Sobre uma espécie de obituário delirante que ALC comete no Público

O Insurgente Posted on Dezembro 29, 2015 by Jorge Costa

Sim, o Público chegou a ser importante. Sim, o Público entrou numa degenerescência sem fim à vista e, sim, a Alexandra Lucas Coelho, com o seu jornalismo de causas, ou melhor, da sua causa, foi uma das principais razões para eu deixar de comprar e ler o Público, que se tornou num produto manhoso, sem mais. A causa da Alexandra Lucas Coelho, a causa a que me refiro, foi a que a tornou conhecida: a difamação permanente de Israel, que no caso dela parece confundir-se com um ódio profundo, irracional. Há limites para tudo, só não há, parece, para a manipulação jornalística a que o Público parece ter-se consagrado em exclusivo e a Alexandra Lucas Coelho praticou anos a fio com tanto enlevo. Mas isso pertence ao passado, como ao passado parece pertencer o Público.
Ainda li alguns parágrafos desta lengalenga. Não achei que valesse a pena continuar, quando cheguei a esta passagem: «Projectos como este jornal podem, devem, actualizar a publicidade para o digital, mas por mais cortes que façam, sacrificando trabalhadores, diversidade e profundidade, têm pouca hipótese de sobreviver com vendas e publicidade. A mudança histórica, então, seria deixarem de ser pensados como um negócio — propício ao prejuízo, a cada ano decepcionante para accionistas e desestabilizador para trabalhadores que vão perdendo condições — e serem tomados como responsabilidade social. Colectivos decisivos para a democracia, para uma sociedade mais complexa, livre e justa…».
Mas quem será ao certo este social? Responsabilidade de quem, em nome de quem e de quê e perante quem? Porque haveria alguém de subsidiar eternamente um jornal que os leitores não querem, porque se quisessem compravam-no? É este desvario, esta megalomania, esta pesporrência, esta mania de ter direito a parasitar alguém para poder fazer qualquer coisa cuja justificação está acima do consentimento das pessoas comuns expresso no ato simples, honesto, inequívoco e livre de pagar para a poderem ter, é este espírito de mandarinato, de casta sacerdotal que em boa medida explica o fim anunciado e previsível do Público. Só há a lamentar que alguém tenha alimentado esta cagança por tanto tempo. Se a tivessem cortado mais cedo, talvez as Lucas Coelho que vivem daquilo se tivessem posto ao caminho, à procura dos seus leitores, e, quem sabe, talvez o jornal não tivesse o fim que se anuncia.
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