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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Maria João Marques

Costa em festa a seguir à tragédia

MARIA JOÃO MARQUES   OBSERVADOR   28.06.17 Todos têm as suas prioridades e já vimos como, por duas vezes, as catástrofes que assolam as regiões que governa vêm, para Costa, uns degraus abaixo da festa socialista de campanha. Desprezível. Começo pelo aviso para a saúde: é conveniente por estes dias evitar ler notícias sobre o PS com comida no estômago. Poderá terminar desenvolvendo uma bulimia. Na segunda feira passada vi, revi e não queria acreditar. Uma semana e dois dias depois de 64 pessoas terem morrido por incompetência e descoordenação absoluta das autoridades e proteção civil, bem como por negligência governativa e falhas de equipamentos, quando há pelo menos doze desaparecidos – aqueles que a ministra Urbano de Sousa diz estarem em ‘paradeiro desconhecido’; calhando, supõe a ministra, viajaram à socapa para a Micronésia e estão divertidos bebericando cocktails num atol paradisíaco -, num momento em que o governo já conhecia a fita do tempo que revelava o ...

Extremistas a ensinarem crianças

MARIA JOÃO MARQUES    11.1.17    OBSERVADOR Enxotemos as senhoras de meia idade solteiras e sem filhos, que são as ideólogas do PS para as questões de família, e os jovens populares, que também ainda não procriaram, dos programas das crianças. No ano letivo passado, a criança mais velha, então no quarto ano, teve pela primeira vez História de Portugal. Eu fiquei muito feliz (História sempre foi das minhas disciplinas preferidas e finalmente lá teria alguém em casa mais desperto para as secas que de vez em quando dou sobre este ou aquele pormenor do passado). O petiz saiu da aprendizagem interessado por História (o que diz muito bem da professora), mas de lá do meio do programa algo fez o rapaz ficar baralhado com as misérias do Portugal monárquico e as maravilhas do Portugal republicano. Por razões misteriosas, ficou convencido que monarquia era sinónimo de ditadura e pobreza. E que a república, em Portugal, havia trazido o melhor dos mundos. Lá tive eu –...

Proibido adorar o aborto

MARIA JOÃO MARQUES   07.12.16    OBSERVADOR Repugnam-me as decisões francesas e a proposta dos ministérios da Saúde e da Educação que pretendem impor a glorificação do aborto e a equivalência moral entre abortar ou manter uma gravidez. Em 50 a.C., como contam os livros do Asterix e Obelix, em França havia um grupo de irredutíveis que resistia ainda e sempre ao invasor romano. Saltando para 2016, França também faz agora por resistir a outros invasores inescapáveis: a consciência de cada um e a distinção entre bem e mal. Há pouco tempo em França o tribunal superior manteve a proibição, decretada pelo conselho para o audiovisual francês, de transmissão na televisão francesa de  um anúncio  contendo material altamente chocante e insuscetível de ser visionado pelas almas mais sensíveis sem acompanhamento de profissionais de saúde mental: crianças com síndrome de Down felizes. Pois é, parece que todas as crianças são iguais, mas umas são mais iguais qu...

Cleptomaníacos unidos, coligação de governo ao seu dispor

Maria João Marques Observador 20160921 Não tem dinheiro para comprar casa? Paciência. Com um governo a impedir a acumulação de património imobiliário, não espere vir a ter casas para arrendar a preço aceitável. Só um louco investiria nelas A crónica de hoje é pedagógica, dedicada a explicar as brilhantes ideias económicas do Partido Bonnie & Clyde, perdão, do Bloco de Esquerda. No que está acompanhado dos ideólogos do PS atual – João Galamba (o seu sorriso orgulhoso depois de Mariana Mortágua desafiar o PS para se entregar à ladroagem fiscal é todo um programa) e Porfírio Silva – e do primeiro-ministro. Pessoa que no seu género vulgar de quem tem dificuldade até a caçar pokemons já pergunta por que essa odiada (por Costa) categoria que são os ricos há-de pagar menos impostos que quem trabalha. Perdoemos-lhe: Costa não sabe que governa um país onde cerca de 50% dos agregados familiares não paga IRS por ter rendimentos demasiado baixos. Ou, em alternativa, mente descaradame...

A ASAE ataca de novo

Maria João Marques Observador 14/9/2016 Tenho no caderno de encargos para as próximas eleições só votar em quem prometer multas de inspeções da ASAE dependentes de prova de efetivo prejuízo aos consumidores, em vez da mera violação da regra Um dos melhores efeitos secundários do governo da coligação PSD-CDS foi a ASAE com trela curta. Depois veio o tempo novo e à esquerda gostam do mundo arrumado, catalogado, com muitos fiscais disto e daquilo a atormentarem as empresas respeitáveis. Donde: a ASAE anda satisfeita a mostrar de novo os caninos aguçados, e até já faz operações na comunicação social queixando-se de necessitar de maior orçamento. Pelo que sugiro dissecar as atividades da ASAE. E encontramos as seguintes práticas apocalípticas dos privados que a ASAE, num comportamento reminiscente de Tintin a desmascarar traficantes de droga, nos livrou. Há a venda especulativa (não desmaiem) de bilhetes para jogo de futebol. Apesar de não se saber de gangs apontando armas de fog...

A ministra da festa cor-de-rosa e da reforma agrária

Maria João Marques Observador 17/8/2016 Temos um governo socialista, inimigo da propriedade privada, pelo que a solução para os incêndios é encontrar uma manigância para expropriar os terrenos aos proprietários, dando-lhes uso comunitário. Faço já a declaração de interesses: não tenho nada contra festas, nem contra revistas cor-de-rosa, nem contra ministros divertindo-se, nem contra fotografias de pessoas aperaltadas em eventos sociais. Eu própria passei uma parte das férias num local com alguma influência britânica onde ainda se valoriza o vestir bem para jantar, no fio da navalha entre a formalidade e a informalidade. Percebo, portanto, que a ministra da administração interna, Constança Urbano de Sousa, tenha decidido ir a uma festa durante as férias e nela se tenha feito fotografar. Mas a ministra não é uma capitalista impenitente como eu. Detenhamo-nos, então, por momentos nesta propensão que os socialistas têm, mesmo agora extremados à esquerda e adeptos da luta de classe...

O estertor moral da geringonça e companhia

Maria João Marques Observador 10/8/2016 O BE, que em tempos também rasgou as vestes pelos efeitos dos fogos de verão, agora só despeja afetos sobre a população da Madeira. Está visto: os incêndios socialistas queimam menos do que os outros. Deixem-me contar uma história de aceitar convites. Não é minha, é de Candace Bushnell (a autora do livro que germinou a ideia da série de televisão icónica O Sexo e a Cidade), em 4 Blondes. Uma modelo nova-iorquina gostava de passar os verões nos Hamptons acima das suas possibilidades. Então, a cada primavera, escolhia um namorado endinheirado (sem intenções de durabilidade) que viesse com anexo de uma casa aceitável nos Hamptons. Vindo o verão, restava-lhe aceitar o convite do namorado para passar as férias na sua casa de veraneio. Finda a temporada estival, o namoro terminava. Esta história tem-se passeado na minha memória desde que começou o caso da viagem do secretário de estado Rocha Andrade paga pela Galp. Sobretudo depois de Ascens...

O sol não é socialista

Maria João Marques Observador 3/8/2016 Sim, o anterior governo magicou o saque fiscal e ataque à propriedade privada mascarados de reforma do IMI. Mas este governo tornou-se co-progenitor orgulhoso da aberração, com oferta de DNA e tudo. É oficial: a governação corre tão bem, as contas públicas estão tão controladas, o crescimento económico é tão estonteante, a austeridade está tão exterminada que o governo finalmente recorreu a essa medida evidente: vai literalmente taxar o sol. Pessoas miudinhas e pouco esclarecidas nas ideologias geringonciais poderiam argumentar que, face à já criminosamente alta carga fiscal a que estão sujeitos os contribuintes, qualquer governo bem sucedido se lembraria logo de baixar os impostos. Se não com convicção, pelo menos como amuse-bouche que nos deixasse na expetativa de mais. Mas não, as contas públicas estão tão fortalecidas que o PS, corajosamente sem temer o ridículo, vai taxar o sol que cada casa recebe. E dizem que é ‘justiça fiscal’...

(Des)Culpa Ateia

Maria João Marques Observador 20160727 Sem surpresa, o atentado de Rouen causou uma reação pavloviana da nossa esquerda jacobina. Até o primeiro-ministro entendeu não reagir mesmo depois de o ISIS reivindicar a bela ação durante uma missa Que semana atroz. A degolação de um padre católico ontem em França introduziu na Europa aquilo que tem sido uma característica do extremismo islâmicos nos últimos tempos: perseguir os cristãos. Um dos primeiros raptos do ISIS, ainda grupelho desconhecido, foi de um padre jesuíta. Ora, sem surpresa, ontem o atentado de Rouen causou uma reação pavloviana da nossa esquerda jacobina. Ou falta de reação, em alguns casos, e igualmente sintomática. Por exemplo o primeiro-ministro, que não reagiu mesmo depois de o ISIS reivindicar a bela ação durante uma missa. Um ataque direto à religião maioritária dos seus governados não lhe mereceu comentário oficial. Nem no twitter, onde se embaraça com frequência a propósito de demasiados assuntos: durante a ...

Vários níveis de tragédia

Maria João Marques Observador 15/6/2016 Subimos mais um patamar de tontice: os atentados terroristas islâmicos já não são atentados terroristas islâmicos. O que significa que subimos também um degrau na ineficácia da contenção do terrorismo Além da bipolaridade autoinduzida a que os portugueses se entregam a cada europeu ou mundial de futebol, estávamos também entretidos com o presidente e o primeiro-ministro em Paris, sem nos conseguirmos decidir se havíamos de rir, se corar de vergonha pelas figuras alheias. Os indicadores económicos do país são de índole a bebermos para esquecer. Mas não faz mal, que pm e PR passeiam-se sorridentes por Paris, tiram selfies ridículas e alardeiam os benefícios dos afetos e do otimismo. Quando alguém perder o emprego, já sabe que pode contar com algo ainda mais útil: a amizade do presidente. Tivemos ainda o bónus de Costa sugerir aos professores portugueses que desandem para França se quiserem continuar carreira no ensino, lembrando que o ...

Mouraria ou Chinatown?

Maria João Marques Observador 8/6/2016 Já estamos em boa hora de começar a ver uma expropriação de propriedade privada como  o último recurso de qualquer problema. E de fazermos t-shirts com o slogan ‘nem mais um metro quadrado para a CML’. Fernando Medina – presidente da Câmara de Lisboa em punição por todos os pecados da capital – é o político socialista exemplar. ‘Inimigo dos automobilistas e voraz com os recursos dos lisboetas’ seria um bom mote para a sua campanha de 2017. Já muita gente escreveu sobre a mesquita que a CML entendeu por bem tomar as dores de construir e a hipocrisia flagrante de pretender defender o Estado laico radical, rasgando contratos de associação livremente estabelecidos pelo Estado para poupar as suscetíveis criancinhas à exposição ao ópio do povo por um lado, e, por outro, correr a substituir-se à comunidade islâmica na construção de uma mesquita. E se calhar atrás da mesquita vem a madrassa e a querida câmara socialista de Lisboa é bem ...