sábado, 20 de agosto de 2016

Não está a resultar...

Daniel Bessa
Expresso, 20160820

Governo e a maioria política que o suporta no Parlamento prometeram, entre outras coisas, fazer crescer a economia portuguesa. Nisso se distinguiriam, entre outros méritos, do Governo anterior e das forças políticas hoje na oposição. 
Decorrido metade do ano, o PIB está a crescer ligeiramente abaixo de 1%, sendo esta a taxa de crescimento que se espera para 2016 (se as coisas melhorarem na segunda metade do ano). Cresceu um pouco mais (1,46%) em 2015 e sensivelmente o mesmo (0,91%) em 2014. 
E reconhecerem que poderão ter-se enganado, sendo melhor mudar de caminho? 
O fator que, segundo a nova maioria, deveria acelerar o crescimento do PIB era o consumo das famílias. E este não tem faltado: as famílias estão a gastar acima do seu rendimento disponível (a sua poupança encontra-se em mínimos históricos, sendo agora negativa), e o crédito ao consumo aproxima-se de máximos históricos. Mesmo assim, o crescimento do PIB não acelera. 
Uma conduta de acordo com práticas recomendáveis deveria levar o Governo e a maioria parlamentar a dizerem-nos alguma coisa. Porque é que, estando a ser implementada pelas famílias (é o que parece...), a estratégia delineada não está a dar o resultado pretendido? Deverá o Estado, ele próprio, consumir mais, endividando-se mais? Deverá incentivar as famílias a gastarem ainda mais, endividando-se, também elas, ainda mais? Ou, pura e simplesmente, reconhecerem que poderão ter-se enganado, sendo melhor mudar de caminho?
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