Testemunho da Irmã Maria Guadalupe em Alepo, Síria

Entretanto, o Observador publicou este artigo que vale a pena pelas frases que mais impressionaram o jornalista. Entretanto, o video tem uma versão com legendas em português.

Ouvir para crer: testemunho de Guadalupe, a Irmã missionária que vive na Síria

A Irmã Maria de Guadalupe escolheu ir para a Síria para descansar depois de 12 anos em missão. Está lá há quatro anos. Tantos quantos tem a guerra na Síra. E agora dá um testemunho real e impressionante.
A Irmã Guadalupe tornou-se missionária, e a sua primeira missão tinha como destino o Médio Oriente, mais concretamente Belém, na zona palestiniana. Como cristã a felicidade não podia ser maior: “A Terra Santa!”. No entanto, foi depois transferida para o Egito, onde passou 12 anos.
Durante esse tempo viajou pelos vários país da região. Houve um que a impressionou pela paz, tranquilidade e harmonia em que se vivia: a Síria. Depois de o cansaço e o desgaste pelo trabalho que fazia no Egito ter começado a pesar no corpo e na saúde, os superiores de Guadalupe deram-lhe a escolher um país para ir descansar. A Irmã argentina não pensou duas vezes. E escolheu ir para a Síria.
Foi para a cidade de Alepo. E alguns meses depois começou a guerra que que gradualmente tem vindo a devastar o país. Quando teve oportunidade de sair, Guadalupe decidiu ficar. E informou os familiares da decisão. A resposta que obteve do pai foi: “Estiveste este tempo todo com essas pessoas e vais abandoná-las quando mais precisam? Tens que ficar. Ser missionária é isso!”
Guadalupe ficou, e já lá está há mais de quatro anos. Tantos anos quantos tem a guerra na Síria. Cristã, é alvo de perseguições. Convive com a morte de perto. E agora deu o seu testemunho em Espanha, para dar a conhecer o país real e a guerra tal qual ela é na realidade quando se fala da Síria. Um testemunho diferente, conhecedor e impressionante.
A intervenção da Irmã Guadalupe está disponível em vídeo no Youtube. Dura mais de 45 minutos, mas é pouco tempo quando se fala dos últimos 4 anos na Síria (o testemunho de Guadalupe começa ao minuto 04:00):
Guadalupe fala sobre vários assuntos e conta várias histórias. Deixamos alguns destaques:
“Basta de apoiar grupos terroristas! Basta de vender armas à oposição moderada, porque a oposição moderada na Síria não existe! Pensemos como seria fácil de acabar com tudo isto se se parasse a venda de armas”. (16:50 – 17:15)
“A queda de mísseis e projéteis são permanentes. Francoatiradores na cidade. Já sabemos que ruas estão cobertas por francoatiradores. Nesses sítios temos de correr muito. É a vida quotidiana desta gente. Sobretudo em bairros cristãos. A queda de projéteis são tão frequentes que as pessoas falam disto como da chuva. Utilizam o mesmo termo em árabe”. (19:10 – 19:34)
“Nós em particular já sofremos ataques muito próximos. Nesse sentido, já vi a morte passar muito perto – a uns metros, a uns minutos. Um dos ataques mais fortes que tivemos foi a cerca de 50 metros de episcopado onde vivemos (…) Havia um grande bosque. Quiosques ambulantes, tendas de refugiados. Tudo voou com a queda de um míssil. Não um projétil, um míssil que provocou 400 mortos. E centenas de feridos. Há uma da tarde. Eu nesse momento estava a subir para o terraço, no 4º andar. Saí para o terraço quando um dos sacerdotes me chamou do andar de baixo, e eu disse: ‘Padre, já venho são dois minutos’ (…) E o padre disse: ‘Não irmã, venha, desça’. Santa obediência! Fechei a porta, desci e dei apenas alguns passos até ao padre e cai o míssil”. (21:30 – 22:38)
“Os sacerdotes saíram imediatamente à rua para assistir as vítimas (…) Nós estávamos a tentar encontrar as nossas estudantes. Como vos disse, temos uma residência para estudantes universitárias. Faltava-nos uma! E encontrei-a, sentada num banco da catedral, no meio do caos e da confusão. Quando me aproximei ela gritava queixando-se que lhe doía o braço. Eu disse-lhe: ‘Deve estar partido, não é nada’. Para aliviá-la tirei-lhe o casaco e aí dei-me conta, ao tirar-lhe o casaco, que das costas lhe saía um ferro. Tinha um ferro cravado nas costas! Levámo-la a um hospital (…) e salvaram-na. O ferro tinha atravessado a omoplata e tinha perfurado o pulmão. Estava a asfixiar. Chama-se Edra”. (22:52 – 23:38)
“Eu tenho 42 anos e nunca me tinha ocorrido, até viver na guerra, acender a luz e dizer: ‘Senhor obrigado! Tenho eletricidade’. Ou quando chega a água. Mais ainda. Porque a água chega de 10 em 10 dias”. (29:41 – 29:56)
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