O regresso ao tempo de Sá Carneiro

ANDRÉ ABRANTES AMARAL   OINSURGENTE.ORG    05.10.17
Lemos as biografias de Sá Carneiro, de Maria João Avillez e de Miguel Pinheiro, e ficamos com uma ideia de como foi, mas não sabemos nada. É preciso viver para perceber. É preciso viver para saber o que é a solidão política de quem trilha um caminho que considera o correto.
Há quem compare o fim da assistência financeira de 2014 com a de 1985. E, com base nessa comparação, conclua que Costa governará dez anos como Cavaco, pois os dois beneficiaram do esforço feitos por outros. Sucede que a realidade não é comparável porque, além de a dívida pública em 1985 estar nos 52% do PIB, e em 2017 nos 130%, a UE também não é igual à dos anos 80. A vida política de Costa não vai ser fácil.
Assim, e à medida que se forem apercebendo disso, muitos irão pressionar o PSD e o CDS para ajudarem o PS e contraporem a influência do PCP e do BE no governo – a ideia da direita como muleta do PS, tal como já foi desejado nos anos 70, quando Sá Carneiro, sozinho, quis um PSD autónomo que não abdicasse da sua visão para o país.
O cenário para o PSD neste outono de 2017 é semelhante. Ou o PSD ignora os problemas que se avolumam em troca de lugares, ou convence o eleitorado com um projeto alternativo. Um PSD só para ficar em segundo e, condescendentemente ser aceite em Belém e nas redações dos jornais, porque pactua com os erros que mais tarde teremos de pagar, não serve para absolutamente nada. Um partido tem de ganhar eleições, não para ocupar cargos, mas para servir o país. Esta forma de fazer política pode estar de regresso. Ainda bem, porque é a que vale a pena.

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