quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “NASCEMOS E JAMAIS MORREREMOS” A 28 DE NOVEMBRO, 21H00, COLÉGIO SÃO JOÃO DE BRITO

A Editorial Apostolado da Oração lança na próxima sexta-feira, dia 28 de Novembro, o livro "Nascemos e Jamais Morreremos – Vida de Chiara Corbella Petrillo", da autoria de Simone Troisi e Cristiana Paccini.

A obra é apresentada por Laurinda Alves, pelas 21h00, no auditório do Colégio S. João de Brito, em Lisboa e conta com presença dos autores. Na sessão, estará também o marido e o filho da protagonista, Enrico e Francesco, respectivamente.
Venha conhecer a extraordinária história de um jovem casal que viveu o casamento como uma vocação plena e fez das dificuldades um caminho para o amadurecimento no amor, convictos de que «o importante na vida não é fazer grandes coisas, mas nascer e deixar-se amar», como dizia Chiara.
Chiara Corbella Petrillo – a protagonista
Nasceu em Roma, a 9 de Janeiro de 1984. Cresceu no seio de uma família católica. Em 2002, conheceu Enrico Petrillo durante uma peregrinação ao santuário mariano de Medjugorje (Bósnia- Herzegovina). Após um período de namoro conturbado pelo medo de uma entrega total um ao outro, sem máscaras ou defesas, Chiara e Enrico descobrem a sua vocação matrimonial. Casaram a 21 de Setembro de 2008.
Ainda durante o namoro, houve um tempo difícil de separação que serviu para Chiara treinar a espera orante, para perceber se Enrico fazia parte do projecto de Deus para ela. Aprendeu a confar que, se a relação dos dois era uma porta aberta por Ele, então Enrico não a poderia fechar.
Em 10 de Junho de 2009 nasceu a primeira filha do casal – Maria Grazia Letizia, que faleceu poucos minutos depois do nascimento. Ainda durante a gravidez, Chiara e o marido sabiam que a bebé sofria de uma malformação congénita incompatível com a vida pós-parto. Mesmo assim, o casal decidiu acolher aquela filha como um dom de Deus e levar a gravidez até ao fm.
Sensivelmente um ano depois, nasceu o segundo filho de Chiara e Enrico. Também Davide Giovanni nasceu com várias malformações congénitas, tendo morrido pouco minutos após o nascimento. Também desta vez, de modo consciente, o casal decidiu levar a gravidez até ao fm, recebendo o filho tal como Deus lho deu e entregando- Lho como o tinha recebido.
Apesar das dificuldades, Chiara não desistiu da maternidade. Poucos meses depois, surge a terceira gravidez. Desta vez, uma criança saudável. No entanto, com a alegria de uma nova vida veio também a descoberta de uma doença oncológica. A poucos meses de gravidez, os médicos diagnosticaram um cancro na língua a Chiara, cujo tratamento punha em causa a sobrevivência do filho. Por isso, Chiara adiou os tratamentos mais agressivos até as nascimento de Francesco, em 30 de Maio de 2011. Os tratamentos subsequentes ao parto já não revelaram eficazes para lhe salvar a vida. Chiara enfrentou a doença e o sofrimento sempre com grande serenidade, esperança e alegria por ter feito tudo quanto entendia necessário para proteger a vida do filho. Morreu a 13 de Junho de 2012, com 28 anos, sensivelmente um ano depois de conhecer Francesco, o filho por quem sacrificou a sua vida.
O livro
O livro é escrito por um casal amigo dos Petrillo, Simoni Troisi e Cristiana Paccini, que partilhou intimamente todas as vivências de Chiara e Enrico. A desconcertante história de vida de Chiara tornou-se bastante conhecida em Itália e rapidamente surgiram vários pedidos para que esta história fosse narrada em livro. Simoni e Cristani assumiram este desafio, com o incentivo de Enrico e de outros amigos próximos de Chiara.
"Siamo nat e non moriremo mai più – storia di Chiara Corbella Petrillo" foi lançado em Junho de 2013 e rapidamente se tornou um fenómeno de vendas, tendo atingido a 9.a edição em Fevereiro de 2014.
O título" "Nascemos e jamais morreremos"
O título pretende traduzir a força do original italiano, que manifesta a convicção de Chiara e Enrico de que todos nascemos para a vida e não para a morte. Não sendo uma frase de Chiara, é a sua imagem em palavras. A frase, pronunciada por um doente de cancro, foi adoptada por Enrico como lema de vida.

E daí?

A vantagem que a actual situação traz a António Costa é que tem aqui motivo não para apagar pessoas das fotografias, mas para as tirar da sua equipa, que é quase uma equipa de Sócrates sem Sócrates. 

"A liderança de José Sócrates produziu não um movimento político mas sim um movimento que passo a designar pelos estético-daí. Imagine-se o caso mais bizarro, um daqueles casos que até Sócrates se ter tornado primeiro-ministro entendíamos ser impossível não só de acontecer mas sobretudo de ser defensável. Depois de devidamente imaginado, é só engolir a indignação e dizer, como se não fosse nada: e daí? Ao que tem sido possível observar em Portugal, após o primeiro "E daí?" não se pára mais. Cada "E daí?" é um patamar moral que se desce em relação ao anterior."
Este é um excerto de um texto que escrevi em Maio de 2010. Não lhe altero hoje uma linha. Durante anos e anos de cada vez que se questionava a actuação de Sócrates lá vinha, insolente, um "E daí?" Pois chegou a hora de tirarmos daí as conclusões. A primeira é que António José Seguro é definitivamente um homem com azar no que aos calendários respeita. Tivesse a detenção de Sócrates acontecido alguns meses antes e António José Seguro continuaria como líder do PS. E líder reforçado pois não só António Costa não teria avançado, como o sector socrático que alavancou a candidatura de Costa estaria agora a braços com um António José Seguro reforçado, ou seja, capaz de finalmente os afastar do Largo do Rato.
A segunda e quase todas as outras conclusões passam por António Costa. É óbvio que Costa não parece disposto a seguir a estratégia de hipotecar o partido à declaração de inocência dos seus dirigentes, como sucedeu no processo Casa Pia. Estratégia que, recordo, obrigou o PS a enfrentar directamente a Justiça e a protagonizar momentos difíceis de entender numa democracia como os telefonemas para os responsáveis pela investigação ou o regresso de Paulo Pedroso à Assembleia da República.
Repetir hoje tal estratégia poderia ser suicida porque a relação do país com o PS está a mudar. E isso nada tem a ver com as intenções de voto: uma grande parte dos portugueses está disponível para apoiar um governo PS. Mas esse quadro pode ser comprometido caso o PS caísse novamente no erro de querer um tratamento diferenciado para si. Por isso Costa tem de conseguir calar rapidamente Mário Soares e demarcar-se daquela tertúlia que, após anos perguntando sobranceiramente "E daí?", anda agora de estúdio em estúdio e de texto em texto semeando dúvidas sobre o local e a hora de detenção, o tempo do interrogatório ou as medidas de coação. Dúvidas essas que, em 2014, após o país ter assistido a casos e casos de corrupção sem que as respectivas detenções causassem a menor questão (antes pelo contrário tinha de haver prisões!) apenas levam a que se instile a ideia de que para os socialistas todas leis são boas desde que não se lhes apliquem.
Por ironia do destino, Costa, levado quase em ombros pelos históricos do partido, pode vir a ser o líder a quem cabe a espinhosa tarefa de explicar aos socialistas que na República não há partidos mais iguais que os outros. Essa não vai ser uma tarefa fácil para António Costa pois muitos daqueles que o apoiaram fizeram-no sobretudo porque acreditaram que ele era o homem capaz de colocar o PS no que entendem ser o seu lugar natural: o poder. Em boa verdade o PS por que muitos anseiam no Largo do Rato pouco tem a ver com ideologia e quase tudo com estatuto e nostalgia por aquele tempo em que as investigações paravam algures a meio da pirâmide do poder socialista. E em que denunciar a corrupção do PS se chamava traição como aconteceu a Rui Mateus quando revelou as ligações entre Mário Soares e o grupo Emaudio.
A isto acresce mais um problema, por sinal enorme, e uma vantagem mais ou menos razoável para o actual líder socialista. O problema chama-se diluição de culpas. O que quero dizer com isto? Tão simplesmente que nos casos em que a corrupção toca dirigentes partidários não raramente se assiste à tentativa de envolver os partidos naquilo que são casos pessoais. Basta seguir o calvário vivido em Espanha por Rajoy com Barcenas, o ex-tesoureiro do PP detido há algum tempo, para perceber o risco para o PS que advém de alguns dos arguidos tentarem desresponsabilizar-se alegando cumplicidades do partido.
A vantagem (alguma havia de existir) que a actual situação traz a António Costa é que tem aqui o motivo mais que suficiente não para apagar pessoas das fotografias, mas para as tirar da sua equipa, que em boa verdade é quase uma equipa de Sócrates sem Sócrates. Já o escrevi e repito: partindo do princípio de que Costa quer ganhar as próximas legislativas, Ferro Rodrigues foi uma péssima escolha para líder parlamentar.
Curiosamente esta crise pode ter trazido ao PS aquilo que lhe estava a fugir: um bom candidato presidencial. Com Sócrates passado à situação de "não está nem se espera" no Largo do Rato, Guterres sentir-se-á muito mais à vontade para dizer sim a uma candidatura presidencial onde o seu maior obstáculo eram os sectores jacobinos do PS, sectores esses que preenchem boa parte do universo socrático. Não é que esses sectores tenham desaparecido mas estarão bem mais contidos e entretidos com outras preocupações nos próximos tempos.
Em boa verdade, Portugal já não é o país em que a investigação à morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa encalhava inevitavelmente na inconveniência de inquirir o que se passava com os fundos militares. Também já não é o país em que um PGR considerou que não se devia ouvir Mário Soares, a propósito do seu papel enquanto Presidente da República, na captação de financiamento para a Emaudio, um grupo de comunicação afecto ao PS.
Também já não é o país em que bastava semear dúvidas processuais para que a opinião pública começasse a duvidar da inocência das vítimas e da culpa dos arguidos como aconteceu no processo Casa Pia. Como há hábitos que custam a perder, mal chegaram as primeiras notícias sobre a detenção de Sócrates e já se inquiria sobre o local da detenção. A sério que preferiam que fosse detido em casa? E se lá estivessem os filhos? Ou a mãe?
Depois passámos para a questão do interrogatório em si mesmo cujo, para ser perfeito, havia de decorrer nos moldes aqui sugeridos pelo David Dinis: a investigação decorria em sigilo, não se perguntava nada, depois alguém ligava ao suspeito e dizia-lhe: olhe, o meu amigo foi ontem julgado por corrupção e foi considerado culpado.
Portugal é um país que, como todos, continua a poder ser enganado, mas neste fim de 2014 o engano tem de mudar de técnica. Ou então torna-se patético. Como o são neste momento esses "E daí?" que por aí continuam a andar à procura de alguém a quem, uns mais reverendos e outros mais obrigados, possam venerar. Ou na falta dele alguém a quem possam perguntar. como fizeram a Rui Mateus quando este denunciou o caso Emaudio: "Então, como é que se sente na pele de um traidor?"

Filhos do deus "dinheiro"

RR on-line 25-11-2014 12:32 por Graça Franco
Com o novo caso Sócrates vamos provavelmente continuar a saltitar entre casos, sem que a opinião pública seja chamada a reflectir profundamente sobre  a génese comum a todos eles: a profundíssima crise de valores em que nos afundamos.

Sócrates ficará em prisão preventiva. Foi essa a decisão anunciada, por uma escrivã, ao fim de três dias de interrogatório, sem uma linha de explicação que fosse. Pelo contrário, em mais uma demonstração da incompetência comunicacional da justiça, ao mesmo tempo que se omitia tudo o que de facto interessa sobre as causas da decisão, ficámos a saber ao minuto, com pompa e circunstância, um chorrilho de inutilidades sobre o decorrer dos trabalhos (incluindo o tempo exacto das respectivas pausas). 

Sem novos dados, e confiando no bom senso e justeza da avaliação do juiz Carlos Alexandre, podemos especular apenas sobre o facto de se temer correr o sério risco de perturbação do inquérito ainda em curso. Não parece crível nem o risco de fuga, nem a continuação da actividade criminosa. Como entre os crimes evocados avulta o da "corrupção" (presumivelmente ocorrida durante o exercício de vários cargos governativos) fica em aberto que a lista de prisões não se esgote em Sócrates e nos três restantes arguidos. Preparemo-nos.

A confirmar-se a acusação (que ainda falta), entraremos depois num período que ameaça ser longo até que o processo se extinga e transite em julgado. Pela frente teremos um mínimo de 18 meses e um máximo de quatro anos em que corremos o risco de andar permanentemente distraídos entre casos (os casos conexos do Monte Branco e Furacão, BES, PT, Tecnoforma, vistos "gold" e Sócrates, para falar apenas dos pendentes). O clima que daí resultar aprofundará a desilusão e descrença e funcionará como uma espécie de anestesia reforçando a anomia social. Fica aberto o campo à proliferação dos populismos.

Não creio que o regime fique em causa (antes pelo contrário!). Foi, aliás, esse infundado receio que serviu de argumento para justificar o epiteto de "abafador" que durante décadas perseguiu o Ministério Público. A corrupção não é um fenómeno novo. Não precisamos sequer de lembrar por que é que as várias tentativas de legislar sobre o enriquecimento ilícito foram durante décadas condenadas ao fracasso.

De cada vez que se quis combater o fenómeno, surgia a força de bloqueio do centrão dos interesses (que na semana passada emergiu na inqualificável tentativa de reposição das subvenções vitalícias). Sempre agitando o argumento falacioso de que "sendo ilícito" o enriquecimento suspeito já podia afinal ser combatido. Podia. Mas, na realidade, não foi.

Com o novo caso Sócrates vamos provavelmente continuar a saltitar entre casos, sem que a opinião pública seja chamada a reflectir profundamente sobre a génese comum a todos eles: a profundíssima crise de valores em que nos afundamos. Uma crise de que somos pessoal e simultaneamente todos responsáveis como cúmplices e/ou culpados.

Hoje mesmo, em Estrasburgo, o Papa falou de uma Europa emersa numa crise profunda. Vale a pena reflectir sobre a bondade e importância das respectivas palavras. Francisco falou como chefe de Estado e simultaneamente como o mais carismático e respeitado dos "políticos" e líderes espirituais e pastorais do nosso tempo. Líder pela palavra e pelo exemplo.

Em Junho, Francisco já alertava para os riscos do crescente culto ao "deus dinheiro". É esse culto que conta com a cumplicidade activa de toda a sociedade e cria o terreno fértil ao crescente da corrupção. Criámos uma cultura que diviniza o "ter" e desvaloriza o Ser. Uma cultura que pactua, tolera, desvaloriza e de certa forma premeia esta busca incessante de dinheiro sinónimo único de todos os sucessos.

Não é por acaso que gostamos de pensar que esse é um fenómeno típico dos países em vias de desenvolvimento e não hesitamos em associá-lo às oligarquias africanas ou latino-americanas. Fingimos desconhecer que em plena Europa, primeiro na Itália, depois na Ucrânia, recentemente na França e agora infelizmente também em Portugal, vemos ex-primeiros ministros detidos, suspeitos ou acusados de fuga ao fisco, branqueamento de capitais, tráfico de influência e/ou corrupção.

Não é um problema que afecte os políticos e a política, as empresas e os banqueiros. Afecta todos nós. E devíamos pensar em que medida a cumplicidade social justifica que, mesmo quando sobre eles já pendiam inúmeras e fundadas suspeitas, muitos dos políticos visados tenham acabado reeleitos. A terrível desculpa do "ele rouba mas faz!" não é exclusivo de uns casos isolados em autarquias que nos envergonham.

Os média surgem aqui muitas vezes como os bons da fita que nunca desarmaram na denúncia. Ainda bem que não abdicamos desse poder de livre e apertado escrutínio. Mas também nós temos culpas no cartório na leviandade como nos precipitamos a julgar na praça pública ou ao tratar por igual o que tantas vezes pode e deve ser tratado de forma diferente, oscilando entre a sanha justicialista contra tudo e contra todos (como na história do lobo) e a púdica recusa do julgamento do carácter de quem se candidata à governação. É importante afirmar que para além dos programas partidários e das competências de gestão também o carácter dos políticos/empresários ou banqueiros pode e deve ser abertamente escrutinado. A banalização do mal só serve o mal.

Aproxima-se o Natal

Isabel Figueiredo, 2014.11.25, Facebook / (Opinião Radio SIM)

Fui fazer algumas compras à hora de almoço. Enquanto pagava, vi estampado no saco que me entregaram, um presépio. Em cores suaves, lá estava Jesus, Maria, José, os Reis Magos, os Pastores, a estrela… não resisti a comentar: "que bonito este saco de natal com o presépio…." E o rapaz que estava a atender, respondeu-me: "mas o natal também é a família, a paz, a alegria…" e eu insisti : "sim, mas tudo começa no presépio, no nascimento de Jesus"… 
Seguiu-se novo comentário e nova resposta da minha parte. Talvez por me achar demasiado insistente mostrou-me o outro lado do saco, que tinha impresso um pinguim vestido de natal! 
Confesso que fiquei calada, dei as boas tardes e sai da loja. "Não vale a pena remar contra esta maré…" foi o que pensei naqueles primeiros passos, já pela rua fora. 
Mas não pode ser assim. 
Deixámos que o Natal fosse ocupado por tudo e por todos. Pela beleza das cores e das luzes, sim, mas também pelos papéis rasgados que durante anos, encheram os caixotes do lixo num excesso de compras que nada justifica. 
Deixamos que o Natal fosse a festa da família, da paz e da alegria, que é certamente, mas não a festa da Família de Nazaré, a festa da Paz daquela noite em Belém, a festa da Alegria do nascimento de Jesus.
Deixamos que os pinguins e as renas nos falassem da bondade do Pai Natal e que São Nicolau ficasse esquecido no calendário litúrgico. Não precisamos de tirar nada a ninguém. Precisamos sim de dar espaço e tempo à verdade do Natal. 
O Natal é cristão na sua essência, porque celebra precisamente o nascimento de Jesus Cristo, filho de Deus, homem no meio dos homens. Celebrar o Natal é celebrar este nascimento. Com a família, com os amigos, com alegria, com partilha e com paz. Mas acima de tudo com Jesus. 

Política


"A política sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha"

Francisco Sá Carneiro (1934-1980)

Iniciativa legislativa

20141126 Jcn by papinto

terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Jovens pela vida frustram evento da “cultura da morte” na Argentina


Valores inegociáveis25 Nov 2014

Catedral de Salta que a "cultura da morte" visava profanar
Catedral de Salta que a "cultura da morte" visava profanar
O governo argentino promoveu o "29º Encontro Nacional de Mulheres" que se repete todos os anos. O evento reúne anualmente centenas de militantes feministas em prol do aborto, LGBT, e até prostituição. 

Esses encontros costumam concluir com uma passeata que vai até a catedral local, visando profaná-la, quiçá invadi-la e sujá-la.

A Revolução Sexual foi adotada pelo "bolivarianismo" e é uma de suas facetas mais dinâmicas.

Desta vez, o encontro aconteceu na cidade de Salta, norte da Argentina. Porém, já alertados contra essas iniciativas agressivamente anticristãs, os movimentos católicos e pela vida reagiram dentro da lei com notável sucesso.

Martín Patrito, presidente da plataforma ArgentinosAlerta, declarou à agência ACIPrensa que "ao chegarem em Salta, as militantes do aborto acharam uma cidade cheia de cartazes pela vida espalhados pelos grupos que defendem a vida e a família". 

A organização católica também impossibilitou que a militância anti-vida sequer se aproximasse da catedral: "Desta vez, sequer uma gota de tinta sujou a Catedral", explicou Martín.

Como o regulamento do "Encontro" patrocinado pelo governo o permitia, muitas moças e mulheres ingressaram legal e pacificamente nas salas onde as feministas faziam seus debates. Ali elas pediam votação de propostas e venciam numericamente, aprovando decisões favoráveis à vida. 

Obviamente, a ousadia e a inteligência dessas católicas desataram a cólera das agitadoras profissionais. Máxime quando isto já tinha acontecido em mais de um "Encontro" anterior.

Por exemplo, a organização "Argentinos por la Vida" publicou no Facebook as conclusões de uma das comissões denominada "Taller de Mujer, Aborto y Anticoncepción". A medida aprovada afirma que "a maioria desta comissão está a favor da vida da criança que vai nascer e nós somos a voz dos que não têm voz".

Dita organização comemorou a vitória e abriu uma faixa no local do "Encontro". Nela estava escrito: "Enchemos o encontro delas!".

ArgentinosAlerta promoveu, através da plataforma CitizenGO, um abaixo assinado eletrônico pedindo às autoridades locais proteção policial contra o previsível vandalismo das feministas.
As moças pela vida argentinas foram mais espertas e corajosas
As moças pela vida argentinas foram mais espertas e corajosas

Na Catedral se veneram duas das mais belas e famosas imagens da Argentina, objeto de procissões e romarias em que participam centenas de milhares de fiéis nas festas principais: o Jesus do Milagre e a Virgem do Milagre.

"Milhares de cidadãos enviaram por meio de CitizenGO cartas às autoridades estaduais e municipais pedindo que garantam a segurança e protejam a cidade. E assim aconteceu. Pois quando as militantes da violência anticristã chegaram, encontraram ruas, igrejas e prédios ameaçados bem protegidos pela polícia", não podendo se aproximar, disse Martín. 

As organizadoras do provocativo evento anual se autoproclamam soberanas, democráticas, pluralistas e igualitárias, mas seu verdadeiro objetivo "ficou evidente na sessão de abertura: 'queremos despenalizar o aborto'. 

"Na verdade, as opiniões contrarias ao aborto não eram escutadas por essas ativistas agressivas e violentas. Mas isso, que já se sabia por antecipação, não impediu que a mensagem pela vida e pela família se fizesse ouvir com força", disse Martín.

Martín Patrito que o "Encontro" fracassou em seus objetivos sacrílegos em Salta. 

Entre os agitadores figuravam "militantes do Partido Obrero (agrupação da extrema esquerda), que enquanto denunciavam a discriminação e a violência se despiram, proferindo toda espécie de blasfêmias contra a Igreja Católica e os fiéis que se reuniram em frente da Catedral para protegê-la".

"Esse é o grau de intolerância das que reclamam 'tolerância' e 'abertura': só praticam agressão e violência contra os que não pensam como elas". 

Isto se deve ao fato de que "o aborto é violência, e só se pode impor com mentira e violência", concluiu Martín.

Não ser mais suspeito do que o suspeito

observador, 2014.11.25
Num mundo ideal, as imagens de Sócrates a sair do aeroporto não tinham acontecido. Mas num mundo ideal, quem está a investigar casos destes não deve ser mais suspeito do que o suspeito. É só isto.

Tinha acabado de ouvir as medidas de coação aplicadas a José Sócrates – prisão preventiva, por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada -, quando vi a Clara Ferreira Alves e o Miguel Sousa Tavares na SIC Notícias. O que vão ler de seguida é o comentário deles, comentado por mim, sem rede nem testemunhas, à frente da televisão.
Clara Ferreira Alves
Para dizer a verdade o que sabemos deste processo é apenas o que tem sido dado através de fugas de informação, o que também não está certo.
Isto não era um comentário às medidas de coação?
Em termos de direitos humanos discute-se até que ponto (este prazo de três dias até haver decisão do juiz) é considerado aceitável. O caso foi transformado num formidável reality show. Os próprios advogados sabem muito pouco sobre isto. Os direitos de defesa estão gravemente ameaçados.
Direitos humanos? Claro que é difícil, mas fazia-se como? Iam todos para casa e voltavam no dia seguinte, como se fosse uma entrevista? E os advogados sabem pouco como, se eles ainda nem disseram nada publicamente? E não estiveram os três dias a consultar o processo?
Há uma condenação sistemática, um julgamento público. Isto não deve acontecer nesta fase num processo desta gravidade. Esta encenação propiciou este julgamento, sem base para isso.
Condenação sistemática!? Sim, talvez o melhor seja não se falar do caso em que um ex-primeiro-ministro é suspeito de coisas tão graves. Se calhar é melhor nem sabermos do que ele é suspeito.
Isto não devia acontecer num caso com esta gravidade? Mas porquê, se fosse com menor gravidade já se podia?
Estes casos não são extraordinariamente difíceis de provar. São casos que têm um rasto bancário, através dos computadores, etc.
Pois são, facílimos de provar. O que há mais por aí é isso, casos de corrupção e branqueamento provadíssimos e transitados em julgado.
A sentença depois não muda para contrariar a opinião pública. Muitas vezes a pressão social é tanta que a própria justiça está encurralada, em que já não pode ilibar.
Muito bem, se para a opinião pública José Sócrates já é culpado, para a Clara Ferreira Alves é já inocente – mas já é certo que vai ser dado como culpado porque a investigação está a manipular a opinião pública, para que o tribunal não tenha margem de manobra. (Respirar fundo)
A justiça portuguesa não me oferece garantias de procedimentos corretos, seguidos com a máxima verificação de que os pressupostos estão lá todos. Como pode ser julgado com isenção?! Ele não vai ser julgado com isenção. Há uma psicose com José Sócrates. Começou com acusações de homossexualidade, havia provas, a polícia tinha isto e aquilo. Depois veio o Freeport, em que as autoridades inglesas tinham provas, lembram-se?
Ora bem, não pode ser julgado com isenção, há uma psicose, todos os outros processos contra ele não deram em nada. Portanto…
São processos de excepcional complexidade que exigem tempo. É humanamente impossível para uma só pessoa (tratar deles todos).
Ah! Afinal o processo é de excecional complexidade. Se calhar, no fim das contas, pode fazer sentido ficar preso preventivamente.
Aquilo que aconteceu no caso dos submarinos é que passaram-se dois pormenores, um foi caso de fuga de informação, noutro não: as fotocópias feitas numa noite inteira por Paulo Portas no Ministério da Defesa (prova, não prova, não faço ideia).
Pronto, assim está certo: como o Portas tirou fotocópias, isso é suspeito – e aí já não faz mal ter saído na imprensa.
Estamos a falar de acusações gravíssimas. Mas pessoas que praticam crimes de alta corrupção não se expõem publicamente com esta veemência.
Isso mesmo! Expõe-se, logo não é suspeito. Faz sentido.
Miguel Sousa Tavares
A prisão de José Sócrates garante à justiça que ele vai continuar sem nenhum direito de defesa. O que passa para a opinião pública é que isto deve ser gravíssimo.
Mas sem direito de defesa porquê? A lei não está a ser cumprida? Os advogados queixaram-se?
Quando um juiz vai deter um arguido, o prende durante vários dias, estamos perante um abuso.
Mas o juiz foi prendê-lo? Mas não foi interrogado nos três dias – durante 13 horas? É abuso questionar?
Sabia, claro que sabia que ia ser detido. A partir do momento em que os outros são detidos, claro que sabia.
(no comments)
Você na melhor das hipóteses daqui a três anos vai ter uma sentença transitada em julgado. Até lá, você destruiu a vida de quatro pessoas, que são irrecuperáveis. Há aqui coisas que são irreparáveis.
Talvez pudéssemos fazer assim: a investigação decorria em sigilo, não se perguntava nada, depois alguém ligava ao suspeito e dizia-lhe: olhe, o meu amigo foi ontem julgado por corrupção e foi considerado culpado.
Eu se fosse advogado vinha cá para fora e dizia tudo.
Epá, que pena o Miguel não ser advogado deles.

Chegado aqui

Percebi que não valia a pena ter grandes expectativas de racionalidade nesta discussão – pobre do Pacheco Pereira, que bem ia tentando dizer que tudo aquilo seria discutível, mas que antes se devia falar do primeiro primeiro-ministro suspeito de corrupção e branqueamento do país.
Não, Sócrates não é culpado, é suspeito. Não, a investigação não está imune a críticas, mas não é ela a criminosa. Talvez um dia consigamos ter uma conversa racional sobre José Sócrates, as suspeitas que recaem sobre ele e até sobre as políticas que praticou. Não será, porém, com base em pressupostos destes: dele eu gosto, do outro não. Será que vamos passar todos estes longos meses assim?
No mundo ideal, as imagens de Sócrates a sair do aeroporto não tinham acontecido, num mundo ideal um interrogatório desta complexidade era despachado numa hora, num mundo ideal não havia violação do segredo de justiça. Sim, claro. Mas convém dizer isto também: num mundo ideal não havia corrupção. Ou, pelo menos, quem está a investigar casos destes não seja mais suspeito do que o suspeito. É só isto.