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Senhorios privados de solidariedade social

Fernanda Câncio DN 20160830 A decisão que a esquerda unida tomou não tem nada a ver com capacidade económica de inquilinos, nem sequer visa proteger os idosos e deficientes. É desnecessária, iníqua, geradora de injustiça social e de justificada desconfiança no Estado, demagogicamente apresentada como um bodo aos pobres. A esquerda no seu pior A notícia é de molde a humedecer as vistas: "Vão continuar congeladas as rendas para os mais necessitados", diz o Diário Económico. E explica: "O objectivo é congelar as rendas para pessoas com mais de 65 anos, para os portadores de deficiência e para comerciantes que tenham lojas com interesse histórico e cultural." Mais à frente, garante: "O Governo, o PS e o Bloco acordaram adiar o aumento das rendas para quem tem menos capacidade de as pagar." Parece muito bonito, mas não é verdade. A decisão que a esquerda unida tomou, e que um projeto de lei do PS, apresentado em abril, já prefigurava, não tem nada a ...

Está a gozar, não está?

Helena Matos Observador 31/8/2016 Quem garante aos senhorios de "cariz social" que daqui a uns meses o Governo não rompe o que assina com eles? Afinal foi isso que já aconteceu aos colégios e que agora se anuncia para a saúde. “Governo cria incentivos para senhorios terem estatuto de “cariz social”. Ministério quer convencer privados a praticar rendas acessíveis às classes média e média baixa, mais atingidas pela crise, revela o secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, José Mendes.” – Lia-se na versão online do PÚBLICO. Na versão em papel, o destaque da capa ia também para este propósito governamental: “Governo prepara ajudas para envolver privados nas rendas sociais. José Mendes, secretário de Estado Adjunto e do Ambiente, quer avançar com a figura do senhorio de cariz social. Em estudo estão incentivos para aumentar a oferta de casas às famílias de menores rendimentos.” Deixando de lado a subtileza que leva a que numa versão os senhorios sejam envolvidos e...

O direito fundamental à habitação (em Alfama, vista rio)

João Taborda da Gama DN20160612 Num evento chamado Trienal de Arquitetura, decidiu-se que "urge estancar a sangria do centro histórico da cidade". Compreende-se: sangria é uma coisa mais de praia do que de cidade e mancha a calçada portuguesa quando derrama, e fica ali a fruta toda a apodrecer e inclusive as velhotas podem escorregar e partir o fémur. Mas parece que a sangria que querem parar não é a bebida, é em sentido figurado a desertificação. Bastava o mínimo de coerência e estudo, ou até ir de vez em quanto ao tal centro histórico da cidade, para se perceber que não há qualquer sangria do centro histórico motivada pelo turismo, ou pelos estrangeiros que vêm para cá viver, ou pelo investimento imobiliário. O que há é precisamente o contrário, um vislumbre de vida e de viço. Durante as décadas e décadas em que Alfama perdia população, ninguém quis trocar o conforto de Telheiras pela realidade de Alfama. Alfama estava "esquecida em cada dia que passa", como ...