segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Magnificat



Naquele tempo, Maria disse: «A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva: de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem.
Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos
Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência para sempre».
Maria ficou junto de Isabel cerca de três meses e depois regressou a sua casa.
Lc 1, 46-56



Deus de nossa carne: Meditação sobre o Natal de Jesus

Para quê e porquê? E porquê neste preciso momento e não aquando de um qualquer outro momento? O que há de tão especial neste ato de Deus que mereça uma tal também especial atitude de reverência, de discreta adoração?
Na economia geral da relação de Deus com a criação e especialmente com a criação do ser humano, este é o segundo momento mais importante, a segunda marca absoluta, definitiva.
A primeira deu-se quando Deus criou o mundo a partir de si como infinito ato de superabundante amor. Neste ato de posição absoluta da possibilidade e realidade dos seres, deu ser à humanidade, em momento de especial ápice caritativo, momento no qual dotou algo com a possibilidade de escolher irredutivelmente o seu porvir. Com tal possibilidade passou a haver mundanamente a capacidade de escolher o bem, o que implica, em cada possível ato, poder não escolher o bem, absoluto da possibilidade da origem da realidade do mal. O ser humano traz consigo a possibilidade de bem e de mal e é tal dom que faz dele propriamente humano, não bestial.
A incarnação do Verbo é o momento em que deixa de haver separação entre o criador e a criatura, em que Deus, fazendo-se carne, assume a plenitude da criação, assumindo a plenitude de seu ápice. Não sendo possível ao ser humano assumir Deus, é a este que compete assumir a humanidade. A incarnação cumpre a criação em sua possível plenitude, esta em que é o próprio Deus que experimenta ser como o melhor possível do criado. Pela incarnação, Deus pode saber como é ser-se humano incarnadamente e a criação experimenta a presença à sua medida do próprio criador. A incarnação é o ato de sacralização absoluta do mundo, através da marca sacramental realíssima da carne de Jesus em seu seio. É este o grande batismo de que João fala em Marcos. Cristo é o sacramento batismal do mundo.
Mas não há sacramentos mágicos ou impostos. Se a criação incoativa é uma posição ontológica absoluta sem auscultação do criável, pela razão evidente, o sacramento, como oferta caritativa absoluta do amor de Deus, é passível de ser aceite ou não aceite. Nunca há violência sacramental, mesmo que de tal haja ilusão. Ninguém é obrigado ou obrigável a ser amado. Esta aceitabilidade tem um preço que é a maior ou menor proximidade a Deus por via da maior ou menor proximidade ao seu ato de amor ofertado. A medida exata desta distância é aquilo a que se chama, na sua perfeição, céu, na sua imperfeição pró-total, inferno.
O que o Menino cuja vinda à carne se celebra no Natal, permitida pela escolha de Maria ao dar o seu sim a tal possibilidade, veio trazer ao mundo foi a possibilidade da proximidade sem distância a Deus. O Antigo Testamento é a narrativa da relação distante com Deus, mediada pela natureza bruta e por seres humanos que agem como incarnados anjos de Deus, mantendo este a sua distância dada pela sua pura espiritualidade. Episódios como os da sarça ardente manifestam bem a intransponibilidade da distância entre o ser humano carnal e o Deus puro, puro espírito, puro fogo e pura luz.
O Menino, sendo tão espírito quanto o que a sarça representava, é de carne. O Menino cresceu no seio de Maria, alimentando-se da matéria da Mãe por meio de um cordão umbilical semelhante ao meu, ao teu. O Menino, já parido, já respirando ar, bebeu leite do seio de Maria. O Menino é, precisamente, como diz Mateus, "Emmanuel", «Deus connosco». Mas não apenas «connosco», mas da nossa mesma carne, fazendo, assim que incarnou, que passássemos a ser da sua carne.
Até à incarnação do Verbo, o ser humano era de carne humana, mas, após a incarnação do Verbo, o ser humano passa a ser da carne de Deus, pois Deus acabou de assumir a carne humana. Sendo esta assunção perfeita, a carne deixa de ser humana, para passar a ser divina. Algo que se esquece, mas que é fundamental, decisivo. Desde que Cristo é carne que a carne é divina, participando nós, seres humanos, da divina carne.
Não é já Cristo que partilha da carne dos seres humanos, são os seres humanos que participam da carne de Cristo. A carne é, assim, desde que Cristo a assumiu e tornou perfeita, em si mesma, imaculada. É a nossa relação com a nossa carnalidade que serve ou não a sua pureza, que a cumpre constantemente em sua radical divindade ou a perverte. Mas a besta não é a carne, sou eu quando lhe não sou fiel.
Que lhe não sou fiel como Maria e Jesus foram.
A divina relação carnal entre Maria e Jesus purifica para sempre o sentido da carnalidade: por meio da liturgia soteriológica da carne de Maria, foi ao Verbo possível ganhar carne. Ao ganhar carne, o Verbo imediatamente divinizou toda a carne que, como Maria, é carne ao serviço da salvação do mundo. Compreende-se melhor qual a razão pela qual Maria, em sua carne, mereceu acompanhar imediatamente a carne de sua carne no Céu, isto é e logicamente, junto do Filho cuja carne permitiu.
Como o santo Evangelho, a santa caridade da boa-nova, está longe da peçonha maniqueia e pagã da demonização da carne, impossível em termos cristãos, pois não há perfeito Cristo sem perfeita carne, na perfeição de sua carne.
Amaldiçoar a carne, é amaldiçoar o Verbo em sua carne. Tal é simplesmente blasfemo.
«Bendito é o fruto de teu ventre», diz a Isabel de Lucas a Maria. Neste ventre, por este ventre, não apenas passou, mas continua sempre a passar a salvação do mundo. Esta salvação tem precisamente no sim de Maria o seu paradigma. Salvar-se é acolher o Verbo de Deus em seu seio. O único necessário.
Se o Espírito sopra de infinitas formas, como e onde quer, a incarnação é a forma de o Espírito soprar Deus na carne. Literalmente informar-se na, para si absolutamente nova, forma da carne. Forma velha para nós. Forma para sempre rejuvenescida pela frescura da mocinha Maria, que permitiu ao Espírito dar-se em puro carnal amor ao mundo, reconsagrando-o, batizando-o.
O joanino «Logos» do princípio, eterno companheiro do Pai, na união do Espírito, paradigma de toda a relação possível, carne lógica da caridade oblativa que eternamente os une, enlevo do Pai, manifesta-se no mundo criatural não como fantasma, não como terrífico poder, mas como indefeso e frágil pedacinho de terna carne humana, de que nada há a temer – "me phobou Mariam" (não temas Maria), diz Gabriel –, todo-poderoso como dom de possibilidade de amor e de amor em ato. Promessa eterna de salvação que se cumpre até à morte e ressurreição.
«Nada temas, Maria». Nada a temer, se fores Maria. Deus põe-te como ato de amor. Se fores fiel a este ato, nada tens de temer. Mesmo a morte de teu Filho será vivida por ti como um ato de oblação. Nada temas. Mesmo no mais profundo sofrimento, nunca abandonarás o teu Filho. E ele nunca te abandonará. Que temer, então, Maria?
Ao contemplarmos o Menino, absolutamente frágil, mas todo-poderoso como dom absoluto de caridade divina, pensemos em como fazer da nossa carne a sua carne, em como transformar cada um de nossos atos na carne do bem da caridade, sempre frágil, mas todo-poderosa de cada vez que põe bem na continuidade da criação.
Lembremos que, sendo assim, não há como pecar. A caridade é a impossibilidade do pecado. Não a sua morte, a sua impossibilidade. Onde está a caridade, não só habita Deus, como nunca poderá habitar o pecado.
Diz o poeta, num momento de terrível angústia: «Meu Deus, e eu que não tenho a caridade!...» [Fernando Pessoa, "Poesias de Álvaro de Campos", Lisboa, Ática, 1980, "Ali não havia eletricidade"], reconhecendo a absoluta vacuidade de tudo o mais. A caridade feita frágil carne é tudo. O mais é nada.
Natal é a caridade e a caridade é o Natal, não apenas o Natal de Jesus, mas o nosso Natal de cada ato em cada ato de caridade, abençoada carne do amor.
Santo Natal.
Américo Pereira 
Universidade Católica Portuguesa, Faculdade de Ciências Humanas 
Publicado em 22.12.2014

Jesus, um presente de Deus para todos

Voz da Verdade, 2014.12.21
Pe. Hugo Gonçalves

Para melhor percebermos quem é Jesus, temos de remontar àquele momento das origens em que Deus criou o homem e a mulher. Resumidamente, diz-nos o Livro do Génesis que Deus criou a humanidade à sua imagem e semelhança, diferente da restante criação e numa relação de amizade, convivendo juntos no Jardim que Deus tinha criado. O homem era diferente do resto da criação: era amigo de Deus. 

Mas Deus tinha feito um pedido ao homem e à mulher: podiam comer de todos os frutos, de todas as árvores, menos de uma: a do conhecimento do bem e do mal.

Mas não conseguiram resistir. Tentados pela serpente, quiseram ser como Deus e comeram. E tudo neles mudou. Perderam a inocência, viram-se nus e passaram a esconder-se de Deus, ao invés de correrem ao seu encontro como faziam anteriormente. Porque desobedeceram a Deus. Porque quiseram ser como Deus. Porque feriram o amor.

E foram expulsos.

A desobediência do homem e da mulher afastou-os de Deus. E esse afastamento colocou-os fora do paraíso, longe da inocência e da harmonia que tinham experimentado até aí. E a vida tornou-se mais dura de viver…

A partir desse momento, geraram filhos e filhas que se espalharam por toda a terra e que experimentaram a dureza do sofrimento nas suas múltiplas manifestações… e o homem nunca mais conseguiu experimentar a harmonia e a proximidade com Deus, que havia experimentado quando ainda estava no jardim. E esse desejo feria profundamente o homem, como se não conseguisse ser plenamente quem era. Como se sentisse uma saudade do que tinha sido… 

Mas Deus também sentiu essa saudade. E desejou ver regressar o homem à amizade inicial. 

E Deus fez caminho com o povo, que entretanto chamou o SEU POVO. O povo da aliança. Mas a marca original da desobediência e do desejo de ser deus para si mesmo foi sempre muito marcado no homem. E, enquanto Deus permanecia fiel à sua promessa, o homem desobedecia. Desde sempre o homem trazia consigo uma sede insaciável que nem ele próprio sabia interpretar. Era a saudade do que tinha sido… e foram séculos e séculos de saudade…

E Deus percebeu que era preciso resgatar o homem. E que se foi por um homem que o pecado aconteceu, teria de ser um homem a resgatar toda a humanidade ao vazio e ao sem-sentido em que mergulhara, a restituir ao homem a possibilidade de voltar ao jardim, de experimentar a inocência original, de aceitar a amizade de Deus.


E foi então que aconteceu… o anjo Gabriel foi enviado. Foi enviado com uma boa-notícia, um presente de Deus, a uma jovem virgem desposada com José: Maria. A notícia que trazia era a de que Maria havia de conceber e dar à luz um Filho, o Filho da promessa, Jesus, o próprio Filho de Deus. Maria não rejeitou a proposta de Deus: perguntou só de que forma isso aconteceria, sendo ainda Virgem. E o Anjo explicou: será o Espírito Santo a vir sobre ti e a tornar possível o impossível. E aguardou a resposta de Maria. Porque sem essa resposta, Deus teria de alterar o seu projecto inicial. Deus quis contar com a adesão e a resposta livre de Maria e o futuro de toda a humanidade esteve suspenso na espera dessa resposta. Mas o coração de Maria já tinha aderido ao projecto de Deus, ainda antes de o conhecer, e a resposta não tardou nem desapontou: Eis a serva do Senhor, faça-se em Mim, segundo a tua palavra. Como todas as jovens, Maria teria os seus projectos de vida, os seus sonhos de felicidade e, com toda a certeza, não saberia bem tudo o que estava implicado neste desafio que Deus lhe lançava. Mas isso não foi impedimento. Maria acreditou na notícia do Anjo, Maria consentiu no projecto de Deus, Maria recebeu o Filho no seu ventre. Este é o momento em que, este presente de Deus, esperado desde há muito, rasga a história concreta dos homens. Um presente que Maria guarda no ventre e no segredo.


E José? José era um homem bom, o bom carpinteiro que tinha Maria como esposa. Ao deparar-se com a gravidez de Maria, sabendo que esse Filho não tinha nascido do amor entre os dois, José fica confuso. Também ele teria projectos, sonhos, expectativas… E o inesperado surge na sua vida. Sendo um homem justo, José decide afastar-se discretamente de Maria para não a expor ao julgamento público. Abatido, de coração ferido, José sonha. Sonha com um anjo que lhe traz um presente. Um presente de Deus. Jesus é Filho de Deus, obra do Espírito Santo, aquele que salvará o homem dos seus pecados. É o Deus connosco de que Isaías falara setecentos anos antes. É o Deus presente na história, a pisar os caminhos dos homens, semeado no ventre de Maria, ali, na sua terra, na sua casa. O que Deus pede a José é que seja pai de Jesus, guarda do redentor, protector do Salvador. E José aceita. Mais uma vez a resposta humana: Jesus é um presente de Deus, um presente que o homem tem de aceitar receber. 


Não muito longe dali, cerca de seis meses antes, o Anjo tinha sido enviado a uma outra casa. A casa de Zacarias e Isabel, prima de Maria, idosa e estéril, incapaz de gerar filhos. Também eles tinham recebido a boa-notícia de um filho, que havia de preparar o povo para acolher Jesus quando chegasse o momento certo. Seria um percursor de Jesus, aquele que iria à sua frente a preparar o seu caminho. O anjo tinha dito a Maria que Isabel também estava grávida e Maria, logo que pôde, foi ao encontro da prima para a felicitar. Bastou a saudação de Maria, para que João, o menino que crescia no seio de Isabel, desse um pulo de alegria na barriga da sua Mãe e para que ela ficasse cheia do Espírito Santo. Maria reconhece, pelo entusiasmo do filho que trazia dentro de si, que o verdadeiro presente era Jesus. Um presente de Deus para todos. E diz a Maria: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Feliz de ti que acreditaste porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor. Isabel reconhece que as promessas que Deus fez, se cumprem porque Maria aceita e responde. Jesus é um presente de Deus, um presente que o homem tem de aceitar receber.


Uns meses depois, quando Maria estava quase a dar à luz, teve de se deslocar com José a Belém, onde deveriam recensear-se. Já em Belém, chega o momento de Maria dar à luz o menino. Estando longe de casa e da família, procuram lugar na hospedaria, onde não há lugar para os acolher e José e Maria não encontram outra solução, a não ser instalarem-se num curral de animais. Jesus não nasceu num palácio, como os reis do mundo, mas num curral. Não teve berço de oiro ou de madeiras nobres, mas foi recostado numa manjedoura, o lugar onde comem os animais. Jesus, aquele que viria a dar o seu corpo e o seu sangue como alimento, começa a sua vida, precisamente, deitado no lugar onde se põe a comida. Isto é uma antecipação da Eucaristia, presente de Deus, onde Deus se faz presente. Jesus também não teve como testemunhas do seu nascimento, as pessoas ilustres, nem os poetas dotados que contassem tão sublime acontecimento, mas simplesmente um par de animais, um burro e uma vaca que ali se abrigavam. Apesar de estarem presentes, dificilmente estes animais entenderam perfeitamente o que ali se passou. Eles simbolizam a humanidade descrente, com dificuldade em compreender a Deus, a quem o Menino é apresentado, como um novo clarão a iluminar os olhos. Mais tarde, veremos Santo António falar aos peixes, num tempo em que a humanidade também não o queria escutar.


Mas Jesus era uma notícia boa demais para ficar confinada à escuridão e ao silêncio do estábulo. Eis que irrompe na noite um canto novo, nunca antes escutado, envolto numa luz nova que corta as trevas. Os pastores recebem um presente: o anúncio de uma grande alegria para todo o povo, o nascimento de um Salvador, que é o Messias Senhor. Os primeiros a receber a notícia e a correr para verem o Menino, foram os pastores que estavam de vigia, que guardavam os rebanhos. Gente simples na presença do Deus simples. Jesus é um presente de Deus para todos, sobretudo para os pobres, os simples, os fracos, os que não têm vez nem voz. Nascido entre pastores, é Ele o grande Pastor dos homens.

Os anjos dirigiram-se apressadamente para verem o que tinha acontecido. A curiosidade humana seria uma das razões para essa pressa, mas haveria uma razão mais profunda: a alegria da promessa cumprida, o desejo de verem o Messias, o espanto de serem os primeiros a conhecê-lo. Não há nada que mereça mais pressa, do que o desejo de encontrar Jesus, presente de Deus para todos. Naquela noite, como agora.


Mesmo depois de ser dada a conhecer aos pastores, a notícia era boa demais para ficar reservada a um país e a um povo pequeno como o de Israel. Por isso, uma noite, sob o céu quente do Oriente, define-se uma nova estrela. Uma estrela que é um anúncio. Uma estrela que é reconhecida como um anúncio e cujo brilho é seguido por três magos conhecedores das profecias que a seguem até Israel. Estes três homens iniciam aqui um caminho exterior e interior que os levará a Jesus. Se o que esperavam era um rei, o mais lógico foi dirigirem-se ao palácio real, certos de que seria lá que nasceria o novo infante. Não encontraram o que buscavam, mas despertaram a desconfiança e a astúcia de Herodes. Sente-se ameaçado perante este rei anunciado que não nasce na sua casa, nem da sua linhagem… Assusta-se com o desconhecido… mesmo que venha da parte de Deus. Dissimula o seu medo e as suas intenções e roga-lhes que lhe tragam notícias para que também ele possa ir prestar homenagem a esse Menino. Seguindo a estrela, descobriram Jesus deitado na manjedoura e ofereceram-lhe presentes, reconhecendo que era ele o verdadeiro presente. O aparecimento dos magos nesta história, torna evidente que Jesus não era um presente apenas para alguns, apenas para aqueles que faziam parte do povo e do Reino. Era para todos. E, por isso, ao longo do tempo foi-se evidenciando nas figuras dos magos essa universalidade da boa-notícia que Jesus é. Assim, temos Gaspar, Baltasar e Belchior, um da Ásia, um de África e um da Europa. O mesmo também em relação às várias fases da vida do homem. Por isso, um é jovem, um é de meia-idade e um é idoso. Estes magos, representam um início, um caminho que toda a humanidade é convidada a fazer em direcção a Cristo. Um caminho que a humanidade continua a fazer, na longa procissão da história. Jesus é um presente de Deus para todos, sem excepção de idade, raça e proveniência. Todos o podem encontrar, desde que se disponham a seguir a estrela que a vida define no nosso caminho e descubram essa pressa de a seguir. Há uma luz que faz brilhar a estrela: Jesus.

Quando a estrela parou, os magos sentiram uma grande alegria. É a alegria do fim da jornada, da meta alcançada, do encontrar e ser encontrado. Entraram no estábulo, adoraram o Menino e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, sem voltarem a Herodes, regressaram à sua terra. Os presentes simbolizam e identificam diferentes aspectos acerca de Jesus: o ouro, como tributo aos reis terrenos; o incenso, oferta apresentada a Deus; a mirra, como unguento usado nos ritos de sepultamento dos mortos. Os magos dizem-nos: Jesus é Rei, Jesus é Deus, Jesus é Homem. 


Esta história não acaba aqui. Este Jesus vai surgir publicamente a anunciar a chegada do Reino, e vai caminhar livremente para um desfecho inesperado para os homens do Seu tempo: a cruz. Se por um homem, Adão, vieram o pecado e a morte ao mundo; só por um outro homem, Jesus Cristo, poderíamos alcançar novamente o perdão e a vida eterna. O Jesus da manjedoura, pobre e indefeso, é o mesmo da cruz, vindo ao mundo para pagar o resgate de todos os homens e abrir-lhes, para sempre, o caminho da amizade com Deus.

Deus não desistiu do homem. Por isso, enviou Jesus.

Jesus é um presente de Deus. Jesus é Deus presente.

A notícia mais importante sobre a Igreja

Isabel Figueiredo Canotilho
Facebook, 2014.12.22

Uma das minhas obrigações semanais é ler o que se escreve sobre a Igreja. E escreve-se muito. Às vezes pergunto-me porquê. 
Percebo a inquietação que pode provocar esta fidelidade, com mais de dois mil anos, a um homem, que nasceu pobre e morreu crucificado. Percebo o impacto do Papa Francisco. Percebo a surpresa de ver reunidos milhares e milhares de jovens, dispostos a dormir no chão para ouvirem falar de eternidade, de amor, de verdade, de esperança. Percebo a incompreensão de vidas isoladas em mosteiros, de vidas gastas em bairros de lata, de vidas que preferem morrer a renegar a sua fé. 
Mas apesar de tudo isto, às vezes, pergunto-me porquê? 
Porque continuar a escrever sobre os sapatos vermelhos ou pretos do Papa?Porque continuar a tentar distinguir igrejas conservadoras de igrejas progressistas? 
Porquê esta necessidade de estar sempre na expectativa de encontrar facções contrárias, lutas internas, divisões que demonstrem possibilidades de rupturas?
Às vezes dou comigo a pensar que tudo isto só pode ter uma razão de ser. Jesus. Jesus que provocou a vida de tantos. Dos amigos, dos inimigos, dos poderosos e dos pobres. E hoje continua a ser assim. 
Quem o ama, quem dá a vida por Ele provoca surpresa e inquieta os outros. Quem não O quer, procura rupturas.Quem O desconhece, sente o desassossego do que não compreende.
Tenho a certeza de que irei continuar a ler muitas notícias sobre a Igreja, o Papa Francisco, os cardeais de Roma, os padres da minha terra. 
Preciso de passar por cima de todas as palavras e deixar-me ficar centrada no essencial. Jesus, filho de Deus, nascido em Belém, morto em Jerusalém, ressuscitou e continua vivo no meio de nós. Esta verdade inquieta a humanidade.

Um forte estímulo para o estudo da História


Foi com os meus alunos que tive a certeza de que um professor pode contagiar favoravelmente os seus alunos se ele próprio amar o que ensina.



Como é natural, lembro-me bastantes vezes dos meus ex-alunos e retenho muitas das palavras trocadas, em encontros ocasionais ou previamente combinados que invariavelmente significam o retorno "à nossa escola". Nessa reconstituição de um tempo que nos aviva lembranças, recordamos antigos colegas, professores e empregados e revemos histórias que nos marcaram, numa expressão de mútua afeição pelo espaço onde nos conhecemos e trabalhámos e do qual continuaremos espiritualmente a fazer parte.
As histórias que vou contar incidem sobre duas escolas, sendo Fernando Pessoa relevante porquanto foi com a leitura assídua da sua obra que tomei consciência da verdade de Paul Ricoeur: […]li, compreendi, amei, e foi com os meus alunos, despertos para a leitura do poeta, que tive a certeza de que um professor pode contagiar favoravelmente os seus alunos se ele próprio amar o que ensina. Ao contrário do que hoje se propagandeia não é o respeito pelos interesses dos alunos que deve prevalecer, porque isso será uma forma trágica de os limitar, mas sim o desejo de lhes trazer algo de novo que lhes suscite outros interesses e os incentive a uma postura crítica e interventiva, no mundo em que vivem.
Um exemplo do que pode ocasionar um estudo apaixonado de um autor foi o que aconteceu em 1984/85, aproveitando a celebração do cinquentenário da morte de Fernando Pessoa e após um percurso pessoano por Lisboa, em que o Café Martinho da Arcada (séc. XVIII) foi um dos espaços visitado por alunos do 11.º ano de Português (Desporto, Electricidade e Electrotecnia), da Escola Sec. Marquês de Pombal  antiga escola técnico-industrial, de referência, criada em 1888, referência essa que se mantinha ainda na década de 80, nos seus diferentes cursos, bastante concorridos, e cujas oficinas pela sua história eram espaços cuidadosamente preservados, sobretudo, por professores e empregados.
Tendo sabido, durante esse itinerário, que a voracidade dos bancos ameaçava o velho Café onde Fernando Pessoa escrevera e se encontrara com os da sua geração (Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros, entre outros) decidimos escrever uma carta-aberta, dirigida à Assembleia da República, à CML e ao Primeiro-Ministro, pedindo a salvaguarda do Café Martinho da Arcada, através da sua classificação de interesse público, já que o valor concelhio não constituía um verdadeiro obstáculo à sua transformação. É justo referir o grupo de alunos que forçou essa postura e que se manteve empenhado no seu propósito até satisfazê-lo – António Aires, Artur Anjos, Cristina Barbosa, Licínio de Assis e Paulo Malícia. Divulgada ampla e solidariamente por toda a comunicação social e criado que foi um vasto movimento solidário, a decisão favorável, depois de vários percalços, veio do Ministério da Cultura, através do despacho de 24 de Abril de 1985 que nos foi enviado.
Não foi um discurso sobre a "cidadania" que motivou estes alunos, nem a "pedagogia de rua", como agora se identificam as visitas de estudo, nem tão pouco um "projecto de Escola", apenas a leitura da obra de um autor, profundamente contextualizada, que os alunos não conheciam e pela qual se entusiasmaram.
A segunda história decorre em 1980/81, com uma turma do 11.º ano de Electrónica, na qual leccionava Francês, na Escola Secundária Afonso Domingues  escola industrial criada em 1884, e também de referência, e que, à semelhança de outras, foi sendo abandonada, acabando por ser extinta em 2010 e exposta ao vandalismo. Por gosto pessoal, a Literatura Portuguesa intervinha nas aulas de Francês, convivendo com a Literatura Francesa, e não raro um ou outro aluno aproveitava essa situação para levantar questões várias ou continuar a exploração de temas, nos intervalos. Um desses alunos chamava-se Henrique Leitão e, leitor assíduo de Fernando Pessoa, pelo menos na sua juventude, ganhou recentemente, e de forma muito justa, o Prémio Fernando Pessoa pelo seu excelente trabalho enquanto Historiador da Ciência.
Para além do seu manifesto interesse pela Literatura, e muito especificamente pela obra de Pessoa, sobre a qual gostava de reflectir e discutir ideias, Henrique Leitão distinguia-se ainda pela sua simplicidade e pelo seu espírito de entreajuda, tirando, quantas vezes, dúvidas aos colegas, durante os intervalos, sobretudo a Física e a Matemática, em que era, e usando a gíria estudantil, "um barra" (aliás era "um barra" em tudo).
Num tempo em que a História está ameaçada de morte, sendo lamentavelmente considerada não tão importante quanto o Português e a Matemática, o Prémio Fernando Pessoa atribuído a Henrique Leitão será um forte estímulo a que mantenha, juntamente com os seus colegas e alunos, e com o empenho e a alegria que lhe conhecemos, a investigação focada na História da Ciência. Será uma forma também de lembrar e de homenagear "a nossa escola", Henrique!

domingo, 21 de dezembro de 2014

Inverno


O Inverno deste ano no Hemisfério Norte começa hoje, 21 de Dezembro às 23:03.


Cartão de boas festas aos trabalhadores da TAP

RR online 18-12-2014 18:51 por Raquel Abecasis

Em democracia todas as greves são legítimas, mas nem todas são morais e esta é mesmo imoral pelas consequências que tem e pela razão invocada que torna qualquer negociação impossível.


Desejo um bom natal aos trabalhadores da TAP, recomendando-lhes que se lembrem, quando estiverem com as suas famílias, que há milhares de portugueses que não podem este ano fazer o mesmo graças à greve que tencionam fazer. 

O Governo promete decretar a requisição civil caso não sejam cumpridos os serviços mínimos, mas isso não altera o facto de já pelo menos 25 mil pessoas terem desmarcado as suas viagens. 

É por isso que os meus votos de boas festas se estendem à passagem do ano. Quando estiverem no réveillon, peço a todos os trabalhadores da TAP que vão fazer greve que pensem que provavelmente o seu desejo de impedir a privatização da empresa pode bem realizar-se, mas virá acompanhado do desemprego de alguns. 

Ao menos assim os trabalhadores da TAP ficam solidários com muita gente ligada ao turismo que, por causa desta paralisação acabou por perder o trabalho – pelo menos ocasional – com que contava para sobreviver. Mas isto é pouco importante para quem está a lutar pelos seus direitos, ou seja, a querer impedir a privatização de uma empresa. 

Em democracia todas as greves são legítimas, mas nem todas são morais e esta é mesmo imoral pelas consequências que tem e pela razão invocada que torna qualquer negociação impossível. 

São os sindicatos que temos, também responsáveis por em Portugal o mundo do trabalho ser tão maltratado. Noutros países, em que governos e sindicatos assumem posições mais responsáveis, tem sido possível salvar empresas e postos de trabalho.

A noite mais longa do ano

Esta vai ser a noite mais longa da história da terra? Afinal não

observador 2014.12.21
O inverno começa esta noite, com o solstício.Há cientistas que dizem que a noite mais longa do ano vai ser, também, a noite mais longa de sempre no hemisfério norte. Afinal, não é bem assim.
Mas há quem diga mais do que isso: que esta seria também a noite mais longa de sempre. Segundo o cientista Colin Schultz, o tempo de escuridão será muito ligeiramente superior ao que alguma vez aconteceu, mesmo contando a partir do dia em que a terra se formou, como explicava o site norte-americano Vox este domingo.
A razão? É que rotação da Terra está a abrandar, num ritmo muito baixo, é certo, mas muito estável: a cada ano os cientistas dizem que os nossos dias estão a esticar-se mais ou menos o equivalente a 0,000001 de segundos por dia (a expressão em inglês é "millionth of a second"). A razão estará na Lua, acreditam alguns especialistas. Melhor dizendo, da sua influência nas marés. Como explica este documento da NASA, a fricção entre o movimento das marés e a rotação da Terra acabou por diminuir aos poucos esta rotação. Algures no início da história, o dia demoraria apenas seis horas.
Acontece que, horas depois de ter publicado o artigo, o Vox corrigiu-o:
"Este artigo dizia que, devido à rotação da Terra estar gradualmente a desacelerar, este solstício resultaria na noite mais longa de sempre. Não é verdade. A rotação da Terra está gradualmente a reduzir-se no longo prazo, mas numa escala de curto prazo os fatores geológicos também podem alterar isso.
Os dados indicam que a rotação acabou por acelerar um pouco nos últimos 40 anos, possivelmente devido ao degelo nos polos e redistribuição da massa da Terra. Assim, tanto quanto sabemos, as noites mais longas devem ter acontecido em 1912. Pedimos desculpa pelo erro".
Mas, sim: de todo o modo, mesmo sendo verdade que no longo prazo os dias ficarão maiores, estamos a falar de uma diferença tão pequena que nunca, em muitas muitas gerações, ninguém vai notar como os dias estão a ficar mais compridos, nem sequer como a noite mais longa do ano está a esticar-se.
Mas a curiosidade sobre o fenómeno está a ficar tão aguçada que já há jornais científicos a questionar os especialistas sobre quando os nossos dias vão ter, finalmente, 25 horas. A resposta não é encorajadora para uma das perguntas mais desejadas dos nossos dias: 140 milhões de anos, a acreditar em Tom O'Brian, do National Institute of Standards and Technology.

A história das nossas vidas contada ao povo e às crianças

As pessoas fartam-se deste modelo de sociedade em que o trabalho lhes rouba a sua dimensão enquanto pessoas. As pessoas fartam-se deste modelo de sociedade em que o desemprego as priva de se realizar.

As pessoas não têm filhos porque numa sociedade materialista os filhos representam um encargo e um entrave ao usufruto dos bens de consumo, principal objectivo das suas vidas. Vazias naturalmente.
As pessoas não têm filhos porque não podem. Cada casal queria ter pelo menos três filhos mas não pode porque as pessoas não têm dinheiro. Desde que a troika chegou que a possibilidade de ter filhos se tornou num sonho adiado das suas vidas. Vazias naturalmente.
As pessoas drogam-se porque o capitalismo produz um excesso de sensações e a droga surge-lhes como o interdito numa vida em que a esperança não tem lugar.
As pessoas drogam-se nestes tempos de crise porque precisam de escapar a um quotidiano em que a esperança não tem lugar.
As pessoas divorciam-se porque no capitalismo tudo é fugaz. Não existe o valor dos compromissos.
As pessoas divorciam-se porque a crise comprometeu os sonhos de uma vida a dois. Com a precariedade instalada não existe o valor dos compromissos.
As pessoas deixam o país porque procuram alternativas a este modo de vida.
As pessoas deixam o país porque fogem da miséria. Em algum lugar têm de existir alternativas a este modo de vida.
As pessoas sofrem de excesso de peso porque as refeições oscilam entre o fast food na rua e os excessos em casa. Perderam-se os saberes e os equilíbrios de outrora.
As pessoas sofrem de excesso de peso porque com a crise comem muito fast food e deixaram de fazer uma alimentação mais equilibrada. Perderam-se os saberes e os equilíbrios de outrora.
Os mais velhos estão sós porque as gerações mais novas vivem para consumir e não para cultivar os afectos.
Os mais velhos estão sós porque os mais novos estão absorvidos pela crise. Deixaram de se cultivar os afectos.
Os idosos vão para os lares porque as famílias não estão para os aturar. É o flagelo no fim da vida.
Os idosos têm de sair dos lares e viver em casa com a família porque não podem pagar os lares. É o flagelo no fim da vida.
As crianças que passam o tempo nas catedrais do consumo não sabem o valor real das coisas. Uma situação que os vai marcar.
As crianças sabem que o valor real das coisas é inacessível aos seus pais que já não os deixam olhar para as montras. Uma situação que os vai marcar.
Os alunos têm insucesso escolar porque estudar deixou de ser estimulante. As gerações futuras perdem-se na rota da desesperança.
Os alunos têm insucesso escolar porque se interrogam para que serve estudar em tempo de crise. As gerações futuras perdem-se na rota da desesperança.
As pessoas suicidam-se porque deixaram de ter de lutar pela vida. A sua morte é um grito de alerta contra o nosso estilo de vida.
As pessoas suicidam-se porque a vida é uma luta constante. A sua morte é um grito de alerta contra o nosso estilo de vida.
As pessoas têm mais cancro por causa dos excessos da sociedade de consumo. Nas sociedades mais ricas o cancro é o inimigo silencioso.
As pessoas têm mais cancro porque com a crise chegou a privação. Nas sociedades empobrecidas o cancro é o inimigo silencioso.
As pessoas são racistas porque numa sociedade de bem estar o egoísmo é a ideologia triunfante. Logo perdemos a capacidade de aceitar o outro.
As pessoas são racistas porque com a crise o egoísmo cresce. Logo perdemos a capacidade de aceitar o outro.
As pessoas fartam-se deste modelo de sociedade em que o trabalho lhes rouba a sua dimensão enquanto pessoas.
As pessoas fartam-se deste modelo de sociedade em que o desemprego as priva de se realizar enquanto pessoas.
Os jovens são violentos porque numa sociedade marcada pela abundância a violência é a derradeira forma de expressarem o seu mal estar com um mundo que não espera nada deles.
Os jovens são violentos porque numa sociedade marcada pela crise a violência é a derradeira forma de expressarem o seu mal estar com um mundo que não tem nada para lhes dar.
As mulheres são vítimas de violência doméstica porque o capitalismo reforça a violência dentro das quatro paredes.
As mulheres são vítimas de violência doméstica porque a crise reforçou a violência dentro das quatro paredes.
As pessoas não vão ao cinema porque cada vez existem mais e mais ofertas.
As pessoas não vão cinema porque não têm dinheiro.
O Natal nos tempos em que a economia estava ao serviço das pessoas era uma festa que estava no caminho progressista de deixar de ser uma celebração imbuída do espírito da ICAR em torno dos valores da sociedade patriarcal para se tornar numa data consagrada às famílias das portuguesas, dos portugueses e d@sportugues@s.
O Natal agora que a economia nos roubou as nossas vidas viu interrompido o seu aprofundamento de data consagrada às famílias das portuguesas, dos portugueses e d@s portugues@s para regredir para o paradigma de uma celebração imbuída do espírito da ICAR em torno dos valores da sociedade patriarcal.
A troca de prendas perdeu o seu simbolismo para se transformar num momento comercial, onde sobram os papéis de embrulho e falta o carinho. A perda do simbólico é um dos nossos maiores dramas.
A troca de prendas perdeu o seu simbolismo pois também ele, o simbolismo, nos foi roubado quando nos levaram o futuro. Agora já não se ouve o som festivo do rasgar dos papéis de embrulho. As prendas são poucas e apenas para os mais novos. A perda do simbólico é um dos nossos maiores dramas.
E por aqui me fico mas os leitores podem prosseguir com o texto. É simples: basta escrever uma coisa e o seu contrário.