Quanto vale a vida?
RR on-line 06-02-2015 17:56 por Raquel Abecasis
Afinal, as vidas que se terão perdido nos últimos tempos não podem ser imputadas directamente à falta de dinheiro e à crise, mas à falta de organização e eventual incúria.
Tem sido a discussão dos últimos tempos, primeiro com a sobrecarga nas urgências, depois com a falta de acesso ao Sofosbuvir, um medicamento que em muitos casos consegue a cura para a hepatite C.
Em ambos os casos a questão foi colocada, do ponto de vista mediático, no nexo de causa-efeito crise-falta de acesso a cuidados de saúde. Procurando ir mais longe na busca de respostas para ambos os casos, o jornalista João Carlos Malta da Renascença chegou a algumas respostas interessantes:
- Sobre a sobrecarga nas urgências, o director do Hospital de Santo António no Porto diz que há que introduzir medidas correctivas no sistema de triagem, sobretudo para os doentes "amarelos". Mas diz também: "Estou convencido que, dos casos que morreram, a maioria iria falecer na urgência mais tarde".
- Sobre o caso de Maria Manuela Ferreira, que morreu no Hospital de Santa Maria, aparentemente por não ter tido acesso ao Sofosbuvir, foi a própria farmacêutica que explicou à Renascença que o medicamento não chegou à doente, não por falta de dinheiro, mas por erros e demoras burocráticas que o mesmo Sollari Allegro, noutra entrevista à Renascença, diz serem facilmente ultrapassáveis: "Se fosse no meu hospital, não aconteceria seguramente". O processo, afirmou, demora duas semanas e, em casos de risco de vida, faz-se através de contacto directo.
Entretanto, o ministro completou negociações com a farmacêutica e conseguiu tratamento gratuito para 13 mil doentes porque, de facto, o Estado tem recursos limitados e não consegue pagar todos os cuidados de que necessitamos.
Ou seja, bem vistas as coisas, afinal as vidas que se terão perdido nos últimos tempos não podem ser imputadas directamente à falta de dinheiro e à crise, mas à falta de organização e eventual incúria.
Estes são os factos relatados por quem os conhece.
Moral da história: a vida não tem preço, mas afinal tem e às vezes é caro, mas mesmo assim vale a pena negociar para poder pagar.
Complicado? Claro que é, mas este é o dilema que vivemos numa época em que a saúde será cada vez mais cara. Logo, se queremos discutir este assunto o melhor é fazê-lo com responsabilidade e sobretudo sem manipulações, venham elas de onde vierem. No fundo, basta aplicar as regras do jornalismo isento.
Afinal, as vidas que se terão perdido nos últimos tempos não podem ser imputadas directamente à falta de dinheiro e à crise, mas à falta de organização e eventual incúria.
Tem sido a discussão dos últimos tempos, primeiro com a sobrecarga nas urgências, depois com a falta de acesso ao Sofosbuvir, um medicamento que em muitos casos consegue a cura para a hepatite C.
Em ambos os casos a questão foi colocada, do ponto de vista mediático, no nexo de causa-efeito crise-falta de acesso a cuidados de saúde. Procurando ir mais longe na busca de respostas para ambos os casos, o jornalista João Carlos Malta da Renascença chegou a algumas respostas interessantes:
- Sobre a sobrecarga nas urgências, o director do Hospital de Santo António no Porto diz que há que introduzir medidas correctivas no sistema de triagem, sobretudo para os doentes "amarelos". Mas diz também: "Estou convencido que, dos casos que morreram, a maioria iria falecer na urgência mais tarde".
- Sobre o caso de Maria Manuela Ferreira, que morreu no Hospital de Santa Maria, aparentemente por não ter tido acesso ao Sofosbuvir, foi a própria farmacêutica que explicou à Renascença que o medicamento não chegou à doente, não por falta de dinheiro, mas por erros e demoras burocráticas que o mesmo Sollari Allegro, noutra entrevista à Renascença, diz serem facilmente ultrapassáveis: "Se fosse no meu hospital, não aconteceria seguramente". O processo, afirmou, demora duas semanas e, em casos de risco de vida, faz-se através de contacto directo.
Entretanto, o ministro completou negociações com a farmacêutica e conseguiu tratamento gratuito para 13 mil doentes porque, de facto, o Estado tem recursos limitados e não consegue pagar todos os cuidados de que necessitamos.
Ou seja, bem vistas as coisas, afinal as vidas que se terão perdido nos últimos tempos não podem ser imputadas directamente à falta de dinheiro e à crise, mas à falta de organização e eventual incúria.
Estes são os factos relatados por quem os conhece.
Moral da história: a vida não tem preço, mas afinal tem e às vezes é caro, mas mesmo assim vale a pena negociar para poder pagar.
Complicado? Claro que é, mas este é o dilema que vivemos numa época em que a saúde será cada vez mais cara. Logo, se queremos discutir este assunto o melhor é fazê-lo com responsabilidade e sobretudo sem manipulações, venham elas de onde vierem. No fundo, basta aplicar as regras do jornalismo isento.
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