As rendas do descontentamento
RUI RAMOS OBSERVADOR 02-06-17 O turismo urbano, ao mesmo tempo que está a gerar crescimento económico, está a inspirar frustrações sociais, ao tornar patente que este é um crescimento muito mais limitado do que no passado. Falemos de casa. Ou melhor: falemos de rendas. À primeira vista, pode parecer que voltámos ao “problema da habitação” dos anos 70 e 80. Mas não. A questão é muito diferente. Nos anos 80, o mercado de arrendamento tinha sido destruído e os subúrbios ainda não haviam começado a expandir-se com o crédito bancário. Hoje, casas não faltam. O que faltam são as casas que, de repente, muitos portugueses começaram a desejar: em Lisboa, um andar antigo na Graça, com vista para o Castelo, que pudessem alugar ou vender a turistas. Em Portugal, o novo “problema da habitação” surgiu como um efeito secundário do dilúvio turístico. A contaminação da margem sul do Mediterrâneo pelo terrorismo, os voos e alojamentos baratos e as novas tecnologias puseram Lisb...