Política na net

DESTAK |14 | 03 | 2012   17.49H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

A influência social da internet e o enorme impacto político das tecnologias da comunicação é tema de grandes debates. Maravilhamo-nos justamente pelas potencialidades e impressionantes mudanças. Mas tudo isso só é significativo quando esses instrumentos são usados para construir. Só que a maioria dos exemplos de poder do SMS, Facebook e afins é arrasadora.
O primeiro grande efeito político instantâneo da comunicação de massas foi a reviravolta nas eleições espanholas de 2004, onde o Governo, favorito nas sondagens, acabou derrotado. Depois, da «primavera árabe» de 2010 aos motins gregos de hoje, trata-se sempre de derrubar algo. Mesmo em casos positivos, como o fenómeno Obama de 2008, existe um dominante repúdio do antecessor, como o próprio eleito notou, ao ver os mesmos instrumentos usados contra si depois da posse.
A força é sempre uma coisa impressionante. Mas uma explosão devastadora não se compara com o nascimento de uma criança ou o germinar de uma planta. Destruir e derrubar pode ser necessário, mas nunca tem o valor de edificar ou criar. A importância da internet está menos na sua semelhança com um vulcão ou terramoto que no paralelo com um prado ou floresta.
Um tempo rebelde, que gosta de tumultos, mudanças e punição de responsáveis, vê a dimensão das rebeliões como um ganho. Mas se o interesse da tecnologia estivesse aí, o progresso conduzir-nos-ia à Idade das Trevas. O valor político da internet está em criar consensos, promover reformas, dinamizar projectos. Isso não suscita interesse dos especialistas.

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