Portugal caminha alegremente para o fim

VITOR RAINHO  IONLINE    23.01.2017
As futuras gerações de portugueses vão debater-se com um problema complicadíssimo: a população estará tão envelhecida que haverá muito mais reformados do que aqueles que trabalham. 


No último ano, segundo dados provisórios, morreram mais 24 mil pessoas do que as que nasceram. Quando assim é não se augura nada de bom, a não ser que os próximos anos tragam muitos bebés nas cegonhas dos casais jovens.
No tempo em que a democracia era uma miragem, o Estado português decidiu, na década de 60, apostar nos bairros sociais nas grandes cidades, permitindo às famílias mais desfavorecidas terem acesso a casas com mais quartos, mas obedecendo ao número de filhos.
Um casal que tivesse dois só podia concorrer a uma casa com dois quartos, e por aí fora. Quantos mais filhos tivessem, maior era a casa a que podiam almejar. Por isso, há tanta gente com idades a rondar os cinquenta anos. Pode dizer-se que era mais uma ditadura a juntar à política.
Mas a verdade é que não havia problemas de natalidade. Hoje os tempos são bem diferentes mas é óbvio que é necessário olhar para o problema com medidas drásticas. Há que dar “vantagens” a quem tiver mais filhos, dando-lhes acesso a habitações sociais – os Olivais e Alvalade, em Lisboa eram dois bons exemplos de integração social –, criando creches a preços simpáticos e alimentando uma política de isenções fiscais para as famílias numerosas. Não perceber que o futuro do país está em causa é fomentar guerras entre os mais velhos e os mais novos.
É que por este andar, e com o aumento da esperança de vida, estaremos a contribuir para uma sociedade em que os mais idosos serão cada vez pior tratados e perderão regalias básicas.
Se a idade da reforma vai aumentando um mês a cada ano, o número de idosos vais crescendo exponencialmente com o decréscimo de natalidade. É certo que não dá votos no imediato apostar em incentivos à natalidade, mas políticos com visão apostariam muito em inverter esta tendência de envelhecimento da população.
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