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Nadador português bate recorde mundial e europeu

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O nadador português de natação adaptada, Filipe Santos, bateu o recorde do Mundo dos 25 metros livres e da Europa dos 25 metros mariposa, no decorrer do Campeonato Nacional de Inverno da Mealhada. O atleta, portador de Síndrome de Down, nadou a distância em 14.15 minutos, superando o anterior recorde mundial de 14.56 minutos que estava na posse do sul-africano Sean O’Neil, desde 2007. Antes deste feito e ainda na mesma competição, o nadador do FC Ferreiras, havia superado o recorde europeu dos 25 metros mariposa ao registar no cronómetro 15.89 minutos.

Cristianismo e Jogos Olímpicos

P. Gonçalo Portocarrero de Almada Observador 27/8/2016 Se é à revolução francesa que se deve a restauração do olimpismo, como explicar que os Jogos Olímpicos só tenham recomeçado “moderna e definitivamente em 1896”, ou seja … mais de cem anos depois?! No Público de 19 de Agosto passado, o historiador Rui Tavares, que também é fundador do Livre, escreveu: “o que acabou com os Jogos Olímpicos antigos foi a chegada ao poder do cristianismo. Teodósio, o primeiro imperador cristão a governar sobre o Império Romano (Constantino foi o primeiro a converter-se ao cristianismo, mas já perto da sua morte), emitiu uma série de decretos abolindo todo o tipo de cultos aos deuses pagãos, e foi assim que os Jogos Olímpicos, que eram tanto uma festa religiosa quanto desportiva, se extinguiram por mais de mil e quatrocentos anos. Teodósio era orgulhosamente intolerante contra os rituais, as imagens e a sensualidade do paganismo”. É curioso que este historiador, embora reconheça que Constant...

O fracasso olímpico português e o culto das medalhas

André Azevedo Alves 27/8/2016 Parece altamente duvidoso que haja algum benefício no frenesim nacionalista criado em torno da concorrência por medalhas olímpicas mas, a tê-lo, que se distribuam os recursos de forma mais eficiente Alguns dias passados sobre o encerramento do frenesim olímpico talvez já seja possível fazer um balanço mais frio e ponderado do Rio 2016. Pela minha parte, houve dois aspectos merecedores de realce: mais uma fraca participação portuguesa em termos de medalhas e o simbolismo que a contabilidade dessas mesmas medalhas parece continuar a assumir no imaginário nacionalista de muitos. São aspectos distintos, mas creio que há pontos de contacto entre eles. Devo realçar que não considero a contabilidade das medalhas particularmente relevante – e certamente não é sinal de prosperidade ou desenvolvimento. Basta pensar que países como Cuba ou a Coreia do Norte – cujas populações são quotidianamente martirizadas pelo totalitarismo comunista – conquistaram re...

O desporto faz mal à saúde

João César das Neves DN 20160818  O drama de Michael Phelps inspira multidões, transformando-se numa das histórias marcantes dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mas nunca se diz que essa história representa uma traição ao espírito olímpico e uma terrível condenação do materialismo obsessivo do nosso tempo. Phelps é o maior nadador e um dos maiores atletas de todos os tempos. Com inúmeros títulos e recordes em seu nome. Em especial, tem lugar de destaque precisamente nos Jogos Olímpicos, tendo participado em cinco (Sydney 2000 - sem medalhas -, Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016). Com 31 anos, é a pessoa mais medalhada de sempre (28), com mais medalhas de ouro (23, mais do dobro do segundo), com mais medalhas em provas individuais (16) e com mais medalhas de ouro em provas individuais (13). É ainda o mais velho campeão olímpico numa prova individual de natação. Mas aquilo que agora o destaca, e lhe dá o toque humano que cria as histórias inspiradoras, é a recuperaçã...

O país da choraminguice. E o país de Telma Monteiro

José Manuel Fernandes Observador 15/8/2016 Telma foi generosa, disse que tinha tido a "garra" dos portugueses. Antes fosse assim e a nossa regra fosse a da superação, humildade e querer. Não é. Preferimos sempre dizer: “a culpa não foi minha”. Quem nasce num bairro social, pode aparentemente ter muitas desvantagens, mas também ganha coisas que não têm preço. Não sei o que pensarão aí uns 99% dos portugueses de uma frase como esta, mas imagino: quem assim pensa só pode ser parvo. Mas prossigamos, que estou a citar, não a inventar. “Quem vivia naquele meio podia ter dificuldades monetárias na sua família, como era o meu caso, podia não poder comprar os ténis de marca, (…) teria até de presenciar situações a que não é normal uma criança assistir (…), mas uma coisa era certa: para nós havia todo um mundo por explorar, montes de espaço para descobrir, mil aventuras à nossa espera, e estava tudo ali, à nossa porta”. Estas recordações são de Telma Monteiro, o bairro...

Estudar para ser campeão europeu

Alexandre Homem Cristo Observador 11/7/2016 A Selecção recorda o que não éramos mas já somos: um país escolarizado, menos dependente do talento, mais conhecedor dos seus limites e capaz de contornar adversidades. Era o que faltava para vencer. Ganhámos. Ganhámos finalmente. Contra a França e em França, ultrapassando o trauma de 2000, aquele que a mão de Abel Xavier impôs sobre a nação. A euforia tomou conta dos corações. Não, isto não é só sobre futebol. Aliás, nunca foi apenas sobre futebol. Sabe quem vibra no estádio que no relvado se joga um país, que se partilha a emoção com o vizinho, que se defende uma identidade e um sentido de pertença, que se afirmam as raízes de um povo que se sente global. Sim, o futebol por cá é um tema sério. Um assunto de Estado, que define os termos do patriotismo e que até coloca o Presidente da República no flash interview. Sim, a febre futebolística faz dos jogadores nossos heróis, para inveja dos políticos, elevando-os a verdadeiros represen...

A França é a França e Portugal é maior

Graça Franco RR online 11 jul, 2016 Desta vez não foi quase, não foi apesar, simplesmente foi. Fomos. Os melhores! Sem mas, nem meio, sem mas. Aconteceu. Portugal venceu a França. Futebol foi 11 contra onze e no final: ganhámos nós. Para os emigrantes de Paris foi noite de “revanche”. Desforra? De quê, de quem? Da frase sobranceira: “A França (sempre), a grande França”. Acompanhada da outra com sabor a humilhação “Le petit portugais”. Como se um português nunca pudesse ser grande. Nem mesmo o Ronaldo do alto dos seus 185 centímetros. Mais 15 do que o Messi. Hoje foi diferente. O relógio aos solavancos a andar para trás. Eles, tão grandes, a ficar pequenos. E nós crescendo como se as bolas esquecidas das malas de cartão vindas das Musgueiras de todos as épocas entrassem em fúria chutadas por Renatos de todos os nomes e transformassem em rendilhado de baliza todas as faixas das riscas. Sem rancor. Não se trata de vingar o passado do velho bidonville (bairro de lata). Esse ...

Porquê História?

Eduardo Cintra Torres Correio da manhã | 2016.07.11 Porque a equipa, jogando em equipa, só teve estrelas. Porque Fernando Santos mostrou as melhores qualidades do português fura-vidas, tartaruga silenciosa contra as lebres convencidas. Porque a humildade ocultava a convicção de poder vencer a arrogância. Porque Ronaldo se tornou, finalmente, capitão da equipa. Porque a equipa ganhou com Ronaldo e, no fim, sem Ronaldo. Porque a equipa, jogando em equipa, só teve estrelas. Porque a selecção do pequeno país ganhou o campeonato dos gigantes. Porque, sendo o futebol o denominador comum dos portugueses, a Selecção lhes deu a maior alegria e o orgulho. Porque os emigrantes puderam libertar, na final que desejavam, os seus anseios e patriotismo. Porque, na miséria em que a política nos enterra há décadas, só o futebol nos dá uma alegria desta dimensão.

Futebol

POVO  11.17.16  Hoje é o dia em que Fernando Santos regressa a casa como prometera. A sua determinação e confiança fizeram crescer uma equipa à frente dos nossos olhos que se foi agigantando de jogo para jogo. Há muita lição a tirar deste feito que orgulha Portugal inteiro e a que se associam com a mesma intensidade todos os povos que ao longo da história partilharam desta especial maneira de ser (basta ver a alegria esfuziante que encheu as ruas de Timor-Lorosae). Proponho a carta que Fernando Santos leu na conferência de imprensa em que agradece à origem da sua confiança. Re-proponho  O futebol segundo Ratzinger  onde Joseph Ratzinger ainda antes de ser papa, procura no futebol virtudes que se podem trazer para a vida. Ontem vimo-las em acção.

Final do Euro 2016

POVO  10.7.16  A duas horas do início do jogo que vai fazer parar Portugal vale a pena perguntar com o então Cardeal Ratzinger, que é que este desporto tem que atrai tanta gente:  "Talvez ao refletirmos sobre essas coisas, possamos novamente aprender com o jogo uma lição de vida, porque nele está evidente algo fundamental: o homem não vive só de pão, o mundo do pão é apenas o prelúdio da verdadeira humanidade no mundo da liberdade. A liberdade por sua vez nutre-se da regra, da disciplina, que ensina a harmonia e a rivalidade leal, a independência do sucesso exterior e da arbitrariedade, e torna-se assim realmente livre. O jogo, uma vida. Se formos mais fundo, o fenómeno de um mundo apaixonado por futebol pode nos dar muito mais do que só um pouco de diversão".  Leiam aqui o artigo inteiro  e bom jogo!

Religião e futebol

Eduardo Cintra Torres | Correio da manhã | 10.07.2016  O desprezo pelo catolicismo é uma herança do jacobinismo.  Muitas pessoas desdenham da religiosidade de Fernando Santos. Católico praticante, não esconde a sua fé, mas também não a alardeia. É a sua. O desprezo pelo catolicismo é uma herança do jacobinismo e da influência maçónica no país desde há um século. Tem imenso poder mediático e político. Muitos que exprimem, conscientes ou não, este desprezo são os mesmos que elevam o futebol ao estatuto de quase-religião. Por exemplo, têm fé, esperança e caridade pela Selecção, mas não lhes passa pela cabeça estarem a mimetizar as três virtudes teologais do catolicismo. Há muitas outras manifestações da "religião profana" do futebol. Esta quase-religião é respeitável, mas denuncia em si mesma a irracionalidade dos ataques à religião verdadeira dos outros.

O verdadeiro patriotismo

Inês Teotónio Pereira DN 201607010 O patriotismo dos meus filhos começa quando o árbitro apita o início do jogo, dura 90 minutos e reacende-se no jogo seguinte. É nos jogos da seleção que eles se sentem portugueses. Comovem-se quando os 11 cantam o hino e naquele momento acham mesmo possível marchar contra canhões e sobreviver. Os meus filhos nasceram com Sócrates, cresceram com a troika e agora vivem a amargura da geringonça. Resta-lhes portanto a seleção. Nunca viram outros feitos nacionais que não fossem protagonizados por Ronaldo, Nani ou Quaresma. Pelo contrário. A diáspora portuguesa está em Pepe e em Raphaël Guerreiro. O Portugal deles está aqui condensado: 23 guerreiros e um mister que os leva a uma final europeia. No futebol ombreamos com a França. Tudo o resto são más notícias. Desemprego, dívida, impostos, falências, bancarrota e políticos que confundem o interesse nacional com o interesse do PS ou da CGTP. Para eles patriotismo é torcer pela seleção, buzinar quando P...

Estudar relvas

João Pereira Coutinho Correio da manhã 03.07.2016 Vitória de Portugal seria o descrédito dos ‘doutores da bola’.  Não dava nada por esta Selecção. Vejo agora que me enganei. Enganei-me, vírgula: continuo a não dar nada, mas gostava que os rapazes trouxessem o caneco. Quando houve o primeiro empate, rosnei. Quando houve o segundo, rosnei novamente: eis uma equipa de profissionais a jogar como amadores. Mas depois veio o terceiro empate, e o quarto, e o quinto – e a coisa começou a interessar-me. Sobretudo quando a imprensa internacional, a começar pela francesa, não poupa nos insultos contra uma equipa tão ‘nojenta’. Agora, só espero que vençam Gales (golo irregular no prolongamento) e despachem a França com uma vitória nos 90 minutos (autogolo de um defesa). Depois de a Dinamarca ter vencido o Euro’92 vinda directamente de férias, o triunfo de Portugal seria o descrédito dos ‘doutores da bola’, que gostam de transformar o jogo em ciência. Quem não brindaria a isso?

Tratar o destino com os pés

Alberto Gonçalves DN 20160703 Até agora, vi a maioria dos jogos da dita selecção nacional no campeonato em curso. Ao estilo (digamos) apresentado, os comentadores chamam "jogo de paciência". Se se referem à paciência necessária para o espectador aturar aquilo, acertam em cheio: o próprio Job tentaria cortar os pulsos após vinte ou trinta minutos de futebol tão lento e destrambelhado. Embora os jogadores me pareçam fracotes, e o "melhor do mundo" fora de forma, fica a impressão de que, entretida a reformular penteados ou a estreitar laços com a "diáspora", a equipa não treinou nada, excepto a estratégia para adormecer adversários ainda menos dotados (os quais são prévia e constantemente considerados prodigiosos de modo a alimentar o patriotismo). Não tem corrido mal: Portugal não perdeu um jogo. Acontece que também não ganhou nenhum, apenas seguindo em frente graças às sucessivas atenuantes nos regulamentos da bola, da "repescagem" aos ...

Renato no lugar de Costa

Inês Teotónio Pereira DN20160702  Os meus filhos sabem tudo sobre todos os jogadores de todas as seleções. Soubessem tanto de Matemática e estaríamos perante meia dúzia de futuros Prémios Nobel. Eles sabem de estatística, falam em potencial e discutem estratégia. Conhecem os nomes das cidades depois de saberem os nomes das equipas de futebol. Munique, Mónaco, Manchester, Dortmund, Zagreb, Leicester, Lyon, são clubes que emprestaram o nome às cidades e não o contrário. Cidade sem clube não existe. Também não interessa a nacionalidade dos jogadores. O mundo é global e mais global ainda é o mundo do futebol. Aqui não há fronteiras, há símbolos; também não há nações, há seleções. Os homens são médios de cobertura ou de construção (não imagino o que seja isto), centrais ou extremos. Cá em casa fala-se dos milhões que cada um vale, pois a língua que falam não se ouve. Se o jogador é bom vale dinheiro, e é isso que interessa: o talento mede-se pelo valor e o mercado funciona ao estilo...

Um golo pode fazer subir o "rating"?

Graça Franco RR online 01 jul, 2016 Como os jogadores islandeses, os adeptos irlandeses e a tenacidade de Fernando Santos podem contribuir para a melhorar a economia nacional. Espero que Fernando Santos, Quaresma, Ronaldo e Renato Sanches acabem a fazer pela economia portuguesa mais do que tem feito o ministro Caldeira Cabral. E podem? Devem. Como? Ensinando-nos o valor do pragmatismo e fazendo disparar a confiança – essa palavrinha mágica que vários estudos provaram resultar para a França da vitória no “Euro-2000”. A importância da “confiança” não domina apenas a linguagem de jogadores/treinadores e comentadores desportivos. Domina os mercados, move consumidores e capta ou afasta os investidores. Comanda muitas das nossas acções. Se há coisa comum ao economês e ao futebol é a busca e o reconhecimento da confiança. Coisa que leva tempo a conquistar e se desfaz em poucos minutos; e muitas vezes resulta de factores quase “irracionais”. Jogadores, treinadores, adeptos e comen...

O empate triunfal

MIGUEL ESTEVES CARDOSO Público 22/06/2016 Viva a selecção portuguesa e a nossa infinita capacidade para o sofrimento! Só há duas maneiras inteligentes de passar: com a nota mínima ou com a nota máxima. Ou com 9,5 valores ou com 20. Tudo no meio é excesso de esforço para muito pouca glória. Portugal foi triunfal a empatar com a Hungria. Dois golos húngaros foram sortudos. Os três golos portugueses foram inequivocamente planeados e justos. A selecção portuguesa teve um azar monumental, mas mesmo assim conseguiu passar. Mandou o azar dar uma volta. Sabendo que três é a conta que Deus fez jogou 3 vezes para ganhar 3 pontos e ficar em terceiro lugar. Tenho para mim que um grande empate é preferível a uma vitória meramente merecida. É muito difícil empatar quando se está a perder. E Portugal esteve a perder três vezes. E três vezes, triunfalmente, empatou. A selecção nunca deixou que os húngaros ficassem muito tempo a pensar que estavam a ganhar. Com uma pressa, precisão e u...