Novo alento

Anteontem, na sessão de encerramento do Meeting Lisboa conheci o Miguel Araújo, fundador dos Azeitonas. Despertou-me a atenção o facto de procurar nas suas letras cantar a normalidade, o português médio, o José Faria dos Santos. Porém, o que o intrigava era como é que no meio desta banalidade geral todos encontravam como que por feitiço, sempre um novo alento
Ontem, ao ler o artigo do José Manuel Fernandes no Observador dei-me conta que, na sessão de sábado da manhã em que tinha participado, lhe tinham perguntado "se sabia explicar o contraste entre o país… onde muita gente andava a tentar dar a volta à vida e muitas empresas estavam a reinventar-se para voltarem a crescer, e o país … todos os dias retratado na generalidade da comunicação social, um país sempre a anunciar a catástrofe iminente ou a lamentar mais uma desgraça". O debate que daqui resultou, diz José Manuel Fernandes, "alterou o estado de espírito algo sombrio com que entrara naquela enorme tenda junto do CCB onde decorria esse evento, o Meeting de Lisboa". Entendi isto como sendo o José Manuel Fernandes a dizer que tinha saído do Meeting "com um novo alento".
Hoje ao entrar na Tapada da Ajuda, onde trabalho, a chegada visível da Primavera deu-me "um novo alento".
Hoje foi o funeral de um agrónomo com notoriedade pública, o Engº Armando Sevinate Pinto, e que foi também, um homem livre, corajoso e que nunca sacrificou a sua liberdade de expressão às conveniências. 
À saída, um colega confidenciou-me que, apesar de serem politicamente adversários, tinha um enorme respeito pela liberdade de pensamento e de acção do Armando Sevinate Pinto. Saí dali "com um novo alento".
Qual é então o feitiço?
A beleza da natureza que desperta do sono do Inverno, o entusiasmo dos jovens que procuram dar a volta à vida mesmo em circunstâncias difíceis e a percepção de que a humanidade verdadeira não passa sem ser reconhecida são sinal de uma realidade positiva que tem a sua raiz no presente mas é também promessa de futuro. 
É esta promessa de futuro que identifico como o novo alento do homem normal cantado pelo Miguel Araújo.
Neste início de Semana Santa o drama da paixão e morte de Jesus seria um desalento se Jesus não tivesse ressuscitado?, pergunta Paulo Rangel

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