quarta-feira, 28 de junho de 2017

VIDEO :: carta aberta de juristas contra a Eutanásia

Costa em festa a seguir à tragédia


MARIA JOÃO MARQUES   OBSERVADOR   28.06.17
Todos têm as suas prioridades e já vimos como, por duas vezes, as catástrofes que assolam as regiões que governa vêm, para Costa, uns degraus abaixo da festa socialista de campanha. Desprezível.
Começo pelo aviso para a saúde: é conveniente por estes dias evitar ler notícias sobre o PS com comida no estômago. Poderá terminar desenvolvendo uma bulimia.
Na segunda feira passada vi, revi e não queria acreditar. Uma semana e dois dias depois de 64 pessoas terem morrido por incompetência e descoordenação absoluta das autoridades e proteção civil, bem como por negligência governativa e falhas de equipamentos, quando há pelo menos doze desaparecidos – aqueles que a ministra Urbano de Sousa diz estarem em ‘paradeiro desconhecido’; calhando, supõe a ministra, viajaram à socapa para a Micronésia e estão divertidos bebericando cocktails num atol paradisíaco -, num momento em que o governo já conhecia a fita do tempo que revelava o caos de dia 17, depois de deixarem as casas dos sobreviventes serem pilhadas por não se assegurar a segurança dos bens dos que perderam quase tudo, havendo pouco apoio psicológico a pessoas com sérias possibilidades de virem a sofrer stress pós traumático, fingindo não ter esclarecimentos a prestar, enfim, no meio de tudo isto, o que faz o PS?
Faz uma festa, com pompa abundante, para anunciar a candidatura a Lisboa de Fernando Medina. Os farsantes – que dias antes se garantiam de coração destroçado, prestes a recusarem-se a sair dos seus quartos e despir o roupão, tão inconsoláveis que não aguentavam perguntas pertinentes e urgentes sobre o que havia falhado e resultado nas mortes – estiveram nesta festarola muito sorridentes e com ar de autossatisfação.
Entre os que de súbito conseguiram curar a tristeza incomensurável por Pedrógão, estava António Costa. Feliz, descontraído, sorridente, autoconvencido. Uma semana e dois dias depois das mortes de Pedrógão. O despautério foi tal que, em vez de autocrítica pública, proferiu autoelogios – referiu a sua magnífica e maravilhosa herança lisboeta.
Até eu me surpreendi com tamanha baixeza e falta de respeito pelos mortos e pelas outras vítimas de há uma semana – os que estão feridos, os que perderam familiares, os que perderam trabalho, bens e poupanças de uma vida.
Mas não devia. Afinal é comportamento reincidente de António Costa. Lembram-se das cheias de Lisboa de 22 de setembro de 2014? As zonas baixas de Lisboa foram varridas por um rio de água. A corrente das ruas da Baixa levou as esplanadas à frente e inundou lojas e restaurantes. Praças de Lisboa transformaram-se em lagos de dimensão capaz de camuflar o Loch Ness. Um caos.
Que fez António Costa, então presidente da Câmara de Lisboa? Ora, monitorizou ao longe as inundações que varriam Lisboa, por telefone. E, nessa noite, estava em festa rija em Coimbra. Eram as eleições primárias do PS. Mais uma vez, António Costa lá estava feliz, sorridente, descontraído, autoconvencido.
Toda a gente tem a sua ordem de prioridades. E já ficámos, por duas vezes, a saber que as catástrofes que assolam as regiões que governa vêm, para António Costa, uns degraus abaixo da festa socialista de campanha. Desprezível.
Mas tiremos mais lições das inundações de Lisboa. Segundo António Costa, as inundações deveram-se exclusivamente à quantidade de chuva que caiu, sem ninguém estar à espera (chovia há dias, depois de um verão seco; e no ano da graça de 2014 já se haviam inventado as previsões meteorológicas). Nunca, jamais, em tempo algum a sarjetas entupidas. A culpa foi singelamente do ‘caudal tão anormal’ que era impossível de escoar. (Digam lá se não bate tudo certo até aqui?)
E consequências das inundações de Lisboa? Nenhumas. António Costa prontamente afirmou não haver solução para cheias futuras da mesma dimensão. (É mentira.) E continuou sossegado na sua caminhada até ao cargo que hoje ocupa.
É certo que em Lisboa não morreram pessoas, pelo que a gravidade foi imensamente menor, logo, também, mais fácil de atirar poeira para olhos lisboetas. Em todo o caso, vislumbramos o mesmo modus operandi. Em vez de responder e esclarecer, Costa culpa a natureza e não assume qualquer responsabilidade política pelos danos. Desvaloriza a tragédia, participando em festas socialistas. A estratégia de comunicação é a grande deusa de Costa.
Desta vez, o primeiro-ministro desapareceu das entrevistas, depois da fraca figura que fez na TVI. Mas a ministra Urbano de Sousa, em vez de acorrer a uma situação ainda não pacificada, dedicou vários dias a entrevistas à comunicação social – a sua prioridade. O DN publicou até uma capa ridícula com a ministra triste, quase fazendo beicinho, tentando angariar simpatias para o governo. A MAI desceu a choramingar que passou os piores momentos da sua vida. (Pobrezinha. Nada se compara à calamidade que se abateu sobre a ministra.)
Depois de Lisboa e Pedrógão, estamos avisados para futuras ocasiões, daquelas no fio da navalha, do comportamento-tipo de António Costa. Em todo o caso, desta vez tivemos uma inovação. O PS, partido do governo politicamente responsável pelo estado falhado que foi Portugal no penúltimo fim de semana, mortos, desaparecidos, feridos e desalojados à mistura, pede a demissão de um provedor da Santa Casa da Misericórdia. É mesmo esta a demissão que se impõe. Não fora pornográfico e seria cómico.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Programa 3 + Colégios Fomento


O Fundo de Bolsas dos Colégios de Fomento* reforçaram o apoio às famílias numerosas através do Programa 3+, em que as mensalidades a pagar correspondem apenas aos 3 filhos mais velhos, não se pagando a mensalidade a partir do 4º filho.

Em síntese, as famílias irão pagar no máximo as mensalidades de três filhos.

Este programa tornará os Colégios de Fomento ainda mais amigos das famílias.
Mais informações em http://bolsasfomento.pt/.


* Colégios : Planalto e Mira Rio em Lisboa, Horizonte e Cedros em Gaia

Carta de um pai às educadoras dos seus filhos

BERNARDO VALLE DE CASTRO   27.06.17


Excelentíssimas Educadoras dos meus filhos,


Sim, não é um exagero chamar-vos “excelentíssimas”! A vossa actividade é uma actividade de excelência: é A actividade de excelência. E isso torna-vos excelentíssimas.

Nas próximas linhas quero agradecer-vos infinitamente o valiosíssimo trabalho que fazem diariamente. É louvável o ofício, e é notável a forma como o fazem. Ouvem com certeza isto muitas vezes, mas quero garantir que pelo menos também pela nossa “boca” o ouvem.

1. A missão
Têm em mãos a maior riqueza que objectivamente existe no mundo: pessoas que entram agora nele. Não existe maior tarefa, mais digna, mais elevada, de tanta responsabilidade, que exija tanto de alguém.
Desejo ardentemente que, apesar do cansaço que devem sentir no final do dia de trabalho (e eu só tenho que lidar com os meus!), consigam voltar constantemente àquele desejo, talvez então pouco maturado, que vos fez escolher essa missão, a vossa vocação.

2. Pais: dispensadores de critérios
Quando decidimos ser pais, é porque estamos abertos ao que Deus nos pede: na Sua eterna generosidade e humildade, Deus quis precisar de nós para continuar o Seu projecto de Criação. Aceitar este pedido é uma parte relevantíssima do trabalho de permitir que mais gente seja feliz, dando a conhecer o Amor que Deus tem por cada nova criatura.
Mas é só uma parte: a outra é ajudar a pessoa a crescer, a descobrir quem é, ao que pertence, a Quem pertence. E aqui entram não apenas os pais mas também a escola.
Os pais são quem primeiro acolhe e apresenta o mundo aos filhos, dando-lhes os critérios com que depois nele actuarão, usando cada vez mais a sua liberdade. Que enorme responsabilidade a de mostrar a novas pessoas, ainda tábuas rasas, tudo aquilo de que elas são herdeiras: uma cultura, tantos valores, tantas ideias e conquistas que o Homem fez até chegar aqui. É, de facto, uma tarefa desproporcional em relação à nossa capacidade. Mas é uma responsabilidade da qual não nos podemos alienar.
Se, por um lado, devemos permitir que os nossos filhos trilhem o seu próprio caminho, como seres únicos, independentes e individuais que são, feitos para a liberdade e para irem ainda mais longe no caminho que chegou até eles, devemos antes, ainda assim, obrigatoriamente, dar-lhes o mapa que recebemos enquanto herdeiros de milhares de anos de Humanidade. Seria um erro não propor como caminho certo e seguro aquele que recebemos, testado, pensado, maturado, bom. Com a sua liberdade, os nossos filhos poderão depois traçar o seu próprio caminho, usando os critérios que lhes fornecemos como instrumentos seguros, ou outros que da sua experiência tenham recebido.
Enquanto pais, o que queremos é que, usando ou não os critérios que lhes fornecemos que achamos bons e úteis e por isso lhes transmitimos eles saibam o que são critérios verdadeiros, que os tornam livres e felizes.
Enquanto católicos, temos a tarefa mais que facilitada: sabemo-nos integrados no corpo da própria Verdade incarnada, cujo único propósito é ver-nos felizes. Ao longo de séculos, de milénios, o Homem foi pensando e percebendo o que correspondia ao seu infinito desejo de felicidade. A certa altura Jesus afirmou ser, Ele próprio, a resposta a esse desejo. Quais são os pais que, tendo experimentado isto, não o desejam também para os seus filhos?
Enquanto católicos, já temos o mapa. Isso não nos dispensa, contudo, de verificarmos, nós próprios, por nós, utilizando a nossa inteligência, a bondade desse caminho que nos é apresentado. É nossa obrigação fazê-lo.

3. As educadoras dos meus filhos: quem, com os pais, lhes apresenta a Humanidade
Assim pensada a tarefa dos pais, rapidamente percebemos que a tarefa dos educadores (e dos professores) é em tantas coisas semelhante à de pais.
Seria absurdo querer “ensinar o Padre Nosso ao vigário”, mas perdoar-me-ão a minha vontade de querer transmitir o que desejava que fosse a tarefa de quem recebe os meus filhos desde os poucos meses de idade.
É um enorme privilégio, o vosso, o de serem as primeiras pessoas fora do círculo restrito da família para quem os nossos filhos vão olhar como exemplo. Que responsabilidade! A forma como falam, a forma como agem, a forma como respondem, como olham, como jogam com eles, tudo isso sabem-no bem é por eles bebido com critério. Dentro de cada tarefa, estão a completar nos nossos filhos os óculos com que depois eles olharão para a sua vida. Que aliança tão grande que tem que haver entre nós. É comovente ir buscar os filhos ao Colégio e, no carro, ouvir um deles a cantar as músicas que nós já não ouvíamos desde crianças; ou quando rezamos no carro, de manhã, e eles dizem que falta uma coisa: “Em nome do Pai, do Filho e ́Pirito Santo”: é aqui, nestes pequenos pormenores, que temos a certeza de que a tradição está a ser passada.
A minha preocupação como pai, na fase em que os meus filhos estão e por isso vos dirijo agora estas linhas é que eles olhem para as educadoras e vejam referências em tudo imitáveis, sem excluir absolutamente nada. Também a imperfeição que nos caracteriza é oportunidade de educar, se com ela eles aprenderem o que é a vontade de melhorar e o perdão. Quero, claro, que eles aprendam as pequenas tarefas que são adequadas para aprender na sua idade, mas ao mesmo nível quero que eles tenham o privilégio de embaterem em humanidades grandes, em pessoas intrinsecamente verdadeiras, autenticamente boas. Isso não está em nenhum contrato profissional: está no desejo de perfeição que nos faz felizes se for seguido.
Rezo por todas as educadoras dos meus filhos, para que, no limite, sejam como Nossa Senhora e, através das tão absolutamente fundamentais tarefas que ensinam aos meus filhos, os ajudem a ver a Verdade.


Muitíssimo obrigado,
Bernardo do Valle de Castro (pai do Bernardo Pio e da Leonor) 

A educação católica deve preocupar-se com os pais

http://www.educris.com

«Como é que a Escola Católica responde aos desafios da educação hoje» foi o tema que o padre João Seabra levou ontem, dia 20 de junho, a Fátima, cerca de 44 membros das direções das Escolas Católicas.


O presidente da Associação para a Educação, Cultura e Formação (APECEF), proprietária do Colégio de S. Tomás e administradora do Colégio de S. José do Ramalhão, afirmou aos diretores que uma escola católica o é “porque tem uma preocupação de fundo com os pais”:
“A educação de uma escola católica deve ter em atenção o lugar dos pais na atualidade pois a família é fundamento da educação da escola católica. Educar os filhos significa entrar em diálogo profundo com os pais”.
Para o responsável de duas escolas católicas o modo como “muitas famílias vivem desprotegidas, desestruturadas e com dificuldades em encontrar tempos para estarem juntas” deve estar no centro de um equilíbrio entre “o instruir e o educar”.
Refletindo os desafios que se colocam a uma instituição educativa católica na atividade o padre João Seabra considerou fundamental “que o «ser católico» esteja presente em toda a instituição educativa iluminando, estabelecendo dinâmicas e estratégias de acordo com a visão cristã da educação:
“Isto comporta, não poucas vezes, olhar para os próprios manuais das disciplinas, sem ir contra o proposto pelo Ministério da Educação, para que não estejamos a educar catolicamente e a instruir anti catolicamente”, afirmou.
A proposta foi a de, nas “diferentes áreas do saber percecionar o que é verídico e o que é ideológico”.
“De outro modo podemos fazer campanhas de solidariedade, acolher os nossos alunos nos sacramentos, levar os alunos a percecionar Deus e a Igreja, mas, se não soubermos olhar criticamente para os manuais e os programas que são criados por ideologia e não por ciência, o que fica, de facto, nos nossos alunos?”, questionou.
O padre João Seabra considerou que as instituições católicas devem levar os alunos “a ter um olhar crítico sobre o mundo e a realidade para o transformarem” e não pretender “que todos sejam católicos mas que o ser católico seja uma possibilidade”, sustentou.
Reautorizar o professor e afirmar o valor de cada pessoa
Na segunda parte da sua intervenção o presidente da AECF apontou como urgente a “reautorização do professor dentro da escola”:
“Hoje assistimos a uma desautorização do professor dentro das escolas. É fundamental voltar a autorizar estes agentes educativos afirmando o valor da pessoa, de cada professor, na relação com os alunos”:
“Este aspeto recorda-me sempre a importância da proximidade com os mais novos em todos os espaços das escolas. Nos colégios da Companhia de Jesus haviam os «irmãos do recreio» que tinha tanta importância como o diretor de estudos. Esta proximidade e presença permanente é fundamental numa escola católica”.
No final da sua intervenção o pare João Seabra recordou que a escola católica deve “transmitir a beleza de Jesus” e não “um conjunto de doutrinas”.
“A nossa comunicação da fé deve ser bela e não pode ser apenas uma transmissão da doutrina mas sim uma experiência pessoal”:
“Hoje na Igreja tendemos a ser muito kantianos no sentido em que pensamos que podemos conhecer o cristianismo apenas através da razão e dispensarmos o evangelho. O Cristianismo o próprio Jesus e só se consegue aceder a ele através do encontro. As nossas escolas devem ser lugar de encontro”, finalizou.
A ação de formação foi uma parceria entre a Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC) e o departamento da Escola Católica (DEC) do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC).


Onde raio está uma comissão independente?

JOÃO MIGUEL TAVARES   PÚBLICO   27.06.17

Como a todos toca a culpa, vão imperar os golpes baixos. E quem perde, como sempre, é a pobre verdade a que todos os portugueses têm direito.

Eu explico o que António Costa já devia ter feito, e não fez. Na terça ou na quarta-feira, ele devia ter agarrado no telefone e ligado a António Barreto para lhe dizer o seguinte: “O que aconteceu em Pedrógão Grande foi uma tragédia como não se via há 50 anos. Não pode restar uma pinga de dúvida sobre o que se passou, como se passou e de que forma poderia ter sido evitado. Quero que todas as responsabilidades sejam apuradas até ao fim, e nem o Governo, nem a oposição, nem qualquer uma das forças envolvidas no combate ao fogo está em condições de apresentar um relatório imparcial. O país precisa de uma figura consensual e acima de qualquer suspeita para presidir a uma comissão independente, que no período de 30 dias seja capaz de apresentar as suas conclusões, de forma a que nenhum português bem-intencionado possa duvidar delas. Você é essa figura. Tem total liberdade para constituir a sua equipa, coloco os meios que forem necessários à sua disposição, e darei ordens para que todas as instituições do Estado respondam às perguntas que entenda serem convenientes fazer. No final, o Governo estará disponível para arcar com as consequências políticas daquilo que a comissão independente conseguir apurar.”

Era isto que António Costa deveria ter feito. Era isto que a oposição lhe deveria ter exigido. Era isto que os portugueses mereciam ouvir. António Barreto é só um exemplo. Se ele não estivesse disponível, Costa escolheria outra figura de prestígio, com independência política, estatura intelectual e provas dadas na arte de pensar pela própria cabeça. Não haverá muitas em Portugal. Mas ainda há algumas. E é para isso que os senadores da república servem. Uma tragédia como esta não se via desde as inundações da região de Lisboa de Novembro de 1967, e o sentimento de ausência do Estado é assustadoramente parecido nos dois casos, apesar de haver meio século a separá-los. São as mesmas falhas no ordenamento do território (há 50 anos, na construção desordenada de casas em cima do leito de rios e ribeiras; agora, na plantação desordenada de pinheiros e eucaliptos em cima de casas e de estradas); as mesmas falhas das autoridades em responder aos pedidos de ajuda; a mesma tentação em menorizar a dimensão da tragédia (há 50 anos, a censura riscava os títulos que garantiam existir “centenas de mortos” – havia mesmo –, substituindo-os por “dezenas de mortos”, e atiravam-se as culpas para cima da mãe natureza; agora, menoriza-se a descoordenação das autoridades, e atiram-se as culpas para cima da mãe natureza).

António Costa, ao não constituir de imediato uma comissão independente, e ao preferir apoiar o PSD na criação de uma comissão parlamentar, até pode ter feito uma grande jogada política. Mas os portugueses, como de costume, saem a perder. Aquilo que aí vem é o que já aí está: Passos Coelho, que se encontrava politicamente comatoso, agarrou-se à tragédia de Pedrógão com tal entusiasmo que até vê suicídios entre pinheiros. E vamos ter mais visões, condenados que estamos a um teatrinho feio por parte de partidos profundamente unidos no abandono do país e no desvio dos meios do Estado ao longo de décadas em seu proveito e dos seus amigos. Como a todos toca a culpa, vão imperar os golpes baixos. E quem perde, como sempre, é a pobre verdade a que todos os portugueses têm direito. Depois de tamanha tragédia, só falta mesmo ela acabar cozinhada à moda de Camarate: crime nos dias ímpares, azar nos dias pares.

Os incêndios do regime

PAULO VARELA GOMES    PÚBLICO   11.08.2005

Vivo no campo ou perto do campo, na região centro, há já alguns anos. Há três Verões que me sento a trabalhar, enquanto a cinza cai de mansinho no meu teclado, em cima dos meus livros, no chão que piso. Não tenho culpa do que é hoje este país e o regime que o representa: militei e votei sempre em partidos que apregoavam querer outro tipo de regime e deixei de militar e de votar quando vi esses partidos tornarem-se tão legitimistas como os outros

O território português que está a arder - que arde há vários anos - não é um território abstracto, caído do céu aos trambolhões: é o território criado pelo regime democrático instalado em Portugal desde as eleições de 1976 (a III República Portuguesa). Está a arder por causa daquilo que o regime fez, por culpa dos responsáveis do regime e dos eleitores que votaram neles.

Ardem, em Portugal, dois tipos de território: em primeiro lugar, a floresta de madeireiro, as grandes manchas arborizadas a pinheiro e eucalipto. A floresta arde porque as temperaturas não param de subir e porque, como toda a gente sabe, está suja e mal ordenada. Não foi sempre assim: este tipo de floresta começou a crescer nos últimos 50 anos, com a destruição progressiva da agricultura tradicional, ou seja, com a expropriação dos pequenos agricultores, obrigados em primeiro lugar a recorrer à floresta pela ruína da agricultura, para, depois, perderem tudo com os incêndios e desaparecerem do mapa social do país. Também isso está na matriz da III República: ela existe para "modernizar" o país, o que também quer dizer acabar com as camadas sociais de antigamente, nomeadamente os pequenos agricultores. Em 2005, os distritos de Portalegre, Castelo Branco e Faro ardem menos que os outros e não admira: já ardeu aí muita da grande mancha florestal que podia arder, já centenas de agricultores e silvicultores das serras do Caldeirão ou de S. Mamede perderam tudo o que podiam perder.

O segundo tipo de território que está a arder, em particular neste ano de 2005, é o território das matas periurbanas, características dos distritos mais feios e mais destruídos do país: os do litoral Centro e Norte. Os citadinos podem ver esse território nas imagens da televisão, a arder por detrás dos bombeiros exaustos e das mulheres desesperadas que gritam "valha-me Nossa Senhora!": é o território das casas espalhadas por todas as encostas e vales, uma aqui, outra acolá, encostadas umas às outras, sem espaço para passar um autotanque, separadas por caminhos serpenteantes, que ficaram em parte por alcatroar - é o território das oficinecas no meio de matos de restolho sujo de óleo, montanhas de papel amarelecido ao sol, garrafas de plástico rebentadas. É o território dos armazéns mais ou menos ilegais, cheios de materiais de obra, roupas, mobiliário, coisas de pirotecnia, encostados a casas ou escondidos nos eucaliptais, o território dos parques de sucata entre pinheiros, rodeados de charcos de óleo, poças de gasolina, garrafas de gás, o território dos lugares que nem aldeias são, debruados a lixeiras, paletes de madeira a apodrecer, bermas atafulhadas de papel velho, embalagens, ervas secas. É o território que os citadinos, leitores de jornais, jornalistas, ministros, nunca vêem porque só andam nas auto-estradas, o território, onde, à beira de cada estradeca, no sopé de casa encosta, convenientemente escondido dos olhares pelas silvas e os tufos espessos de arbustos, há milhares - literalmente milhares - de lixeiras clandestinas, mobília velha, garrafas de plástico, madeiras de obras (é verdade, embora poucos o saibam: o campo, em Portugal, é muito mais sujo que as cidades).

Este território foi criado, inteiramente criado, pela III República. Nasceu da conjugação entre um meio-enriquecimento das pessoas, que, 30 anos depois do 25 de Abril, não chega para lhes permitir uma verdadeira mudança de vida, e o colapso da autoridade do Estado central e local, este regime de desrespeito completo pela lei, que começa nos ministros e acaba no último dos cidadãos. É o território do incumprimento dos planos, das portarias e regulamentos camarários, o território da pequena e média corrupção, esse sangue, alma, nervo da III República.

É evidente que a tragédia dos campos e das periferias urbanas portuguesas se deve também ao aumento das temperaturas. Para isso, o regime tão-pouco oferece perspectivas. De facto, seria necessário mudar de vida para enfrentar o que aí vem, a alteração climatérica de que começamos a experimentar apenas os primeiros efeitos: por exemplo, seria necessário reordenar a paisagem, recorrendo à expropriação de casas, oficinas, armazéns, sucatas. Seria necessário proibir a plantação de eucaliptos e pinheiros. Na cidade, pensando sobretudo nas questões relativas ao consumo de energia, seria necessário pensar na mudança de horários de trabalho, fechando empresas, lojas e escolas entre o meio-dia e as cinco da tarde de Junho a Setembro, mantendo-as abertas até às oito ou nove da noite, de modo a poupar os ares condicionados - cuja factura vai subir em flecha. Modificar os regulamentos da construção civil, de modo a impor pés-direitos mais altos, menos janelas a poente, sistemas de arrefecimento não eléctricos. 

Para alterações deste calibre - que são alterações quase de civilização -, seria preciso um regime muito diferente deste, um regime de dirigentes capazes de dizer a verdade, de mobilizar os cidadãos, de manter as mãos limpas.

Vivo no campo ou perto do campo, na região centro, há já alguns anos. Há três Verões que me sento a trabalhar, enquanto a cinza cai de mansinho no meu teclado, em cima dos meus livros, no chão que piso.

Não tenho culpa do que é hoje este país e o regime que o representa: militei e votei sempre em partidos que apregoavam querer outro tipo de regime e deixei de militar e de votar quando vi esses partidos tornarem-se tão legitimistas como os outros.

Espero um rebate de consciência política por parte destes políticos, ou o aparecimento de outros. Faço como muitos portugueses: espero por D. Sebastião, desempenho a minha profissão o melhor que posso, e penso em emigrar. Historiador (Podentes, concelho de Penela) 

Missa em sufrágio das vítimas de Pedrogão Grande

Há uma semana, a paróquia de Alcântara em união com a Junta de Freguesia, organizou uma missa em sufrágio pelas vítimas do incêndio de Pedrogão Grande. 
Esta fotografia espelha bem a beleza dessa celebração. 


Em Castanheira de Pêra

MARTA CALADO     27.06.17


Viemos de Castanheira de Pêra um bocado tristes pela destruição de vidas (as que já foram e as que ficaram sem nada)  e também da nossa querida natureza. 



Fomos a Vila Facaia e os seus habitantes são um exemplo de por confiarem na providência que a todos nos quer bem, Esperança porque ao estarem vivos não deixam de dar valor à sua própria vida, como dizia a Sra. de 84 anos, preciso de ir a Fátima agradecer ter sido salva, e Caridade porque não se pode não ajudar, o nosso coração é como que agarrado pelo flagelo de há uma semana. 

A prova disso são os bombeiros que já tendo apagado os fogos trabalham incansavelmente ao serviço da comunidade recebendo os voluntários dando lhes alimentação e dormida mesmo com os seus colegas internados em risco de vida. 

Não podemos não estar agarrados ao que aconteceu no nosso Portugal e foi isso que nos levou ir lá... 

Tenho muito mais para contar, por exemplo o trabalho espetacular dos médicos do mundo onde trabalhamos.

Marta Calado

Carta aberta ao primeiro-ministro de Portugal

FRANCISCO GOMES DA SILVA     PÚBLICO       24.06.17

Peço-lhe que desconsidere, se tal lhe for possível, o facto de o signatário desta carta ter sido secretário de Estado das Florestas (e do Desenvolvimento Rural) do Governo que antecedeu aquele a que V. Exa. preside (o XIX, já que o XX só contou para as estatísticas). E peço-lho apenas para que me possa ler liberto de qualquer estigma partidário que, asseguro-lho, não me move nesta matéria.

Não tenho por hábito “sacudir a água do capote” e, como tal, não posso deixar de sentir um peso particular, enquanto ex-titular daquela pasta, pela tragédia que ocorreu recentemente no incêndio de Pedrógão Grande. Já publicamente me penitenciei por não ter tido a força, o engenho e a arte para fazer melhor quando tive essa oportunidade. Garanto-lhe que tentei com todas as minhas forças! Dito isto, gostaria de lhe deixar algumas simples sugestões, que espero possam contribuir para as suas decisões sobre esta matéria. Se forem boas, espero que as utilize. Se entender que são inúteis, restar-me-á agradecer-lhe o tempo que gastou ao lê-las.

1. Resista a pensar que o “problema” e a sua resolução são matéria exclusiva da Proteção Civil e do “combate”, pois a realidade dos incêndios florestais dos últimos anos desmenti-lo-á. Não basta apregoar a importância da prevenção: é urgente alocar-lhe meios robustos. Concentre-se nisto.2. Reúna, longe dos holofotes e sob compromisso de reserva, os titulares da pasta das Florestas e da Administração Interna (os secretários de Estado, já que juntar ex-ministros não deve ser fácil) dos diversos Governos dos últimos 14 anos, cobrindo todos aqueles que assumiram responsabilidades desde o ano de 2003 (o primeiro dos anos fatídicos em matéria de incêndios) e peça-lhes uma opinião sobre o que há a fazer em matéria de “Política de prevenção e combate a incêndios florestais” e, o que não é o mesmo, em matéria de “Política de defesa da floresta contra incêndios”. Sou dos que acreditam, por princípio e ao contrário do que nestas horas se houve à boca cheia, na capacidade daqueles que foram escolhidos para desempenhar cargos governativos. Aflige-me o desaproveitamento da experiência que foi paga com o erário público.
3. Faça o mesmo com alguns “sábios” (sem qualquer ironia no termo) em matéria florestal, em matéria de ecologia e gestão do fogo e em matéria de proteção civil. Se entender útil, disponibilizo-lhe uma lista de uma dezena de nomes: académicos, técnicos de empresas privadas, funcionários públicos. Uma lista politicamente insuspeita, do Partido Comunista ao CDS. Ficará surpreendido, ou talvez não, com alguns consensos que existem sobre estas matérias, desde que discutidas longe dos holofotes da imprensa.
Peça, a cada um destes dois grupos, que produza um documento com um máximo de dez páginas (há que limitar a retórica inútil) sobre o que há a fazer, juntando a experiência de quem teve que “gerir” épocas de incêndios florestais com a “sabedoria” de quem cientificamente conhece algumas das soluções.
Por temer que V. Exa. possa não ter disponibilidade para seguir estas minhas humildes sugestões, aqui ficam algumas pistas, limitadas no seu âmbito, para sua reflexão:
- separe a defesa das pessoas e bens (muito bem entregue aos bombeiros voluntários) do combate aos incêndios florestais; como temos ouvido (e bem), o incêndio florestal só é combatido de facto (numa lógica de proteger a floresta) depois de garantida a prioridade da salvaguarda das pessoas; será que a floresta não merece que a protejam?
- aposte na criação de uma estrutura única e profissional, multidisciplinar e operacional, com os recursos humanos, materiais e financeiros adequados, dedicada 12 meses por ano à prevenção e combate; para o efeito pode consultar os estudos técnicos que lhe foram entregues em 2006 (que serviram parcialmente de base ao PDFCI), pois está lá tudo; em momentos críticos como os que ciclicamente se vivem nesta matéria, estamos a travar uma verdadeira guerra e as guerras não se ganham com voluntarismos nem com heróis.

- leve a sério a necessidade de uma campanha de sensibilização massiva e nacional sobre negligência e comportamentos de risco da população; a maioria esmagadora das ignições todos os anos tem esta origem, como poderá verificar nos dados publicados pelo ICNF sobre investigação das causas dos incêndios; se o fogo não começar, não alastra.

- atue ativamente para não estigmatizar nenhuma das espécies florestais, nomeadamente o eucalipto; usando uma frase de um dos sábios que atrás referi, “o que comanda o fogo é a estrutura dos combustíveis e não a espécie dominante”; se estivéssemos no ponto de discutir a importância das espécies nesta matéria (e estamos tão longe disso!), era sinal que o essencial tinha sido feito; fuja de respostas fáceis e de lugares comuns como este, que não se baseiam no “conhecimento”, principio que V. Exa. tanto tem reivindicado noutras circunstâncias como forma de guindar a sociedade portuguesa a patamares civilizacionais mais elevados.

Por aqui me fico, pois aprendi que uma página A4 é o que se pode exigir a um ministro (neste caso, primeiro) que leia. Desejo-lhe o maior sucesso, a bem dos portugueses, da floresta e do país.

Atravessar um Inferno

POVO  27.06.17


'If you are going through hell, keep going.'

Winston Churchill


À procura de uma frase que ilumine o 'inferno' dos passados 10 dias, socorreu-me um estadista que ajuda a trazer à atenção uma notícia que, como qualquer outra que não seja sobre incêndios, corre o risco de não ser notícia neste rescaldo de Pedrogão Grande: Começou ontem o Estoril Political Fórum, em cujo âmbito, o Professor Cónego João Seabra receberá o prémio Faith & Liberty Lifetime Tribute esta 4ª feira, dia 28 de Junho. A quem tenha gosto em participar nesta homenagem, interessará saber que a entrada é livre mediante registo prévio aqui. A amizade do meu pai pelo Pe. João e a importância que lhe dá na sua educação na fé, já em idade adulta, é a partilhada por muitos e relembrada aqui.

'Se está a atravessar um inferno, continue a andar.'
Winston Churchill

Pela primeira vez tive dificuldade em encontrar notícias para partilhar. A monopolização do assunto e a insistência em criar polémica, ajudaram a isso. O fogo quer-se extinto, mas não há muitos que para isso contribuam atiçando novos fogos de palavras. Não obstante o necessário apuramento das responsabilidades e re-organização da prevenção, seleccionei dois artigos de duas pessoas de lados opostos do quadrante político que me parecem trazer um juízo justo à questão.  


O ano do centenário de Fátima é o ano do centenário da revolução bolchevique. Esta é celebrada pelo PCP com uma verdade revolucionária, tão adequada à nossa era da pós-verdade.

A verdade é o que ainda se procura por Pedrogão Grande, mas a encontrar respostas será uma resposta muito portuguesa. Para uma melhor compreensão deste contexto português, listo abaixo alguns artigos que o meu pai seleccionou no ano passado sobre os incêndios em Portugal.



AGENDA

Atribuição do Prémio
Faith & Liberty Lifetime Tribute

Professor Cónego João Seabra

28 de Junho, 18:00 - 19:30

Precisamos de “cantinhos de conforto” nos hospitais e de pediatras nos centros de saúde

São pelo menos seis mil as crianças e jovens que todos os anos precisam de cuidados paliativos no país.

Se no cancro já há equipas organizadas, noutras doenças não há quase nada

Por ano, há pelo menos seis mil crianças e jovens (até aos 18 anos) a precisar de cuidados paliativos e uma pequena minoria, cerca de duas centenas por ano, irá morrer, sobretudo de cancro, doenças cardiovasculares e neuromusculares. Para a pediatra e oncologista do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa Ana Lacerda, que analisou os dados e fez estas contas, o Kastelo é uma iniciativa “excelente”, mas é essencial pensar num plano a nível nacional. Também Manuel Capelas, da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, frisa que se está a partir quase do zero nos cuidados continuados e paliativos pediátricos em Portugal e que é preciso “planeamento estratégico”.

Desde 2005, com uma equipa que presta este tipo de apoio a crianças com cancro no IPO de Lisboa, onde trabalha, Ana Lacerda coordenou um grupo de trabalho para criação de uma rede nacional de cuidados continuados pediátricos e elaborou uma proposta que está nas mãos dos responsáveis do Ministério da Saúde.


Ministério quer cuidados paliativos de “qualidade” ainda neste semestre
Propõe-se, entre outras coisas, a criação de equipas intra-hospitalares e de núcleos de cuidados pediátricos em cada um dos agrupamentos de centros de saúde (Aces), recuperando a figura do pediatra comunitário. “As famílias das crianças querem tê-las em casa, mas para isso precisam de suporte”, frisa a médica.

Quando isso não é possível, a alternativa poderá passar pela criação dos chamados “cantinhos de conforto” nos hospitais, aproveitando quartos dentro dos serviços de pediatria, mas organizados em moldes diferentes, sugere. Quartos onde os pais possam ficar à noite, onde haja visitas à vontade, onde “as crianças não tenham a tensão arterial medida três vezes por dia”, exemplifica.

Se, no cancro, já há equipas organizadas, como nos IPO de Lisboa e do Porto, nas doenças neurológicas, nas metabólicas, nas neuromusculares — patologias com que estes doentes podem viver ao longo de décadas — não há quase nada, lamenta.

Estas crianças e jovens estão dispersas pelos serviços de saúde, quando deveriam ser apoiadas por equipas especializadas, recebem cuidados mas não de forma organizada. Como é difícil ter serviços especializados para todos, devia haver pelo menos um quarto especial nos serviços de adultos, recomenda.

Sublinhando que o que está aqui em causa não são apenas cuidados em fim de vida (os paliativos vão muito para além disso), Ana Lacerda acredita que a criação de unidades como o Kastelo é importante mas deveria ser o último passo, até porque estas estruturas são muito difíceis de sustentar do ponto de vista financeiro e são “pouco equitativas”. Porquê? “Porque para se poder assegurar este tipo de cuidados perto de casa teríamos que ter uma em cada distrito”, lembra. Serão precisas alternativas pontuais ao internamento, como é o caso do Kastelo, mas o grande foco serão sempre as famílias, que deverão ser ajudadas e ensinadas a cuidar destas crianças onde elas devem estar, em suas casas, insiste.

Manuel Capelas lembra ainda o trabalho desenvolvido por instituições, como a Fundação do Gil e a Acreditar (crianças com cancro), que têm prestado apoio aos hospitais com equipas de apoio domiciliário. 

"Un monde en transformation interpelle toute l’Église."

CONFERÊNCIA DO PROF. FABRICE HADJAJ NO III CONGRESSO DOS MOVIMENTOS ECLESIAIS E NOVAS COMUNIDADES A 20 DE NOVEMBRO, 2014

  Hadjadj_20Nov2014 by papinto on Scribd

A Menina de Aleppo é das pessoas mais influentes na internet para a Time

KARLA PEQUENINO     PÚBLICO   26.06.17

Bana Alabed ficou conhecida por ser a menina que escrevia do Inferno para o mundo, via Twitter.



“Olá mundo. Ainda estamos vivos”, escrevia Bana Alabed, em Setembro, na cidade de Alepo, na Síria. Na altura, tinha sete anos. As mensagens, publicadas pela mãe no Twitter, eram lidas por todo o mundo: “Bombas, bombas, bombas… Não sabemos se vamos sobreviver”, era uma, de entre muitas, a descrever o inferno que se vivia na cidade.

Hoje, aos oito anos, depois de escapar aos horrores da guerra, Bana, foi considerada das pessoas com mais influência na Internet pela revista Time. A escolha anual baseia-se na popularidade das pessoas nas redes sociais e na capacidade de gerarem manchetes de notícias. “Quando uma menina de sete anos escreve no Twitter que tem medo de morrer num bombardeamento, o mundo repara”, justifica a Time, no texto de apresentação dos vencedores.

Entre os outros 24 nomes mencionados pela revista está a escritora da série Harry Potter, J.K. Rowling, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em comum, partilham a atenção que recebem online, nomeadamente no Twitter. Trump, consciente do seu sucesso nas redes sociais, terá mesmo dito numa acção de campanha em Novembro de 2015, que alguns o consideravam "o Hemingway do Twitter". É o lider mundial mais seguido nesta plataforma. 


Rowling, de resto, responde frequentemente a Trump. Depois de este utilizar o Twitter para criticar o presidente da câmara de Londres por pedir à população para manter a calma após o ataque de dia 3 de Junho, Rowling escreveu: "Chama-se liderança, Donald. Os terroristas estavam mortos oito minutos depois de a polícia receber a chamada. Se quisermos um alarmista pomposo, telefonamos". A publicação foi destacada pela Time por receber o dobro dos likes da publicação original do líder norte-americano. 

A lista da revista é diversificada. Inclui Matt Furie, o criador de Pepe, o Sapo (um personagem de uma tira de banda desenha online que, contra a vontade do criador, se tornou num símbolo das imagens difundidas online por apoiantes da extrema-direita nos Estados Unidos); a blogger Cassey Ho, conhecida pelos seus vídeos de exercício e receitas saudáveis no YouTube, as cantoras Katy Perry e Rihanna (cujas mensagens no serviço de mensagens Snapchat têm sido tema de notícias em alguns jornais online), e a socialite Kim Kardashian (que foi assaltada em Paris com base em informação partilhada pela própria nas redes sociais).

Porém, Bana (com as suas mensagens de ajuda e esperança) é a única criança a ocupar um lugar no pódio.

A página do Twitter – @AlabedBana – tem mais de 365 mil seguidores que a conheceram, o ano passado, como a “menina de Alepo”. Com a ajuda da mãe, Fatemah Alabed – uma professora de Inglês que gere a conta da filha no Twitter – , Bana publicou fotografias, mensagens de esperança e vídeos da vida no meio da guerra. “Esta é a casa da minha amiga depois das bombas. Foi morta.Tenho muitas saudades dela”, lê-se numa das mensagens que data de Setembro. “Quero ser uma professora, mas esta guerra está a arruinar o meu sonho. Parem o bombardeamento. Deixem-me aprender inglês e matemática”, era outra.


A esperança da mãe, que começou a utilizar a sua ligação irregular à Internet para publicar mensagens dos filhos era chamar a atenção do mundo. Apesar das críticas e de haver quem não acreditasse na existência de ligação de Internet na zona, a mãe não parou.

"Há Internet no leste de Alepo. Há energia solar no le3ste de Alepo. Há a Banna, no leste de Alepo, que está a sofrer e a escrever no Twitter. Boa noite", disse Fatemah Alabed, num tweet assinado por si (para o diferenciar dos da filha), no início de Dezembro. Dias mais tarde, a família foi levada para a Turquia onde vivem actualmente como refugiados.

A página @AlabedBana teve muito impacto e originou centenas de notícias sobre os horrores da guerra civil na Siria, numa altura em que poucos jornalistas tinham acesso à região. Alguns tweets foram mesmo republicados por J.K. Rowling, que enviou a Bana uma edição electrónica de Harry Potter. Até o Presidente sírio, Bashar al-Assad, falou da conta de Twitter: tentando desacreditá-la por ser de “terroristas ou seus apoiantes”, mas era tarde de mais. Bana tinha-se tornado a cara de milhares de crianças na zona.

No Outono, vai publicar um livro de memórias com o apoio da editora Simon & Schuster. Porém, meses depois de conseguir escapar ao inferno na Síria, a conta de Twitter continua a ser a palco de comunicação principal para difundir mensagens de esperança. “Caro mundo, podemos parar de nos matar uns aos outros e, em vez disso, amarmo-nos? Sim, podemos”, escreveu a 24 de Maio. As mensagens continuam a ser lidas e partilhadas por milhares.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Os sete sinais do nosso tempo, segundo Hadjadj: devemos recordar «as primeiras evidências»

http://www.religionenlibertad.com/

“Nuestro mundo es cada vez más el de la desencarnación. Nos hallamos en la época del in vitro veritas, sea el cristal de las pantallas o el vidrio de las probetas”, afirma Fabrice Hadjadj (Nanterre, Francia, 1971), filósofo y escritor de ascendencia judía y católico converso desde 1998.

Hadjadj, que dirige el Instituto Europeo de Estudios Antropológicos Philanthropos de Friburgo, considera que, en la actualidad, “la misión más espiritual es volver a descubrir la carne, desarrollar –como decía Juan Pablo II– una verdadera teología del sexo y, sobre todo, una teología de la mujer y de la maternidad”.

El pensador francés señala que “los apóstoles ya no deben limitarse a hacer milagros, sino que deben recordar las evidencias primeras: que la mujer es mujer y el hombre es hombre; que el matrimonio es entre un hombre y una mujer; que las vacas no son carnívoras; que lo natural no es una construcción convencional; que el ser no es la nada”.

Siete signos de nuestro tiempo

Hadjadj identifica siete signos presentes en nuestro tiempo:

1. Fin del progreso, comienzo de la esperanza. “Las grandes utopías políticas de los siglos XIX y XX han muerto: una afirmación que vale tanto para el comunismo como para el capitalismo”.

Cuando se destruyen las “esperanzas mundanas, la esperanza teologal puede reabrir un futuro”, pues está “afianzada en la fe en el Porvenir eterno, en Aquel cuyo nombre es”.

2. De la globalización a la catolicidad: la ecología integral. Según el pensador francés, la cuestión ecológica se ha convertido en un lugar decisivo de evangelización. “Al margen de su urgencia, la ecología conlleva la contemplación de un orden natural dado; y por lo tanto, y en última instancia, la elevación hacia un Creador de ese orden”.

El Papa Francisco, con su encíclica Laudato si y su magisterio, también pone énfasis en la importancia del cuidado de la naturaleza.  


3. La era de la tecnología y la exigencia de la austeridad. El autor afirma que estamos en la época de la tecnología, y considera que para evangelizar, “los medios temporales pobres y sencillos son superiores a los medios temporales complejos y sofisticados”.

Piensa que el “verdadero amor al prójimo no se aprende sino acercándose a él. La esperanza en el cara a cara con Dios sólo se transmite a través del cara a cara con el otro”.

Abrirse a la amplitud de la razón

4. Frente al culto al sentimiento, la amplitud de la razón
. Hadjadj afirma que frente al pensamiento de que “lo real es lo que siento y lo que construyo”, la misión debe tener la “valentía para abrirse a la amplitud de la razón”.

Esta razón amplia “permite escapar del doble culto al capricho y al cálculo”. Para lograr esa salida, “hay que reconocer el papel auxiliar pero necesario de la filosofía y la labor conceptual pero contemplativa de la teología”.

5. Frente al desmaterialismo, el Verbo se hizo carpintero. El filósofo francés considera que “hemos pasado del paradigma de la cultura al paradigma de la ingeniería”. Ante la pérdida del sentido de la materia, Hadjadj señala que “el Verbo se hizo carne y carpintero. No es algo anecdótico. Quiso trabajar con sus manos la madera”, y “no es casualidad que recurriera con frecuencia a imágenes de los campos, de la viña, de la mostaza”.  

6. Frente al dividualismo, las comunidades pequeñas. “Desde el momento en que el individuo pretende construirse solo, lo único que hace es desligarse de su origen social, reducirse él mismo a un conjunto de piezas sueltas”. Frente a ello, “nuestra época necesita más testigos que maestros”. Pero “el testimonio no debe ser sólo individual. Debe ser el testimonio de una comunidad viva, acogedora, radiante, con un atrio abierto a la calle”.  

7. Frente a “Dios” como “fórmula mágica”. El escritor converso explica que “el espiritualismo es perfectamente compatible con todas las manipulaciones de los seres vivos”. El tecnologismo “muestra una inclinación a la exaltación del espíritu y el desprecio de la carne”.

En este contexto, Dios es visto no como Padre, sino como “Referencia”. “El islamismo nos ofrece un buen ejemplo de ello”, pues reivindica a un “Dios que desprecia la cultura, la historia, las patrias...”.  


Libro que recoge las propuestas del pensador francés.

Hadjadj expuso estos signos de los tiempos en una conferencia que pronunció en la inauguración del III Congreso Mundial de los Movimientos Eclesiales y las Nuevas Comunidades, celebrada en Roma el 20 de noviembre de 2014. 

Su intervención ha sido publicada por Ediciones Rialp en 2016 con el título La suerte de haber nacido en nuestro tiempo. Hadjadj ha obtenido varios premios de literatura en su país.