Traidores há muitos

José Luís Nunes Martins
ionline 2014.04.19
Parece que hoje só se acredita que as relações humanas são boas enquanto não houver um preço a pagar… todos querem o melhor sem ter de passar pelo pior.
Amar e respeitar, sim, mas apenas na saúde, não na doença… na alegria, mas não na tristeza… só se quer isso a que se chama amor enquanto significar prazer e conforto... caso contrário, e ao mínimo desagrado, põe-se logo tudo em causa... já não há vontade de construir futuro, e até o passado é visto com um desperdício de tempo, tendo em conta que foram frustradas as expectativas de uma vida de sonhos... e parte-se então em busca de melhor.
Hoje, se por um qualquer acaso se descose um botão num casaco, prefere-se deitá-lo fora e comprar outro, em vez de cuidar dele, ou de o aceitar assim, com essa sua imperfeição. Como se fossemos perfeitos e nada de imperfeito nos ficasse bem!
A traição supõe intimidade, só aqueles a quem abrimos o coração nos podem trair... atraiçoar é impedir o outro de ser o que é, através de um gesto feito a partir de dentro de uma relação de confiança.
Boa parte dos sofrimentos envolve uma dor adicional... sermos confrontados com a verdade cruel de que muitos daqueles com quem contávamos, afinal, nem sempre estão presentes... não são quem julgamos. São... infiéis. 
O traidor divide-se em dois. O que era - ou o que acreditávamos ser - e o que é. Deixa de ser digno da nossa confiança. Torna-se uma perda... que nos faz sangrar.
Tentemos perdoar quem nos trai, tentemos não trair quem nos perdoa.
Não há amor sem perdão.

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