terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Mapa histórico dos últimos 3000 anos na Península Ibérica

Fé e realismo: com Francisco na Coreia e Albânia

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

“Striptease” ou conspiração?


Manuel Villaverde Cabral
OBSERVADOR | 29/9/2014, 13:19

Numa cultura de profunda desconfiança na justiça como a nossa, continua a ser muito forte a tendência para pensar que "não há fumo sem fogo", mesmo quando parte apenas de uma denúncia anónima.

Apesar de todo o impacto da luta pela liderança do PS, justifica-se ainda um comentário ao ataque desencadeado na última semana contra alegadas impropriedades cometidas pelo actual primeiro-ministro quando era deputado há perto de 20 anos. Se é verdade que as questões de falta de ética têm sido permanentes na vida portuguesa desde que o sistema político entrou em fase de estabilização com a adesão à União Europeia, não é menos certo que tais questões desaguaram na esmagadora maioria dos casos em "águas de bacalhau"…
Um tema correlato deste é o das campanhas albergadas ou promovidas pela comunicação social, sobretudo depois de esta ter sido parcialmente privatizada (a televisão ainda é em princípio governamentalizada, mas o governo parece ter perdido o comando da RTP por causa da ameaça de privatização). O resultado destes jogos de acusações e negações, quer venham a provar-se ou não, é deixar dúvidas que nunca desaparecem por completo e que só podem reforçar o cheiro a corrupção que se respira entre nós. Foi isso que se passou uma vez mais, envenenando o ambiente político e tornando impossível a reforma do Estado e do sistema de representação partidária, como sucedera aliás nas "primárias" do PS, quando um dos candidatos acusou o outro de ser protegido por grupos de interesses associados aos partidos portugueses.
Começa tudo por essa instituição da denúncia anónima. Ignoro se esta prática kafkiana é comum nos sistemas de justiça internacionais, por exemplo nos tribunais da União Europeia. Seja como for, é indiscutível que a confiança da generalidade dos cidadãos na justiça portuguesa – até por tal confiança ser hipocritamente repetida por todos os agentes políticos e económicos portugueses quando são apanhados nas suas eventuais teias – é nula. É por isso que os casos levados à Provedoria de Justiça em Portugal são reconhecidamente baixos à escala internacional, como acontece com as reclamações dos particulares contra serviços públicos e grandes empresas, segundo estudos conhecidos há décadas pelos gabinetes ministeriais.
Duas correntes surgem sempre que é desencadeada uma dessas denúncias anónimas, para mais a propósito de um caso já prescrito, o que impede a Procuradoria-Geral da República de investigar o eventual crime. Uma dessas correntes é a de que "não há fumo sem fogo". Em 2005, já José Pedro Castanheira publicara uma tese onde mostrava que a esmagadora maioria das cartas de leitores enviadas ao semanário "Expresso" era anónima. E hoje é conhecido que o anonimato prevalece – e conspurca – a chamada blogosfera. Ora, sendo certo que nalguns países as declarações de impostos são públicas, já numa terra como a nossa muita gente pensa o mesmo que o primeiro-ministro português quando um deputado da oposição lhe disse para exibir a sua conta bancária: "Não faço striptease". E António José Seguro faria striptease para provar que o conteúdo de uma carta anónima era falso? Provavelmente não. Todavia, numa cultura de profunda desconfiança na justiça como a nossa, continua a ser muito forte a tendência para pensar que "não há fumo sem fogo". Ou inversamente, para protestar contra a injustiça de determinada sentença, como sucedeu há pouco tempo com a antiga ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
A outra tendência que vigora em situações como aquela em que se encontrou Passos Coelho, em países onde não há confiança na justiça (nem no fisco, nem no Estado, nem nas empresas, nem nas outras pessoas em geral), é a de ceder às chamadas teorias da conspiração: a culpa é dos jornais, que só querem vender papel e tempo de antena; ou da oposição; ou pior ainda, dos dois. Quem prova o contrário, se nem os tribunais nos convencem plenamente, como se passou há pouco com a sentença dos arguidos da "Face Oculta"? Para não falar dos notáveis que vieram abonar Ricardo Salgado antes mesmo de este ter sido formalmente acusado do que se passou no Grupo BES, invocando o princípio ritualístico de que "todos somos inocentes até prova em contrário".
Ora, quem quiser dar-se ao gáudio da teoria da conspiração tem muito com que se entreter. Não foi a carta anónima enviada em Junho, logo após as eleições europeias, para ser apenas divulgada no final das "primárias" socialistas em que António Costa seria eleito? Não afirmou Mário Soares: "Eu bem tinha dito que o governo caía em Setembro"? Antes disso, não afirmara Costa, durante a briga com Seguro, que o seu interlocutor no PSD era Rui Rio? Se a carta anónima tivesse vingado e Passos Coelho se tivesse demitido, não poderia Rui Rio assumir a liderança do PSD? E não poderia então António Costa, depois de tomar o poder, fazer com Rui Rio a aliança que Seguro não quis fazer com Passos Coelho, apesar da proposta de Cavaco Silva durante a crise do Verão de 2013, porque o partido de Sócrates não o deixou, perdendo assim a oportunidade de se tornar, porventura, primeiro-ministro? Assim se vê que a conspiravite não é menos nem mais plausível do que o fumo sem fogo. Quem paga é o sistema político e, por tabela, o país.

Privilégios

João César das Neves
DN 2014.09.29

Na quinta-feira, a cidade de Lisboa ficou mais uma vez bloqueada porque os trabalhadores do Metropolitano fizeram uma das suas inúmeras greves deste ano. Se essa enorme perturbação acontecesse por acidente ou atentado, seria considerada calamidade. Assim é aceite como forma de luta.
Isto acontece, antes de mais, porque pode acontecer. Em Portugal, a grande maioria das greves são em serviços públicos. O ministro da Saúde notou-o na quarta-feira: "Esta não é uma greve de enfermeiros, mas uma greve dos enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde." A razão tem que ver com o risco para quem as declara. Nos sectores privados, os trabalhadores sabem que uma paralisação prejudica a empresa e pode destruir-lhes o emprego. Por isso só a usam em caso extremo, como deve ser. As entidades próximas do Estado, como têm o emprego seguro, não precisam desses cuidados. Apesar de aí afectarem o interesse nacional.
Nesses sectores, aliás, a greve está desvirtuada. Ela foi concebida como um instrumento para penalizar o patrão, forçando-o a atender aos direitos dos trabalhadores. Mas as entidades públicas não são prejudicadas pela greve. As empresas de transporte até ganham, porque já receberam o dinheiro dos passes e poupam nos custos de operação. Quem sofre é o público, que nada tem que ver com a zanga. Aí, a paralisação equivale a sabotagem social para defender privilégios de quem abusa de uma posição de poder. A greve no Metropolitano foi bem explícita, pois a motivação era o repúdio da possível subconcessão da empresa a privados. Os trabalhadores não querem perder o aconchego que o acesso aos impostos lhes dá. Impostos pagos pelos que na quinta-feira andaram a pé.
Havia outra razão para a greve: a "degradação das condições de trabalho". Alguém devia informar os trabalhadores do metro que há uma grande crise em todo o País. Imensa gente perdeu emprego, cortou despesas essenciais, emigrou e passa por terríveis necessidades. Isto acontece há uns anos; é estranho não terem notado. Além disso, uma das principais razões dessa crise é o descontrolo das contas públicas, nas quais o défice e a dívida do Metropolitano figuram em destaque. Que nestas condições esses funcionários sofram alguma degradação das condições de trabalho seria uma modesta, e claramente insuficiente, participação no esforço que toda a sociedade tem feito para apertar o cinto e pagar a dívida nacional. O simples facto de declararem que têm condições de trabalho, à nossa custa, que gostariam de defender já os coloca numa vantagem face a muitos milhares dos que tiveram de andar a pé na quinta--feira, para que os trabalhadores do Metropolitano possam defender aquilo que eles nunca conseguiram ter.
O fenómeno é simbólico das atitudes desde que se declarou o tsunami da crise, nos finais de 2008. Largos sectores da economia sofreram em cheio o embate da enxurrada. Ricos e pobres, empresas velhas e novas, prósperas e endividadas tiveram de ajustar a vida, cortar custos, adaptar hábitos, emigrar, subir poupanças, mudar de sector. Com grande sofrimento, a reestruturação fez-se e o país, ainda a lutar com novas ondas e réplicas, está lentamente a sair da lama. Entretanto, alguns grupos, protegidos das vagas em cima do muro, passaram o tempo a protestar com os salpicos que os atingiam, bramando por culpados, invocando a Constituição, exigindo direitos adquiridos. Esses são realmente privilegiados, mas querem passar por vítimas.
Nos últimos anos, o País foi obrigado a um dos ajustamentos mais violentos da sua história, que ainda está longe do fim. Mas teve de o realizar sob o concerto das reclamações de grupos favorecidos, que eram também os que menos contribuíam para a restruturação, e em geral até a sabotavam. Por isso o processo já leva seis anos e ainda não tem o sucesso garantido, dado largos extractos da população se acharem com direito a manter o trem de vida, evidentemente insustentável, que nos trouxe à crise. Precisamente aqueles a quem a sociedade confiou as infraestruturas, que deviam por isso ter mais sentido comunitário.

Ajuda à Peregrinação


28.09.14 POVO
Ajuda à Peregrinação
Mais uma vez vimos pedir a vossa ajuda. Como sempre dizemos, há muitas maneiras de peregrinar. Ajudar na organização e no serviço aos peregrinos, é uma excelente maneira!
Esta tarefa, que consiste em deslocar-se e ir ajudar a servir ou levar o almoço ou o jantar dos peregrinos, é uma tarefa imprescindível e de muita responsabilidade. Dos que se oferecem dependem todos os que caminham!
Pedido de ajuda à Peregrinação a pé a Fátima
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Vivemos numa sociedade em que só o que é judicialmente investigado tem relevância moral, em que se exige condenações a torto e a direito para compensar o vazio deixado pelo relativismo dos valores
Primeiro estranha-se. Depois entranha-se Helena Matos
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Existe um erro de raciocínio que consiste em concluir que, como a tortura é detestável, as opiniões das pessoas que foram torturadas são nobres.
Sofrer por motivos errados Miguel Tamen
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A Medicina de Santa Hildegarda - Apresentação do livro por Aura Miguel

Convite a Medicina de Sta Hildegarda

domingo, 28 de Setembro de 2014

Abandono de idosos é "eutanásia disfarçada"

DN 2014.09.28
O abandono de pessoas idosas é uma "eutanásia disfarçada", afirmou o Papa Francisco na homília de hoje, dedicada ao dia do idoso. nNa Praça de São Pedro, no Vaticano, reuniram-se cerca de 40 mil pessoas.
A cerimónia que contou com a presença de Bento XVI, o Papa emérito, com 87 anos, que fez aqui a sua primeira aparição pública desde a canonização de João Paulo II em abril. Francisco saudou-o, dizendo como gosta de o ver no Vaticano: "É como ter um avô sábio em casa". Apesar de todas as dificuldades relacionadas com o envelhecimento, os idososo podem ser como "as árvores que continuam a dar frutos", insistiu o Papa.
Por isso, aqueles que não têm família devem ser acolhidos em lares, que não devem ser "prisões" mas antes verdadeiras casas, "pulmões de humanidade" numa cidade, num bairro ou numa paróquia. "Devem ser santuários de humanidade onde quem é velho e débil é cuidado como um irmão mais velho."
"Os anciãos não podem viver esquecidos e escondidos", acrescentou Francisco. "Um povo que não trata bem os seus velhos é um povo sem futuro (...) porque perde a memória", disse o Papa. "Quantas vezes votamos as pessoas idoas a um abandono que não é mais do que uma eutanásia disfarçada. Este é o efeito da cultura de desperdício que tantos mal tem feito ao nosso mundo."
Durante a cerimónia, que foi amenizada por cantores como o tenor Andrea Bocello, Massimo Ranieri e Claudio Baglioni, tomaram a palavra várias famílias que relataram o seu testemunho.
Entre estas encontrava-se um casal de idosos cristãos oriundos de Erbil, no Curdistão iraquiano, ambos de 70 anos e pais de dez filhos, que tiveram que fugir daquela região em agosto, por causa da perseguição dos extremistas do Estado Islâmico. Referindo-se a este casal, o pontífice assegurou que "a violência contra os idosos, tal como contra as crianças, é algo desumano".
"A velhice é um tempo de graça, na qual o Senhor nos renova a sua chamada e nos diz que transmitamos a fé, e rezemos e intercedamos por quem tem necessidades", expressou. O Papa considera que os idosos são quem tem que "transmitir a experiencia da vida, a história da família, da comunidade, de um povo e partilhar sabedoria". "Que sorte as famílias que têm os avós perto. Os avós são pais duas vezes", acrescentou.

A pressa do PS


Alexandre Homem Cristo

OBSERVADOR 28/9/2014

Costa tem uma tremenda ambição de governar e montou um projecto que, sem ideias ou propostas, conseguiu ser apelativo aos socialistas só porque tresanda a poder.

António Costa ganhou categoricamente e, agora, os corações socialistas enchem-se de esperança por um recomeço. Goste-se ou não e diga-se o que se disser, este é um dos momentos-chave da legislatura. Tudo irá mudar daqui para a frente? Bem, alguma coisa mudará. Mas a grande mudança é só esta: a pressa.
Seguro, há tempos, chegou a perguntar qual era a pressa. Chegou mesmo a rejeitar um cenário negocial, proposto por Cavaco Silva, que lhe garantiria eleições legislativas antecipadas. Só que a pressa que Seguro teve a menos tem Costa a mais. Nada os distingue mais do que isso: enquanto Seguro tardou em convencer que pode chegar a primeiro-ministro, Costa tem uma tremenda ambição de governar e montou um projecto que, sem ideias ou propostas, conseguiu ser apelativo aos socialistas e simpatizantes só porque tresanda a poder.
Hoje, ficou claro que é mesmo isso que os militantes querem – poder. Resultado: a pressão sobre o Governo e os partidos da maioria irá aumentar muito com Costa na primeira linha. Até porque, nestas coisas, quanto mais depressa melhor – há que aproveitar o efeito mobilizador de uma vitória tão clara no partido para começar a guerra das legislativas.
Ora, sendo esta questão a grande diferença entre Seguro e Costa, a dúvida é se, agora que pretende ganhar o país, o lisboeta mudará o partido no essencial: na incapacidade do PS de propor uma alternativa realista. Sem querer estragar a festa socialista, tudo indica que não: é que foi precisamente pela ausência de ideias claras e de alternativas às (más) alternativas de Seguro que a campanha de António Costa se notabilizou.
Até pode ser interessante discutir as várias implicações práticas da vitória de António Costa – em termos de expectativas eleitorais, de potenciais coligações caso o PS vença as legislativas, de capacidade em unir o partido em torno de si ou da reacção dos partidos da actual maioria perante um novo adversário. Mas o que interessa realmente ao país é outra coisa: se António Costa quer mesmo ser primeiro-ministro, terá de responder às perguntas difíceis a que, habilmente, se foi esquivando nestes últimos meses. Qual é a sua posição em relação ao Tratado Orçamental e ao euro? E o que pensa sobre a reestruturação da dívida? Como pensa fazer baixar o défice sem recorrer à austeridade e que dados apoiam a exequibilidade da sua solução de pôr a economia a crescer mais? E, por fim, como pretende defender o Estado Social sem o reformar?
São perguntas difíceis, mas para as quais Costa precisará de resposta. Quer queira, quer não queira. É que qualquer debate com Passos Coelho ou Portas será travado no plano dos números, do concreto, dos tratados e da realidade. E por mais que os socialistas não gostem das soluções do Governo, elas têm uma lógica. Nem que seja uma lógica matemática: identificam-se os problemas, assume-se o custo das soluções e os números batem certo. Não gostar dessas contas não legitima alternativas irrealistas. O problema dos socialistas europeus, perante a necessidade de inverter as políticas de endividamento, foi esse. O problema de Seguro foi esse. E o problema de Costa será esse.
As ilusões trazem sempre desilusões. A ideia resume bem este percurso de 4 meses de Costa, desde que assumiu a candidatura à liderança do PS. Nos próximos tempos, o entusiasmo da vitória poderá fazer esquecer as desilusões, mas não é certo que deixem de surgir. Afinal, querer ganhar é importante, mas não é tudo.

Três notas a contracorrente


José Manuel Fernandes
OBSERVADOR | 28/9/2014, 23:09


Não estou certo que as primárias tenham vindo para ficar. Não acho a participação eleitoral assim tão extraordinária. E duvido que seja fácil voltar a unir o PS. Sem certezas, mas a contracorrente

1. Parece haver um consenso entre os comentadores e, também, entre os políticos do PS que se pronunciaram na noite das primárias: a de que este método de escolher o candidato a primeiro-ministro veio para ficar. É uma unanimidade quase igual à que existiu quando António José Seguro decidiu convocar estas primárias: a única diferença é que antes todos as criticaram e agora todos as aplaudem. A mim, que nunca me pareceu um mau método, também não me surge como mezinha para todos os males do nosso sistema partidário.
As razões porque não tenho a certeza que este método se generalize é que as condições destas primárias não são repetíveis. Far-se-ão primárias para "candidato a primeiro-ministro" no início de um ciclo eleitoral, isto é, quando um partido perde as eleições e escolhe um novo líder para quatro anos? Ou deixa-se isso para um ano antes das eleições? E quanto a candidatos presidenciais? E candidatos a presidentes de câmara? Desaparecem as directas? Sujeitar-se-á um primeiro-ministro em funções a "primárias", como se sujeita o Presidente dos Estados Unidos?
Como veem, o caminho é tudo menos claro. Para além que não convém embandeirar em arco e esquecer, por artes mágicas, o tom lamentável desta campanha, um tom que facilmente se poderia repetir em exercícios semelhantes. Quantos partidos estarão dispostos a passar por este tipo de experiência?
2. Terão votado ontem 170 a 180 mil militantes e simpatizantes do PS. Esse número provocou enorme entusiasmo. É prudente colocar alguma água na fervura. Se compararmos estas eleições primárias com as que tiveram lugar em França e Itália na mesma área política, a participação em Portugal foi uma desilusão. Para, proporcionalmente, a participação ser semelhante deveriam ter votado cerca de 600 mil portugueses – votaram bem menos de 200 mil.
Esta questão não é menor. Porque é que os socialistas portugueses, principal partido da oposição no tempo de um Governo que foi obrigado a aplicar medidas duríssimas, não conseguiram mobilizar tanto a cidadania como os seus correligionários franceses ou italianos? Será a nossa crise de participação política ainda maior do que nesses dois países – dois países onde há movimentos anti-sistema muito fortes, a Frente Nacional em França e o movimento Beppe Grillo em Itália?
E, já agora, mais uma pergunta incómoda: porque é que cerca de 30% dos que podiam votar não o fizeram, sendo que muitos se tinham inscrito apenas algumas semanas antes? Há quem tenha dito que foi uma abstenção baixa – a mim pareceu-me algo elevada se pensarmos no carácter voluntário e muito próximo do acto de inscrição como simpatizante do PS.
3. Toda a gente jurou nesta curta noite eleitoral que o PS se vai voltar a unir rapidamente. De novo, tenho dúvidas. E as minhas dúvidas foram reforçadas pelo discurso de vitória de António Costa. Se era necessária uma prova de que a campanha deixou feridas duradouras, tivemo-las nesse discurso, pois o vencedor da noite não foi capaz de citar o nome do seu adversário e tratou de contornar o incómodo dizendo que quem tinha vencido era todo o PS, que não havia derrotados. Não foi elegante nem teve grandeza.
Numa das suas últimas entrevistas antes das primárias, ao DN, este sábado, Costa antecipou que só um pequeno número de irredutíveis de Seguro manterão a acrimónia. Um Seguro que ele trata nessa mesma entrevista com desprezo e altivez, ao afirmar que não lhe devia ter dado oportunidade de se afirmar. Mais uma vez julgo que aquilo que estas palavras revelam não se resolve apenas porque um lado conseguiu mais de dois terços dos votos.
Para que o PS se unisse rapidamente teria sido necessário que António Costa tivesse ontem mostrado, no seu discurso, uma grandeza para com os vencidos que não foi capaz de mostrar. Essa é que é essa.
Numa noite de tantas certezas, deixo aqui estas dúvidas. A contracorrente.

Carta-convite Peregrinação Lisboa - Fátima de Comunhão e Libertação


Pedido de ajuda à Peregrinação a pé a Fátima

Caros Amigos,

Mais um ano! Esta será a 32ª. Peregrinação a pé a Fátima do Movimento Comunhão e Libertação.

Mais uma vez vimos pedir a vossa ajuda. Como sempre dizemos, há muitas maneiras de peregrinar. Ajudar na organização e no serviço aos peregrinos, é uma excelente maneira!

Esta tarefa, que consiste em deslocar-se e ir ajudar a servir ou levar o almoço ou o jantar dos peregrinos, é uma tarefa absolutamente imprescindível e de muita responsabilidade. Dos que se oferecem, dependem todos os que caminham!

Assim, enviamos abaixo a lista das necessidades e apelamos à vossa generosidade. Por favor, o mais rapidamente que vos for possível, enviem um e-mail a joanaqueiroz@sapo.pt (91 917 91 67) e indiquem a vossa disponibilidade. Enviem telefone de contacto e e-mail para receber informação (o mesmo donde enviaram ou, se for caso disso, um diferente).

Serão formadas equipes para cada uma das refeições em que há necessidade e, depois, ser-vos-á enviado um e-mail com a tabela das equipas para que possam ter uma ideia global de tudo e saibam com precisão todas as orientações  e horários para o local para o qual se ofereceram.

Relembro a necessidade imperiosa de manter o compromisso assumido. Acontece que, por vezes, à última da hora, ficamos sem as pessoas que se tinham comprometido e temos grande dificuldade em resolver o problema.

Um beijinho a todos e mais uma vez muito, muito obrigado, 
Joana Queiroz


NECESSIDADES:

Dia 8.10 (4ª. Feira) – Almoço - ALVERCA 1 pessoa para levar o almoço de Lisboa até Alverca (estar em Alverca às 13h/13h30m) e esperar pelo fim do almoço para trazer as vasilhas de volta 
Dia 8.10 (4ª. Feira) – Jantar – CASTANHEIRA DO RIBATEJO – Pavilhão da Juventude da Castanheira – Equipe de 3 pessoas para servir o jantar (estar na Castanheira pelas 18:30 h para ir organizando as coisas) + 1 pessoa para levar o jantar de Lisboa até Castanheira do Ribatejo (estar no Pavilhão pelas 20h00m) e depois trazer as vasilhas de volta. 

Dia 9.10 (5ª. Feira) – Almoço – AZAMBUJA– Bombeiros – Equipe de 6 pessoas para servir o almoço (estar em Azambuja pelas 12h para pôr mesas e preparar as coisas) + 1 pessoa para levar o almoço de Lisboa até Azambuja (estar em Azambuja pelas 13h30m) e depois trazer as vasilhas de volta. 

Dia 10.10 (6ª. Feira) – Almoço – SANTARÉM (SUL - Mesmo antes de entrar em Santarém) – CNEMA – Equipe de 6 pessoas para servir o almoço (estar lá pelas 12h30 para pôr mesas e preparar as coisas) + 1 pessoa para levar o almoço de Lisboa até Santarém (estar lá pelas 13h/13h30) e depois trazer as vasilhas de volta. 
Dia 10.10 (6ª. Feira) – Jantar – PÓVOA DE SANTARÉM– Equipe de 6 pessoas  servir o jantar (estar na Póvoa Santarém - Sport Clube Povoense os Leões) pelas 19h para ajudar a servir o jantar) + 1 pessoa para levar o jantar de Lisboa até Vale Figueira (estar em Vale Figueira às 20h) e depois trazer as vasilhas de volta. 

Dia 11.10 (Sábado) – Jantar – MINDE – Pavilhão de Apoio ao Peregrino Ana Sonsa – Equipe de 6 pessoas para servir o jantar (estar em Minde pelas 19h para pôr mesas e preparar as coisas) + 1 pessoa para levar o jantar de Lisboa até Minde (estar em Minde às 20h) e depois trazer as vasilhas de volta 

Dia 12.10 (Domingo) – Almoço – BOLEIROS – Salão Paroquial – Equipe de 6 pessoas para servir o almoço (estar em Boleiros pelas 11h30m para montar as mesas, pô-las e preparar as coisas) + 1 pessoa para levar o almoço de Lisboa até Boleiros (estar em Boleiros às 12h30m) e depois trazer as vasilhas de volta

Um homem absolutamente normal


José Maria C. S. André

Na mesma altura em que o Papa Francisco decidiu canonizar os Papas João XXIII e João Paulo II, decidiu a beatificação de D. Álvaro del Portillo, o anterior Prelado do Opus Dei. A beatificação ficou marcada para ontem, sábado 27 de Setembro. No momento em que escrevo, centenas de milhares de pessoas, de muitos países, anunciaram a sua participação e esperam-se ainda mais, que vão aparecer – como é normal nestas ocasiões – sem prevenir ninguém.
Álvaro del Portillo foi uma pessoa absolutamente normal, que viveu em circunstâncias únicas, como cada ser humano, com qualidades e traços de personalidade únicos, como todos os seres humanos, mas absolutamente normal. Cada um de nós tem umas impressões digitais irrepetíveis e hoje sabemos que as marcas dos olhos são ainda mais identificativas e que o DNA das células não deixa quaisquer dúvidas. Mas, antes disso, já sabíamos que, da ponta dos cabelos às manias do carácter, não há dois seres humanos iguais. Se multiplicarmos essa variedade pelas peripécias da história individual, compreendemos que a espécie humana é uma colecção de obras-primas. Nenhum de nós é uma cópia. Dito isto, podemos acrescentar que D. Álvaro foi o protótipo de uma pessoa absolutamente normal. Calma, serena, muito acessível, encantadoramente normal.
Cresceu numa família unida, de 8 filhos. Sentiram dificuldades económicas, como acontece com muitas famílias numerosas, mas não perderam tempo com dramatismos. Também isso é uma reacção típica das famílias numerosas. Foi um aluno excelente, coisa absolutamente normal, porque em todas as turmas alguém tem de ser o melhor aluno.
Fez engenharia civil, que na época era um dos cursos mais exigentes. Antes ainda, completou os estudos politécnicos de engenharia civil, para poder começar a trabalhar mais cedo, porque a situação da família não estava fácil.
Trabalhou, fez o curso e arranjou tempo para se empenhar em actividades sociais num bairro pobre. Foi um aluno notável, porque gostava de engenharia e tinha uma inteligência privilegiada.
Aos 22 anos, conheceu o Opus Dei e descobriu, por uma graça nítida de Deus, a sua vocação. Corria o ano de 1935. Pouco depois, desencadeia-se a perseguição aos católicos em Espanha e a Guerra Civil, em 1936. O pai é preso, com a acusação de ser católico (o que era verdade e ele não queria negar). Vários amigos e conhecidos foram presos e mortos pela mesma razão. Ele próprio também foi preso, mas salvou-se de modo imprevisto. Na clandestinidade, Álvaro aprendeu japonês e outras línguas, para poder levar a mensagem do Opus Dei ao Japão e a outros países.
Quando acaba a Guerra Civil espanhola, começa a Guerra Mundial e os sonhos de viajar atrasam-se. Além disso, o Opus Dei precisava de padres e Álvaro e alguns outros fazem os estudos correspondentes para serem ordenados, o que aconteceu em 1944, ainda durante a Guerra Mundial.
O Arcebispo de Madrid, que conhecia muito bem Álvaro e o admirava, comentou-lhe, antes da ordenação: «Hoje, és uma pessoa notável na sociedade, um engenheiro, cheio de prestígio e de estatuto! Mas amanhã passas a ser um simples padre...». Ele respondeu: «Senhor Bispo, há vários anos que eu entreguei o prestígio e o estatuto a Jesus Cristo». O Arcebispo, que contou esta e outras conversas com Álvaro del Portillo, ficou comovido.
Ao Arcebispo e a todos surpreendia a maturidade espiritual de Álvaro, desde o princípio, apesar de a dispersão da Guerra Civil tornar difícil a formação. Álvaro percebeu imediatamente, que o espírito do Opus Dei era um dom do Espírito Santo à Igreja e não uma ideia feliz do Fundador.
Também chama a atenção a sua capacidade de perdoar. De perdoar aquela gente enlouquecida pelo ódio, que matava cristãos como quem mata baratas. Mais tarde, aqueles que não percebiam a novidade evangélica do espírito do Opus Dei e se achavam no dever de organizar calúnias.
A vida de D. Álvaro passou-se quase toda em Roma. O Fundador encarregou-o de explicar o Opus Dei ao Papa (na altura Pio XII), que o admirou muito. Nessa mesma viagem conheceu Mons. Montini, que viria a ser o Papa Paulo VI. João XXIII nomeou-o para cargos importantes no Concílio Vaticano II. Em 1975, D. Álvaro foi eleito para suceder ao Fundador como Presidente Geral do Opus Dei. Acabou por ficar em Roma toda a vida.
É conhecida a estima que tinham por ele Paulo VI e depois João Paulo I e João Paulo II, que o nomeou Prelado do Opus Dei, quando erigiu a Obra em Prelatura Pessoal, e depois o ordenou Bispo.
O processo de beatificação e canonização de D. Álvaro começou no final do pontificado de João Paulo II mas as principais etapas decorreram já com Bento XVI. Pouco depois de ser eleito, o Papa Francisco decidiu a beatificação, para que fosse difundido «o seu exemplo precioso de vida». Para que, diz também o Papa Francisco, nós todos «imitássemos a sua vida humilde, feliz, escondida, silenciosa, e também o seu testemunho decidido da perene novidade do Evangelho».
Dou muitas graças a Deus porque conheci pessoalmente e falei bastantes vezes com este homem que foi beatificado ontem, modelo extraordinário de normalidade. Uma pessoa de uma profundíssima vida de oração e de uma confiança total em Deus.



João Paulo II rezando diante dos restos mortais de D. Álvaro del Portillo (23 de Março de 1994).

Primeiro estranha-se. Depois entranha-se

28/9/2014 OBSERVADOR
Helena Matos
Vivemos numa sociedade em que só o que é judicialmente investigado tem relevância moral, em que se exige condenações a torto e a direito para compensar o vazio deixado pelo relativismo dos valores

"Uma professora do ensino básico foi agredida esta quarta-feira dentro da sala de aulas da Escola Básica n.º 2 em Rossio ao Sul do Tejo, pelos pais de um aluno, tendo sido transportada ao Hospital de Abrantes. Fonte do estabelecimento de ensino disse à agência Lusa que a professora em questão chamou os pais devido a situações de alegados maus comportamento do aluno. A mesma fonte disse que a professora ficou ferida nas mãos e num braço, a par de uma crise de ansiedade emocional.
"Os pais do aluno em questão entraram na sala de aulas, no início da primeira aula da manhã, culparam a professora pelo alegado mau desempenho comportamental do filho e agrediram-na nas mãos e num braço", acrescentou. A maioria dos alunos, de uma turma do 4.º ano da escola básica do Rossio, que assistiram às agressões, "foram para casa por questões emocionais", disse. Os restantes alunos "foram divididos" pelas outras turmas do estabelecimento de ensino.
Fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém confirmou a ocorrência à Lusa.  O alerta foi dado às 9h21. Ao local ocorreram os bombeiros de Abrantes, com um veículo de socorro e a PSP. Jorge Soares, porta-voz da PSP de Santarém, disse à Lusa que "a agressora foi identificada e o caso, por configurar um caso de crime público, vai ser remetido para o Ministério Público".
Jornal de Notícias, 24 de Setembro de 2014.
Alguém encontrou uma declaração do Ministério da Educação sobre este caso? E dos sindicatos? Não sei se existiu alguma tomada de posição por parte dessas entidades, mas a ter existido foi totalmente ofuscada pela agenda do camarada Mário Nogueira: colocações, listas e outros assuntos administrativos a que há anos se convencionou em Portugal chamar ensino. Na prática quando em Portugal se fala de ensino fala-se daquilo que Mário Nogueira quer. E a Mário Nogueira o Ministério da Educação só interessa enquanto maior empregador de Portugal, logo o melhor caldo de cultura para a sua actividade de funcionário público profissionalizado na contestação em serviço próprio e do partido a que é afecto.
Há anos que isto é assim e só o estado de profunda anomia em que nos encontramos leva a que não percebamos que nesta notícia cada parágrafo é um problema, esse sim do ensino e da escola, e sobre os quais ninguém se pronuncia porque andamos todos a discutir o problema de umas listas de colocação cujas fórmulas são o que de mais aproximado com o centralismo soviético se fez em Portugal.
Comecemos pelo princípio: a professora foi agredida dentro da sala. O que nos leva a perguntar – os pais entram assim pelas salas dentro do 4º ano já com as aulas a decorrer? A professora chamou-os para irem lá àquela hora, já durante a aula, o que a obrigaria a falar do assunto diante da turma toda? Nenhum funcionário achou estranha aquela ida dos pais a uma sala onde estava a ser dada uma aula? Quem na qualidade de aluno, professor ou pai tem entrado em escolas, sejam elas públicas ou privadas, percebe que há coisas que não batem certo nesta situação.
Mas as dúvidas e as estranhezas não se esgotam aqui. Passemos para o que aconteceu dentro da sala de aula. Aí a linguagem da notícia é ela mesma um símbolo destes bizarros tempos: "a professora ficou ferida nas mãos e num braço, a par de uma crise de ansiedade emocional." "Os pais do aluno em questão entraram na sala de aulas, no início da primeira aula da manhã, culparam a professora pelo alegado mau desempenho comportamental do filho e agrediram-na nas mãos e num braço".
Ora vejamos: a criancinha porta-se mal. Alegadamente, claro, que nós somos uma sociedade que anda sempre de alegado na boca, não vamos cair em pecado de chamar alguma coisa pelo seu devido nome: as crianças não se portam mal. Têm alegados comportamentos. Curiosamente estes pais não duvidavam do mau comportamento do seu rebento. Acusaram sim foi a professora de ser responsável pelo mesmo. E agrediram-na. Esta ficou ferida e, pressurosamente, a notícia acrescenta que ficou também com uma "crise de ansiedade emocional." Vai-se a ver e isto ainda se resolve mandando a senhora para o psicólogo. Psicólogo esse onde também devem acabar os alunos que assistiram às agressões à professora e que "foram para casa por questões emocionais".
Uma professora é agredida diante dos alunos e quer ela quer as crianças têm "questões emocionais"! Vendo bem é tudo uma questão de emoções mal geridas: os pais agressores, coitadinhos, têm emoções a mais. A professora agredida teve uma crise emocional e as crianças que assistiram àquilo tudo também se emocionaram muito. Os respectivos pais ainda se devem ter emocionado mais quando perceberam que os seus filhos não tinham aulas e eles tinham de resolver o assunto, independentemente de estarem a trabalhar ou de terem compromissos… Enfim é tudo uma questão de gerir as emoções. Infelizmente só não sabemos se a criança que está na origem disto tudo foi para casa com "questões emocionais" ou ficou na escola á espera que os paizinhos voltassem de novo. Qual indisciplina, qual falta de respeito, qual abuso… são emoções, senhores.
Depois vem o habitual nestas coisas: bombeiros e a PSP acorreram ao local, "a agressora foi identificada e o caso, por configurar um caso de crime público, vai ser remetido para o Ministério Público". E o habitual nestas coisas é um dos maiores paradoxos do nosso tempo: a Justiça, que não investiga o que é da sua exclusiva competência, ora porque prescreveu, ora porque as provas são dadas como nulas e mandadas retirar dos autos cada vez mais, tem vindo a ocupar os outros espaços de poder.
Incidentes que durante anos foram resolvidos pelos directores das escolas acabam agora nos tribunais. Que é o mesmo que dizer que, se o CITIUS deixar, daqui a largos meses ou anos o caso terá algum desfecho. Isto se entretanto não for arquivado. Não estou a dizer que se tal acontecer a justiça procedeu mal. Estou sim a frisar que não podemos ser uma sociedade em que o bem e o mal são definidos pelos tribunais. Em que não nos restam outras figuras de autoridade senão os juízes, os guardas prisionais e o fisco. Logo uma sociedade em que aquilo que não é judicialmente investigado não tem relevância moral ou social e em que se exige que os tribunais condenem a torto e a direito para assim se compensar o vazio deixado pelo relativismo dos valores e ausência de poderes intermédios.
E por fim mas não por último não podemos continuar a chamar sindicatos de professores ao conglomerado do senhor Nogueira, e Ministério da Educação a uma estrutura que vive de e para a burocracia dos seus funcionários.

sábado, 27 de Setembro de 2014

Eternidade



Eu vi a tarefa que Deus impôs aos filhos dos homens para que dela se ocupem.
Todas as coisas que Deus fez, são boas a seu tempo. Até a eternidade colocou no coração deles, sem que nenhum ser humano possa compreender a obra divina do princípio ao fim.
Livro do Eclesiastes 3, 10-11