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A mostrar mensagens com a etiqueta Autor: José Luís Seixas

O meu Natal

DESTAK | 17 | 12 | 2013   18.37H José Luís Seixas O meu Natal era o Presépio. Naquelas figuras de barro que simbolizavam os pastores e os Reis Magos identificava a Humanidade inteira, pobres e ricos, poderosos e plebeus, vivendo, irmanados, a mesma alegria, numa comunhão única de Paz e de concórdia. O meu Natal era tempo de encantamento e de deslumbre. Hoje, o imaginário infantil reconduz o Natal ao estereótipo de um velho divertido, com uma enorme barriga e bochechas rosadas que, transportando-se num trenó puxado por renas, desenha traços de luz no escuro da noite e penetra nas casas pelas chaminés, gritando com voz gutural "ho, ho, ho". As suas réplicas, com barbas de algodão em rama e renas de esferovite, crescem aos magotes nas ruas e nos Centros Comerciais, promovendo produtos, anunciando brinquedos, aliciando ao consumo e à insatisfação permanente. Perdeu-se aquela aura de magia e mistério que seduzia e encantava. É tão grande a diferença entre o Natal do Me...

A bondade e o despeito

DESTAK | 03 | 12 | 2013 José Luís Seixas A campanha de recolha de alimentos promovida pelo Banco Alimentar, apesar do êxito que constituiu quer ao nível das toneladas recolhidas quer ao nível da mobilização de voluntários, foi objecto de apreciações que, sem medo das palavras, adjectivamos de indecorosas. O Dr. Paulo Morais, em crónica jornalística, apodou a iniciativa como uma gigantesca manobra de marketing das grandes superfícies comerciais, levantando suspeições graves sobre o destino dos bens oferecidos, o que, além de observação caluniosa, sinaliza a forma leviana e, por vezes ignara, como, impunemente, se levanta e espalha lama sobre pessoas, instituições e iniciativas. Por seu turno, o Dr. Paulo Pedroso repetiu no seu blogue a ladainha das críticas do "sociologuês" básico, utilizando uma ironia grosseira e descabida: exibição de "caridadezinha" promovida por (sic) "Madame Jonet". É uma evidência que os Bancos Alimentares não resolvem ...

Os perigos da idade

DESTAK | 29 | 10 | 2013 José Luís Seixas A velhice ou, como é corrente ouvir-se, a Terceira Idade, merece a maior veneração. País que não respeita, cuida e homenageia os seus velhos não merece ter futuro e, seguramente, não terá, a prazo, memória. A velhice não é nem doença nem fatalidade. É contingência. Mais uma fase da vida. Com as suas características e as suas vulnerabilidades. Como qualquer outra. Há velhos que resistem melhor ao desgaste da idade e outros que sucumbem mais facilmente à erosão do tempo. O segredo, como alguém dizia, está, não em dar mais anos à vida, mas sim em dar mais vida aos anos.  Por isso, cumpre a quem rodeia os velhos (palavra digna que esmaga o conceito de idoso, o qual, em última ratio, nada define e a todos engloba) proporcionar-lhes conforto físico e psicológico. E honrar e dignificar o seu nome e a marca que deixaram. A se...

O glossário de Sócrates

DESTAK | 22 | 10 | 2013   18.41H José Luís Seixas Ao longo do seu percurso político, Sócrates sempre transmitiu a imagem de um narciso empertigado e prepotente. O verniz foi estalando de quando em vez, como naquele abraço a Barroso, exclamando "porreiro, pá!". Ou na expressão de incontido desprezo que marcou os debates parlamentares da época ao invetivar, salvo erro, Louçã, com um «a tua Tia!». Admito que possa ter sido «a tua Mãe», mas a minha recordação aponta mais para a colateral. A entrevista do personagem ao Expresso é uma verdadeira pérola digna de arquivo para memória futura, não vá o diabo tecê-las. A pretexto de um «Sócrates íntimo», dedilhou qualificativos depreciativos sobre tudo e sobre todos, à exceção, claro está, dele próprio. Usou, com eloquência e supina elegância, o calão mais depurado que se tem lido em jornais supostamente de referência. Se um dos seus opositores é «um merdas», toda a direita já é «uma cambada de filhos da mãe» que, curiosamente, a...

A revolução de Francisco

DESTAK | 19 | 03 | 2013 José Luís Seixas Estes últimos dias têm exibido uma Europa em absoluto desnorte, com lideranças a assumir comportamentos e decisões que, à luz do mais elementar bom senso, são incompreensíveis. As controvérsias a propósito do resgate do Chipre são um dramático, mas cristalino, exemplo da ausência de serenidade que paira no Continente e um sério presságio de realidades indesejáveis, mas emergentes. Por entre este obscurantismo, um raio de luz despontou na Praça de S. Pedro. A homilia do Papa Francisco, convidando-nos a todos, titulares dos poderes ou cidadãos comuns, para sermos "guardiões dos dons de Deus", conforma, com a simplicidade e a profundidade do que é autêntico, o decálogo da mudança: "É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos gua...

O interior desaparecido

DESTAK | 27 | 11 | 2012   19.42H José Luís Seixas A ligação aérea entre Lisboa e Bragança foi suspensa. Perante a caducidade de concessão anterior, o Governo não abriu novo concurso, poupando 2,5 milhões de euros de subsídio compensatório. Pouco interessa ao preclaro decisor a necessidade ingente deste meio de transporte para uma população que tenta resistir à periferia, à desertificação e ao esquecimento; que facilitava a circulação eficaz de quadros provindos de Lisboa e do estrangeiro, potencializando a pouca vida económica nordestina que ainda subsiste e a adventícia que teimava em afirmar-se. Sem avião, sem ferrovia, com acessibilidades rodoviárias portajadas ao nível da Suíça que pouparão algum tempo, mas não encurtam distância, resta às populações definharem. Desde os Planos de Fomento de Marcelo Caetano, o País nunca mais olhou o ordenamento do seu território. As populações migraram para o litoral e as grandes áreas urbanas converteram-se em “presas da desordem”, co...

O esplendor do silêncio

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José Luís Nunes Martins, i-online 10 Nov 2012 Uma palavra calada pode sempre ser dita. Mas o que foi já dito, não poderá jamais ser calado. Aprender o silêncio é um dos segredos da sabedoria Não será difícil compreender que não há verdade sem silêncio; que é na paz de quem aprendeu a calar-se que residem as forças que dão vida à vida; que os egoísmos falam muito, nunca se calam, precisam de atenção e julgam-se capazes de ensinar tudo a todos... não se dão conta que o seu discurso é tremendamente vazio e barulhento. Sujo. As palavras são importantes instrumentos de comunicação, mas são, na esmagadora maioria dos casos, meios pelos quais nos desviamos do essencial, nos distraímos do que vale mesmo a pena, nos entretemos na preguiça de não lutar pelo que devemos ser. Hoje fala-se demais. Bastam poucas palavras para dizer tudo o que há a dizer. O que é realmente importante dá-se no silêncio. Há um enorme e constante barulho no mundo. Ruídos que corroem a paz que se deseja. Torrentes d...

Doutores e Comendadores

DESTAK |17 | 07 | 2012 20.08H José Luís Seixas O “episódio Relvas” que vai entretendo o País até à chegada do estio assoma-me à memória um escrito que fiz noutro contexto, já lá vão um par de anos: “E esta coisa, que aos nossos olhos de hoje parece fútil, dos reconhecimentos e das dignidades, teve relevância na construção das ambições ou, tão só, das disponibilidades, para o exercício deste tipo de funções. Recorde-se a mercantilização dos títulos nobiliárquicos no final da Monarquia, satirizada pelo célebre dito popular: “foge cão que te fazem barão /mas para onde se me fazem visconde?”. O Corporativismo recebeu da República os títulos académicos como dignidades sociais – o Senhor Dr., o Senhor Engenheiro, o Senhor Bacharel – e completou a montra das importâncias com a figura impar do Senhor Comendador – do mérito industrial, do mérito comercial ou do mérito agrícola – permitindo que este ombreasse com aqueles nas primazias da respeitabilidade pública. Esperava-se dos Senhores...

A felicidade das nações

DESTAK |10 | 04 | 2012   20.43H José Luís Seixas A edição de ontem do Público dava nota da classificação atribuída a Portugal pelo “Relatório Mundial sobre Felicidade”, que foi encomendado pelas Nações Unidas à Universidade de Columbia. Entre 157 nações quedamos num mediano 73.º lugar, emparedados entre a Dinamarca, a Finlândia e a Noruega por um lado e o Togo, o Benim e a República Centro-Africana por outro. No quadro da União Europeia, fazemos péssima figura, sendo mesmo dos mais infelizes, suplantados apenas pela Roménia e por outros três companheiros de desdita. Segundo se depreende da notícia os dados de campo do Relatório em causa terão sido recolhidos entre 2005 e 2011 e consistido em entrevistas sobre a percepção da qualidade de vida dos nacionais inquiridos. Numa escala de 0 a 10, a avaliação média dos nossos compatriotas entrevistados redundou em 5,4. Conclui, pois, a notícia, ilustrada por reflexões de sociólogo e psicólogo, que este resultado traduz a idio...

Este país não é para velhos

DESTAK | 06 | 03 | 2012   22.48H José Luís Seixas “Este País Não é Para Velhos” é a tradução portuguesa do título do filme “No Country For Old Men” realizado pelos irmãos Cohen. Poderia ser a legenda de uma qualquer fotografia do Portugal de hoje. A antiga “meia-idade”, apesar do aumento da expectativa de vida, envelheceu. Tornaram-se “velhos activos”, como os designa o “sociologuês” corrente. Têm filhos e netos. Empregos que pensavam em fim ou topo de carreira. Prepararam-se para uma senioridade social e profissional reconhecida. Ultrapassaram o cume do monte, com o património que construíram e a estabilidade que asseguraram. De um momento para o outro tudo se esboroou. Foram atropelados por uma nova geração com muita certificação e vigorosa auto-estima. Profissionalmente são indesejados porque caros. Socialmente constituem um problema social grave, misturando desemprego de longa duração com nova pobreza. Politicamente não conformam prioridade alguma. Os velhos - melhor este...

Garzón e as liberdades

DESTAK | 21 | 02 | 2012   18.54H José Luís Seixas E se Baltazar Garzón fosse um juiz conotado com a direita? O Juiz merece todos os encómios pela coragem que revelou na perseguição da ETA e no desmantelamento dos GRAPO. Fê-lo de cara descoberta, sem medo de ameaças. Experimentou o poder como ministro de um governo socialista. Voluntarismo efémero, como todos os voluntarismos. Demitiu-se desiludido. Regressado à judicatura evidenciou-se com decisões eivadas de um “justicialismo” histórico que provocou o deleite dos media e da esquerda asséptica. Assim foi com o mandado de captura de Pinochet e com as ordens de exumação de cadáveres e outras diligências congéneres decorrentes de uma “rigorista” interpretação da Lei da Memória Histórica que fez regressar os espanhóis aos tempos da guerra civil, onde nem tudo foi propriamente a branco e preto. A esquerda política exultou e transformou-o num ícone. Só que, em investigação que envolvia sectores financeiros ligados à direita, Garzón...

Carnaval nacional

José Luís Seixas DESTAK |07 | 02 | 2012   17.28H Andava o País distraído com minudências – o aumento do desemprego, a recessão, a desagregação europeia – e o Primeiro-Ministro, com aquele seu ar de mestre-escola a repreender carinhosamente os alunos, proclamou a morte do Entrudo. Ou, dito com mais rigor, anunciou que este ano não concederia a costumeira tolerância de ponto no dia de Carnaval.  Segundo vozes, muitas vozes, o Dr. Passos Coelho, que aparenta não gostar de folias, feriu no âmago uma tradição portuguesa e, com a sua conduta impensada, provocou sério prejuízo à economia.  Alienígena que aterrasse neste canto extremo da Europa pensaria que o Carnaval era um momento determinante do equilíbrio emocional dos portugueses e que compreendia uma larga história que abrilhantava as cores pátrias. Sujeitar o povo ao suplício do trabalho nesse dia seria, pois, um acto sacrílego, tentado no passado pelo insensível Doutor Cavaco sem êxito e com algum infausto....

Um Natal Verdadeiro

DESTAK | 20 | 12 | 2011   19.35H José Luís Seixas As iluminações já não têm o impacto de outros tempos de prosperidade. Os enfeites são mais modestos e contidos. Mas é Natal. Há uma força intangível que derruba os muros emparedados de muito egoísmo e muita solidão que construímos nos nossos corações. Sentimo-nos melhores, mais disponíveis para os outros, mais sensíveis aos dramas com que convivemos, mais propensos a perdoar, a auxiliar ou, simplesmente, a abraçar. A simplicidade e o despojamento do Presépio convocam-nos para outros e novos horizontes que, porventura, esquecêramos já. O bom que é estarmos juntos, sermos tantos e sentirmo-nos tão próximos. É a dádiva que se sobrepõe à oferta, como o abraço fraterno ao postal de boas festas. O Natal do amor que brota do coração dos homens num sentimento de responsabilidade recíproca e partilhada, esse Natal simbolizado no Deus Menino sorrindo ao Mundo, só nos pode iluminar a alma e encher-nos de esperança. Um Santo e Fel...

A magia do Natal

DESTAK | 21 | 12 | 2010   20.06H José Luís Seixas Ea loucura desceu à cidade. Lisboa foi invadida por uma horda de bárbaros que disputam palmo a palmo o espaço público num incontrolável frenesim. As compras, a avidez do consumo, esta espécie de delírio colectivo transforma as pessoas em autênticos predadores da selva urbana. A solidariedade, a compaixão, a espiritualidade são valores suplantados por esta estranha forma de celebrar o Natal. A histeria persiste, mesmo em tempos de crise severa. Vivemos um Natal sem Presépio. Um Natal profano, cuja mensagem deixou de ecoar no coração dos homens. A comemoração do nascimento do Filho de Deus não releva porque não cremos. Fechamo-nos no casulo dos nossos pequenos mundos, centrados na visão estreita do nosso umbigo, fazendo do presente o único momento que importa, buscando uma felicidade só nossa, impartilhável, que reivindicamos como direito. Por isso, enjeitamos a possibilidade que o Natal nos oferece de renascermos melhores, mais atent...

A pen da desgraça

DESTAK | 20 | 10 | 2010   10.29H José Luís Seixas No último minuto do prazo Teixeira dos Santos entregou o Orçamento do Estado numa pen. Em Portugal, nem as Finanças dispensam a adrenalina do último minuto. A minúscula pen transitou do bolso do Ministro para as mãos do Presidente da Assembleia. Este segurou-a com incontido receio, não fosse a coisa desfazer-se e esguichar algum líquido abrasivo. Visualizado o conteúdo, constatou-se que a informação estava incompleta e com erros, coisas menores decorrentes de problemas informáticos que ainda surpreendem este Portugal tecnológico, mesmo quando afectam «o orçamento mais importante dos últimos decénios». Corrigidos os lapsos, somos confrontados com um violento terramoto fiscal que nos ameaça pecúlios, salários, reformas, enfim, vidas vividas e vidas projectadas. Mas seria expectável epílogo diferente de uma governação que concebe a política como a arte do engano? Dissipadas as ilusões da regularização das contas públicas, do cresciment...

Terrível profecia

DESTAK | 01 | 06 | 2010   20.28H José Luís Seixas Como as velhas famílias falidas que ostentam o brasão e comem a crédito nos restaurantes da moda, a Europa tenta salvar o pouco que ainda resta do seu modelo social criado noutros tempos e por outra gente. A II Guerra acabou só há 65 anos. Devastada e faminta, a Europa de então ergueu-se ensaiando uma unidade feita de valores comuns, assente na alternância entre democracia-cristã e social-democracia e cimentada no diálogo entre movimentos sociais fortes e articulados. Lideranças e governos provinham da excelência da política, da cultura, da sociedade e das academias. Depois a Europa aburguesou-se. E alargou-se contagiando vícios e perdendo virtudes. O Estado do Bem-Estar pareceu coisa eterna e indestrutível. Tornou-se egoísta e narcisista, esquecendo os escombros onde se reinventou. Assemelhou-se à imagem do capitalista gordo e de charuto difundida pelos marxistas nos tempos da guerra fria. Leu as cartilhas epicuristas e consumiu ...

Bem-vindo, Santo Padre

11 | 05 | 2010   22.04H José Luís Seixas Os muitos que prognosticavam indiferença e distância dos portugueses relativamente à visita do Santo Padre estarão surpreendidos. A iconoclastia que brota num mundo perpassado por muitas crises dificilmente entende a Fé. Convive mal com o apelo ao transcendente e à transcendência. Rejeita, com sobranceria e intolerância, valores que apelam, tão-somente, à paz, ao perdão, à solidariedade e à fraternidade. Não distingue, com muita desonestidade intelectual, a mensagem cristã da fragilidade e da vulnerabilidade da natureza humana de muitos que A servem. O que é certo é que o Povo, o povo anónimo que não preenche fóruns televisivos, não frequenta os salões da moda, não tem colunas nos jornais, não faz opinião, não se considera génio e presciente, tem a imensa sabedoria de diferenciar substância e circunstância. Sabe que a Fé conforma o pilar mais seguro e inspirador que permite superar as provações e as ansiedades dos tempos presentes. É po...

Os pecados da Igreja

Destak | 13 | 04 | 2010   22.27H José Luís Seixas Primeiro lugar-comum: A Igreja Católica é constituída por homens sujeitos às fragilidades da sua condição é um lugar-comum. Poucos são os ungidos pela Santidade. O Povo de Deus é formado por pecadores que esperam a remição das suas faltas. E tantas são. Segundo lugar-comum: As denunciadas práticas de pedofilia imputadas a sacerdotes católicos são chocantes e indignam de forma especial os próprios católicos. São ofensas gravíssimas às crianças e a Deus, cometidas por quem as devia proteger e educar. Terceiro lugar-comum: O ocorrido em instituições da Igreja Católica passou-se em instituições de outras Igrejas, de organizações laicas, do próprio Estado e passa-se, infelizmente, no seio de muitas famílias. Entre nós o infindável “Processo Casa Pia” deixou no ar muitas e muitas interrogações sobre os comportamentos de uns e as omissões de outros. E falamos de tempos recentes. Não remontamos a meio século atrás em que a valor...

Eu, heterossexual, me confesso...

DESTAK | 06 | 01 | 2010 08.43H José Luís Seixas Tenho 50 anos. Sou heterossexual. Sei que é difícil assumi-lo com tanta clareza nos tempos que correm e que esta franqueza me poderá tolher pretensões legítimas a futuros risonhos. Mas é verdade. Sou heterossexual e casado. Mais. Sou católico praticante. Daqueles que vão à Missa e que respeitam os Sacramentos. Sou, pois, sou casado, pai de filhos, heterossexual e católico. Não sei se algum dos meus colaboradores ou colaboradoras, amigos ou amigas, é homossexual, pela simples razão de que ignoro a sua vida íntima. Julgo nunca ter discriminado ninguém em função do que hoje designam por "orientação sexual". Cada um que se oriente como quiser. Admito, no entanto, que uma vez ou outra utilizei a expressão "mariquices" a propósito de especiosidades e que verberei comportamentos "maricas" referindo-me a pusilanimidades várias. Mas confesso-me pecador e imperfeito. Sou convicto e inabalável defensor do ...

A culpa morre solteira

José Luís Seixas DESTAK 01 10 2008 09.33H O "divórcio sem culpa" agora perfilhado pelo PS é uma pura "manobra de diversão". Atento o estado do País e as dificuldades da governação, interessa a quem manda lançar uns foguetes para entreter os governados, distraindo-os dos seus problemas. Ainda mais quando a esquerda pula e avança, deglutindo margens eleitorais socialistas que urge recuperar. E como não vai lá pelo governo, vai pelos costumes. É a receita de Zapatero em Espanha que Sócrates replica com vénia. Mas é bom que se diga que a facilitação do divórcio, ou a eliminação da culpa na dissolução do casamento, em nada muda o apoquentado quotidiano dos casais portugueses. E, em vez de adornos de "modernidade" discutível, o legislador deveria observar a realidade das famílias. Vivem com dificuldades crescentes. A compatibilização entre a vida familiar e as exigências do trabalho é uma falácia redonda. Estes tempos difíceis colocam em conflito a empregabi...