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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: Miguel Alvim

Diz-me com quem andas

MIGUEL ALVIM  Público 24/09/2016 Um programa paupérrimo e desonesto, que compromete o nosso futuro colectivo. A frase-chave que sustenta a geringonça da esquerda a voar baixinho desde a noite das últimas eleições legislativas tem direitos de autor. Disse na ocasião o líder dos comunistas: "Neste novo quadro político, o PS só não forma Governo porque não quer. Nada o impediria de se apresentar disponível (…)", salvaguardando ser necessário, por parte dos socialistas, uma "vontade de ruptura com a política de direita". Há dias, na Festa do Avante, o partido comunista esclareceu aquela frase para a geral em dois pontos para quem tivesse dúvidas: O actual quadro político traduziu-se não na formação de um Governo de esquerda, mas sim na formação e entrada em funções de um Governo minoritário do PS, com o seu próprio programa. A nova relação de forças no parlamento permite ao PCP e ao PEV condicionar decisões e serem "determinantes e indispensáveis ...

No comboio descendente

MIGUEL ALVIM Público 17/05/2016 As bancadas da esquerda e demasiados deputados do PSD aplaudiram de pé o que foi aprovado de cócoras. Com vénia, peço emprestado ao grande Fernando Pessoa título, mote e tudo no escrito. Porque não me lembra mais nada a “alegria” perjura e voraz que vai nos corredores e nos esconsos do parlamento com a aprovação (à socapa, já agora) das alterações ao regime da procriação medicamente assistida e da gestação de substituição (as chamadas “barrigas de aluguer”). As bancadas da esquerda e demasiados deputados do PSD (esse enorme monte de nada ideológico do regime partidário Português) aplaudiram de pé o que foi aprovado de cócoras. No final do estrambólico parto parlamentar (em que até houve votos abstencionistas do CDS), a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, venceu repugnâncias e até foi ao lado direito do hemiciclo para dar um abraço (politicamente mortal) à social-democrata Teresa Leal Coelho. E tudo. Parece bonita e moderna esta união d...

Morte assistida: In dubio pro innocens

MIGUEL ALVIM Público 10/05/2016 A palavra de ordem definitiva tem de ser (há-de ser sempre) o direito à vida e não o direito à morte. Segundo os promotores da iniciativa, cerca de 8000 pessoas tinham assinado até à manhã do passado dia 25 de Abril a petição pública pela despenalização da morte assistida, apresentada em Fevereiro pelo movimento cívico “Direito a morrer com dignidade”. A petição foi entregue no dia seguinte na Assembleia da República. E é realmente de perguntar, como aquando das várias petições em vista da promoção do aborto livre e gratuito, se os subscritores que se apressaram a fazê-lo se supuseram, em ambos os casos, na situação de abortados ou na sua própria situação suicidária. É duvidoso. É mais fácil falar no direito à morte lá onde se decide da morte do outro, seja ela ou não assistida.  Na manhã deste 25 de Abril, está visto, ao contrário do poema de Sophia, não emergimos, mas submergimos (colectivamente). Na noite e no silêncio dos ...

CDS, tempo de confiança e de esperança

MIGUEL ALVIM Público 03/03/2016 O CDS tem de ser a direita realista: nem saudosista, nem passadista. A escassos dias do seu XXVI Congresso Nacional, que decorrerá em Gondomar, que dizer e que esperar do CDS? Num tempo difuso e obscuro de um pós-modernismo egoísta, relativista e mau, esta hora tem de ser a hora da pessoa, das pessoas todas. Passar dos critérios de análise montados a partir de categorias mentais a priorísticas (irremediavelmente ao serviço das estruturas do poder tradicional) para as análises comprometidas com a realidade e para as estratégias de proximidade, já não é mais uma opção. É a regra. O fundamento da acção política tem de ser o serviço. O (novo) método é conhecer o outro e os seus problemas concretos. Para posterior resolução em tempo útil. É para isto que o CDS serve. É para isto que o CDS tem de ser relevante. Factor de mudança e de superação dos bloqueios crónicos do sistema político-partidário nacional. Para tanto, é indispensável...

Um CDS renovado

MIGUEL ALVIM  Público 05/01/2016 - 01:15 O CDS não pode voltar a ser o partido da bússola - à procura do ponto cardeal rigorosamente neutro onde possa estar o poder. No início histórico de um novo ciclo político, andou muito bem Paulo Portas ao anunciar de forma clara e simples que não se recandidata à presidência do CDS, subentendendo-se que também irá renunciar ao lugar de deputado. Muito para lá das explicações cínicas e tacticistas do costume (do poder pelo poder), julgo que Paulo Portas intuiu correctamente ser este um tempo de urgência, um tempo de política e de militância, um tempo da reconfiguração do partido. Para isso era indispensável uma nova liderança e novas equipas, que pudessem atrair mentes e corações e mobilizassem adesões. O CDS não pode realmente voltar a ser o partido da bússola - à procura do ponto cardeal rigorosamente neutro onde possa estar o poder. Num momento de opressivo individualismo e relativismo, o CDS tem de saber pensar e fazer pol...

POLÍTICA E CONTEMPORANEIDADE - Notas sumárias a propósito da aprovação da nova lei da eutanásia infantil na Bélgica

Miguel Alvim Nos escombros da sociedade pós-moderna, os políticos esqueceram-se do bem comum. Muitas vezes, já não governam, sequer, para quem os elege. Governam por pulsões pessoais ou para pura e simples promoção de interesses particulares oligárquicos. Agendas escondidas. Agenciamento de empregos. Distribuição de dinheiro e de benesses. Dir-se-á que foi sempre assim. Mas não é verdade. Voltámos à lógica da razão de Estado, mas noutro figurino. Agora, a violência do poder puro e duro dos novos príncipes que dominam os aparelhos eonómico-financeiro-político-partidário, e por via disso o Estado e todas as suas funções, é exercida para vencer qualquer contingência, objecção ou escrúpulo moral do povo governado, num sequestro social que se tem mostrado imparável e implacável. Os protagonistas políticos, totalmente dominados, já não acreditam realmente na legitimidade do seu mandato e servem estes novos príncipes sem ligar ao povo, busc...

DA CONDIÇÃO HUMANA

Miguel Alvim A clássica partida Portuguesa de negação da realidade continua. Não somos nada modernos, somos demasiado velhos e parece que já não conseguimos mudar. Isto a propósito de mais uma batalha que se está a travar no país sobre a agenda dos valores. Agora trata-se de forçar a aprovação da co-adopção no contexto da relação homossexual. Como é óbvio, as principais esquecidas nas lutas jurídico-constitucionais, política-mediáticas e de palavras que já se estão a travar, mas nelas sempre invocadas, são as crianças. Para que conste, e que me lembre, o conceito da co-adopção no contexto da relação homossexual não releva das actividades humanas fundamentais. Do que aqui se trata é da pura e dura política. Repito: a luta hoje travada pela co-adopção no contexto da relação homossexual é uma luta política e não tem nada que ver com os direitos das crianças. Tem que ver com a promoção de alegados direitos dos homossexuais. Já agora diga-se a verdade. A ideia de q...

OS DONOS DE PORTUGAL

Os donos de Portugal, os verdadeiros donos de Portugal, impunes, foram os que estiveram cobardemente por detrás dos enérgicos mas criminosos agentes Buiça e Costa, no assassinato real de Lisboa, do dia 1 de Fevereiro de 1908. O processo de inquérito criminal então desencadeado não foi obviamente concluído, as peças principais desapareceram da secretaria, não houve culpados. Quem dirigiu e orientou o crime contava exactamente com isso. Supôs que não haveria sobreviventes da acção do Terreiro do Paço, como não houve. E sabia que posteriormente não haveria crime investigado a fundo, nem castigo. A monarquia ficou totalmente a prazo e dependente de posterior decisão do directório ordenante e dono de Portugal. No 5 de Outubro de 1910, o fruto estava maduro e aconteceu a república. Igualmente sem remoque, nem combate. Porque e quando os donos quiseram e previram, acabaram reis e monarquia. Posteriormente, foi o mesmo directório mandante que determinou o fim da anarquia ...

O PARQUE JURÁSSICO

Em Portugal, o despesismo do Estado central e o de todos os sub-sistemas da administração pública partia de um pressuposto: um dia, alguém havia de pagar a despesa. Esse "alguém" já não paga. E salvo raras excepções, ninguém é tão perdulário na gestão do seu dinheiro e da sua casa. As pessoas em geral, mormente em Portugal – um país com centenas de anos de organização – sabem sempre ao que andam. Aproveitam oportunidades e dançam a dança ou jogam o jogo que se propõe no palco ou em campo. A partida do "alguém há-de pagar" acabou de vez, felizmente. O país inundado de dinheiro caro pago ao estrangeiro para consumo ao desbarato acabou de vez. Felizmente. Por isso que esta campanha autárquica anda tão frouxa e deprimente. Já ninguém acredita que os problemas de Lisboa se resolvam com uma passagem subterrânea no Saldanha. A gestão de Pedro Passos Coelho tem sido, assim, essencialmente, com os seus altos e baixos, uma gestão de reabilitação de boa dona de casa. As atoard...

O céu são os outros

A verdadeira arca de Noé é este planeta. No enorme espaço sideral não temos outra casa. E não vamos sozinhos. O outro não é uma alma gémea ao nosso lado. O outro somos nós. Não é descartável. Não pode ser deitado ao mar. Foi isto que Jesus veio ensinar. Miguel Alvim

Carta ao Grupo Parlamentar do CDS-PP na véspera da votação sobre a co-adopção por "casais" homossexuais

DV013002 - Carta ao Grupo Parlamentar sobre adopção de crianças por casais homossexuais (1)

Falar verdade

Miguel Alvim A epígrafe de Eça de Queirós - "Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" - já não serve. A realidade é forte demais para imagens literárias. O termo fracturas sociais também não serve. Falemos verdade. Os deprimentes ensaios sociais - legais da era Sócrates, do crime do aborto liberalizado até à aberração do dito casamento homossexual ou do projecto da adopção de crianças inocentes e desprotegidas por duplas homossexuais são o sinal forte e evidente de um processo imparável de erosão moral - legal, de deriva ateia e pagã de uma comunidade que está a desumanizar. A crise é isso, muito mais do que PPPs e operações swaps (apesar de que estas falácias são outro aspecto da mesma realidade). Portugal, a Europa e o Ocidente em geral estão apodrecidos nas suas convicções, princípios e valores. E pasmam sem soluções. As soluções para esta crise não se encontram em manuais escolares de ...

Haverá bom tempo

No evangelho de Mateus (16: 1-20), o contexto precedente da atribuição por Jesus Cristo do primado a Pedro, é o de mais uma disputa com os fariseus e os saduceus. Para O tentarem, pediam-Lhe eles que lhes mostrasse algum sinal do céu. Conta o Evangelista que Jesus, respondendo, lhes disse: " (…) Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos? Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. (…)" E que no final, deixando-os, se retirou. Depois, o relato prossegue e Jesus fala com os discípulos. Adverte-os para o fermento dos fariseus e saduceus e para os erros da sua doutrina. É neste passo, recorda-se, que Jesus, já perto do mar, em Cesareia de Filipe, interroga os seus discípulos, sobre quem diziam os homens ser o Fil...