Paradoxo

Dou-me conta que a frase do dia de ontem, que falava em dar a vida como valor da vida, o enfrentar as circunstâncias mesmo quando são aparentemente contrárias, e a liberdade que nasce do amor (também aqui) clamam por atitudes que quase todos aprovamos. Esta aprovação geral é um pouco inconsciente (digo-o por mim), na medida que conheço pessoas que dão a sua vida todos os dias, pessoas felizes apesar das circunstâncias e pessoas livres porque amam. A dificuldade é fazer experiência pessoal de tudo isto. Porque facilmente acho que mereço o que nos é dado – e frequentemente acho que mereço ainda mais – , facilmente resmungo contra as circunstâncias e facilmente ainda me sinto preso quando amo (ou procuro amar – porque o amor é, sobretudo, deliberação da vontade). Difícil mesmo é ser assim nos pequenos gestos quotidianos. Ninguém gosta de ser segundo, de perder; de ser último, então nem se fala, mesmo que lhe digam que os últimos são os primeiros. Se não passo nestes testes na pequenez da minha normalidade quotidiana não sou capaz de ter verdadeira consciência do que representam os grandes gestos com que o meu coração se comove e perante os quais encontro uma correspondência que me enche a alma.

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