24 horas para o Senhor no Chiado

Padre João Seabra


Meus estimados paroquianos
            e outros amigos que participaram nas “24 horas para o Senhor”

O Papa Francisco, que nesta nossa terra dos homens é o Vigário de Jesus Cristo, “Pastor e Guarda das nossas almas” (cf. 1 Pe 2, 25), convidou-nos a renovar nesta Quaresma do Jubileu da Misericórdia as “24 horas para o Senhor”: ter a igreja aberta para a oração pessoal de meditação e adoração, com sacerdotes disponíveis para atender de confissão e momentos de oração comunitária.
 A força profética do seu desafio encontrou eco na comunidade que reza na Igreja da Encarnação: estou profundamente grato a todos os que participaram, pela beleza do gesto que resultou dessa adesão.
Peço a quem receber esta minha carta que a reencaminhe para todos os membros do seu grupo ou comunidade.

24 horas de Adoração Eucarística
A jornada começou na sexta às sete da tarde com a Santa Missa, a que se seguiu a Exposição Solene do Santíssimo Sacramento. Diante do Senhor exposto se rezou ininterruptamente toda a noite, começando com uma oração pela Vida, e alternando momentos de meditação dirigida, a reza do terço e das ladainhas litúrgicas, momentos de canto orante, com longos momentos de adoração silenciosa. Os grupos de jovens e de adultos sucederam-se ao longo da noite, e a vigília terminou com a Bênção do Santíssimo, a que se seguiu a celebração da missa às oito da manhã.
Exposto novamente o Santíssimo Sacramento, fez-se a celebração solene das Laudes, e a Devoção do Primeiro Sábado, que culminou com a Bênção Solene com o Santíssimo. Ao meio-dia foi celebrada a Santa Missa. Exposto novamente o Santíssimo, sucederam-se a oração pelas famílias, o terço da misericórdia de Santa Faustina, a oração pelos cristãos da Terra Santa, e um tempo forte de pregação. Com a Bênção Solene do Santíssimo Sacramento se concluíram as 24 Horas. Às sete da tarde de Sábado foi celebrada a Missa antecipada do IV Domingo da Quaresma, com numerosa participação.
Em momento algum estiveram menos de dez pessoas na igreja, regra geral muitas mais, em diferentes ocasiões várias centenas; foram celebradas quatro Missas e rezados em conjunto oito terços; o Santíssimo esteve sempre com guarda de honra da Ordem do Santo Sepulcro; durante a noite um pequeno grupo de jovens assegurou a segurança da Igreja.
A ajuda fraterna dos sacerdotes
Começo por agradecer aos meus irmãos sacerdotes, que comigo mantiveram o Sacramento da penitência presente na igreja durante quase todo o tempo que durou a vigília: das 25 horas, desde as sete da tarde de sexta às oito da noite de sábado, houve confessor disponível durante 20 horas.
Peço licença para referir nominalmente os nove confessores daquela jornada da misericórdia: Cónego Armando Duarte, prior dos Mártires e do Sacramento; Padre Carlos Miguel Gonçalves, Prefeito do Seminário dos Olivais; Padre Miguel Pereira, prior de Alcântara; Padre João Vergamota, prior da Encarnação de Mafra; Padre Diogo Maleitas Correia, prior de Peniche; Padre Hilário Macanja, colaborador de S. Domingos da Baixa; Padre Menezes Carlos, colaborador do Coração de Jesus; Padre Eduardo M’Betatela, colaborador de Monte Abraão; e Padre Armindo Nhanombe, colaborador da nossa paróquia.
Além do generoso e insubstituível serviço do confessionário, outros quatro padres acederam a participar nas 24 horas: o Padre Ramiro Ferreira, prior de Alcochete, que guiou uma hora de oração nocturna preparada por uma escola de comunidade de liceais; o Padre Paulo Pires, prior da Azambuja, que celebrou a missa do meio-dia de sábado; o Padre Tiago Pinto, prior do Seixal, que orientou a oração pelos cristãos da Terra Santa; e o Padre António Vaz Pinto sj, Reitor da Igreja de São Roque, que proferiu uma pregação sobre a Misericórdia comentando a parábola do Bom Samaritano.

O empenhamento dos jovens
Durante todo o tempo foi muito edificante e gratificante o empenhamento dos jovens: sobretudo a seguir ao termo da Via-Sacra na rua, e pela noite fora, a igreja encheu-se de centenas de jovens, formando fila nos confessionários, fazendo longos tempos de adoração pessoal nos períodos de silêncio, ou dirigindo e participando em momentos de oração comum.
Refiro alguns grupos de jovens em que reparei mais, com a injustiça de não referir os numerosíssimos que não conhecia ou de que não dei conta: os Acólitos da paróquia, que dirigiram um terço meditado durante a noite e asseguraram o serviço litúrgico de quatro missas, duas delas solenes, e de três bênçãos; os jovens que se preparam para o Crisma, numerosos na Adoração nocturna; diversos momentos de oração comunitária foram assegurados por duas escolas de comunidade de Liceus de Comunhão e Libertação, pelo grupo do Sairef que de há alguns anos para cá faz os cinco primeiros sábados na paróquia, e por uma Equipa de Jovens de Nossa Senhora.

A participação dos adultos
Referir todos os que participaram na preparação e realização do gesto é quase impossível. Ao longo da noite e do dia sucederam-se grupos da Paróquia e outras realidades eclesiais que sustentaram com a sua presença o fluxo constante da oração comum e a presença orante diante do Senhor, com o Senhor, para o Senhor. O cuidado da segurança e do conforto, a atenção ao ambiente de silêncio, a sucessão organizada dos momentos de oração previstos, tudo exigiu uma participação empenhada de muitos.
O Ponto de Apoio à Vida assegurou a Oração pela Vida; o Terço rezado durante a noite, com a meditação dos quatro Mistérios, foi assegurado, além dos jovens, pela Escola de Comunidade de Jovens Trabalhadores da Paróquia e pelos Voluntários do Banco de Solidariedade; alta noite os fadistas que cantam na missa das sete no último Domingo do mês vieram adorar o Santíssimo com dois fados de louvor a Jesus Eucarístico; o canto das Laudes foi guiado pelos Memores Domini e pelo Coro de Comunhão e Libertação, que também marcou presença nas Missas; três diferentes Grupos da Fraternidade de Comunhão e Libertação asseguraram, por sua proposta, a Devoção do Primeiro Sábado, a Oração pelas Famílias e o Terço da Misericórdia; a Irmandade do Santíssimo Sacramento, para além da participação pessoal de muitos irmãos na vigília, solenizou a Santa Missa de conclusão; os Cavaleiros e Damas da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém conduziram um tempo de oração pelos cristãos da Terra Santa, participaram nas missas e na Via Sacra na rua e asseguraram a permanência ao longo das 24 horas de cavaleiros e damas com capas e insígnias em guarda de honra ao Senhor sacramentado.


Os vossos nomes estão escritos no céu
O Evangelho de S. Lucas conta que, quando os discípulos voltaram da sua primeira expedição missionária, gratos, comovidos, exultantes, entusiasmados, e talvez um bocadinho vaidosos, Jesus disse-lhes. “Não vos alegreis porque os demónios se vos submetiam: alegrai-vos antes por os vossos nomes estarem escritos no Céu!”
Podia ficar por aqui. Os nomes que digo a seguir, pela gratidão que experimento por cada um, não pretendem criar um Quadro de Honra paroquial: é somente para que rezemos uns pelos outros com amizade e nos animemos reciprocamente no amor de Cristo Senhor e da sua Igreja.
Refiro o primeiro grupo com quem partilhei a ideia, no bar da Católica, e que a pôs de pé na organização e na divulgação: Bernardo Cardoso, João Almeida e Brito, Afonso Ascensão, António Teles (filho); os que imediatamente aderiram e colaboraram em tudo o que se lhes pediu com criativa generosidade: António Teles, Juiz da Irmandade e cantor, Francisco Caiado Ferreira, Manuel Saraiva, António Duarte, José Maria Duque, António Moniz Pereira, Ana Furtado, Isabel Navega; Nuno Sanches de Baêna Ennes, que dinamizou a participação da Ordem do Santo Sepulcro; e os quatro jovens que asseguram o serviço da paróquia: Edson Ramos, William Campala, Rodrigo Vaz, Manuel Abranches Pinto.

Termino. Se Deus nos der vida e saúde, e nos mantiver unidos na fé e na amizade, para o ano voltamos a fazer. Será, se Deus quiser, melhor ainda.

Uma bênção do

Padre João


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