Assembleias do MFA: dez meses de contradições e rupturas a caminho da democracia
NUNO RIBEIRO 28/04/2014 - Público Ameaçaram, ponderaram, insultaram, reconciliaram-se, estiveram à beira da agressão e tiveram gestos de paz. Não há rasto das gravações das reuniões plenárias do Verão Quente, quando Portugal esteve à beira do confronto. Este é o relato do que aconteceu, recordado por alguns dos seus protagonistas. Não estavam previstas quando, em 25 de Abril de 1974, a acção do Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou a ditadura, entre aplausos e regozijo popular. As Assembleias do MFA foram criadas já no fim desse ano, para dar corpo político aos militares quando o país exigia soluções, os partidos ainda se instalavam e os executivos provisórios faziam jus à sua condição de provisoriedade. A partir daí foram meses de intensos debates, cenários de contradições impensáveis e os seus resultados eram fruto de conjunturas tão voláteis como incertas. Dez meses quentes, com o Verão escaldante pelo meio. Discutia-se tudo: do mais provável, o que implic...