sofrimento, ou o partilhamos ou somos dilacerados por ele. Perguntam-nos: "Como está?". Ma...

A exploração da dor

José António Saraiva | Sol | 2014.10.10 Dois acontecimentos terríveis ocorreram nos últimos tempos: a tragédia da praia do Meco, em que morreram seis estudantes, e a morte do filho de Judite Sousa numa piscina Costumo dizer que um dos meus grandes handicaps como director de jornal é não ser jornalista de raiz; e que uma das minhas grandes vantagens como director de jornal é não ser jornalista de raiz. Custa a perceber? Nem tanto. Os jornalistas são pessoas iguais às outras mas que têm por função ver o que está mal, detectar o que foi mal feito, explorar o que está errado, identificar o que pode ser alvo de suspeitas. Acusam-se frequentemente os jornais de nunca falarem do que está bem – e é verdade. Mas é preciso ver que aquilo que está bem não interessa aos jornalistas, porque não é susceptível de polémica. Por isso mesmo se diz que a imprensa é um 'contrapoder'. Os jornalistas são, por dever de ofício, pessoas do 'contra'. Que se realizam a criticar e que, ...

Salvifici doloris - Carta Apostólica do Papa João Paulo II sobre o sentido cristão do sofrimento humano

Salvifici Doloris by papinto

O sofrimento: um mistério que interpela o homem

CapaSofrimentoS.JoãoDeus by papinto

Cinzas

Gonçalo Portocarrero de Almada ionline 8 Mar 2014 - 05:00 Pode parecer anacrónico, em pleno século XXI, o convite à penitência que, todos os anos, a Igreja renova por ocasião da quaresma, iniciada nesta passada quarta-feira, com a imposição das cinzas. Para quê abster-se da carne, ou jejuar, se a vida já tem tantas contrariedades?! Não será cruel um Deus que pede sacrifícios?! Para que servem essas privações?! O entendimento de uma divindade que se compraz com esse tipo de sofrimentos não foi revogado pela revelação do Deus que é amor?! É verdade que não é a cruz, mas o amor, que é a essência do Cristianismo. Por isso, São Paulo afirma que, se "entregasse o seu corpo para ser queimado e não tivesse caridade, de nada lhe aproveitaria" (1Cor 13, 3). Mas, até humanamente, não há prémio sem sacrifício. O cientista, antes de encontrar uma explicação, tem muito que padecer. É com o suor da sua labuta que o pescador arranca ao mar os peixe...