A geringonça há de inventar um Bolsonaro em Portugal
RUI RAMOS 2.11.2018 OBSERVADOR A estratégia de defesa da geringonça está definida para quando um líder da direita tiver chances de chegar a primeiro-ministro: acusá-lo de ser “fascista” e gritar que a democracia vai acabar. Não é só o azar que atormenta os povos. É também a sorte. E a sorte que mais atormenta os comentadores portugueses, enquanto pelo mundo triunfam Salvinis e ganham Bolsonaros, é que a pátria continue ditosamente isenta de uns e de outros. No tempo dos populismos, somos o país onde as elites dormem descansadas. De tal modo, que para nos exaltarmos com o fascismo, como agora voltou a ser moda nos estúdios de televisão, tivemos de ir pedir o drama emprestado ao Brasil. Há quem, a propósito da falta de uma Le Pen portuguesa, nos mande agradecer ao PCP e ao BE. Talvez seja demasiado paradoxal: estas são as forças políticas que inicialmente mais ameaçaram a democracia em Portugal, e que hoje, aliás, concordam frequentemente com Le Pe...