segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sai no exame?

ALEXANDRE HOMEM CRISTO     OBSERVADOR    22.05.17
Se não se libertar o ensino secundário do acesso ao ensino superior, não haverá autonomia escolar que resista. Nem inovação pedagógica. E muito menos aquisição das ditas competências para o século XXI.
Um dos grandes professores que tive, o Miguel Monjardino, ensinou-me a pensar as relações e as tensões entre os Estados através de um mapa. O raciocínio é simples: uma coisa são as palavras, as ameaças e as tensões entre inimigos; outra coisa é a sua real capacidade de concretização das palavras e das ameaças, muitas vezes mensurável pela ponderação das distâncias geográficas e do alcance dos equipamentos militares. Por exemplo, não havendo território amigo onde reabastecer, a autonomia de combustível de um F16 israelita permitiria ir e voltar caso pretendesse executar um ataque no Irão? Este tipo de teste de realidade deve servir sempre de ponto de partida das discussões. No fundo, avalia-se o que objectivamente é possível acontecer, já que não existe mais-valia em discutir o impossível.
Esta lição é importante, porque desencadeia uma metodologia de pensamento crítico que se adapta a várias circunstâncias e a qualquer área da governação: há uma diferença substantiva entre as intenções e aquilo que é realista, devendo o escrutínio das políticas públicas começar nessa avaliação. Ora, sob essa lente, veja-se o caso concreto da Educação, cuja equipa governativa tem repetidamente prometido mais autonomia para as escolas, no sentido de estas testarem soluções inovadoras em sala-de-aula, se ajustarem às necessidades dos alunos e os orientarem para a aquisição de competências-chave (tal como surge no documento estratégico do “Perfil do aluno para o século XXI”). Mas até que ponto estas peças encaixam no puzzle do sistema educativo? Não encaixam. A intenção política não passa no teste da realidade.
Porquê? As incompatibilidades são muitas e variadas. Três pequenos exemplos. Primeiro: às escolas pede-se que se adaptem às necessidades dos seus alunos, de modo a prevenir o insucesso escolar – mas se um director não pode escolher os seus professores, o que define o seu projecto educativo não são as carências educativas dos alunos mas as características dos recursos humanos que tem à disposição. Segundo: a organização do Ensino Básico está sustentada em três ciclos, que enquadram desde o currículo até à organização interna das escolas – mas como se pode dar autonomia às escolas sem, depois, se ficar às cegas, já que não se avalia de forma sistemática (com prova final, prova de aferição ou o que seja) o nível das aprendizagens dos alunos no final dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico? Terceiro: as escolas públicas vão ser incentivadas a diferenciarem-se umas das outras, gerando diversidade de oferta – mas se se quer escolas públicas diferentes, deixa de ser indiferente frequentar uma ou outra escola, pelo que se impõe mecanismos de escolha da escola para os pais na rede pública.
A lista poderia continuar. Mas nenhuma incompatibilidade chegaria aos calcanhares daquela que agora temos debaixo dos olhos, nestas semanas que antecedem os exames nacionais: todo o ensino secundário está orientado para o exame final. Assim que começam o 10.º ano, os alunos só querem saber o que sai no exame, os professores só ensinam o que sai no exame, os pais só perguntam pelo que sai nos exames. O que é perfeitamente compreensível: os exames nacionais são decisivos para o acesso ao ensino superior – a nota que um aluno tiver nesses exames faz a diferença entre ingressar ou não no curso que ambiciona.
Ora, o problema não é haver exame (que faz sentido), mas sim a sua dependência com o ensino superior (que não faz sentido). Porque, se é perfeitamente compreensível a atenção que todos dedicam aos exames, esta é igualmente contraproducente – todo o ensino secundário fica condicionado pelo exame, pela forma como este mede os conhecimentos, pelo tipo de questões que coloca, pelo conteúdos mais prováveis de testar. Não há margem para mais nada. Esqueçam-se, pois, as competências para o século XXI, as novas abordagens pedagógicas, as salas-de-aula inovadoras. Sim, até poderão existir no papel. Mas nenhum professor ou escola irá por aí enquanto o risco for tão elevado. A opção mais segura continuará a ser ensinar para o exame e pouco mais. É aí que estamos e é aí que ficaremos.
O discurso do governo para a Educação tem vários pontos negativos que, noutros momentos, apontei e critiquei. Mas também tem pontos positivos – está centrado na autonomia das escolas, na inovação pedagógica, na diversidade de oferta educativa, na aquisição de competências para o século XXI. O dilema é que, tal como o governo se propõe a introduzir estas reformas, os pontos positivos não encaixam – e, como tal, por mais que existam no domínio das intenções, não existirão na realidade. No fim, não passa de palavras, pois tudo esbarra aqui: se não se libertar o ensino secundário do acesso ao ensino superior, não haverá autonomia escolar que resista. Nem inovação pedagógica que alguém arrisque. E muito menos aquisição das ditas competências para o século XXI. A menos que o governo encare esta questão – o que parece pouco provável – andaremos sempre a discutir impossibilidades.

A tradição democrática sob fogo cruzado

JOÃO CARLOS ESPADA     OBSERVADOR   22.05.17
Em boa parte, as recentes críticas académicas e políticas à democracia são expressão de um fenómeno comum: a perda de memória sobre a tradição ocidental da liberdade sob a lei.
Pode ser apenas coincidência, mas vários obras académicas recentes têm vindo a pôr em causa o sistema e/ou a ideia democrática. Curiosamente também, umas criticam a democracia por ser demasiado “populista”, outras por ser demasiado “elitista”. Dá a impressão de que a dicotomia que tem dominado tantas batalhas eleitorais recentes — entre “populismo” e “elitismo” — chegou também aos (ou, quem sabe, partiu dos) seminários académicos.
Against Democracy, de Jason Brennan (Princeton University Press) é um dos mais famosos títulos recentes. O autor passa em revista décadas de estudos empíricos sobre como as pessoas comuns pensam e decidem sobre política. E conclui que todos eles revelam que as pessoas escolhem e decidem na base de uma enorme ignorância sobre as reais questões políticas e técnicas em jogo. Para impedir o “governo da ignorância” que ele associa à democracia, Brennan propõe então um sistema “Espistocrático”: o governo dos que possam provar deter mais conhecimentos.
Um argumento semelhante é apresentado por Christopher H. Achen e Larry M. Bartels em Democracy for Realists: Why Elections Do Not Produce Responsive Government, também da Princeton University Press. Mais uma vez, estes autores citam inúmeros estudos empíricos que mostram como os eleitores decidem mais com base em identidades sociais e sentimentos de grupo do que com base no conhecimento das questões políticas e técnicas em jogo. Embora estes autores não apresentem uma alternativa clara ao actual sistema democrático e eleitoral, a sua conclusão é clara: as escolhas eleitorais não são baseadas na “razão”.
Estes são dois livros de reputados académicos norte-americanos que criticam a democracia por ser demasiado “populista”. Mas também tem havido obras académicas que criticam a democracia eleitoral por ser demasiado “elitista”. A mais conhecida é a do belga David Van Reybrouck, Against Elections: The Case for Democracy. Basicamente, o autor retoma antigos argumentos contra a representação eleitoral dizendo que ela apenas perpetua elites alheias aos sentimentos populares. Para introduzir mais variedade, Van Reybrouck preconiza o regresso ao método ateniense do sorteio periódico de representantes de entre o chamado povo.
Não posso neste espaço tratar com justiça os livros seriamente argumentados destes autores. Mas também não posso deixar de alertar para o surgimento destas críticas académicas contra a democracia — precisamente quando as críticas à democracia também sobem de tom, à esquerda e à direita, entre inúmeros actores políticos na Europa e nos EUA.
Creio que, em boa parte, as críticas académicas e as críticas políticas à democracia são expressão de um fenómeno comum: a perda de memória sobre a tradição ocidental da liberdade sob a lei. E essa perda de memória é também em grande parte resultado das “conquistas progressistas” alcançadas pela educação moderna: o total abandono do estudo da Tradição dos Grandes Livros da tradição ocidental.
Se a Tradição dos Grandes Livros não tivesse sido abandonada, talvez não fosse preciso recordar que a democracia moderna não é uma “invenção” moderna. É resultado de uma longa e civilizada conversação — entre Atenas, Roma e Jerusalém, como costumamos dizer — fundada no ensaio e no erro, bem como no compromisso entre razoáveis preocupações diferentes. Estes compromissos não geraram a democracia como melhor regime: apenas como menos mau do que as alternativas, como muito certeiramente sublinhou Winston Churchill.
Churchill foi sem dúvida no século XX o mais célebre defensor da democracia ocidental contra os seus inimigos. Mas sempre repetiu que a democracia era o pior regime, com excepção de todos os outros. E, muito antes dos autores que citei neste artigo, também ele disse que “o mais poderoso argumento contra a democracia é uma conversa de 5 minutos com um eleitor médio”. Ainda assim, quando perdeu as eleições em Junho de 1945, depois de ter ganho a guerra em Maio do mesmo ano, aceitou sem protesto a decisão do “eleitor médio” e sentou-se ordeiramente na bancada do oposição.
Não gostaria de ser mal interpretado. Não estou a preconizar a exclusão dos livros acima citados da séria e tranquila ponderação académica. Mas, em termos de política prática, estou sem dúvida a alertar contra os argumentos “científicos” contra a democracia. E, para indignar ainda mais os inúmeros críticos de Churchill (que hoje misteriosamente parecem crescer à esquerda e à direita, designadamente nos comentários neste jornal), termino com um conselho do velho estadista: “devemos precaver-nos contra as inovações desnecessárias, sobretudo quando ditadas pela lógica.”

Humanidade: uma espécie em vias de extinção

FRANCISCO ALVIM    OBSERVADOR   22.05.17
Aquilo que provoca o sofrimento deve ser tratado, e isso deve ser feito com todas as forças. Assistir na morte não confere dignidade a quem morre. A dignidade está em assistir o doente até morrer.
A partir do Parlamento querem impor-nos uma nova forma de entender a vida. Por essa razão foi lá que recentemente nos manifestámos para dizer STOP!… à eutanásia.
Apesar da fraca cobertura do evento, é curioso que apenas uns dias depois os grupos parlamentares do PS e BE se tenham insurgido contra as conferências que o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) vai promover sobre o tema e que começam esta semana, com o apoio do Presidente da República, que abre a primeira sessão.
Como noticiou o Expresso, os deputados entendem que o CNECV não tem por missão auscultar a sociedade civil, principalmente quando o Parlamento já está a debater o tema. Mas quem são os senhores deputados para decidir que conferências pode ou não o CNECV fazer? Eis a ditadura de pensamento único que urge denunciar. O debate esclarecido não pode ser impedido.
Foi precisamente isto que fomos, há dias, explicar à Assembleia, ao grupo parlamentar dos Verdes, em representação dos 15 mil subscritores da petição “Toda a Vida tem Dignidade”.
Este não é um tema em que uma pessoa pode dizer que não tem opinião. É importante debatê-lo seriamente. E com seriedade é preciso dizer: o sofrimento não é brincadeira. Pelo contrário, diria que sofrer é o reverso da medalha de existir.
Falar do sofrimento do outro não é fácil. Infelizmente já passei por várias experiências de sofrimento e vivi, na primeira pessoa, e com a minha família, situações limite de doença. Essa experiência serve-me para afirmar o seguinte: quem é contra a eutanásia não é a favor do sofrimento. É preciso desconstruir esta ideia.
O sofrimento faz parte da condição humana. Sofre-se fisicamente como se está cansado, com sono ou com fome. E sofre-se psicologicamente como se está satisfeito, feliz, zangado ou triste. Não se é só meio homem, nem apenas para o que é bom. Todos estes fenómenos são naturais.
Do mesmo modo, a falta de convivência com a adversidade não a apaga quando ela surge. Se ignorarmos as dificuldades, elas não desaparecem. Ao invés, elas perduram, aumentam. Com o sofrimento é igual, seja ele físico ou psíquico. Se aquilo que o provoca não se trata, ele intensifica-se. Se não se alivia, ele dói, massacra. O mito que é preciso desmontar é o de que para acabar com o sofrimento a melhor (ou a única) solução é morrer.
A solução deve ser a oposta: aquilo que provoca o sofrimento deve ser tratado, e isso deve ser feito com todas as forças, até ao limite do que a ciência permitir. Assistir na morte não confere dignidade a quem morre. A dignidade está em assistir o doente até morrer.
Pensar assim não é justificar o encarniçamento terapêutico, forçando o doente a tratamentos desnecessários sem melhoria à vista. E também não significa impor um modelo de heroicidade. Pensar assim significa tão-somente isto: ser(-se) humano.
A chave está na “revolução da ternura e do carinho” de que falava o Papa Francisco em Fátima. Crentes ou não, a preocupação com os mais frágeis deve ser o centro da nossa actuação. E isso não pode ser sinónimo de abandono.
O Estado e todos nós devemos ajudar quem sofre. Aos doentes terminais deve ser dada especial atenção, mas o investimento não pode ser só nos cuidados paliativos (que são fundamentais). Os que perdem a razão de existir devem ser ajudados a reencontrar um sentido para a vida. Devem formar-se (mais) psicólogos, médicos, auxiliares que sejam orientados (querendo, claro) para a prestação destes cuidados. Devem fomentar-se iniciativas nas escolas, nas universidades, nas casas, nos empregos, nos partidos, nos hospitais, nas instituições de solidariedade social, de sensibilização para o problema. Deve criar-se uma forte consciência social de humanidade.
Como é que se faz isso com ideologias perniciosas, como a liberdade da mulher para decidir o que fazer com o seu corpo (entendendo por “corpo” a vida de um filho) ou a identidade de género, e não se faz o mesmo com uma questão tão básica? Porventura alguém prefere o egoísmo ao altruísmo?
O que não se deve fazer é escolher a solução mais fácil e barata. É desprezar. É dizer “tu não fazes falta”, “tu não vales nada”. É, perante desespero de um pedido de eutanásia, responder “OK, é para já”. Não se trata de respeitar a autonomia individual. Trata-se de lavar as mãos, como fez Pilatos, de uma decisão que também é nossa.
A vontade do doente não é completamente livre, está condicionada pela circunstância concreta de sofrimento da pessoa. Se alguém partir a mão, a reacção natural é querer acabar com a dor. Mas se a pessoa pedir para amputar a mão, estranhamos. Isso não é solução. Alivia-se a dor, trata-se, opera-se. Aqui passa-se o mesmo. A solução não pode ser a morte. Principalmente numa época em que a ciência está tão avançada.
Já todos ouvimos histórias de suicídio. O que dizemos de quem se suicida? Temos pena. Choramos. Coitado, não estava bem. E o que dizemos de uma sociedade que quer (ter o direito a) morrer? Que é moderna. Que é livre. Que está viva. Quanta ironia. Está sim moribunda.
O mais grave é que a Comissão Nacional do PS aprovou uma moção onde defende a despenalização da eutanásia, abrindo caminho para se legislar nesse sentido. E o senhor António Costa votou favoravelmente. E ninguém se insurge? Ninguém encosta o senhor primeiro-ministro às cordas? Talvez já não cheguemos a tempo. A senhora vice-primeira ministra e as gémeas secretárias de Estado já trataram de o fazer. E com muita eficácia.
Será o princípio da extinção de uma espécie? Talvez, mas cá estaremos para lutar por ela. Até ao último suspiro.
Advogado

Na Rússia só fica uma escola católica legal

http://revculturalfamilia.blogspot.pt   26.04.17

Em todas as áreas religiosas do mundo – pagãs, muçulmanas, fetichistas, etc., etc. – há escolas católicas mantidas por Ordens religiosas ou por missionários, às vezes com heroicos esforços. As escolas católicas têm prestigio até em países insólitos. 

Por isso elas atraem uma multidão de muçulmanos no Paquistão e na Jordânia, de hinduístas na Índia ou no Nepal, de taoístas e agnósticos em Taiwan, e de ateus até em países comunistas como o Vietnã.

Mas na Rússia de Vladimir Putin não podem existir. Elas são fechadas por via policial ou ameaças de origem oficial. Na Rússia, país de 143 milhões de habitantes que ocupa a sexta parte das terras emergidas, a única exceção é a escola infantil católica de Novosibirsk, na Sibéria, informou o site “Religión en Libertad”. 


Ela foi fundada cinco anos após a queda do Muro de Berlim, como uma experiência clandestina de frades franciscanos, num pequeno apartamento que depois foi sendo ampliado.

Quase ninguém se atreve a denunciar a anomalia da ausência na Rússia de escolas católicas. Para alguns, a exceção da escolinha de Novosibirsk funciona como um paravento da repressão. 

Correm rumores da existência de academias católicas em urbes siberianas. Em outras cidades haveria maternidades católicas semiformais, mas agindo na clandestinidade, como no tempo do comunismo soviético.

O diretor de Novosibirsk, o sacerdote franciscano Corrado Trabucchi, explica que a escola fornece um currículo completo com todas as matérias. 

Ela começou num tempo em que havia alemães católicos enviados a campos de concentração soviéticos da região e que queriam um ensino católico para os filhos e netos.

O nível de cultura religiosa em Novosibirsk é paupérrimo, como resultado do ateísmo de Estado e do desinteresse da igreja cismática pela formação religiosa. De início, as crianças nada sabem de religião, nem mesmo quem foi Jesus Cristo. 

A escola sobrevive com uma licença estatal exclusiva. Em geral, o regime de Putin considera suspeitas as atividades católicas, chegando a ameaçar tornar a Igreja Católica ilegal, acusando-a de órgão que encoberta serviços secretos estrangeiros.

A escola católica tem popularidade na cidade e atrai crianças cujos pais professam outras religiões, mas desconfiam dos estabelecimentos públicos. A oração conjunta católica é obrigatória todos os dias. As crianças de famílias ortodoxas são convidadas a se batizarem, pois o clero cismático faz muito pouco nesse sentido.

As crianças aprendem a celebrar festas como a de Natal. Elas recebem educação patriótica, aprendem o alfabeto russo e sua origem no grego, a História Sagrada, o Antigo e o Novo Testamento. A escola se mantém com donativos vindos do exterior. O Estado ajuda pouco o nada.

Um dos maiores problemas é que pela ausência de moral na Rússia, a maioria das famílias está destruída. Muitas crianças só conhecem a avó ou a tia com quem vivem. 

As celebrações, orações e festas comuns como a de São Nicolau devem evitar o risco de serem acusadas de “ópio do povo”. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Museu de Arte Antiga :: Exposição Madonna

FAMÍLIA CRISTÃ   18.05.17

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) estabeleceu uma parceria com os Museus do Vaticano e as galerias Borghese e Corsini e inaugurou ontem, dia 18, uma exposição dedicada a Maria. No âmbito das comemorações do Centenário das Aparições de Fátima, a exposição "Madonna" traça, através dos quadros, um percurso daquilo que foi a representação de Maria na história entre os séculos XIV  e XVIII. A exposição conta ainda com obras de artistas italianos que estão em território português, como é o exemplo do quadro "Adoração dos Magos", de Jacopo e Domenico Tintoretto, que está no Mosteiro de Singeverga. A exposição está patente no MNAA até ao próximo dia 10 de setembro. Na inauguração estiveram os responsáveis do MNAA, assim como a diretora dos Museus do Vaticano, Barbara Jatta, o cardeal Giuseppe Bertello, presidente do Governo da Cidade do Vaticano, o ministro da Cultura português, Luís Filipe de Castro Mendes, D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa, D. Rino Passigato, Núncio Apostólico, entre outras figuras de relevo da Igreja e da cultura portuguesas.

Lisboa e os lisboetas expulsos

CATARINA FONSECA      fonsecaville.activa.sapo.pt      18.05.17

Um dia destes, vou deixar Lisboa.
Não porque não goste, mas porque me obrigam. Lisboa tornou-se um sítio onde as pessoas não são bem vindas ( só os chineses com dinheiro, mas esses não contam). Lisboa está linda, arranjadinha, ai que belos passeios para ir com a família, mas qual família? Onde estão os lugares para estacionar os carros? Já não vivemos no século XIX: já não trabalhamos ao lado da nossa casa. É muito lindo dizer 'vão trabalhar de transportes', mas eu para chegar ao sítio onde trabalho preciso de apanhar quatro transportes. É lindo,  não é? À chegada a casa, demoro uma hora às voltas. Uma hora roubada à família, à minha vida, ao raio que o parta. Além disso, eu tenho direito a ter carro e tenho direito a ter onde estacioná-lo. Tão simples como isso. Quase que aposto que os senhores vereadores têm todos o seu lugarzinho de garagem. 
Mas não. Nesta Lisboa tão verde, tão bonita, tão fantástica, os lisboetas deixaram de poder viver. E o surrealismo não se fica por aí. 
Depois de quase uma semana fora, vou hoje à procura do carro, e nada. Estranhei: então o carro estava quase em frente à porta de casa. Depois comecei a entrar em pânico. Acabei por descobrir: tinha sido rebocado. 
Lá vou de escantilhão ao parque de Entre Campos.

E rebocaram o carro porquê: porque está estacionado na sua rua.
Desculpe? Atão: a sua rua está dividida ao meio, e a senhora só tem dístico até meio.
Desculpe? Pois, do meio para cima pode, do meio para baixo já não pode. 
Vocês só podem estar a gozar comigo.
Não, é assim. E passe para cá 150 euros. 
Guarda do parque: - Ninguém a avisou de que tinha direito a dois dísticos? Isso foi azelhice deles. Queixe-se. E enquanto não se queixa, vá lá a abaixo à câmara e peça já o segundo. 
Mais uma hora à espera na câmara. Menina da Emel: - Pois, só tem um dístico. Devia ter dois. Mas nós aqui também não podemos informar de tudo. 
Ah não? Então quem é que pode? é Deus? Catarina, filha: ouve-me: sou o teu Pai do Céu a informar-te que precisas de rezar mais Avé Marias pela conversão da Rússia e de te arrepender dos teus pecados e já agora, precisas de dois dísticos para estacionar na tua rua, que está dividida em dois como a aldeia do Asteríx e como Olivença.
A sério. Internem-nos.

O problema nem é que a rua esteja dividida ao meio. Dividam lá as ruas por onde quiserem. Uma amiga minha até tem uma rua onde as casas de um lado pertencem a uma freguesia e do outro a outra. O problema é que não avisam as pessoas na altura em que pedem o dístico. Alguém no seu juízo perfeito anda na sua rua a ver se todos os parquímetros têm um número igual? Só se tiver sérias perturbações mentais... 
Parece que não tem uma coisa a ver com a outra, mas a verdade é que me sinto cada vez mais insegura numa cidade que é a minha desde que nasci. Lisboa está cada vez mais bonita - e cada vez mais vazia. Parabéns: estão a conseguir expulsar os lisboetas. E pouco a pouco, vamos transformar-nos em Veneza - uma cidade saqueada, de onde todos fugiram excepto os americanos gordos sentados de calções e perna aberta nos salões forrados a veludo vermelho.

Nunca pedi a Deus que me salvasse – mas supliquei que não houvesse teste de Matemática

MARINE ANTUNES   IONLINE   18.05.17

Gastei todos os meus créditos com a Matemática e, quando chegou a altura de pedir a cura, fiquei com vergonha e deixei-me estar

Eu e as minhas irmãs fomos educadas a sabermos ir ao café, ao hipermercado ou a uma loja sem pedirmos o que quer que fosse aos meus pais. Desde miúdas que soubemos o valor das coisas, percebíamos que o dinheiro vinha do trabalho difícil dos meus pais e que era mais bonito esperar que eles oferecessem quando e se pudessem. Saberia muito melhor um gelado oferecido do que pedido. Não fomos as filhas perfeitas (isso esteve tão longe de acontecer como eu ser um dia internada com anorexia) mas, neste campo, eles terão de concordar que as suas três filhas se portaram exemplarmente.
Cresci sem chorar por umas botas novas e a aceitar as horrorosas botas ortopédicas que era obrigada a usar. Com esta pronúncia carregada, a usar botas ortopédicas no inverno e no verão, convenhamos: não entrei para o quinto ano escolar com o pé direito. Foi com o esquerdo e estava torto. De qualquer forma, era uma miúda bem resolvida e com autoestima suficiente para me declarar aos rapazes mais giros da escola. Nunca me afetou ter menos coisas que os outros miúdos porque me foi sempre ensinado a ser grata pelo que havia.
E isso era o suficiente para perceber que tinha o bastante.
Levei a coisa tão a sério que, quando me foi dada a oportunidade legítima para pedir alguma coisa, não o fiz: aos 13 anos, quando o cancro apareceu, esperar-se- -ia que suplicasse ao Deus em que acreditava que me salvasse, mas não foi isso que aconteceu. Achei que já O tinha chateado demasiadas vezes com os meus outros pedidos recorrentes: “por favor, Deus, faz com que não haja teste de Matemática”; “por favor, Deus, inventa aí um sismo na hora do teste de Matemática”; “por favor, Deus, acaba com a Matemática”. Gastei todos os meus créditos com a Matemática e, quando chegou a altura de pedir a cura, fiquei com vergonha e deixei-me estar.
Tenho de reconhecer que, para uma menina de 13 anos, era incrível o tamanho da minha fé. Continuei a ouvir a minha intuição (que cresceu nesta altura), a rezar, a agradecer as coisas boas do dia e a reclamar com Deus quando as coisas não estavam a melhorar para o meu lado. Mas pedir a cura, nunca o fiz. Na verdade, talvez não o tenha feito porque nunca duvidei de que ia ficar bem e, por isso, não fazia sentido pedir algo que sentia que já tinha. Não sei. Só sei que nunca pedi a Deus que me curasse, e olhem que eu vivo perto de Fátima… tinha prioridade e tudo. Não o fiz mas, confesso, tive quem o fizesse por mim. A sensação de sabermos que há tanta, tanta gente a torcer para que fiquemos cá mais tempo a pagar IMI é curativa. Não somos o centro do mundo, sabemos isso, mas somos o centro do mundo de algumas pessoas. E sentires-te vaidosa por isso, neste contexto, acho que não faz mal.
Uma vez tínhamos visitas em casa e o meu pai contava, emocionado:
– Quando a Marine estava doente, estive no Santuário de Fátima a rezar desesperadamente, enquanto dava a volta à capelinha de joelhos… e, para mim, foi isso que a salvou!
Até que a partilha foi interrompida pela espontaneidade deliciosa da minha mãe:
– Porra, tu foste UMA vez a Fátima. Eu andei UM ano a caminhar com ela para Coimbra... e quem a salvou foste tu?!
Rimos que nem perdidos (resolvemos as nossas conversas e os nossos problemas assim) e chegámos a um consenso: afinal, foi tudo preciso. Porque tudo é preciso. Os tratamentos difíceis, a fé do meu pai, o humor da minha mãe, a sorte que apareceu, o amor das minhas irmãs, os caminhos para Coimbra. E as voltas dadas à capelinha. Foi tudo preciso.
O cancro passou. A fé manteve-se. Não por Deus me ter salvo (mas fiquei agradecida e em dívida por ter dado uma mãozinha), mas porque a fé tem-me dado algo que acho que não poderia encontrar em mais lado nenhum. Aquela coisa tão bonita que se chama esperança. Sabes, Deus, nunca te pedi que me salvasses, mas acabou por acontecer da forma que os meus pais me ensinaram: ao ser grata pelo que havia, percebi que isso era o suficiente para perceber que tinha o bastante.

Primeira visita de estudo sem o PAP

ISABEL BULHÃO MARTINS      CARTA       18.05.17

Olá Inês 

Não sei se se lembra de mim, sou a Isabel casada com o Luís Bulhão, amigo e colega do seu Pai.

Começo a escrever este mail enquanto espero pela chegada dos alunos do ISA  que, mais uma vez, nos vêem visitar ao Alentejo.

Há mais tempo que queria ter escrito mas os dias vão passando...

E hoje é, para mim, um dia especial- é a primeira visita  que os alunos nos fazem sem o seu Pai.

Gostava de lhe dizer que compartilho de vários dos sentimentos expressos pelos que escreveram  textos quando da sua partida.

Em particular, o sentimento partilhado na primeira Missa sem corpo. Foi um clima único. Pessoas que não o conheciam pessoalmente mas que conheciam o seu pensamento e o admiravam. Todos a rezar pela sua família pois pelo Pedro não era necessário - a certeza que estava no céu era unânime.

Depois, o sentimento de gratidão pelo grande trabalho desenvolvido em prol do Povo.

E, por fim, o sentimento expresso, e que partilho, pois foi  a pessoa que conheci mais perto da santidade. A sua maneira tranquila de estar e a serenidade que dele sempre emanava a par com a aceitação tranquila de tudo o que a vida lhe trouxe nunca encontrei em mais ninguém. 

Mas não um Santo bonzinho, apático e desligado do mundo!

Gostaria tb de lhe transmitir a opinião de várias pessoas que gostam muito do seu trabalho em prol deste  Povo. Um Povo diferente, com um cunho seu,  que gostamos muito de receber e que o seu Pai gostaria de ler!

Um beijo da Isabel

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Subscritores da Petição 'Toda a Vida tem Dignidade recebidos pelos Verdes na AR

FRANCISCO ALVIM   FACEBOOK   18.05.17
Conjuntamente com o Professor António Gentil Martins, Sofia Nobre Guedes e Graça Varão, em representação das cerca de 15 mil pessoas que subscreveram a petição "Toda a Vida tem Dignidade", fomos hoje recebidos pelo grupo parlamentar do Partido Ecologista "Os Verdes" para expôr o propósito da petição e debater a questão da eutanásia. 
Foi uma discussão séria e aberta, onde tivemos oportunidade de apresentar o nosso ponto de vista e de perceber as sensibilidades do PEV para esta questão, identificando os vários pontos que nos aproximam.
Inverter o sistema e sobrepor a liberdade individual ao valor da vida significaria admitir que tudo é permitido. Cabe ao Estado defender e preservar a vida, como decorre da Declaração Universal dos Direitos do Homem, da Declaração Fundamental dos Direitos da União Europeia e ainda da nossa Constituição. 
A defesa da dignidade da vida também é defender a dignidade dos que estão doentes. A solução não está em assistir a pessoa NA morte, transferindo para os médicos a responsabilidade de decidir quem vive ou não, mas está em assistir a pessoa ATÉ morrer, principalmente tendo em conta os avanços científicos e médicos existentes.
A rampa deslizante não é um mito, como muitos querem fazer crer. Dar este passo é admitir que muitos outros se seguirão. Basta ver o que se passa na Bélgica ou Holanda, onde se podem matar recém nascidos ou onde até já as crianças ou os próprios médicos o podem pedir. 
É preciso gerar uma forte consciência de humanidade na sociedade. O Estado e todos nós devemos criar condições para que a sociedade seja mais solidária e menos egoísta. O que não se pode fazer é querer impor o contrário.
#todaavidatemdignidade

Se a honra desse lucro

POVO 18.05.17

"Se a honra desse lucro, todos seriam honrosos"


S. Thomas Moore

Chegaram-me alguns ecos da redação do Expresso sobre a nossa história familiar e a ligação a FátimaUm dos comentários era mais do que justo económicamente: perguntavam-se como é que eu ainda quereria ir a Fátima, ou mesmo como a fé se pôde manter ou mesmo solidificar, quando pela fé, só tive a perder. Onde está a vantagem?! Porque neste fim-de-semana ‘abençoado’ que passou parece só haver vantagens. Gostamos do Papa, e estivemos com o Papa. E a festa não acabou aí, desde a Eurovisão até (para alguns) um tetra-campeonato. Sem esquecer, a cereja no topo do bolo, um feriado (também só para alguns), que fez do fim de semana, um fim-de-semana grande. 
Depois disto estamos todos convertidos ao "Costismo"!
(...) mas para o nosso filho Pedro poder ir a Fátima, foi preciso alguém não gozar o feriado oferecido por Costa... e por esse gesto gratuito de amizade pelo Pedro e a nossa família, estamos muito gratos e aqui mostramos algumas fotografias do seu encontro com o Papa Francisco e com Jesus escondido no 100º aniversário das aparições de Fátima. 

Os “Costistas" são movidos pelo que têm a ganhar e só se alegram no ganho.
Os Cristãos são movidos pela gratidão de quem tem algo a perder. 
E essa gratidão é a fonte da verdadeira alegria, a alegria que permanece e não desilude, porque não ilude.


AGENDA

19 a 21 de Maio de 2017

Próximo Retiro Vinha de Raquel

Destinado a quem fez aborto

Veja como pode ajudar!


20 de Maio, 21h30
Igreja da Encarnação, Chiado
INTINERÁRIO MARIANO
Canto    Palavra    Oração
em acção de graças pelo centenário, 
a canonização e a visita do Papa Francisco

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20 de Maio :: Itinerário Vocal Mariano :: Igreja da Encarnação Chiado

A Costa o que é de Costa

O meu pai ajudava-nos muitas vezes levando os miúdos ao seu barbeiro em Alcântara. 
Mesmo desagradados com a ideia do corte de cabelo, perguntavam sempre onde iriam: se comigo, ao Sr. Baptista na Estrela que já cortava o cabelo do seu pai quando ele era criança ou ao Sr. Bernardo com o avô. O Sr. Bernardo era sempre o preferido... Atribuí durante algum tempo a preferência à companhia do avô mas mais tarde percebi que o Sr. Bernardo lhes dava sempre um rebuçado no fim e o Sr. Baptista, com muito menos jeito para o marketing infantil, não lhes dava nada além do indesejado corte de cabelo.  Na cabeça dos miúdos, a matemática é simples: se tenho mesmo que cortar o cabelo, pelo menos que receba algo em troca.

Chegaram-me alguns ecos da redação do Expresso sobre a nossa história familiar e a ligação a Fátima. Um dos comentários era mais do que justo económicamente: perguntavam-se como é que eu ainda quereria ir a Fátima, ou mesmo como a fé se pôde manter ou mesmo solidificar, quando pela fé, só tive a perder: a morte do pai numa peregrinação a Fátima, a doença de um filho que pela fé, não aceitámos prevenir com seleção genética.   

Onde está a vantagem?!

Porque neste fim-de-semana ‘abençoado’ que passou parece só haver vantagens. Gostamos do Papa, e estivemos com o Papa. E a festa não acabou aí, desde a Eurovisão até (para alguns) um tetra-campeonato. Sem esquecer, a cereja no topo do bolo, um feriado (também só para alguns), que fez do fim de semana, um fim-de-semana grande. 

Depois disto estamos todos convertidos ao "Costismo"!

Já tinha o Papa aterrado no dia 12 e o nosso filho Pedro estava ainda internado a tratar afincadamente uma condição pulmonar, num esforço totalmente gratuito da equipa médica e de enfermagem para que ele pudesse ir a Fátima ver o Papa e receber a benção dos doentes. Para lhe dar alta na 6ª feira, foi preciso alguém não gozar o feriado oferecido por Costa. Para o Pedro poder ir a Fátima, foi preciso alguém não comer a ‘cereja' que lhe foi oferecida (e nesta metáfora, ajuda que a cereja seja parecida com a maçã). 

Onde está a vantagem?!

Os “Costistas" são movidos pelo que têm a ganhar e só se alegram no ganho.
Os Cristãos são movidos pela gratidão de quem tem algo a perder, e essa é a fonte da verdadeira alegria, a alegria que permanece e não desilude, porque não ilude.

Por este gesto gratuito de amizade pelo Pedro e a sua família, estamos muito gratos e aqui mostramos algumas fotografias do seu encontro com o Papa Francisco e com Jesus escondido no 100º aniversário das aparições de Fátima. 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

VASCO MINA   CORTA-FITAS.BLOGS.SAPO.PT    17.05.17

O João Miguel Tavares, no seu artigo de hoje do “Público” coloca, em título, a seguinte questão: “O que é que mais pode correr bem?” Como habitualmente, o texto é excelente, sempre muito certeiro e com um humor inexcedível. Falta apenas a resposta e em minha opinião o que falta mesmo a António Costa é ganhar as eleições legislativas e com maioria absoluta. É que à atual solução governativa carece alguma legitimidade política em termos de votos. O grande desafio do PS em 2017 não é ganhar as autárquicas (cuja vitória já está garantida) nem cumprir o défice (que já se percebeu que vai conseguir atingir), mas sim livrar-se do PCP e do BE que (não surpreendentemente) vão aumentando semanalmente a parada de exigências ao Governo. Aguardar pelas eleições até ao final do mandato (ou seja, final de 2019) poderá ser muito arriscado pois apesar dos bons ventos (nacionais e internacionais) vivemos tempos em que o imprevisível é uma constante.
Nestas circunstâncias, António Costa necessita de gerar um acontecimento político que possa provocar eleições legislativas antecipadas. O atual PM já demonstrou habilidade política suficiente para uma manobra deste tipo. Precisa, apenas, de convencer Marcelo Rebelo de Sousa e para tal tem de encontrar argumentação que deixe o PR sem alternativa. Um cenário possível é o da apresentação do Orçamento para 2018 com propostas inaceitáveis para os seus atuais parceiros políticos. Note-se que as eleições autárquicas se realizarão a 01 de Outubro e que o OE terá de ser entregue na AR cerca de duas semanas depois. Tempo suficiente para o Governo introduzir alterações no OE que significarão, para comunistas e bloquistas,  “pisar” as tais linhas vermelhas e que jamais aprovarão.
Em Outubro deste ano o PS estará no topo das sondagens e com alta probabilidade de ganhar eleições com maioria absoluta. O PSD estará numa das suas maiores crises políticas de sempre, Assunção Cristas (mesmo com bom resultado em Lisboa) nunca conseguirá, em legislativas, um resultado acima do melhor resultado de sempre do PP. O PCP e o BE não serão levados a sério pela grande maioria do eleitorado (que se encontra ao centro e é quem decide as eleições) e não terão, por isso, resultados superiores aos alcançados nas legislativas de 2016. A somar a tudo isto, aquilo que João Miguel Tavares escrevia no artigo acima referido: “o país está tão espetacular que até parece mal dizer mal”.
O chumbo do OE conduzirá, fatalmente, a eleições legislativas antecipadas! É o que falta correr bem a António Costa!