Haja saúde!

Ângela Silva
RR on-line, 080703
Este país já viu de tudo. Depois de um ministro da Saúde que aconselhou o povo a não ir aos SAP, temos agora uma ministra da Saúde que diz que se tiver algo grave nunca irá a um hospital privado. É a esquizofrenia política no seu melhor.
Uma das vantagens para o Governo da enorme crise económica que avassala o país é que as atenções desviam-se um pouco dos temas mais sectoriais. As pessoas falam do preço da gasolina, do aumento dos bens essenciais, do crédito mais caro, da vidinha que não melhora, e por uns tempos fala-se menos da educação, do ambiente, da saúde.Não fosse isso, e José Sócrates estaria com as orelhas a arder. É que há não muito tempo, quando Correia de Campos ainda era o ministro da Saúde, fez um dia uma confissão politicamente incorrecta: “se estivesse doente nunca iria a um SAP”. A frase chocou meio mundo mas tinha um objectivo: o ministro preparava o fecho de vários serviços de atendimento permanentes e apostava mais na medicina privada do que na pública. Foi a fase em que o Governo de Sócrates não teve medo da esquerda.Depois, Correia de Campos moveu protestos sem fim e foi corrido. E José Sócrates escolheu uma ministra de outra escola, ou da escola oposta, para falar verdade. Ana Jorge é fã do Serviço Nacional de Saúde, pôs fim à gestão privada dos hospitais públicos (só quer que os privados os construam) e agora decidiu competir com Correia de Campos nas frases politicamente incorrectas. Diz que ‘’se algum dia tiver uma doença grave nunca irá para um hospital privado’’.É pedagógico, não há dúvida. Motivador para os milhares de portugueses que se viram atirados para os seguros de saúde por causa do Governo ter acabado com vários subsistemas de saúde. E um exemplo de coerência! Mas é sobretudo um exemplo acabado da total esquizofrenia política com que Sócrates tem gerido a política de Saúde. Ai se não fosse o preço da gasolina …
Ângela Silva


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Tentar perceber

Uma companhia criativa

OS JOVENS DE HOJE segundo Sócrates