O trunfo de Passos

Francisco Sarsfield Cabral RR, 04 Abr, 2016

Haverá políticos mais hábeis do que Passos Coelho, mas nenhum com a mesma força de carácter.

Passos Coelho foi primeiro-ministro nos quatro anos mais difíceis da democracia portuguesa. Errou na campanha eleitoral de 2011 ao prometer coisas que não foi possível concretizar. Mas teve uma linha firme e coerente na chefia do executivo, o que lhe valeu o ódio de muita gente, convencida de que a austeridade era uma opção sádica de Passos e não a consequência das loucuras financeiras de Sócrates.
É o que caracteriza um líder: não ser um catavento ao sabor das sondagens e das modas, nem ter medo de tomar medidas necessárias, embora impopulares. Passos Coelho mostrou sentido de Estado, sobretudo quando levou o instável Paulo Portas a desistir da sua “demissão irrevogável”; e quando negou a Ricardo Salgado a ajuda financeira que ele solicitava (e que provavelmente obteria de outro primeiro-ministro).
Haverá políticos mais hábeis do que Passos Coelho, mas nenhum com a mesma força de carácter. Mas se o seu partido quiser ser sobretudo uma mera agência de empregos, poderá substituí-lo para, por exemplo, ganhar as autárquicas. Assim desaproveitaria o grande trunfo do presente líder.
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