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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: João Miguel Tavares

O silêncio dos indecentes

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JOÃO MIGUEL TAVARES    05.05.2018 A era dos cegos chegou ao fim. Sejam bem-vindos à era dos sonsos e dos enganados. Quem lutou pelo fim da primeira não pode simplesmente engolir a segunda. Estive dez anos a aguardar por este momento, e como sempre acontece quando esperamos demasiado, não foi tão bom quanto imaginei. Mil duzentos e cinquenta e nove dias depois de José Sócrates ter sido detido no aeroporto de Lisboa (21 de Novembro de 2014); nove anos, seis meses e um dia após milhões de portugueses terem ouvido no Jornal Nacional da TVI Charles Smith afirmar que Sócrates era corrupto (27 de Março de 2009); o Partido Socialista descobriu finalmente, e em peso, que José Sócrates envergonhou o PS e desonrou a democracia. A era dos cegos chegou ao fim. Sejam bem-vindos à era dos sonsos e dos enganados. Quem lutou pelo fim da primeira não pode simplesmente engolir a segunda. Tomemos como exemplo Augusto Santos Silva, que à SIC declarou: “Se se verificar que algum dos meus...

O Estado português está entregue aos bichos?

JOÃO MIGUEL TAVARES   PÚBLICO  04.07.17 As fragilidades demonstradas pelo Governo nas últimas duas semanas provam que, de facto, não há milagres. A vaca de António Costa deixou de voar. É verdade que não morreram 64 pessoas – ainda –, mas, no campeonato da incompetência e do desprestígio do Estado, o assalto à base militar de Tancos não é menos grave do que o incêndio de Pedrógão Grande. A lista de armamento roubado revelada pelo  El Español  dá para iniciar uma pequena guerra, e não se transporta às costas, nem em dois sacos do IKEA. Se o Estado não consegue sequer proteger armamento militar, permitindo roubos de camioneta nas traseiras dos seus paióis, consegue proteger exactamente o quê? Mais uma vez, ninguém soube explicar o que se passou. Mais uma vez, o ministro da tutela limitou-se a passear estupefacção pelo telejornal. Mais uma vez, ninguém se demitiu. Afinal, “estes roubos” – palavra do chefe do Estado-Maior do Exército – “podem acontecer em qu...

O que é que mais pode correr bem?

JOÃO MIGUEL TAVARES    PÚBLICO   16.05.17 Vou converter-me ao costismo – o país está tão espectacular, que até parece mal dizer mal. Agora que Salvador Sobral venceu a Eurovisão, o Papa veio a Fátima canonizar dois pastorinhos, o Benfica foi tetracampeão, o primeiro-ministro revelou-se um magnífico primeiro-nanny para os meus filhos e a economia cresceu 2,8% no primeiro trimestre de 2017, suponho que a única coisa que me resta é começar a preencher este espaço com corações cor-de-rosa desenhados a caneta de feltro, um sol muito amarelo junto ao Bartoon do Luís Afonso, e um riacho azul a deslizar até à ficha técnica do jornal. Vou converter-me ao costismo – o país está tão espectacular, que até parece mal dizer mal. Peguemos, por exemplo, no que era suposto ser a pior notícia do mês para o Governo – a greve dos médicos. À primeira vista, era uma greve importante. Metia médicos, a saúde dos portugueses, gente a bater com o nariz na porta de consultas marcadas...

O dia em que me tornei homofóbico

JOÃO MIGUEL TAVARES    20.12.16   PÚBLICO  Há coisa de três semanas, estava ao telemóvel na Fnac Chiado quando um senhor se aproximou de mim e me perguntou aos gritos: “Você não gosta de gays, é? Você tem alguma coisa contra os gays?!?” Não chegámos a encetar um diálogo proveitoso. Mantive-me a falar ao telemóvel, virei costas, e os gritos ficaram por ali. No entanto, como a situação foi um pouco embaraçosa – é possível que eu tenha sido vítima de uma micro-agressão –, dei por mim a pensar quando me teria tornado homofóbico. Durante muitos anos, por incrível que possa parecer, não fui homofóbico. Atrevo-me mesmo a dizer que era um colunista  gay friendly , como poderão testemunhar as duas ou três pessoas que acompanham aquilo que escrevo desde 2002. Fui um entusiástico defensor do casamento gay, o que não era habitual à direita, e ainda em 2014 apoiei a lei da co-adopção e lamentei o seu vergonhoso chumbo. Em princípio, estas duas posições deveriam bast...

Repitam comigo: Fidel era um di-ta-dor

JOÃO MIGUEL TAVARES  PUBLICO    29.11.16 A falta de amor que este país tem à liberdade nunca cessará de me espantar. Foram demasiados os obituários e os comentários a propósito da morte de Fidel Castro que me fizeram ter vergonha do país em que vivo. Do PCP, a este respeito, ninguém espera nada. Mas receber uma newsletter da revista Visão com o título “Hasta Siempre Comandante Fidel”, certamente escrita – vamos ser optimistas – com a inconsciência própria de quem olha para Cuba como uma photo opportunity, com os seus carros anos 50, as cores garridas e os charutos, não cabe na cabeça de ninguém. Cuba não é uma conta de Instagram. Cuba é uma ditadura. Defender Fidel, romantizar Fidel, mitificar Fidel, é defender, romantizar e mitificar um ditador, que condenou milhares de pessoas à morte directa por fuzilamento e à morte indirecta por afogamento no Estreito da Flórida. Não há meio-termo nisto. Essa conversa de que “a História o há-de julgar”, ou de que “para uns m...

O Pessimismo explicado aos leitores de esquerda

JOÃO MIGUEL TAVARES   PÚBLICO  22.11.16 Sais de fruto. Pastilhas Rennie. Comprimidos Omeprazol. Não se consegue escrever um texto a criticar o Governo de António Costa e a situação do país sem receber em troca uma receita médica, diligentemente prescrita pelos leitores de esquerda. O estado de saúde de quem votou no PSD ou no CDS inspira-lhes mais cuidados do que o estado do país: todo o nosso pessimismo é justificado por razões de azia e descontrolo dos sucos gástricos, devido à substituição do Governo de Pedro Passos Coelho pelo Governo de António Costa. É a homeopatia aplicada ao debate político — se diluirmos o pessimismo, o optimismo floresce, e Portugal voltará a convergir com a Europa.  Numa coisa, pelo menos, os leitores de esquerda têm razão: esta visão do estado do país e dos desafios que ele enfrenta é de tal forma alucinada que nem litro e meio de sais de fruto refreia a indigestão. Imagine, caro leitor, que você está endividado até ao pescoço. O seu orde...

Pode um psicólogo ser católico?

JOÃO MIGUEL TAVARES           PÚBLICO  15/11/2016  Guardemos a mordaça e lembremos os ensinamentos do bom e velho Stuart Mill: nunca devemos impedir de falar as pessoas que acreditamos estarem erradas. Indignação da semana:  Maria José Vilaça,  psicóloga e responsável da Associação dos Psicólogos Católicos, disse nas páginas da revista  Família Cristã  que era possível aceitar um filho homossexual sem aceitar a homossexualidade. “Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer.” E acrescentou: “É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom.” Esta frase provocou o habitual incêndio das redes sociais e dezenas de queixas na Ordem dos Psicólogos, que emitiu um comunicado onde recorda que nas suas intervenções públicas os psicólogos estão obrigados a “observar o princípio do rigor e da independência, abstendo-se de fazer ...

Do "fuck it" ao "What the fuck"

JOÃO MIGUEL TAVARES   PÚBLICO    10.11.16 Hillary Clinton não foi a maior derrotada na madrugada de quarta-feira. À frente dela estão as empresas de sondagens. E à frente das empresas de sondagens estão os jornais, as televisões (a certa altura, até a Fox News se afastou de Trump), e basicamente todos nós, que trabalhamos na comunicação social. Uma lição para o falecido Emídio Rangel: sim, Donald Trump transformou-se numa figura nacional através da televisão; sim, a televisão deu-lhe muita atenção no início da corrida, quando parecia não ser mais do que o  comic relief  republicano; mas não, a televisão não consegue vender presidentes da República como quem vende sabonetes. Trump foi destruído, gozado, arrasado, por tudo o que é revista e jornal; foi transformado numa caricatura patética por Alec Baldwin no  Saturday Night Live  e humilhado nos melhores  talkshows . Entre as 200 principais publicações americanas, apenas seis apoiaram Trump. A...

Pacheco Pereira converteu-se ao TINA

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 04/10/2016 Quando invoco o TINA, não estou a dizer que é preferível a inexistência de opções. José Pacheco Pereira escreveu no sábado um texto intitulado "A instabilidade inscrita na governação", onde desenvolve uma tese que tem vindo a defender em vários lugares, nomeadamente na Quadratura do Círculo. A tese é esta: Pacheco tem muitas reservas quanto ao sucesso da actual solução governativa pela “única e exclusiva razão” de que não é possível “fazer a política que desejava”, mas apenas a aquela que é “imposta de fora pelo Eurogrupo”. Assim sendo, e devido ao “garrote europeu”, Pacheco acredita que o Governo de António Costa “não vai dar certo”, porque se é possível obter resultados satisfatórios a curto prazo, é impossível obtê-los a longo, dada a “incongruência do que lhe é exigido”. Pacheco chega mesmo a dizer que não existem dois modelos económicos, um do PSD-PP e outro do PS, mas sim “apenas um, que é o que o Eurogrupo impõe a Portuga...

Uma vergonha chamada Metro de Lisboa

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 29/09/2016 Desde que vim para Lisboa, há 26 anos, não me recordo de algum dia o serviço de metro ser tão mau como é actualmente. Se alguém tivesse dúvidas de como este país roça por vezes os limites da indigência política, económica, sindical e mediática, o actual estado do Metro de Lisboa estava aí para o provar. Embora eu corra o risco de desiludir todos aqueles que estão convencidos de que sou um beto de Cascais com motorista e caddie, a verdade é que passo a vida a andar de metro. E desde que vim para Lisboa, há 26 anos, não me recordo de algum dia o serviço de metro ser tão mau como é actualmente. Nós já conhecíamos as escadas rolantes que não rolam. Experimentámos carruagens a abarrotar. Vimos os comboios da Linha Verde diminuírem de quatro para três composições ao mesmo tempo que o turismo explodia em Lisboa. Deparámo-nos com obras na estação do Areeiro dignas de Santa Engrácia. Aguentámos intermináveis problemas técnicos na Linha Azul ...

Bloco e PS: o dia da primeira traição

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 22/09/2016 Na velha arte de espetar facas em costas alheias, o Bloco ainda tem muito a aprender com o PS. Não é só Brad e Angelina que estão com problemas: o casamento entre o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda também já viu melhores dias. É certo que ainda ninguém entregou os papéis do divórcio, até porque é cedo para isso, mas ontem de manhã fomos confrontados com a primeira traição, pela boca de dois Pedros. Pedro Nuno Santos, do PS, deu a primeira facada no matrimónio nas páginas do DN, ao declarar que “os anúncios sobre o Orçamento são feitos pelo governo”, forma muito pouco subtil de desautorizar Mariana Mortágua. Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, respondeu com outra facada aos microfones da TSF, garantindo que o processo que levou Mariana a anunciar a tributação de imóveis acima de 500 mil euros não só foi feito “com o conhecimento do Governo”, como foi “enquadrado numa estratégia mediática aceite pelas duas partes, que estiver...

La comandante Mariana

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 20/09/2016  Algo está a mudar na política portuguesa. E não é para melhor. Mariana Mortágua foi a uma daquelas actividades de propaganda que o PS organiza todos os sábados para encher os telejornais do fim-de-semana. Pareceu-me excelente: o único benefício que retiro da actual solução de governo é o aumento do tempo de antena de Mariana Mortágua, cuja presença anima qualquer televisor. (Para os que consideram que constatar que uma deputada é gira é uma forma de menorização intelectual, quero declarar publicamente que também acho giro o deputado João Galamba.) Mariana não é só popular cá em casa – é popular em todo o lado, e em especial entre socialistas, que muito apreciaram ouvi-la dizer, num debate dedicado às esquerdas e à igualdade, uma frase que é toda ela Cuba 1959: “A primeira coisa que temos de fazer é perder a vergonha de ir buscar dinheiro a quem está a acumular dinheiro.” Esta declaração revela mais do que qualquer programa de gover...

Catarina e os Comandos

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 13/09/2016 O mundo está perigoso em todo o lado. Menos, claro, na cabeça de Catarina Martins. O Bloco de Esquerda é cada vez mais o partido da auto-ajuda. Catarina Martins já nos tinha avisado que preferia ser operada por um cirurgião que tivesse sido “feliz na escola” do que por um cirurgião que tivesse sido “testado na escola”, num texto a que chamou “6 razões para acabar de vez com os exames do básico”. Agora fez uma intervenção a que poderia ter chamado “6 razões para acabar de vez com o batalhão de Comandos”. Se alguém lhe perguntasse se preferia ser defendida por um soldado que tivesse sido “feliz na tropa” ou por um soldado que tivesse sido “testado na tropa”, estou certo que Catarina escolheria o soldado feliz, porque está convencida de que a mais nobre função das metralhadoras é servirem de jarras para cravos. Para Catarina Martins, “reconhecer a tragédia exige extinguir o batalhão de Comandos”. O raciocínio lógico é tentador: significa i...

Sair do euro é apenas fugir ao euro

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 08/09/2016 Sair do projecto europeu é assumir a nossa absoluta menoridade. Antes outra década perdida dentro do euro do que uma década supostamente ganha fora dele. Só há dois tipos de profissionais que defendem a saída de Portugal do euro: economistas ou políticos de esquerda. Os economistas porque não têm de se preocupar em demasia com o impacto dos seus modelos no bem-estar das populações. Os políticos de esquerda porque não têm forma de compatibilizar as suas convicções ideológicas com as regras da União Europeia. É por isso que Francisco Louçã se tornou um dedicado apóstolo da saída da moeda única (“o euro não tem salvação”) e o PCP incluiu a saída do euro no seu programa eleitoral. E é também por isso que Joseph E. Stiglitz, que no final deste mês vai publicar em Portugal o seu novo e badalado O Euro: Como uma moeda comum ameaça o futuro da Europa, anda por aí a dar entrevistas a aconselhar-nos a regressar ao velho escu...

Ser cristão não serve para nada?

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 20/08/2016 Ser cristão não serve para nada? Há uma semana  escrevi um texto sobre a ida de Marcelo Rebelo de Sousa à Madeira  onde escrevi duas coisas que irritaram uma impressionante quantidade de leitores e de amigos. A primeira coisa foi ter elogiado o comportamento do presidente da República relacionando-o com o facto de ele ser cristão. Ou seja, atrevi-me a considerar que Marcelo demonstrara no Funchal uma capacidade e um talento para consolar quem sofria que tinha uma ligação com a fé que professava. A segunda coisa foi ter dito que a empatia se encontrava retratada nos Evangelhos como em mais lado nenhum. Inúmeros leitores agnósticos e ateus ficaram ofendidos com as minhas palavras. Essa ofensa tem um duplo efeito sobre mim: chateia-me e entristece-me, porque me parece pura e simplesmente absurda. Vamos por partes. Em primeiro lugar, a questão dos Evangelhos. Eu não conheço todos os livros sapienciais do planeta, mas dentro daquilo...

Marcelo, o bom samaritano

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 13/08/2016 Numa época em que ser cristão parece tão fora de moda, vale a pena recordar o que isso significa. Neste caso, basta apontar para Marcelo na Madeira e dizer: é aquilo. Quando soube que Marcelo decidira partir para a Madeira a grande velocidade, ainda os incêndios lavravam no centro do Funchal, pareceu-me uma péssima ideia. Marcelo não faz parte do grupo de intervenção da GNR e não consta que tenha treino de sapador. Numa ocasião dessas, o mais provável é ir só atrapalhar, e a prudência aconselharia a que aguardasse 24 ou 48 horas. O presidente do Governo Regional tem mais que fazer do que dedicar-se aos salamaleques e ao tour de cortesia, como tem o presidente da Câmara do Funchal, o chefe dos bombeiros ou os homens da protecção civil. Se o Presidente da República chega é preciso estar lá, cumprimentar, levar aos sítios, arranjar um helicóptero que voe de Porto Santo até à Madeira, por causa dos ventos. Um Presidente exige sempre protocolo...

Dantesco

JOÃO MIGUEL TAVARES Publico 10/08/2016 - 15:46 A situação da floresta e do território não se alterou um milímetro. Onze anos depois estamos no exacto lugar onde estávamos, apenas com alguns bombeiros mais profissionais e uma protecção civil, segundo consta, mais competente. É evidente que isto não é só um problema português, mas é um problema que em Portugal atinge dimensões dantescas, para utilizar o adjectivo que mais temos escutado nos últimos dias: vivemos num país com uma absoluta incapacidade para agir sem ser em face da tragédia. Seja no problema dos incêndios, seja na questão das finanças públicas ou da implementação de reformas no Estado, a nossa capacidade de planeamento de médio e longo prazo é praticamente nula, e só quando somos colocados perante o abismo é que arranjamos forças interiores para mudar de rumo. Encostados à parede, somos excelentes a reagir: improvisamos, inventamos, desenrascamos. Mas antes de lá chegarmos, mesmo com todos as luzes de perigo a ...

Queremos ver Portugal a arder

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 09/08/2016 Os estudos não enganam. Isto não é azar geográfico nem altas temperaturas.  É mesmo uma profunda incompetência política. Há cerca de um ano foi divulgado um estudo ( talvez este ) da União Europeia sobre incêndios nos países da bacia do Mediterrâneo que continha números impressionantes. Foram analisados dados de 2000 a 2013 de Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia. Nesse período 53,4% de todos os incêndios haviam ocorrido em Portugal. Ou seja, o nosso país tinha maior número de incêndios do que Espanha, França, Itália e Grécia juntas. Em termos de área ardida, o número baixava para 37,7%, mas como a Portugal corresponde apenas 14,7% do território em causa, o resultado é este: temos 3,5 vezes mais incêndios do que a média dos países mediterrânicos e 2,5 vezes mais área ardida. São números que deveriam envergonhar qualquer português. E, no entanto, não me recordo de esse estudo ter tido alguma repercussão significativa em termos po...

Rocha Andrade e as prendas da Galp

JOÃO MIGUEL TAVARES Público 04/08/2016 Descobrimos que uma casa exposta à luz do sol faz subir os impostos. Agora só nos falta descobrir se um secretário de Estado exposto aos favores da Galp os faz descer. O senhor Fernando Rocha Andrade é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e aprecia a selecção nacional. A Galp é a maior empresa portuguesa e patrocina a selecção nacional. Até aqui tudo bem. A partir daqui tudo mal. A Galp endereçou vários convites ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais para assistir aos jogos de Portugal no Europeu, com todas as despesas incluídas: avião, alimentação e bilhete. A revista Sábado, que levantou o caso, revelou que Rocha Andrade aceitou o convite para ver o Portugal-Hungria. O jornal Observador descobriu, entretanto, que também aceitou o convite para o jogo da final com a França. Quando questionado acerca desse facto, Rocha Andrade declarou que encara “com naturalidade, e dentro da adequação social, a aceitação deste tipo de convite ...