Pode a democracia eleger o mesmo homem durante 40 anos?

RR 29-12-2014 16:48 por Raquel Abecasis

Na democracia portuguesa a longevidade de Alberto João Jardim é caso único, mas ele não é o único a querer desafiar todas as regras de longevidade. Pode, mas não deve. A prova disso é a Madeira. Alberto João Jardim foi eleito ao longo de 40 anos para líder do PSD regional e ao longo de 37 para presidente do Governo Regional. E no final o que fica? Sobretudo cansaço, muitas críticas por alegado desvirtuamento das regras democráticas e uma ilha, que, apesar do desenvolvimento histórico a que assistiu no tempo da democracia – passou de ilha pobre e triste para uma das regiões mais desenvolvidas do país e um dos maiores pólos de atracção turística -, olha para si própria com complexos, vergonha e medo de falar. 2015 ainda não começou, mas já é um ano histórico para o arquipélago da Madeira. Quarenta anos depois, a democracia consegue eleger um novo líder. Seja ele quem for, o passo adulto da democracia madeirense é já uma certeza: Alberto João Jardim vai-se embora e deixa o caminho livre a quem vier por bem. Neste novo ano, a Madeira retoma o seu orgulho e Alberto João Jardim procura o seu lugar, iniciando um caminho muito mais difícil do que seria de esperar se tivesse usado a sua habilidade política para saber afastar-se a tempo e horas, podendo assim ambicionar ao justo reconhecimento do povo madeirense e a um lugar mais alto na política a que poderia ter ambicionado se tivesse saído mais cedo. Em política é tão importante saber entrar na hora certa, como perceber o momento em que nos devemos afastar. É também para isso que servem os partidos e neste caso o PSD foi inimigo de Alberto João Jardim. Provavelmente por medo do seu carisma e da sua frontalidade, os vários líderes do partido resistiram sempre a convocá-lo para outros voos. Foi um erro que a Madeira pagou caro e que agora vai fazer penar o homem da Madeira nos discretos corredores do parlamento lisboeta. Na democracia portuguesa a longevidade de Alberto João Jardim é caso único, mas ele não é o único a querer desafiar todas as regras de longevidade. Talvez o caso presente possa servir de lição para outros líderes da nossa praça.

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