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Três linhas da frente

A melhor resposta nesta frente veio de João Paulo II quando, no Cazaquistão, apelidou o terrorismo de "profanação de Deus". Na terceira frente da guerra não pode haver vencidos e vencedores, porque não é um jogo de soma-zero mas sim o tecido em que se cruzam as vidas humanas. O sagrado humanismo da Constituição americana e a religião do Corão concordam com as palavras do Papa, em Astana, de que "o ódio, o fanatismo e o terrorismo profanam o nome de Deus e deformam a autêntica imagem do Homem". Três Linhas da Frente Mendo Castro Henriques Euronotícias , 28 de Setembro de 2001 Espero que Cabul não esteja já a arder, hoje, 10 do Rajab de 1422, era do profeta; mas é previsível que estejam em vias de se desenrolar operações especiais em um ou mais dos países que dão asilo aos terroristas das irmandades muçulmanas implicadas no genocídio de 11 de Setembro. Seja qual for a eventual acção militar da coligação internacional liderada pelos EUA, estamos perante uma guerr...

Inundados pelo deserto

Inundados pelo deserto António Rego A tragédia americana de 11 de Setembro tem alguma novidade sobre as que a precederam: uma gama alargadíssima de facetas, de causas e consequências, que acabam por permitir milhares de leituras, contradições, revoltas e preces. À primeira vista tudo pode resultar da grandeza da América ­ não é fácil encontrar um país que junte tantas paixões, ódios e diferenças ­ mas também se pode olhar do lado das puras regras da narrativa de uma história: um caso onde o acontecimento é o resultado de uma cadeia de operações que abre um autêntico folhetim de perguntas, a lembrar uma telenovela que se vai alterando para manter bem viva a presença expectante de quem acompanha a história. José Saramago, com a magia da sua palavra e a sua obsessão (anti?) religiosa, acha, em recente artigo, que as guerras do planeta se devem ao ³factor Deus² e que Ele, coitado, não teve, nem tem, a mais leve culpa de nada porque, simplesmente, não existe. Mas não foi o factor Deus...

Visita do papa ao Cazaquistao, 20010923

Atentados não podem dividir 23-09-2001 11:17:03   O Papa João Paulo II apelou este domingo aos cristãos e muçulmanos para que não permitam que os atentados de 11 deste mês nos Estados Unidos os dividam, sublinhando que a religião «jamais deve ser utilizada para alimentar conflitos». «Não devemos permitir que os acontecimentos nos Estados Unidos nos possam dividir», afirmou o bispo de Roma, de 81 anos, durante a celebração de uma missa em Astana, capital do Cazaquistão, uma ex-república soviética da Ásia central, de maioria muçulmana. João Paulo II, que chegou sábado ao Cazaquistão para uma visita pastoral de três dias, apelou ainda aos cristãos «e aos fiéis de outras religiões» para trabalharem em conjunto, «para construir um mundo sem violência, que ama a vida e que crê na justiça e na solidariedade». «Que cada povo, inspirado pelo espírito divino, possa trabalhar para uma civilização de amor», afirmou na missa, perante cerca de 40 mil pessoas, manifestando também a e...

E a luz brilhou nas trevas (Jo. 1,5)

Tomada de posição do Cardeal Patriarca face ao atentado de Nova Iorque. D. José Policarpo E a luz brilhou nas trevas (Jo. 1,5) 1. Ao encetar esta presença, que espero seja mensal, nas páginas da "Voz da Verdade", não posso deixar de meditar convosco nos dramáticos acontecimentos das últimas semanas, que tendo atingido directamente o Povo dos Estados Unidos da América, encerram um significado para toda a humanidade, neste início do séc.º XXI. É que um dos frutos da nossa fé cristã é ser luz que nos permite ler os acontecimentos da história humana, captando-lhe as interpretações e exigências para a edificação do Reino de Deus. O primeiro elemento significativo é a sua brutal surpresa. A ordem mundial decorria na sua rotina assumida e eis que de repente tudo é posto em questão, obrigando-nos a pôr questões sobre o sentido da civilização que edificamos, sobre as injustiças e desarmonias a que nos habituámos, sobre movimentos de fundo que desconhecíamos. O Senhor Jesus avisou-no...

Jornal das Boas Notícias, 8

JBN08

América

América O atentado terrorista contra os Estados Unidos constitui, antes de mais, uma surpresa terrível. Os símbolos do poder no mundo foram abatidos, arrastando consigo milhares de mortos. Como se o poder, a ostentação máxima da construção humana, nada pudessem diante de uma outra capacidade humana, a de destruir, de aniquilar o esforço da civilização. Assim, os ocidentais, distraídos e esquecidos da sua fragilidade, do mal e do pecado que  trazem dentro, ficaram aterrorizados em frente da televisão, que mostrava, como num cenário de ficção científica, a realização da intenção malvada dos "outros". Com efeito, tudo aquilo que é humano está em gravíssimo risco, que nenhum escudo de guerra das estrelas pode eliminar. Não por razões técnicas, mas por aquele veneno a que os cristãos chamam "pecado original": a inveja que o homem traz dentro de si contra o bem e contra si próprio.     É difícil combater quem não tem medo de morrer, quem pelo contrário faz da morte...

A resposta ao horror

João César das Neves DN 20010917 Na guerra: firmeza; na derrota: resistência; na vitória: magnanimidade; na paz: benevolência" (Winston Churchill The Second World War , Cassell, 1948-1954). O inqualificável ataque terrorista contra a América tem um propósito claro: pôr em causa os fundamentos do mundo civilizado. Perante ele, só há uma resposta digna: a afirmação inequívoca dos mesmos fundamentos da civilização. Assim, junto com o resgate das vítimas e a reconstrução da cidade, este tem de ser um momento de proclamar, clara e serenamente, os valores da justiça, liberdade, cooperação e abertura que sustentam o nosso modo de vida. Qualquer outra resposta serve apenas os objectivos dos terroristas. A humanidade atingiu a 11 de Setembro um novo patamar de horror numa escalada secular. Desde a guilhotina do "Terror", a era contemporânea já viu muito. Mas atirar aviões cheios de passageiros contra prédios cheios de gente é uma crueldade que abre novos abismos da maldade...