A FAMÍLIA E A SOCIEDADE

Isilda Pegado
Voz da Verdade
1. À antiga pergunta – "Porque razão a pessoa precisa, naturalmente de viver em sociedade?" respondeu Jacques Maritain (filósofo cristão): "Em primeiro lugar por ser pessoa. Isto é, em virtude das capacidades próprias do Homem tais como a aptidão para a transmissão (dar e receber) de Conhecimento e, o Amor. Mas também porque a pessoa precisa da relação com os outros para atingir a plenitude da sua existência". Ora, o primeiro lugar onde esta inata aptidão se manifesta, é na Família (com aqueles que estão mais próximos).
2. Confúcio (filósofo chinês, séc. V a.c.) dizia "Para governar um reino com diligência, a primeira coisa a fazer é traçar um plano de ordenamento da família no que lhe é próprio: assim, uma família que acate as dificuldades e opere o amor será suficiente para provocar na Nação essas mesmas virtudes".
3. Também Aristóteles e Platão tiveram a preocupação de demonstrar que a sociedade mais perfeita só existe a partir da família. Alterar a sociedade é alterar a família, e modificar a família é modificar a sociedade. Ao destruir a família também se destrói a própria sociedade. Nesta medida qualquer actuação sobre a família tem consequências sociais.
4. Nas últimas décadas muito se tem questionado sobre a Família e o seu papel. Sendo que, relevante tem sido o uso (abusivo) dos "maus casos" e acontecimentos sociais que por vezes ocorrem em família. Os quais extrapolados acabam por ditar leis e formas de actuação contra a família. A justificação para tais leis, é sempre apresentada como sendo mais uma lei "a favor" da família ou "para protecção à família".
5. A este respeito não posso deixar de ressaltar dois ou três diplomas legais (expressão de um pensar social) aprovados nos últimos anos.
A Lei do Divórcio (de 2006) cujo objectivo era "facilitar o processo de divórcio para que as pessoas vivessem de acordo com os seus sentimentos e assim o casamento e a família fosse uma "verdadeira comunidade de amor". Ora, que se saiba tal lei não facilitou, antes atrasou cada vez mais os processos judiciais de divórcio e, não estou certa de que os casamentos e as famílias vivam hoje com mais amor e respeito do que viviam há 10 anos atrás. Aliás, cada vez são mais os casos de violências várias, no seio da família.
Assim, a grande consequência de tal lei, foi tornar socialmente o casamento um acto descartável. Em especial para os jovens, para quem -  casar não vale a pena – não tem efeitos. Isto é, a família vai-se tornando cada vez mais o somatório de diferentes individualismos, e não um todo que realiza cada um dos seus membros.
6. O segundo exemplo é a Lei de Protecção e Promoção de Crianças e Jovens em Risco que tem um nobre fim – proteger e promover as crianças e jovens – e que está a tornar-se um instrumento de medo e destruição das famílias, em especial das mais carenciadas. A autoridade dos pais foi diluída e hoje fala-se apenas em responsabilidades parentais, precisamente porque a verdadeira autoridade é do Estado sobre as crianças.
7. Não menos relevante e demonstrador desta actuação é a Lei do Aborto que propõe à família a eliminação dos seus filhos, de forma asséptica e financiada pelo próprio Estado.
8. Enquanto a Sociedade mantiver este tipo de opção ideológica e legislativa, certamente não haverá grande viabilidade nas restantes formas de vivência social. A crise tem causas. De Confúcio, Platão e Aristóteles não se dirá que é a visão Judaico-Cristã… a ditar. Mas há um saber milenar.
A Família como elemento estruturante da Sociedade é um bem para o Estado, o País e para o Homem.
As teses do individualismo e do hedonismo têm mostrado o seu (des)valor …
Para mudar os ventos da história é necessário uma educação pessoal que a todos é pedida. Talvez o caminho seja mesmo educar-se para o Amor ao próximo.


Isilda Pegado
Presidente da Federação Portuguesa pela Vida

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