quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Monges expulsos do mosteiro de Mar Behnam, em mais uma ofensiva contra os cristãos


Fundação AIS, 22-jul-2014
Militantes jihadistas do Estado Islâmico (IS, anteriormente denominado ISIS) invadiram, no passado domingo, Mar Behnam, um mosteiro do século IV pertencente à igreja siríaca católica, perto da cidade predominantemente cristã de Qaraqosq, e expulsaram os monges que aí viviam.

"Não têm mais lugar aqui, têm que sair imediatamente", disseram os militantes radicais sunitas, citados por um membro do clero que estava presente no mosteiro.
No relato deste sacerdote, os monges tentaram ainda salvar algumas das relíquias do mosteiro, mas os extremistas não o permitiram, tendo abandonado o local a pé e apenas com as roupas que traziam vestidas.
Segundo a agência AFP, os monges caminharam vários quilómetros por uma estrada até terem sido resgatados por combatentes curdos que os levaram para Qaraqosh, localidade que tem acolhido grande parte dos cristãos em fuga de Mossul.
Esta cidade, a segunda mais importante do Iraque, registou, neste fim-de-semana, a partida de mais algumas famílias cristãs.
Os cristãos abandonaram as suas casas e tudo o que possuíam perante o fim do ultimato imposto pelo IS para que se convertessem ao islamismo ou pagassem um imposto especial que lhes garantiria proteção. Os que não o fizessem teriam de “enfrentar a espada”.
Esta intolerável violência foi também denunciada nas últimas horas por D. Louis Sako, Patriarca católico caldeu de Bagdade, que lançou uma mensagem “aos que têm uma consciência viva do Iraque”, em que inclui “os irmãos muçulmanos moderados”, os que têm “a preocupação de que o Iraque possa continuar a ser um país para todos os seus filhos”, para os “líderes do pensamento e de opinião”, e para os “protectores da dignidade dos seus humanos e da religião”.
Nessa mensagem, a que a Fundação AIS teve acesso, o prelado faz uma breve resenha dos acontecimentos no seu país, em especial em Mossul e na região controlada pelos radicais do Estado Islâmico, sublinhando o ultimato dado aos cristãos que os obrigou a abandonar todos os seus haveres.
Por causa da versão extremista da lei islâmica que está a ser implementada, “após a partida dos cristãos, as suas casas são imediatamente confiscada tornando-se propriedade do Estado islâmico”, confirma D. Sako.
O Patriarca denuncia ainda a “violação” e “contradição” do “pensamento islâmico” que está a ser imposto no Iraque e que vem deitar por terra a “coexistência entre maiorias e minorias” religiosas laboriosamente desenvolvidas ao longo de anos.
D. Louis Sako afirma que esta discriminação, que está a ser legalmente imposta, “vai ser muito prejudicial para os próprios muçulmanos”, tanto agora como no futuro. “Se continuar a perseguição”, diz, “o Iraque vai enfrentar uma catástrofe histórica”.
Entretanto, prosseguindo a campanha para o afastamento dos cristãos da região, foi cortado o fornecimento de água potável nos distritos de Al Hamdaniya, Bashika e Bartala, na região de Mossul, e habitados na sua maioria por cristãos e muçulmanos xiitas.
Este corte foi justificado como um castigo aos cidadãos “infiéis” que, por causa da sua religião, não juraram fidelidade a Abu Bakr al Bagdadi, o líder máximo do auto-proclamado “califado islâmico” nas regiões que o movimento controla no Iraque e na Síria.
Tal como já tinha acontecido com o Papa Francisco, esta situação de perseguição religiosa à comunidade cristã motivou também uma posição muito crítica do secretário-geral da ONU.
No domingo passado, Ban Ki-moon afirmou que a perseguição aos cristãos em Mossul deve ser “considerada como um crime contra a humanidade” e que os seus autores “devem prestar contas".


terça-feira, 22 de Julho de 2014

É possível um novo início



Maria Madalena! Quem não conhece esta figura do Evangelho... Pois é hoje o seu dia. E o que a tornou grande foi ter descoberto que podia confiar em Cristo. É que aprendeu que, por pior que seja aquilo por que passamos, Deus está pronto a dar-nos uma nova oportunidade. Nada, nem o nosso pecado, nos pode separar do amor de Deus. Madalena é a que confia, a que reconhece o seu erro e é agradecida a quem a perdoou e lhe deu esperança.
Vasco P. Magalhães, sj
NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
Edições Tenacitas

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Sabotar para governar

Alexandre Homem Cristo | Observador | 21/7/2014

É compreensível que a FENPROF discorde de muitas decisões de Nuno Crato. Mas não é aceitável que, por via da sabotagem, tente sobrepor as suas vontades às decisões de quem tem legitimidade democrática
Há muitos anos que a política educativa não é mais do um duelo permanente entre ministros e sindicatos – com destaque para a FENPROF. Não é por acaso, nem é de hoje ou de ontem. O sector da educação alberga cerca de metade dos funcionários da administração pública e a organização do sistema educativo parece ter sido decalcada do centralismo soviético – ou seja, quem governa é, mais do que ministro, director de todas as escolas do país. No fundo, o sonho de qualquer sindicalista, que para todos os males critica sempre o mesmo patrão. Não admira portanto que, mais do que sobre os alunos, o foco de interesse esteja nos professores. E se o sistema está ao seu serviço, como muitas vezes aparenta estar, não admiram também as dúvidas sobre quem manda realmente na educação nacional: o ministro ou os sindicatos.
Amanhã teremos mais um episódio desse duelo. Uma espécie de tira-teimas: a segunda volta da prova dos professores. Uma prova que o PS introduziu na legislação (2007), que está no programa do governo e sobre a qual há um acordo com a UGT. Mas também uma prova que, em Dezembro de 2013, não foi possível aplicar a todos os professores inscritos, devido a protestos nas escolas. E que, desde então, ficou pendurada. Até agora. Será que é desta?
A incerteza não é original. Mas tem por base o culminar de uma originalidade. Durante anos, para além de manifestações, as acções sindicais não passavam de muito barulho e a tradicional judicialização da política. A FENPROF apresentava queixas contra o Estado por tudo e por nada – para que este vinculasse 12 mil professores, para que este repusesse os subsídios de Natal e de férias, para que o ministério divulgasse a lista de escolas com amianto ou para que revisse os critérios para a vinculação automática de professores. Agora, o modus operandi mudou: em contexto de guerra aberta, pratica-se a sabotagem.
Primeiro, por via de boicotes nas escolas. Em Dezembro 2013, desafiando até a polícia, muitos professores não olharam a meios para impedir que os seus colegas realizassem a prova. Entre cercos, distúrbios e protestos, houve de tudo. E 29% dos inscritos viram-se, de facto, sem condições para prestar provas, obrigando a novo agendamento. Amanhã, para além de reuniões sindicais agendadas só para justificar as faltas dos professores, prometem os sabotadores que a dose é para repetir: o que tiver de ser feito, será. Garantia do movimento Boicote&Cerco.
Segundo, por via de providências cautelares. No ano passado, duas entre as vinte providências cautelares que a FENPROF apresentou foram aceites pelos tribunais, forçando a suspensão da aplicação da prova. Entretanto, em ambos os casos, os tribunais deram razão ao governo. Fez alguma diferença? Não, porque não se trata de uma questão de reposição da justiça. Mário Nogueira assumiu-o – "é irrelevante, o objectivo das providências cautelares foi cumprido: impedir a realização da prova" (Abril 2014). Sabotagem, portanto – impossível maior clareza. Agora, repete-se tudo, com novas providências entregues.
É compreensível que a FENPROF – integrada na CGTP, de ideologia comunista e com quadros seus ligados ao PCP – discorde de muitas decisões de Nuno Crato. É compreensível que os professores não gostem de avaliações, mesmo quando estas são necessárias. E é compreensível, mesmo se longe de ideal, que o Governo agende a prova a curto prazo – depois de ameaçado de sabotagens, fez o possível para se defender. Mas tudo tem o seu limite. Não é aceitável que, por via da sabotagem, haja quem tente sobrepor as suas vontades às decisões de quem tem legitimidade democrática para as tomar. E é lamentável que governar se transforme nisto: um jogo de golpes e contragolpes. Um país assim não tem futuro.

A natalidade e a ornitologia

Helena Matos | Observador | 20/7/2014

Com cada filho transformado em atestado de que somos cultos, inteligentes, tolerantes, emocionalmente equilibrados e sei lá que mais não admira que se complexifique e tema cada vez mais a maternidade
Primeiro eram as cegonhas. Por mais improvável que tal possa parecer, houve um tempo em que a versão oficial para o aparecimento das crianças, nomeadamente se a criança em causa fosse um irmão mais novo, estava no bico das cegonhas.
Perante tal explicação qualquer criancinha minimamente clarividente objectava de imediato que ser transportado no bico da cegonha era um grande risco mas os adultos que se afanavam em torno dos bebés e não deixavam ninguém mais tocar-lhes, particularmente os irmãos mais velhos, pareciam indiferentes ao facto de o início das nossa vidas ter começado aos tombos no bico de uma cegonha que também ninguém explicava como não nos trocavam na hora das entregas, não nos magoavam com os seus afiados bicos e de que forma nos alimentavam durante tal agónico percurso.
Nos tempos em que as cegonhas traziam os bebés, explicação que estava restrita aos meios urbanos dos anos 50 e 60 do século passado (nos meios rurais, as crianças rodeadas de animais e irmãos por todos os lados esta ficção ornitológica causava no mínimo um sorriso escarninho) os casais começavam a contentar-se com o cavalinho: em 1960, cada mulher portuguesa tinha em média três filhos. Em 1979 esse valor já estava muito próximo dos dois filhos por mulher. Dez anos depois, em 1989, o Índice Sintético de Fecundidade, ou seja o número médio de crianças vivas nascidas por mulher em idade fértil (dos 15 aos 49 anos de idade), era de 1,58.
Dirão algumas boas almas (e diziam os nossos argutos pais, fartíssimos de tanta pergunta sobre o tráfego internacional de bebés no bico das cegonhas) que tal se deveu a uma preocupação com o cansaço das cegonhas. Fosse por isso ou talvez mais prosaicamente porque a memória recente da pobreza vigente nas famílias numerosas, donde provinham muitos dos pais dessa geração, a par da divulgação da pílula e da adopção de um estilo de vida mais urbano, os levava a ver na redução do número de filhos a garantia de uma vida melhor, a verdade é que foi certamente por uma razão poderosa, pois embora a natalidade continuasse a descer nas décadas seguintes nunca mais o faria de forma tão acentuada.
Podia presumir-se que a fúria científica traduzida em ilustrações, fotos e descrições detalhadas subordinadas ao tema "Como se fazem os bebés", que didacticamente sucedeu ao tempo obscurantista das cegonhas que traziam os bebés de Paris (cegonhas essas que entretanto tinham deixado de ser exploradas no transporte aéreo dos bebés e se haviam tornado uma espécie ameaçada de extinção), nos tinham liberto para sempre desta bizarra ligação ente os bebés humanos e essa classe de animais vertebrados, bípedes, endotérmicos, ovíparos mais conhecida como aves. Mas não. Rapidamente entrámos na bem mais constrangedora época em que entre os filhos dos humanos e os pintos de aviário não existe qualquer diferença: se não nascem em número suficiente é porque não se forneceu q.b. às suas mães. Luz, calor e ração no que aos pintos respeita. Abonos e apoios no que aos filhos dos sapiens sapiens concerne.
Depois de décadas em que falar de natalidade implicava ser-se de imediato catalogado como ultramontano – aliás a grande preocupação mundial até há algum tempo era sim com a explosão demográfica e não com a baixa da natalidade, ou já esquecemos os apocalipses anunciados nesta matéria pelos consensualmente sábios do Clube de Roma? – a demografia tornou-se um assunto política e mediaticamente urgente mas tão só e apenas na medida em que passou a ser apresentada como um capítulo até agora desconhecido do "Capital" de Marx, e que resumidamente se traduz nisto: não nascem crianças porque não existem apoios económicos às famílias para que se reproduzam.
Não sei o que é mais constrangedor, se esta concepção mercantil das decisões mais íntimas e sérias da nossa vida, se a profunda ignorância que ela, na sua visão redutora, revela da História e do mundo e de nós mesmos enquanto espécie: poucos países da Europa terão tantas razões quanto a Alemanha para confiar no futuro e contudo, em 2013, os alemães e os gregos tiveram a mesma taxa bruta de natalidade. Isto para já não falar dos abastados suíços que, não fossem os emigrantes a assegurar um quarto dos nascimentos naquele paraíso do pleno emprego, estariam candidatos a transformar-se na versão humana dos pandas que nem nas condições ideais se reproduzem (segundos os biólogos que os assessoram e estimulam nessas vãs tentativas já não vão lá nem com vídeos pornográficos, seja isso o que for no que aos pandas respeita).
O cúmulo desta concepção da gravidez como resultado de programas de apoio e não da decisão de duas pessoas é apresentar como ideal a funcionalização das mães: ou seja, assegurar uma espécie de salário às mães para que estas fiquem em casa até os filhos fazerem três anos. Ou quiçá mais.
Desfeitas as ilusões do PREC de transformar os actores e os escritores em assalariados estatais temos agora as mães candidatas a esse lugar. Os promotores de tais ideias, para os quais o mundo ideal será aquele em que, por uma razão ou por outra, todos dependamos do Estado, não se interrogam sobre a sustentabilidade desta medida, muito menos sobre a sua eficácia – nos países em que existe o resultado não foi o esperado – e muito menos sobre o impacto que tal pode ter na vida das mulheres e na sua decisão de terem ou não filhos: o facto de as mulheres que têm filhos pequenos trabalharem, colocando os seus filhos em creches, leva a que sejam consideradas más mães e como tal muitas mulheres optam de facto por não ter filhos, o que demograficamente acaba por ter um efeito perverso.
E por fim mas não por último, para muitas mulheres a maternidade não só não é incompatível com o exercício de uma profissão como não se sentiriam de facto melhores mães ficando em casa: jamais esquecerei o dia em que umas alemãs me consideraram má mãe quando perceberam que eu, que estava em reportagem na Alemanha, tinha filhos pequenos. Não creio que tenham ficado satisfeitas com a minha explicação de que para mim era bem mais importante, uma vez regressada a Portugal, abraçar, beijar, zangar-me e tocar nos meus filhos como elas nunca faziam e sobretudo nunca os deixar sossegadinhos e sozinhos nos carrinhos à porta das lojas, como é usual nesses alegados paraísos das mães em casa. Admito a diferença de opiniões mas não a superioridade moral de nenhuma das opções. E temos de admitir que esta muito actual e mediaticamente popular concepção da maternidade como algo de transcendente, incompatível com o quotidiano ou com o exercício de uma profissão tornou em muitos casos algo que era natural – ter filhos – numa decisão quase excêntrica.
Ser pai e sobretudo ser mãe deixou de ser simplesmente ter filhos – e o simplesmente é uma forma de dizer como bem sabe quem os teve – para se transformar num preenchimento de requisitos materiais que abarcam desde os mais variados e estranhos objectos até inscrições em escolas de sucesso ainda a criança não foi gerada, passando invariavelmente pela obsessão de garantir que haverá sempre dinheiro para garantir tudo o que ela venha a entender precisar. É uma espécie de corrida para se provar a perfeição: a gravidez, o parto, o dormir, o acordar, a alimentação, a entrada na escola… transformaram-se em momentos psicológicos que têm atrás bibliotecas de opiniões tão dogmáticas quanto contraditórias mas sempre coincidentes num aspecto: caso tudo seja feito como eles indicam a criança em questão tornar-se-á no mais perfeito, feliz e bem-sucedido dos seres.
Com cada filho transformado num atestado de que somos cultos, inteligentes, informados, tolerantes, emocionalmente equilibrados e sei lá que mais não só não admira que cada vez se complexifique e receie mais a maternidade, como também não surpreende que o país esteja cheio de adultos que fazem de conta que são jovens, adiando o mais possível o momento em que serão pais e mães – afinal o ideal de vida que lhes foi transmitido é que não só tudo lhes é devido, como que ter responsabilidades é mau – e de uns adolescentes filhos únicos de pais que outrora seriam definidos como velhos. (Ainda se lembram como na década de 70, para explicar a falta de jeito para os jogos, o número anormal de abafos, o peso a mais ou o carácter enfermiço de algum colega logo alguém mais informado explicava que tudo aquilo se devia ao facto de ser filho único ou os pais já serem velhos, sendo que o conceito de pais velhos na época corresponde directamente ao de pais jovens de hoje?)
Versões ocidentais e populares do último imperador dos chineses, estas gerações, cujas mães lhes carregam com a mala quando os vão buscar à escola não vão eles cansar-se, viram cada brincadeira ser transformada numa actividade didáctica e a sexualidade tornar-se numa disciplina escolar devidamente supervisionada Essas crianças para quem a a realidade é sempre um trauma e o virtual um mundo a explorar, são o outro reflexo da baixa da natalidade e não certamente o seu lado menos preocupante.
Moral da história: as cegonhas têm razão. Não no que ao transporte de crianças concerne, mas sim na saudável determinação e optimismo com que se adaptaram às mudanças do mundo e trocaram as árvores e os campanários das igrejas pelas torres de electricidade para fazer os seus ninhos. Ou aprendemos com elas ou acabaremos como os pandas.

Será que se aumenta a natalidade por decreto-lei?

PEDRO AFONSO Público, 20/07/2014 - 00:05
O Estado deve criar um sistema fiscal verdadeiramente "amigo da família".
É conhecido por todos que Portugal tem um grave problema de natalidade. Com cerca de 1,2 filhos por casal, o nosso país apresenta uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo, colocando problemas de sustentabilidade a vários níveis na sociedade. O PSD, que já deveria ter consciência desta realidade há mais tempo, decidiu finalmente nomear uma comissão para estudar o assunto e que propôs recentemente um conjunto de medidas legislativas de modo a incentivar o aumento da natalidade.
Já se adivinhavam quais seriam algumas dessas  medidas propostas: maior justiça fiscal face ao número de filhos, alargar o acesso a creches e aumentar as atividades de tempos livres (ATL), flexibilizar os horários laborais para os pais, etc.  Apesar do sinal positivo de algumas destas propostas, a pergunta que se coloca é a seguinte: Será que é possível aumentar a natalidade por decreto-lei?
Como psiquiatra, profissionalmente contacto diariamente com dezenas de pessoas de diversas idades e em fases diferentes do ciclo da vida. Quando pergunto a um jovem que tem uma relação amorosa estável se está a pensar casar, a resposta que ouço como mais frequência é: " para quê?" Depois, se questiono se existem planos para terem filhos, muitas vezes o rosto desse jovem transfigura-se, adotando uma expressão de perplexidade e de indignação, face ao despropósito daquela pergunta. A resposta habitual é um "não" peremptório.
Se for feito um inquérito aos casais jovens sobre quais os motivos que os levam a ter poucos filhos, a principal razão evocada será invariavelmente a falta de dinheiro. Mas como é que se explica que há vários anos atrás (já com abundantes opções contraceptivas disponíveis), o rendimento per capita dos portugueses era mais baixo e ainda assim os casais tinham mais filhos? O problema da baixa natalidade não é totalmente explicado pela falta de condições económicas, mas acima de tudo pela mudança das prioridades nas opções de vida das pessoas; ou seja, por uma profunda mudança de atitudes e valores.
Há algumas semanas atrás, a revista Sábado fez capa com o título: Há cada vez mais casais "felizes" que têm mais dinheiro e tempo para tudo... Não têm crianças por opção e são cada vez mais em Portugal".  O título era reforçado pela imagem de dois jovens  fisicamente atraentes, deitados na relva e com sorrisos abertos.  Este é um excelente resumo do modelo de sociedade que foi sendo criado nos últimos anos entre nós; este é um modelo atual de felicidade no qual os filhos não fazem parte.
Vivemos numa sociedade de consumo, materialista, individualista, que não compreende a renúncia e que tem alguma aversão ao compromisso, pois considera-o incompatível com a liberdade. Sabemos que ter filhos é, na verdade, um compromisso que obriga a muitas renúncias e sacrifícios que se vão tornando cada vez mais difíceis na atual sociedade de hiperconsumo. Perante estas prioridades, facilmente se compreende que seja difícil, senão mesmo impossível, conciliá-las com o nascimento de filhos.
Do meu ponto de vista, o problema da natalidade não se resolve por decreto-lei. Trata-se antes de um problema social com raízes mais profundas, relacionadas com uma sociedade emersa na cultura do efémero, hedonista e desvinculada da família como instituição social que garante a coesão social e a renovação da sociedade. Seja como for, o Estado deve ter dois papéis importantes: ser um "facilitador", e não um obstáculo para todos aqueles que querem ter filhos, e ser um defensor da justiça fiscal, criando um sistema fiscal verdadeiramente "amigo da família".
É provável que a natalidade só aumente significativamente daqui a umas décadas, quando as revistas mostrarem nas suas capas que afinal aquele casal sem filhos, outrora feliz, há muito que está separado. Ambos estão envelhecidos, talvez medicados com antidepressivos, e dominados por um enorme sentimento de solidão.

Livros para férias

JOÃO CARLOS ESPADA Público 21/07/2014
Dois livros politicamente incorrectos encabeçam a minha lista semestral de leituras para férias.
Dois livros politicamente incorrectos encabeçam a minha lista semestral de leituras para férias. O primeiro é de John Micklethwait e Adrian Wooldridge, sob o título The Fourth Revolution: The Global Race to Reinvent the State (Allen Lane, 2014). A obra leva a sério o tema sempre tão falado entre nós, e sempre tão adiado, o da chamada reforma do Estado (que em inglês, por acaso, não se escreve com maiúscula).
A minha segunda sugestão de leituras para férias é o mais recente livro de Rodney Stark, How the West Won (ISI Books, 2014). O autor retoma o argumento apresentado em The Victory of Reason (2010) e apresenta uma espécie de guia politicamente incorrecto para a história do ocidente. Muitos mitos correntes são desafiados, como o da "escuridão" da Idade Média, ou o da oposição entre cristianismo e ciência moderna, ou o do progresso técnico-científico como produto de planos centrais financiados pelo dinheiro dos contribuintes. Talvez não menos actual seja o mito de que os "particularismos" dos Estados-Nações constituem um obstáculo ao progresso da Europa num mundo globalizado. Stark recorda com abundante evidência empírica que o pluralismo – político, cultural, económico e social – inerente aos Estados-Nações europeus constituiu um elemento decisivo para a ascendência europeia e ocidental.
Costuma ser dito que o Estado-Nação é apenas mais uma construção social, como tantas outras, podendo por isso vir a ser superado – à semelhança de tantas outras convenções sociais que no seu tempo foram consideradas perpétuas. Não vejo nada de significativo a opor a essa asserção. Ela apenas ilustra que o futuro está aberto e não é susceptível de previsão ou planeamento. Mas daí não se conclui que as instituições sociais herdadas são arbitrárias, ou que podem ser mudadas por simples decreto político, ou, pior ainda, que tentativas de mudar por decreto não terão custos que podem superar os ganhos planeados.
É este argumento de prudência e abertura que procuro desenvolver no meu livro Portugal, a Europa e o Atlântico (Aletheia, 2014), com Prefácio de Manuel Braga da Cruz. Trata-se de um alerta contra voluntarismos centralizadores e uniformizadores na interpretação do projecto europeu, acompanhado da defesa empenhada, mas pluralista, desse mesmo projecto europeu.
O tema da Europa e do lugar de Portugal na Europa tem sido, aliás, motivo de vários livros recentes que merecem destaque. José Medeiros Ferreira, pouco antes de nos deixar precocemente, publicara Não Há Mapa Cor-de-Rosa: A História (Mal)Dita da Integração Europeia (Edições 70); José Manuel Félix Ribeiro escreveu Portugal: A Economia de uma Nação Rebelde (Guerra e Paz); Teresa de Sousa publicou, com Prefácio de António Vitorino, Europa Trágica e Magnífica; e João Ferreira do Amaral é o autor de Em Defesa da Independência Nacional, com Prefácio de José Pacheco Pereira.
Há um curioso contraste entre os temas comuns a estes livros e os temas comuns ao nosso debate político-mediático sobre a Europa. Neste último, discute-se sobretudo quem deve pagar as dívidas de quem e quem deve ocupar os lugares na Comissão Europeia. Nos livros acima referidos, por contraste, estes temas estão quase ausentes. O grande tema comum é o da natureza do projecto europeu e o da sua desejável evolução futura – que pode não coincidir com a mais provável. Não será muito arriscado prever que o tema comum daqueles livros virá gradualmente a ocupar mais espaço no debate político-mediático. Neste sentido, estas leituras de férias podem ser um investimento sábio para as grandes controvérsias europeias que se avizinham.
No mesmo sentido, se o leitor quiser realmente investir num tema perene e sem qualquer actualidade aparente, a escolha deve residir em A Batalha de Castelo Rodrigo, por Manuel Braga da Cruz (Cruz Editores, 2014). Num volume ricamente ilustrado e detalhadamente documentado, o autor recorda uma batalha hoje esquecida – mas que foi decisiva para a independência nacional – que ocorreu a 7 de Julho de 1664, há 350 anos.
Essa batalha, explica o autor, significou a derrota de uma estratégia de chegar a Lisboa e conquistar Portugal entrando pela Beira. Curiosamente, essa estratégia fora vencida em Aljubarrota, trezentos anos antes, e seria de novo derrotada nas Linhas de Torres, cento e cinquenta anos depois. São demasiados anos para serem ponderados no bulício do dia-a-dia. Talvez por isso mesmo, constituam bom tema de reflexão durante as férias.

O trigo e o joio



Razão é a consciência da realidade segundo a totalidade dos seus factores
(L. Giussani)
Desde o primeiro dia que a ouvi fascina-me esta definição de razão. Esta capacidade de abarcar a realidade de todas as perspectivas, sem qualquer espécie de preferência.
Percebo que é esta a dimensão da razão do Filho do Homem; percebo que para mim é um ideal a procurar. Entretanto, no nosso percurso  humano vamos encontrando pessoas e momentos de pessoas que são mais atractivos, mais convincentes, mais capazes de nos evidenciarem um certo aspecto da realidade.  Porque sou agrónomo e professor de Agronomia, o meu ângulo de ataque à realidade vem marcado por esta preferência. Foi, por isso, com múltipla satisfação que assist à Missa Nova do meu antigo aluno Fredereico Cardoso de Lemos que, seguramente, não por acaso, nos pregou sobre o trigo e o joio.

Dissimulação

JOÃO CÉSAR DAS NEVES
DN 2014.07.21

Grande paradoxo é o alheamento das gerações face aos dramas que as assolam. Celebrando o centenário da Grande Guerra, os 70 anos do desembarque na Normandia, os 40 do 25 de Abril e os 25 da queda do Muro de Berlim, espanta notar como eles apanharam de surpresa quem os viveu. Para o bem ou para o mal, demorou muito até se entender a real magnitude. As pessoas não eram tontas ou distraídas mas dirigiam atenções e esforços para outros aspectos, na época decisivos, hoje insignificantes.
A mesma tragédia patética repete-se agora, diante dos nossos olhos, pois a crise financeira portuguesa segue o mesmo roteiro. Daqui a 25, 70 ou cem anos haverá dificuldade em entender como nos enredámos em pequenas tricas e ninharias, enquanto o problema crescia em silêncio. Nem é preciso esperar muito, pois é já evidente a dissimulação que nos trouxe ao resgate e, agora que ele acaba, vem surgindo a dissimulação que este incluiu.
Está documentado o alheamento dos dirigentes que, de 2008 a 2011, negaram a existência de problemas financeiros graves, confiando em analgésicos para tratar um cancro. É hoje inacreditável revisitar esses meses e os intensos debates que os ocupavam, sempre ociosos. O País só acordou para a dimensão da crise na noite de 6 de Abril de 2011, reparando na enorme dívida, acumulada à socapa. A euforia a crédito fora demorada e envolvera todos os extractos sociais, mas passara despercebida. Agora eram inevitáveis longos e penosos esforços de ajustamento.
A austeridade apertou severamente o País. O esforço foi grande e teve resultados positivos. Muita da nossa economia reestruturou, algumas reformas institucionais e regulamentares foram feitas, e conseguiram-se melhorias no Orçamento. Mas muito ficou por fazer. Terminando o programa de ajustamento, quando os tolos dão suspiros de alívio, surgem as verdades que se omitiram nestes anos. Apesar da dureza, manteve-se uma dissimulação, que agora desponta, e rebentará nos próximos tempos.
A austeridade foi forte e vasta, mas deixou de lado dois grupos principais. Primeiro, sectores públicos protegidos. Seja porque o Governo não lhes quis ou pode tocar ou porque o Tribunal Constitucional os defendeu, largos extractos tiveram as suas receitas resguardadas no meio da crise, à custa de impostos, que agravavam a crise. O segundo grupo é o "capitalismo de compadres", as elites sectoriais, também próximas do Estado, que se enredaram em favores e ilusões para esconder erros.
Não é difícil reconhecer os contornos da fantasia que manteve na sombra esses sectores da realidade, desviando a atenção para detalhes secundários. Fingia-se que o problema se limitava à dívida pública, que bastava uma reforma de políticas. Pior, o sofrimento e a confusão fez brotar os demagogos, acusando, barafustando e apregoando soluções fáceis. A discussão foi repetidamente desviada para a defesa de direitos adquiridos e falácias constitucionais. Como se a retórica e as queixas fizessem desaparecer o peso e os sacrifícios.
Agora a crise do GES relembra que a dívida privada é muito maior do que a pública. É inacreditável a surpresa, provavelmente genuína, apesar de os factos serem conhecidos há muito. Não é por falta de informação, diagnóstico ou terapêutica, nem sequer por ter falhado o tratamento. Os sinais que agora surgem têm simplesmente que ver com aqueles sectores que nos últimos anos fingiram que estava tudo bem. Pode demorar, mas a realidade acaba por surgir. Como já se vê, esses serão os protagonistas da próxima fase da crise.
Quando os nossos netos lembrarem os escombros da nossa era, não conseguirão compreender como foi possível ignorarmos o mal, enquanto nos entretínhamos com tricas menores. À distância, bloqueios ao encerramento de serviços e cortes de despesas, minudências do Tribunal Constitucional, embates de personalidades no Governo e oposição, propostas de repúdio ou reestruturação da dívida parecerão tontos e mesquinhos a quem já conhece o resultado. Mas cada geração vive alheada dos grandes dramas que a assolam..

domingo, 20 de Julho de 2014

Missa Nova do Padre Frederico Cardoso de Lemos sj.

Celebrou ontem a sua Missa Nova, o Padre Frederico Cardoso de Lemos.
Antigo aluno do Instituto Superior de Agronomia, engenheiro agrónomo e candidato a doutoramento, interrompeu esta sua vida profissional há cerca de 10 anos para confirmar a vocação com que o Senhor o chamava.
Foi com grande alegria que participei da sua Missa Nova.
O Senhor da história escolheu para o Evangelho da Missa Nova do engenheiro agrónomo agora padre a descrição do reino dos céus que usa a parábola do trigo e do joio:
Naquele tempo, Jesus propôs à multidão mais esta parábola: «O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. 
Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. 
Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. 
Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?’ 
'Foi algum inimigo meu que fez isto’ respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?’ 
Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. 
Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.’» 



E na sua primeira homilia, o Padre Frederico mostrou-nos a sua perspectiva de agrónomo sobre a parábola do trigo e do joio.
Falou do cuidado e carinho do semeador, da qualidade da semente, da decisão do dono da seara em manter o joio até à altura da ceifa, da acção dos ceifeiros. Para salientar que o trigo tem que viver no meio do joio, evitando a segurança da homogeneidade e do rigorismo.
No fundo para dizer que "o outro é sempre um bem".
No fim da missa conversava com um grande amigo nosso, padre jesuíta mais sénior que dizia que na missa nova do dia anterior, a homilia sobre a mesma passagem do evangelho tinha sido tão diferente. 
Confirmei como Nosso Senhor usa as nossas características e mesmo as nossas diferentes perspectivas. Se o Frederico, meu aluno, não tivesse sido primeiro agrónomo e depois padre jesuíta, não teria olhado para a parábola do trigo e do joio da maneira com que nos falou.
Sempre achei, meio a brincar, que Jesus devia ser agrónomo, tantas são as oportunidades em que usa a faina dos campos e a natureza como exemplificação na sua pregação.
Por isso, escolheu este agrónomo para "trabalhar na Sua vinha".
Como seu antigo professor e amigo rezo pela sua vocação e para que se mantenha como fértil trigo no meio do joio do mundo em que vivemos.
Que Deus multiplique sobre ele as Suas bênçãos.



Electricista, comum de operários

Pe. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA | 
Voz da Verdade, 20140720



Quem percorrer o índice das celebrações do Missal Romano, na sua edição portuguesa de 1992, depara-se, logo na primeira letra do alfabeto, com vinte festas ou memórias litúrgicas com orações próprias. Destas duas dezenas de celebrações, uma corresponde ao Santo Anjo da Guarda de Portugal; outra, a um apóstolo; nove são de bispos, dos quais seis são também doutores da Igreja; a que acrescem mais três presbíteros, um abade, dois mártires e duas virgens, uma também mártir. Fiéis cristãos casados? Tão só Ana e Joaquim, pais de Nossa Senhora!

O panorama não se altera em relação à seguinte letra: dos treze contemplados, há a registar dois apóstolos; quatro bispos, dois deles doutores da Igreja e os outros dois mártires; três presbíteros; dois abades e duas religiosas. Leigos? Nenhum!

Poder-se-ia prosseguir a contagem, mas os dados apontados são suficientes para concluir que o Missal Romano, quase meio século depois da reforma litúrgica implementada pelo Concílio Vaticano II, continua a privilegiar os clérigos e religiosos, em detrimento das vidas santas de fiéis leigos, em muitos casos não menos meritórias, nem menos exemplares. Se se tiver em conta que, neste ano de graça de 2014, a Igreja universal muito justamente rejubila com a canonização de dois papas – João XXIII e João Paulo II – e vai ainda muito felizmente beatificar Paulo VI, pode-se afirmar que, ao que parece, esta tendência se mantêm também na actualidade, não obstante o ensinamento conciliar que lembrou que os fiéis leigos são, a par dos clérigos e consagrados, protagonistas da missão eclesial, proclamando solenemente o chamamento universal à santidade e ao apostolado na Igreja. 

A razão desta preferência algo clerical é compreensível: a santidade de vida de um Papa, como os três mencionados, tem uma muito maior notoriedade do que a existência de um leigo, cuja existência tenha sido tão discreta e comum como a da Sagrada Família em Nazaré. Por outro lado, não é fácil promover um processo de beatificação e, por isso, só a Santa Sé, as dioceses e algumas instituições da Igreja podem disponibilizar os recursos necessários para esse louvável fim.

Mas é de lamentar que, meio século depois do Concílio Vaticano II, os leigos continuem praticamente ausentes do Missal Romano. Note-se, a este propósito, que só estão previstas as missas comuns de Nossa Senhora, dos mártires, dos pastores e doutores da Igreja, das virgens e dos santos e santas. Quer isto dizer que um papa, bispo ou sacerdote santo é liturgicamente contemplado com as orações do comum dos pastores. As religiosas, enquanto virgens, têm também direito a um tratamento litúrgico próprio. Mas os fiéis leigos não mereceram nenhuma atenção especial na reforma litúrgica e, ignorada completamente a sua condição familiar e profissional, são incluídos, à falta de melhor, no comum dos santos e santas, que é uma espécie de vala comum dos bem-aventurados.

Faz falta uma missa comum das santas esposas e mães que, como Santa Joana Beretta Mola, se santificaram no exercício heróico dos seus deveres familiares e profissionais. A virgindade das religiosas é muito louvável, mas a condição matrimonial e maternal de tantas mulheres cristãs o não é menos. Fazem falta textos próprios para as missas de leigos santos, como os que se destacaram no cumprimento das suas obrigações profissionais e cívicas, como S. Tomás More, pois não são só os pastores e doutores da Igreja que devem ser exaltados pelos seus dotes de governo e de sabedoria. É tal o desfasamento entre a realidade social e o seu reflexo litúrgico que, na celebração litúrgica dos pastorinhos de Fátima, não procede o comum de pastores, mas de santos…

À conta deste desabafo pós-conciliar e anticlerical, um voto que é também uma oração: queira Deus que, se se provar um dia a santidade de vida destes egrégios cristãos, se possa celebrar liturgicamente a festa de São Balduíno, Rei dos belgas, comum de governantes; ou a de Santa Irena Sendler, leiga, comum de assistentes sociais; ou, ainda, a de São Lech Walesa, electricista e sindicalista, comum de operários.

45º aniversário da primeira alunagem (20 de Julho de 1969 - 20 de Julho de 2014)