"Era preciso que você morresse, meu amor..."

Esposo compartilha o testemunho da mulher, que deu a vida por amor

Enrico Petrillo Aleteia, 2015.02.07
Estou aqui, agora, no seu quarto; no seu último quarto. Você dormiu aqui só uma noite e ele agora é o seu quarto. Foi aqui que as portas se abriram; foi aqui que Ele veio, em pessoa, ao encontro de você. Este é o quarto onde os olhos de vocês, apaixonados, finalmente se reencontraram. Estou aqui, neste lugar sagrado, relembrando um pouco.
 
Só passou um ano desde aquela última e única missa que foi celebrada neste quarto. Eu me comovo com tanto amor recebido e dado, sempre juntos, e me descubro de novo apaixonado por você e por Ele. Talvez seja muito fácil, agora, para mim, porque eu fiquei muito bem nutrido. Eu saboreei o mel celestial. Foi aqui que Ele nos disse, no Evangelho daquela última Missa: "Vós sois o sal da terra e a luz do mundo". Foi e continua sendo o mandado dele: "Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho".
 
VOCÊ DEU TUDO O QUE PODIA: A VIDA
 
Existe um mundo que ama você de um jeito extraordinário. Eles sentem você por perto no meio dos sofrimentos e rezam a você como se a sua santidade já fosse reconhecida. Eu queria redimensioná-los, mas eu mesmo não tenho nenhuma dúvida de que você é santa. O "imprimatur" de nosso Senhor é a sua felicidade, como se Ele dissesse: "Eu passei por aqui; isto aqui é coisa minha".
 
Sabe, meu amor, o nosso amor continua gerando filhos (o padre Vito me fez notar isso). Temos tantos que eu nem consigo me lembrar dos nomes. São filhos não na carne, mas, ainda assim, filhos; filhos no Senhor. Espero que o Francesco me desculpe porque eu não guardei o presente dele, a carta que você escreveu para o aniversário dele. Eu também, um pouco, escrevi aquela carta, e achei que tinha que entregá-la para eles, para os filhos mais distantes. Espero não ter errado. Eu achei que não teria entendido direito o seu amor pelo Francy; ele é seu filho na carne.
 
Sabe... Há também um mundo que preferiria que você nunca tivesse existido, porque não é fácil se deixar perscrutar por Deus através de você: nos seus olhos, nos seus curativos, no seu sorriso, na sua beleza total Ele está sempre presente. É por isso que este livro é necessário. É, um livro sobre você, meu amor! Ainda estamos nos maravilhando! Um livro que não é para explicar a verdade, porque a verdade sabe se explicar muito bem sozinha, nem para fazer propaganda de você (como muita gente quereria). Nunca existe verdade plena em quem quer nos vender alguma coisa, mas você sim, você pode dizê-la, porque você deu tudo o que podia. Você deu a vida.
 
ERA PRECISO QUE VOCÊ MORRESSE, MEU AMOR...
 
Era preciso que você morresse, meu amor, era preciso. Para que os cegos vejam, para que os sedentos bebam, para que os soberbos sejam dispersos nos pensamentos do seu coração e para que o povo de Deus saiba que a escravidão acabou e que o Rei já vem na sua glória. Este livro é simplesmente para testemunhar, para quem quiser abrir o coração, que Deus é bom e que é possível morrermos felizes. Este livro é principalmente para mim, para eu não me esquecer. Eu vi, por pura graça de Deus, aquilo que muitos profetas e reis quiseram ver e não viram. Eu seria culpado se me calasse. Eu tenho que testemunhar. Eu daqui e você daí, agora, unidos num amor que para nós é novo, diferente, mas, com certeza, não se tornou mais frágil.
 
Para escrever este livro, eu pensei no Simone e na Cristiana: quem melhor que eles, amigos íntimos com quem compartilhamos tantos segredos da nossa alma, caminhando juntos na mesma direção, falando a mesma língua, testemunhas diretas, eles também, desta história maravilhosa? Pensei neles e acho que fiz bem. Teria sido bom escrever eu mesmo, mas, num raro momento de honestidade infinita, eu me disse: "Mas quando, Enrico? Você nem aprendeu ainda qual é a sua gaveta das meias e qual é a das cuecas! Melhor eles". Eles são perfeitos. Eu compartilhei essa ideia com o padre Vito e ele a abençoou. E foi então que eu os escolhi: eles rezam, eles têm um coração puro e desejam o bem. Eles sempre estiveram ali, desde que nos conhecemos em Assis, como namorados. Nós no casamento deles e eles no nosso, um mês depois. 

ESTE LIVRO FALA DE VOCÊ, DE NÓS E DE COMO DEUS AMA
 
Eles estavam lá rezando por nós, logo de fora da porta, quando a Maria nasceu e, depois, no "funeral" dela; eles estavam lá quando nasceu o Davide e também estavam lá no "funeral" dele; e estavam lá no batismo do Francesco e, por fim, na nossa Páscoa, quando tudo foi consumado. Quem é que poderia escrever este livro melhor do que eles?

O Simone, que estudou a arte de publicar, tinha todas as credenciais para espalhar a sua história com eficácia; e a Cristiana, aquela amiga com quem você compartilhou a fé mais que com qualquer outra. Ela sabe de alguns segredos do seu coração... Conversas entre mulheres de inteligência superior. Quanta beleza, quanta Providência! E eles conseguiram. Foi sacrificado para eles; eles rezaram juntos todas as manhãs antes de começar o trabalho, ouviram horas e horas de depoimentos de amigos mais próximos. Transcreveram e reconstituíram tudo com cuidado e terminaram de escrever; não um livro romântico, mas um primeiro livro que fala de você, de nós e, acima de tudo, de Deus, de como Ele ama.

É só um primeiro livro. Eu sei que vão ser escritos muitos outros, em muitas línguas. Você me disse frases densas como tomos de teologia. Quem sabe se, quando me falava, você já soubesse... Eu acredito que sim. Eu as escrevia, com toda a diligência, para não me esquecer. É... Para não me esquecer.

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