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Nota da Direcção da Ajuda de Berço sobre a situação da Associação

(a propósito de um email que circula na net pedindo ajuda para nós) Lisboa, 7 de Outubro de 2010 Caros amigos Antes de mais muito obrigada pelo seu/sua pronto interesse. Sensibiliza-nos muito. De facto a Ajuda de Berço está a atravessar um momento muito difícil, mas “falência” é uma força de expressão que nós não utilizamos porque não somos uma empresa, e “bebés na rua” muito menos, pois o nosso trabalho é precisamente o oposto: acolher bebés em situação de abandono e/ou risco. Dar-lhes casa, colo, segurança, estabilidade e sobretudo muito afecto. Trabalhamos no seu projecto de vida para que encontrem um futuro digno e feliz. Como qualquer instituição sem fins lucrativos, a nossa sobrevivência é assegurada por um pequeno subsídio do Estado (que cobre apenas um quarto das nossas despesas) e tudo o resto é angariado junto de pessoas singulares e empresas. Pedimos apoios em géneros e dinheiro. Com esta tremenda crise que não abranda, muito pelo contrário, os donativos em dinheiro têm vind...

A pen da desgraça

DESTAK | 20 | 10 | 2010   10.29H José Luís Seixas No último minuto do prazo Teixeira dos Santos entregou o Orçamento do Estado numa pen. Em Portugal, nem as Finanças dispensam a adrenalina do último minuto. A minúscula pen transitou do bolso do Ministro para as mãos do Presidente da Assembleia. Este segurou-a com incontido receio, não fosse a coisa desfazer-se e esguichar algum líquido abrasivo. Visualizado o conteúdo, constatou-se que a informação estava incompleta e com erros, coisas menores decorrentes de problemas informáticos que ainda surpreendem este Portugal tecnológico, mesmo quando afectam «o orçamento mais importante dos últimos decénios». Corrigidos os lapsos, somos confrontados com um violento terramoto fiscal que nos ameaça pecúlios, salários, reformas, enfim, vidas vividas e vidas projectadas. Mas seria expectável epílogo diferente de uma governação que concebe a política como a arte do engano? Dissipadas as ilusões da regularização das contas públicas, do cresciment...

Presidenciais: Eppure, si muove...

Público, 2010-10-20 António Pinheiro Torres A vinda à tona do centro-direita por si só abre um espaço identificável com consequências que só no tempo se verão Parece hoje quase certo que não haverá uma candidatura alternativa na área do centro-direita e que apenas o actual Presidente se apresentará a votos a este vasto eleitorado. Muitos factos justificam que assim seja, mas o maior e mais decisivo de todos encontra a sua origem na crise que o país vive, das mais graves desde o 25 de Abril de 1974. Engana-se, por isso, quem pense que o espaço vazio resulta da falta de alternativa ou que se possa passar ao lado do sector político, que, desta vez, não terá quem o represente. Na verdade, a ferida aberta no campo do centro-direita permanece desde que exposta, ao vivo e a cores, na inexplicável decisão de promulgação da lei do casamento gay (que não funda, mas espoletou o descontentamento). O divórcio entre as lideranças do centro-direita e parte do seu eleitorado tem-se acentuado. Al...

Sim, sejamos populistas

Público, 2010-10-19 Pedro Lomba Em Portugal há uma palavra maldita e perseguida: populismo. Ser populista corresponde a ser-se radical, incendiário, manipulador da inocência do povo. O populista é um precipitado, um impaciente, talvez um jardinista. O populista não encaixa bem no reino da respeitabilidade partidária, das poses à esquerda e à direita, porque não cultiva as meias medidas, nem vê a política com pias intenções e generalidades. O populista quer ruído e vítimas e, em tempo de crise, quer ainda mais ruído e vítimas. O populismo é anti-institucionalista. Interessa-lhe provocar as pessoas (os que têm direito de queixa) contra os poderes e não os poderes contra as pessoas. O populista é romântico e deixa o sentido de Estado para quem tem sentido de Estado. Digamos que a lei do populismo funciona mais ou menos da seguinte forma: na vida das sociedades é sempre certo que uns ganham mais do que outros. Até deve ser assim se têm mais talento ou se se esforçam mais. Mas já não é a...

18 de Outubro - S. Lucas

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  S. Lucas Simone Martini, ca. 1330 Têmpera sobre madeira 22 1/4 x 14 1/2 in.  The Getty Center, Los Angeles

A China joga xadrez global para comer peças e não só

DN 2010-10-18 LEONÍDIO PAULO FERREIRA Imagine um bispo a fazer xeque ao rei. Foi aquilo que aconteceu quando os australianos da BHP Billiton tentaram uma aquisição hostil da Potash, a empresa canadiana que é o gigante mundial dos fertilizantes. Bons conhecedores do xadrez - disputam com os indianos a invenção -, os chineses moveram de imediato uma peça importante, diga-se uma torre, e puseram a Sinochem a intrometer-se no negócio, avaliado em 39 mil milhões de dólares. É que senhores de uma inegável visão estratégica, os governantes de Pequim olham cada vez mais para o mundo como um imenso tabuleiro, atentos à mínima jogada, antecipando todas as possíveis e imaginárias. A um país que tem 20% da população do planeta mas só 7% das terras aráveis nunca passará despercebido um negócio que mexa com fertilizantes. Pôr a Sinochem em movimento ainda por cima é fácil: não foi preciso convencer os accionistas, trata-se de uma empresa estatal. A última grande fome na China aconteceu de 1...

Os mercados não são parvos

DN 2010-10-18 JOÃO CÉSAR DAS NEVES É patético Portugal viver obcecado por uma entidade abstracta e longínqua, os mercados internacionais. O busílis da política nacional é: se o Parlamento reprova o Orçamento, será que os credores se zangam? Os níveis asfixiantes da dívida põem-nos a adivinhar eflúvios da finança mundial, contemplando ânsias e caprichos dessa fluida personalidade planetária, que aliás supinamente desprezamos. Ninguém domina os movimentos de milhões de credores. A teoria económica explica a razão lógica porque os mercados são imprevisíveis. Mas, por muitos defeitos que tenham, uma coisa é certa: não são estúpidos. As nossas medidas ambíguas, joguinhos de imagem, discursos comoventes e intrigas palacianas não os impressionam. No passado dia 29 o senhor primeiro-ministro veio à televisão dizer compungido que o País precisava de forte austeridade. Desde então multiplica-se em justificações por todos os canais. Mas o Orçamento do Estado para 2010 foi aprovado apenas a 12 de ...