A culpa é a dor do que não fomos

JOSÉ LUÍS NUNES MARTINS     RR.SAPO.PT  
A culpa pisa e repisa. Calca e esmaga. Chicoteia, quase sem fim. Nunca mata, apenas quer prolongar o sofrimento. 
A liberdade condena-nos à responsabilidade. Ser livre é decidir, mas é, ainda mais, ter de aprender a viver com todas as consequências das nossas escolhas. Boas e más. A culpa aparece quando nos damos conta de termos sido autores de um mal.

Contudo, muitas vezes somos irresponsáveis… não só não assumimos as nossas faltas como as atribuímos a outros… alguns dos quais as aceitam sem compreender que carregam peso que não é seu.

A falta nunca está no que sentimos, mas no que aceitamos sentir. A culpa também.

O pior da culpa é o espaço e o tempo que abre ao medo. O culpado que tem disso consciência já está a cumprir parte da sua pena, um temor constante que o paralisa, impedindo-o das alegrias mais simples.

A culpa redime-se, não pelo pesar nem pelo remorso, mas pelo arrependimento. Compromisso pelo qual o futuro se altera a fim de lançar um verdadeiro perdão sobre o passado. Quem se perde a justificar-se apenas mascara a sua culpa, dando ao mal ainda mais força e poder.

O arrependimento só tem sentido e valor se, de facto, as decisões futuras obedecerem à nobre vontade de nos aperfeiçoarmos e, recorrendo a todos os meios necessários, não voltarmos a cometer o mesmo crime contra nós mesmos.

A vontade de expiar a culpa é o princípio do seu fim.

A culpa de tanta infelicidade não costuma ser dos outros, mas de nós mesmos.

Nascemos para ser felizes, não para ser escravos do passado, nem do medo ou da culpa.
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