Mensagens

Carta aos empresários

DN 2011-03-21 JOÃO CÉSAR DAS NEVES Esta é uma carta aberta aos gestores das grandes empresas portuguesas. Começo por pedir desculpa pelo atrevimento. Os empresários estão habituados a que lhes escrevam para lhes ralhar, pretendendo ensiná-los, ou para os elogiar, querendo seduzi-los. Não presumo dar lições ou influenciar ninguém. Tenho o maior respeito por quem dirige empresas, em especial grandes, tarefa das mais difíceis e influentes. Pretendo apenas, motivado pela situação nacional, dizer uma coisa simples. A crise tem solução, e ela passa por vós. Não passa pelo Governo, não passa pelo Orçamento, passa pelas empresas. Todas as empresas. Escrevo apenas aos gestores das grandes, não porque sejam os mais importantes, mas porque são os que ainda não ajustaram. As pequenas estão adaptadas. Muitas desapareceram, outras renasceram, todas evoluíram. Não tinham alternativa. As grandes têm e, sendo maiores, naturalmente demoram mais tempo. Pior de tudo, desconfiam da sua importância. A vos...

Eu, padre, casado me confesso.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada A Voz da Verdade, 2011-03-20 Anda por aí um burburinho dos diabos, à conta de uma declaração de uma centena e meia de teólogos alemães que, há falta de um tema mais original, decidiram questionar o celibato sacerdotal. É, juntamente com o famigerado sacerdócio feminino, uma insistente proposta de alguns grupos de católicos pouco ortodoxos que, se me permitem a charada ecuménica, de tão reivindicativos dir-se-ia que são protestantes. Não obstante alguns contornos mais caricatos, a questão é séria e merece alguma reflexão. Depois de uma etapa fundacional em que, à imagem de Cristo, os apóstolos e outros, como São Paulo, se mantiveram célibes “pelo reino dos Céus”, vieram tempos em que os presbíteros podiam ser casados. Contudo, tendo em conta os resultados dessa primitiva experiência, entendeu-se preferível retomar a tradição evangélica, repondo o celibato sacerdotal na Igreja Católica latina. Portanto, um eventual regresso à anterior situação representa...

Um tiranete da Beira

Vale muito a pena ler este artigo do Vasco Pulido Valente. Não tanto pela apreciação concreta de personagens e acontecimentos, mas, sobretudo, pelo esclarecimento do que é a verdadeira natureza da democracia. Público 2011-03-18 Vasco Pulido Valente O eng. Sócrates comprometeu Portugal em Bruxelas com o PEC IV, sem comunicar coisa alguma ao Parlamento, ao Presidente da República, aos partidos da oposição e aos parceiros sociais. Quando umas tantas pessoas protestaram, o eng. Sócrates respondeu, indignadamente, que o que lhe importava não era a "forma", era o "conteúdo" do que fizera. Só em Portugal esta explicação poderia ter passado sem um escândalo maior ou mesmo sem a demissão imediata do primeiro-ministro. Convém explicar porquê à ignorância indígena. A democracia é "forma". Só as ditaduras se justificam pelo "conteúdo". Uma ditadura não hesitará em invocar - como, de resto, invocou - a "defesa de Portugal" para meter por seu...

Travel Photo of the Week (National Geographic Magazine)

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  The purple hue of a stormy night plays backdrop to the Tower of Belém, in Lisbon, Portugal in this week's Travel Photo of the Week. Portugal is one of Europe’s best kept secrets, with great food and wine and spectacular countryside at some of the Continent’s best prices. See this week's best travel photo as chosen by the editors at National Geographic .

19 de Março - S. José

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O sonho de S. José Georges de La Tour c. 1640 Óleo sobre tela Musee des Beaux-Arts, Nantes A vocação de José São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero, fundador Homilia de 19/03/63 in «Cristo que passa», §§ 54-56 Para São José, a vida de Jesus foi uma contínua descoberta da sua vocação. [...] Aqueles primeiros anos [foram] cheios de circunstâncias aparentemente contraditórias: glorificação e fuga, majestade dos magos e pobreza da gruta, canto dos Anjos e silêncio dos homens. Quando chega o momento de apresentar o Menino no Templo, José, que leva a modesta oferenda de um par de rolas, vê como Simeão e Ana proclamam que Jesus é o Messias. «Seu pai e Sua mãe ouviram com admiração», diz São Lucas (2, 33). Mais tarde, quando o Menino fica no templo sem que Maria e José o saibam, ao encontrá-Lo de novo depois de O procurarem três dias, o mesmo evangelista narra que «se maravilharam» (2, 48). José surpreende-se, José admira-se. Deus vai-lhe revelando os Seus desígnios ...

É preciso abrir as janelas para deixar sair o ar contaminado

Público 2011-03-18  José Manuel Fernandes Ao fim de seis anos o país não está só economicamente arruinado, está também moralmente corroído Primeiro que tudo é bom sabermos onde estamos. E onde estamos é simples de definir: não há memória de um governo ter conduzido o país a uma situação tão desesperada. Nunca, nos últimos 160 anos, a dívida pública, em percentagem do PIB, foi tão elevada. E a dívida externa é a maior dos últimos 120 anos, isto é, a maior desde que o país declarou bancarrota em 1892. Nunca, nos últimos 80 anos, o crescimento potencial da economia foi tão baixo (temos de regressar aos anos da I Guerra para vermos números tão maus). Nunca o desemprego foi tão elevado, nunca houve tantos desempregados de longa duração, nem tantos desempregados qualificados. E desde o início da década de 1970 que não se emigrava tanto, e só o rápido aumento do número dos que abandonam Portugal tem evitado uma taxa de desemprego ainda mais estrastrosférica. Tudo isto sucede depois de v...

O discurso encantatório

Público 2011-03-17 Helena Matos O discurso encantatório é incompatível com uma simples hora de bom governo, mas é fantástico para conquistar o poder Todas as semanas terá de haver o anúncio de mais uma dádiva ou de mais um programa que vai fazer Portugal avançar para o futuro. Tudo sempre num frenesi, com apresentações cheias de efeitos especiais e desenhos de ruas, cidades e paisagens virtuais. Para preencher os tempos mortos há que inventar causas que encenem o ambiente de luta entre os progressistas, nós, e os retrógados, eles. Nós damos. Eles tiram. Não podemos dar tanto quanto gostaríamos -nós por nós daríamos tudo - mas vamos agora dar escolas. Vamos dar uma caixa de correio electrónico a cada português. Vamos apoiar o carro eléctrico, a cultura e os painéis solares. Vamos ter o MIT, os PIN, TGV e muitos Magalhães. E diplomas das Novas Oportunidades para todos. Quando alguém tem dúvidas, é tratado como um herege e apresentado como um excêntrico. Reage-se sempre atacando: de...