Orgulho, o outro lado da ignorância

José Luís Nunes Martins
ionline 2014.12.20
Os orgulhos feridos são perigosos. A pessoa torna-se quase insuportável, carrega em si mil ressentimentos, todos (d)escritos no livro dos ódios e dos rancores...
O orgulho, a vaidade e a soberba andam quase sempre juntos. São os superiores aliados da ignorância! O orgulhoso coloca-se a si mesmo acima da realidade. Mas, não só se julga superior aos outros como ainda deseja que eles partilhem dessa mesma opinião, ou seja, que todos pensem que ele é o melhor! Mais ainda, por se julgar o assim o suprassumo, considera poder tratar os outros como seus inferiores!
O orgulhoso é uma realidade fantasiada... de si mesmo! Não se conhece! É um ignorante de si próprio, o que é a pior ignorância.
O orgulho vê a humildade como uma humilhação.
A vaidade serve-se muitas vezes da caridade, da generosidade e da bondade. Estraga-as. Porque as faz esgotarem-se em si mesmas, na medida em que os destinatários das boas ações são meros meios e não fins. Não se procura o bem do outro, mas apenas a servir-se dele para conseguir algo para si mesmo. Egoísmo simples, com uma volta a mais. Mas, claro, os próprios, nunca se dão conta disto!
Na verdade, não há pessoas altivas e pessoas humildes. Todos somos arrogantes. Os humildes são os que sabem que o são e querem deixar de sê-lo, enquanto os arrogantes são os que acham que são humildes e por isso não nada fazem!!
Raiz de todos os vícios, o orgulho, é uma maldade tremenda na medida em que impede quem lhe dá vida de contemplar a beleza e a bondade do mundo e dos outros. O orgulhoso julga-se tão único quanto sublime... o mundo e os outros são-lhe indiferentes e, por isso, os despreza.
A vaidade enraíza-se na ideia de que a aparência é o mais importante. Deseja-se viver no pensamento dos outros, como uma entidade divina.
A fome de aplausos leva muita gente a esconder (até de si mesmo) a sua autenticidade, remetem a uma treva inquietante a verdade sobre si. Quando buscam o agrado a todo o custo, mentem até a si mesmos. Constroem torres altas, e lá vivem, no alto, acima de tudo, sozinhos com o seu egoísmo. Por vezes caem lá do topo... e magoam-se. Muito.
Cuidado. Os orgulhos feridos são perigosos. A pessoa torna-se quase insuportável, carrega em si mil ressentimentos, todos (d)escritos no livro dos ódios e dos rancores, e, às vezes, explode em manifestações da mais requintada e fria vingança. Enfim, a mais triste das amarguras.
A soberba é sempre triste e desassossegada, uma ansiedade em relação ao que os outros sentem, pensam e imaginam, o que dizem e o que podem dizer sobre nós… 
Todos temos uma origem humilde e mais vale ser estimado por aquilo que se é, do que ser admirado pelo que se parece...
Há também a falsa humildade, que é a de quem se finge menos do que é para assim se desculpar para não cumprir o seu dever. A verdadeira humildade é audaciosa e não encolhida, é generosa e não cobarde. Os humildes não são os tímidos, mas os artífices das grandes obras, precisamente porque se sabem pouca coisa e, por isso, são capazes de aprender e de arriscar, sem receio da opinião alheia ou do fracasso.
Quem julga bastar-se a si mesmo não admira nem estima nada além disso, não julga sequer necessário criar ou permitir que nasça em si nada de novo e melhor.... afinal, considera-se mesmo perfeito!
É essencial estar atento ao que nos rodeia. O mundo é cheio de alegria, beleza e bondade! É preciso esvaziarmo-nos nós mesmos, darmos o que temos e somos, abrirmo-nos ao mundo, aos outros e ao que de melhor, assim, nasce em nós!

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