Público 2012-02-24 Vasco Pulido Valente Embora com origem na Antiguidade (Grécia?), o Carnaval é uma festa cristã. Os três dias de Carnaval são, ou deveriam ser, dias em que uma vez por ano se suspendem os bons costumes, para ganhar ânimo para o jejum, a penitência e a oração da Quaresma. O Carnaval era, por isso, e para quem podia, normalmente dedicado aos prazeres da carne: à comida, à bebida e ao sexo. As máscaras serviam, de resto, um objectivo prático: esconder ou disfarçar histórias pouco lícitas a que as circunstâncias, com alguma sorte, davam oportunidade. Como seria de esperar, Lutero e Calvino eliminaram esta inexplicável excepção. E também a Igreja tridentina tentou, pelo menos, disciplinar a coisa, reduzindo o número da máscaras autorizadas e deslocando os participantes para a frente da igreja do sítio, para os conservar sob o olho paternal da autoridade. De qualquer maneira, apesar destas perseguições, o Carnaval durou. Durou, mas perdeu a sua exuberância e o seu si...