A raiva é sinal de fraqueza

José Luís Nunes Martins
ionline13 Dez 2014 
São sempre os mais débeis que encontram na violência um meio de fazer valer o que julgam ser os seus valores

A fúria é uma loucura passageira. Um desejo cego e implacável de vingança que provoca, muitas vezes, um mal bem pior do que a insignificância que o originou.
Quem se deixa levar por apetites e vontades de violência, julgando encontrar na agressão uma boa resposta, em pouco tempo perde o controlo de si mesmo, solta um monte de impulsos, deixa de ser capaz de se dominar, e, portanto, só parará tarde demais.
Quase sempre o motivo da ira é uma sensação de injustiça que busca uma imediata compensação, procurando equilibrar um desequilíbrio com algo ainda mais desequilibrado.
Tal como o luto, a raiva é um reflexo emocional que se pode tornar constante... Assim, se há lutos que não acabam, também há pessoas que andam sempre zangadas. Mesmo sem grandes motivos de cólera, parecem nunca dar a si mesmas a alegria de andar em paz. Utilizam os tempos que seriam de descanso para revisitar os piores momentos e imaginar estratégias de castigar tudo e todos. A alegria destas pessoas espera-as apenas na hipótese de aplicarem com sucesso todas as penas que sonham... mas, na verdade, permitem desta forma que a ira se apodere delas e vão perdendo o que são, chegando ao ponto de não se reconhecerem já sem esta raiva profunda que lhes mata o coração.
São sempre os mais débeis que encontram na violência um meio de fazer valer o que julgam ser os seus valores.
Há gente que pisa os outros apenas para assim lhes ser superior. Na verdade, faz-se ainda pior. Porque se já era baixa, agora mais se nota. A verdadeira nobreza de alguém não é vencer os mais fortes, mas sim erguer e cuidar dos mais fracos.
Vivemos num mundo com muitas razões para nos irritarmos... mas andarmos zangados é sempre uma perda de tempo. A vida é demasiado curta para ser vivida em estado de pânico. Até porque, ao contrário de outras emoções, a ira contribui de forma muito efetiva para o mal-estar dos que rodeiam quem se submete a ela.
A resposta a uma injustiça deve ser sempre uma forma de prudência. Corrigir alguém não implica necessidade de raiva. Nunca se deve dar resposta ao mal que se fez no passado, antes, criar uma forma de aperfeiçoar e melhorar o futuro. Não pode nunca ser para o mal da pessoa, mas, sim, para o bem. De todos.
Quando apesar de tudo não conseguirmos equilibrar as nossas emoções, importa que, pelo menos, consigamos manter a lucidez de garantir que nos recordamos de tudo e de cada pequena coisa que fizemos a fim de, mais tarde, com toda a calma, verdade e arrependimento, pedirmos as devidas desculpas, com o compromisso do futuro ser o penhor do passado...
Quando admitimos com verdade os nossos erros e compreendemos os seus mecanismos, diminuímos a possibilidade de os repetir.
Por que razão alguém escolhe viver o ódio em vez de viver a alegria?
A ira é uma fraqueza. Os que pretendem fazer-se passar por fortes... são sempre fracos.
Nem sempre é a aspereza do mundo que nos magoa, por vezes somos nós que estamos demasiado sensíveis. É essencial que nos fortaleçamos a fim de não nos deixarmos enfurecer por pequenas insignificâncias, pois, por vezes, a fúria, ela sim, causa grandes desastres. E como um abismo chama outro abismo, muitas vezes o que começou com uma irritação sem importância acaba numa verdadeira tragédia.
É preciso cultivar a dureza interior, pois os vermes nascem sempre nas terras moles. 
A maior parte das vezes o que nos enfurece nem sequer nos provoca mal algum. É, apenas, algo que nos aborrece... só por não ser como esperávamos. Sendo que, mesmo nos casos em que há um dano, a raiva de resposta perdura, quase sempre, muito mais do que ele!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                    
Temos de nos convencer de que as coisas não acontecem sempre como nós as desejamos e... mais importante ainda, que isso não é nenhuma injustiça!
Claro, todos temos o direito a uma insanidade uma ou duas vezes por ano, mas não uma vez por semana!

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