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O povo é quem mais ordena

Henrique Monteiro Expresso, 20160625 Algo me diz que tudo o que começa por ser relativamente ordeiro e civilizado na velha Inglaterra se repercute de forma anárquica e por vezes violenta no resto da Europa. Gostava que assim não fosse, desta vez. Mas temo que seja.  Nas urnas, e com uma participação notável, os britânicos disseram estar fartos da União Europeia. Confesso que é preciso paciência para Bruxelas, Berlim e todos os pequenos e grandes desafios que nos colocam. O problema é que não vejo melhor alternativa do que ir tornando as instituições europeias cada vez mais democráticas.  Acontece, porém, que os britânicos preferiram pagar a saída. Já o estão a fazer com o que se passa com a libra e nos mercados financeiros e bolsistas. Mas o que lá se passou com um, ainda assim, civilizado UKIP e um populista, mas moderado Boris Jonhson, anda a ser pedido por Marine Le Pen em França. Quer um ‘Frexit’ (o francês já é quase uma língua morta). E os comunistas portugues...

O valor da pontualidade

José Luís Nunes Martins RR online 2016.06.18 Se há virtude que pode ser representativa do valor de alguém é a pontualidade.  Ser pontual começa no momento em que se define e assume, perante o outro e perante si mesmo, um compromisso que se há de cumprir, também por respeito, delicadeza e amor pelo outro. Não importa ser uma vez pontual, importa ser pontual sempre. Essa constância é que determina parte do valor de alguém. O verdadeiro poder de cada um de nós não é a capacidade de levantar grandes tempestades, mas sim o dom de criar e alimentar brisas suaves e constantes. Ser pontual é ser um ponto firme no meio de um terreno escorregadio. É ser mais livre do que os outros, porque se voa mais alto e, assim, se chega onde os demais apenas sonham chegar. Ser pontual é cumprir o dever de ser senhor de si mesmo. Ponto por ponto. É ser exato nas ideias, nobre nos sentimentos e, mais importante, atento e cuidadoso nas ações. Sem outro motivo se não o de ser fiel... a si mesmo...

Quarta-feira de cinzas

Alberto Gonçalves DN20160626  Manhã.  Desde cedo - ou, para ser exacto, desde há semanas - que quase todos os canais televisivos estão sequestrados por analistas e repórteres desportivos. Os analistas arriscam teses alusivas à "basculação" e ao "4-4-2". Os repórteres exibem, aqui e em França, populares aos gritos. Pelas minhas contas, cerca de oitocentas mil pessoas já foram chamadas a prever quem vai ganhar logo e quem vai marcar os golos. Que eu visse, ninguém recusou responder. Hora de almoço.  O país discute apaixonadamente o microfone que o futebolista Ronaldo arrancou das mãos de um jornalista e depositou, com inegável mestria, no fundo de um lago. Início da tarde. O ministro das Finanças dá uma conferência de imprensa para "explicar" (sem explicar nada) a "recapitalização" (o patrocínio à força) do "banco público" (a CGD, empresa de prestação de serviços a amigalhaços). O dr. Centeno diz que ainda é cedo para especifi...

Perdas e danos

António Barreto DN 20160626  Assim, de repente, para assombro de todos, a Grã-Bretanha (ou Reino Unido, ou Inglaterra, logo se verá) entregou a União Europeia à Alemanha e foi-se embora. A Europa ficou mais pobre. Menos livre. Menos diversa. Menos criativa. Mais fraca. Mais indefesa. Menos culta. Mais burocrata. Mais aborrecida. Menos atraente. Não há quem possa compensar o que desaparece. Ninguém, nenhum país poderá preencher o vazio agora criado. O que a União Europeia perdeu, de facto, não tem substituição. Perdeu uma das nações mais antigas e influentes do mundo e da história. Talvez o povo com o maior apego à liberdade que se possa imaginar. A mais antiga e experiente democracia do mundo. O único país que não conheceu, nos últimos séculos, a ditadura. A mais consolidada tradição de autonomia individual perante o Estado. As Forças Armadas mais bem treinadas, mais organizadas e mais operacionais da Europa. A Polícia mais civilizada do mundo. Uma das mais fortes tradições s...

Eutanásia...uma questão de vida ou de morte

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A falsa escolha e uma falsa solução

Miguel Poiares Maduro Observador 24/6/2016 O Reino Unido irá descobrir que a verdadeira causa dos seus problemas e ansiedades não é a Europa mas a incapacidade da sua democracia nacional em adaptar-se a um mundo interdependente. O que mais vamos ouvir dizer é que o resultado deste referendo é reflexo do distanciamento entre cidadãos e União Europeia e demonstra o quão necessário é que a UE atenda às preocupações dos seus cidadãos. Mas o que é que isso quer dizer exatamente? Para perceber que, na verdade, isso nos diz (e ajuda) muito pouco basta pensar na diferença entre a crítica dominante à UE no Reino Unido e em Portugal. Os britânicos estão preocupados com o que contribuem para a solidariedade europeia, os portugueses estão preocupados com a pouca solidariedade europeia. Em Portugal várias vozes à esquerda virão agora defender que este referendo torna claro que se tem de reverter o Tratado de Estabilidade e reforçar os instrumentos de solidariedade. Mas em boa parte do no...

Depois do Brexit evitar o Exit

José Luís Ramos Pinheiro RR online24 jun, 2016 Sabendo que a História está cheia de acontecimentos impensáveis, a negociação de saída dos britânicos, complexa e dura para ambos os lados, funcionará como um teste decisivo à qualidade das lideranças europeias e à maturidade dos valores europeus.  Os conflitos políticos e económicos no continente europeu foram demasiadas vezes acompanhados de uma expressão militar, isto é, de guerra. Foi assim em muitos séculos. E foi assim, por duas vezes, no século XX - a desestabilização europeia provocou as duas primeiras guerras mundiais. Projectado por grandes personalidades de diferentes países, o sonho europeu no pós-guerra foi um grito a favor da paz e do desenvolvimento dos povos europeus, duramente fustigados no século XX por destruições em larga escala. Pilar essencial na derrota do nazismo, a Grã-Bretanha nem sempre esteve na linha da frente da construção do projecto europeu, tendo apenas aderido à comunidade económica europei...