terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Estado Social deve servir os mais fracos, ou os burocratas que o promovem?

O Insurgente, Novembro 3, 2015 by Rodrigo Adão da Fonseca

A esquerda portuguesa tem por estes dias vindo a agudizar o clima pós-inquisição que, de alguma forma, caracteriza o ambiente cultural português, escandalizando-se diariamente com as heresias de quem – blasfémia! – pensa um pouco diferente das forças frentistas que, como é sabido, venceram as eleições (mesmo quando os resultados mostram que foram vítimas do sucesso das suas próprias ideias).
Ora bem, a histeria de hoje, que justifica a prescrição do Xanax (comparticipado pelo SNS), é dirigida a Isabel Jonet, alguém cuja acção incomoda porque, em vez de ficar em casa a curtir o efeito da dose, opta por levantar o rabo do sofá para cuidar de milhares de famílias pobres. A heresia máxima, porém, é que Isabel Jonet cai na asneira de dizer o que pensa, e fá-lo à sua maneira, sem filtro: e todos sabemos como a esquerda não tolera quem emite opinião nos media e tem problemas graves de comunicação. E que coisa horrível defende, de uma forma atabalhoada, Isabel Jonet? Aquilo que muita gente anónima, de bom senso, pensa com simplicidade: que o Estado Social só faz sentido se existir para prover os mais fracos, e que uma sociedade, para ser próspera e poder atender aos mais pobres, não pode prover tudo a todos. Isabel Jonet incomoda. Porquê?
Porque todos os dias se dedica a combater o lado negro de um Estado Social, que tantos recursos consome. O Estado Social alimenta? Sim, mas também se alimenta, vorazmente; é brutal a destruição de recursos da enorme máquina burocrática que absorve muito do que se devera destinar às pessoas que deveria assistir: e que, por isso, deixa desprotegidos muitos dos tais fracos – que é ela, e a sua organização, de gente da “caridadezinha”, que no fim, verdadeiramente alimentam e dão de comer.
A Isabel Jonet pode não ser muito boa a “falar”, mas é muito boa a “fazer”. Portanto, os solidários de sofá bem que podiam ouvi-la com mais atenção, pois talvez tivessem muito mais a aprender do que a viver só no preconceito. Estanha forma de solidariedade, essa, que critica moralmente quem verdadeiramente dá de comer a quem tem fome.
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