Sobre o bem e o mal


O Evangelho de hoje traz-nos a história de um homem possesso de quem Jesus expulsou os demónios que, entrando numa vara de porcos, se precipitaram no mar. A propósito, o Evangelho Quotidiano no seu comentário do dia recorda esta magnífica meditação do papa Bento XVI sobre o bem e o mal. No primeiro dia deste mês de Fevereiro fez-me bem lembrar que:
  1. O ser como tal é bom, e portanto, é bom ser, é bom viver
  2. O mal não provém da origem do ser; é fruto de uma liberdade mal utilizada
  3. O mal pode ser ultrapassado e o homem pode ser curado, melhor já foi curado: o rio de luz que provem de Cristo está presente e é poderoso
O poder do mal no coração humano e na História da humanidade é um facto indesmentível. Mantém-se a questão: como explicar este mal? ... A fé diz-nos que existem dois mistérios de luz e um mistério de noite que, no entanto, está rodeado pelos mistérios de luz. O primeiro mistério de luz é o seguinte: a fé diz-nos que não há dois princípios, um bom e um mau, mas um único princípio, o Deus criador, e que este princípio é bom, somente bom, sem sombra de mal. É por isso que o ser também não é um misto de bem e de mal: o ser como tal é bom, e portanto é bom ser, é bom viver. Tal é o anúncio feliz da fé: só existe uma origem, que é boa, o Criador. ...
Em seguida vem um mistério de obscuridade, de noite. O mal não provém da origem do próprio ser, não é igualmente original. O mal provém de uma liberdade criada, de uma liberdade mal utilizada. Como foi isso possível? Como se produziu isso? As coisas permanecem obscuras. O mal não é lógico. Apenas Deus e o bem são lógicos, são luz. O mal permanece misterioso. ... Podemos adivinhá-lo, mas não explicá-lo; não podemos falar dele como de um facto que se segue a outro, uma vez que se trata de uma realidade mais profunda. Continua a ser um mistério de obscuridade, de noite. 
Mas surge de imediato outro mistério de luz. O mal provém de uma origem subordinada. Deus, a sua luz, é mais forte. É por isso que o mal pode ser ultrapassado e que a criatura, o homem, pode ser curado... Tanto assim é que, em última análise, vemos que o homem não só pode ser curado mas efectivamente o é. Deus introduziu a cura. Ele entrou pessoalmente na história. À origem permanente do mal, Ele opôs a origem do bem puro. Cristo crucificado e ressuscitado, novo Adão, contrapõe ao rio poluído do mal um rio de luz. E este rio está presente na História: lembremo-nos dos santos, dos grandes santos mas também dos santos humildes, dos simples fiéis, e perceberemos que o rio de luz que provém de Cristo está presente e é poderoso.
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