Montesquieu

Miguel Morgado
RR online 29-03-2011 10:30

Por estes dias chega às nossas livrarias a edição crítica de uma das maiores obras da história da filosofia política, "O Espírito das Leis", de Montesquieu.
Publicado em 1748 sob anonimato, "O Espírito das Leis" exerceu imediatamente uma vasta influência por toda a Europa. É que Montesquieu é muito mais do que a doutrina da separação de poderes que o imortalizaria e que ele, de resto, não inventou.
Durante a Revolução francesa, foi reclamado por republicanos e por monárquicos. Na Revolução americana, e para desgosto de Jefferson, a sua ubíqua figura multiplicou os discípulos. E marcaria uma presença inconfundível nas páginas de gigantes como Hegel, Burke, Constant, Tocqueville, Guizot, Beccaria ou Adam Smith.
Não é difícil perceber o segredo deste sucesso. Com imensa sabedoria e elegância literária, Montesquieu redigiu aquele que é provavelmente o livro mais completo e abrangente jamais escrito sobre política. Nele são abordados temas novos como a condição sócio-política da mulher ou o que muito mais tarde veio chamar-se «globalização», além de outros muito mais antigos como as formas de governo e a arte da guerra.
Fala-se de história, de direito, do clima, da geografia, de economia, de religião. Medita-se sobre a estrutura familiar, a demografia e a liberdade política. Discute-se a diversidade do mundo e reflecte-se sobre a natureza do homem.
Hoje continua a ser necessário ler Montesquieu. Porque ele ensina-nos a considerar os problemas políticos e as suas putativas soluções pela perspectiva irrecusável da moderação. Porque nos põe a pensar e nos convida a deixar para trás o sectarismo ideológico. Porque nunca nos esconde a tremenda complexidade dos assuntos humanos e protege-nos sempre das vozes dos «terríveis simplificadores».

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