António Barreto | DN20160529 É uma indústria! Há aniversários todos os anos. Antigamente, festejavam-se números redondos: 10 ou 50, por exemplo. Os centenários eram os mais desejados. Depois, vieram os 15 e os 25 anos. Agora, faz-se tudo. Neste ano, estamos servidos. Para além dos clássicos, como sejam os centenários da morte de Cervantes, Shakespeare ou Leibniz, temos, mais perto de nós, os 90 anos da rainha de Inglaterra e do 28 de Maio, os 71 de Hiroxima, da derrota dos alemães e da paz na Europa, assim como os 42 do 25 de Abril e os 40 da Constituição. A actividade comemorativa está cada vez mais globalizada. Pela lista que precede, damo-nos conta de que a memória vai buscar o que pode, a fim de garantir a nossa identidade, mas também o êxito comercial dos profissionais da efeméride. É natural pensar-se que há comemorações artificiais, dado que há procura para quem se especializa nestas coisas. Mas, de qualquer maneira, são boas oportunidades para reflectir. Simplificando se...