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Ao Padre João Seabra

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 JOSÉ MARIA MATIAS   25-06-2022 SOL Sempre gostei de uma frase de Adelino Amaro da Costa: «Ser autêntico, viver de acordo com o que se pensa até às últimas consequências é difícil, mas tem um grande prémio.» Toda a frase estava virada para a irreverência de uma juventude que se quer genuína e com a sua rebeldia própria. Contudo, pelos olhos da fé, esta é uma frase que ganha uma dimensão muito maior do que parece à primeira vista. Ser autêntico, viver de acordo com a verdade e levá-la até às últimas consequências é difícil, mas tem um grande prémio. Levá-la até às últimas consequências independentemente da fase ou da circunstância. E que prémio é esse? A eternidade. Essa autenticidade é algo que só associamos aos maiores, a gente grande, de uma fibra que já não se faz. Recentemente partiu uma dessas pessoas: o Padre João Seabra. Parece-me existir um misto de emoções na gestão deste acontecimento. Porque no fundo, nunca se espera a perda de alguém que já parecia eterno neste plano. O Pad

À espera de segunda-feira

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JOSÉ MARIA C.S. ANDRÉ   26.06.2022 Não se sabe se será já nesta segunda-feira, mas vai ser muito em breve, e provavelmente numa segunda-feira, que o Supremo Tribunal dos EUA se vai pronunciar sobre a sentença «Roe contra Wade» de 1973. Este acórdão foi um erro colossal e por isso é muito importante —para os EUA e para todo o mundo— que a decisão seja revertida. Entre outras coisas, tratou-se de uma violação flagrante do princípio da separação de poderes, elemento-chave de um regime civilizado. Este princípio consiste em separar os principais poderes do Estado em órgãos independentes: o poder legislativo, o executivo e o judicial. O primeiro elabora as leis, o executivo gere a coisa pública e o poder judicial arbitra os conflitos, de acordo com o estipulado na lei. Numa sociedade saudável, cada um destes poderes limita-se à sua missão própria. Quem legisla não aplica a lei, quem julga cumpre essa lei e não a inventa, quem governa respeita as leis e a independência dos tribunais. Este pr

Luz numa espécie de ruína

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José Mendonça da Cruz OBSERVADOR 16.06.22 Eu tive um grande amigo, uma cabeça privilegiada, que um dia, há mais de 50 anos – exatamente quando o meu Mini passava sobre o Viaduto Duarte Pacheco para nos levar não sei onde –, me explicou que no fim do curso de Direito ia para Padre. Assombroso quando vindo de quem seria sem dúvida um líder político de combate, com carisma, competência e ideias, ou um temível advogado de barra (provavelmente não um diplomata). Acabou com brilho o curso, e foi para padre. Teve uma vida notável e no outro dia morreu. Eu olho à volta, para a bagunça subdesenvolvida do aeroporto de Lisboa, para o caos intencional e ideologicamente provocado no Serviço Nacional de Saúde, para a demanda incansável de nivelamento por baixo na educação, ouço as vacuidades com que se tenta mascarar a disfuncionalidade do país – temperada de cobardia, venalidade e propaganda, quando não da grosseria mais rasca – e lembro-me dos tristes suspiros moribundos do coronel Kurz, em Apo

João Maria Félix da Costa Seabra

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 RR. 06/06/2022    JOSÉ LUÍS RAMOS   Sou apenas um dos muitos privilegiados cuja vida o padre João Seabra atravessou. Isso sei. Mas quem foi mesmo João Seabra? Isso, só Deus sabe. Sou suspeito ao escrever este artigo? Claro. As amizades não se escondem. João Seabra desafiou-me para o jornalismo e para a Renascença, preparou-me para o crisma, casou-me e batizou a nossa filha mais velha. Nem sempre o acompanhei em muitas voltas que a vida também deu. Mas as discordâncias humanas são irrelevantes, perante a grandeza de uma vida. Na preparação do retrato biográfico que publiquei há tês anos com Raquel Abecasis, "João Seabra à Sua maneira", ouvimo-lo (e gravámos) dezenas de horas. Reflexões, histórias e memórias tecidas com o fio bem visível da fé. Algumas, por vontade do próprio, nunca chegarão a público. Mas essa vontade é apenas a confirmação do seu amor pela Igreja e por Deus. No momento da sua morte deixo umas quantas perguntas entre tantas outras, possíveis e, porventura, m

Um “legado de uma grande afirmação cristã na sociedade portuguesa”

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  Patriarcado de Lisboa (patriarcado-lisboa.pt)    06.06.2022 VER MAIS FOTOS AQUI D. Manuel Clemente presidiu, emocionado, à Missa Exequial do seu colega de seminário. O Presidente da República participou na celebração e viu na multidão que acorreu à Sé “sinal do que foi a vida dele”, uma figura que marcou a Igreja e a sociedade portuguesa. O Cardeal-Patriarca de Lisboa enalteceu, esta segunda-feira, o legado do cónego João Seabra. “O influxo que trouxe à Diocese de Lisboa é muito grande e vai ficar com tudo aquilo a que ele está ligado, de movimentos, de grupos, de colégios”, afirmou à Renascença à entrada para a Missa Exequial a que presidiu. Para D. Manuel Clemente, não faz sentido “falar de despedida, porque vamos continuar a senti-lo muito presente, com o seu trabalho, com o que deixou, o seu legado de uma grande afirmação cristã na sociedade portuguesa, e uma grande mobilização católica por todas as causas pertinentes”. “Neste último meio século de vida a Igreja em Lisboa contou

Nós vamos a seguir P. João

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 JOÃO TÁVORA   http://corta-fitas.blogs.sapo.pt    06/06/2022 Uma inevitável homenagem O curioso é que o que se esperava há algum tempo, a partida do Pe. João Seabra, soube dela com choque à hora do jantar de sexta-feira, na companhia de dois seus amigos de juventude, colegas de escola. As vidas dos outros quatro convivas nesse serão, também com a dele se tinham cruzado com mais ou menos intensidade - constatámos. A notícia caiu que nem uma bomba estúpida que estilhaçou a noite com silêncios, mas que não desfez aquela cumplicidade que não havemos de esquecer tão cedo. O que quero salientar é que talvez a mais importante característica do apostolado do Pe. João Seabra é ter marcado a vida de tanta, tanta gente. Dentro dum meio não anticlerical, e mais ainda no meio católico, não é grande originalidade ter-se convivido com o Pe. João Seabra, e esse convívio ter deixado marca, mais ou menos importante, quase sempre profunda. Pela minha parte gostava dos modos afirmativos, provocadores, co

O 'mau feitio' do P. joão Seabra

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 OBSERVADOR   06.06.2022 À conta das suas invectivas contra os fariseus, ou à expulsão, a golpes de azorrague, dos vendilhões do templo, devemos supor que Jesus Cristo tinha mau feitio?! . Na sexta-feira passada, 3 de Junho, já tinha escrito e enviado a minha crónica semanal quando, inesperadamente, recebi a notícia do falecimento do Cónego João Seabra. Acrescentei, à dor pela sua partida, as minhas preces pela sua alma, na esperança de que já lhe tenha sido concedido o prémio prometido aos servos bons e fiéis. . Como acontece quando morre uma figura pública, surgiram em catadupa os comentários sobre o insigne cónego da Sé Patriarcal. Todos, creio, elogiosos, da sua pessoa e do seu imenso trabalho pastoral, mas em alguns não faltou uma infeliz referência ao seu alegado mau feitio. É muito despropositada uma tal referência num momento destes, mas é também uma mentira e uma injustiça, que requer reparação. . Não vou entrar na corrida dos que, agora, presumem amizade com o Padre João. Ele