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O PASSEIO DE SANTO ANTÓNIO

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Saíra Santo António do convento, A dar o seu passeio costumado E a decorar, num tom rezado e lento, Um cândido sermão sobre o pecado. . Andando, andando sempre, repetia O divino sermão piedoso e brando, E nem notou que a tarde esmorecia, Que vinha a noite plácida baixando… E andando, andando, viu-se num outeiro, Com árvores e casas espalhadas, Que ficava distante do mosteiro Uma légua das fartas, das puxadas. Surpreendido por se ver tão longe, E fraco por haver andado tanto, Sentou-se a descansar o bom do monge, Com a resignação de quem é santo… O luar, um luar claríssimo nasceu. Num raio dessa linda claridade, O Menino Jesus baixou do céu, Pôs-se a brincar com o capuz do frade. . Perto, uma bica de água murmurante Juntava o seu murmúrio ao dos pinhais. Os rouxinóis ouviam-se distante. O luar, mais alto, iluminava mais. . De braço dado, para a fonte, vinha Um par de noivos todo satisfeito. Ela trazia ao ombro a cantarinha, Ele trazia… o coração no peito. . Sem suspeitarem de que algu...

Dia da Mãe

A Minha Mãe As ilusões semelham-se a um colar De pérolas alvíssimas, de espuma. Se o fio que as segura se quebrar, Caem no chão, dispersas, uma a uma. Caem no chão, dispersas, uma a uma. Se o fio que as segura se quebrar; Mas entre tantas sempre fica alguma, Sempre alguma suspensa há-de ficar. Das minhas ilusões, dos meus afectos, Longo colar de amores predilectos, Muitos rolaram já no pó também. Um só dentre eles não cairá jamais:             Aquele que eu mais prezo entre os demais, — O teu amor santíssimo de mãe. AUGUSTO GIL In Musa Cérula Gostava mais de celebrar o dia da Mãe quando coincidia com o dia da Imaculada Conceição. Era ainda um tempo onde havia poucos "dias de". Que me lembre apenas o dia da mãe e o dia do pai, a 8 de Dezembro e a 19 de Março, respectivamente. A proliferação de dias de quase tudo banalizou estes dias de honrar pai e mãe. Em honra de todas as mãe aqui fica este lindo poema de August...

O passeio de Santo António

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Saíra Santo António do convento, A dar o seu passeio costumado E a decorar, num tom rezado e lento, Um cândido sermão sobre o pecado. . Andando, andando sempre, repetia O divino sermão piedoso e brando, E nem notou que a tarde esmorecia, Que vinha a noite plácida baixando… E andando, andando, viu-se num outeiro, Com árvores e casas espalhadas, Que ficava distante do mosteiro Uma légua das fartas, das puxadas. Surpreendido por se ver tão longe, E fraco por haver andado tanto, Sentou-se a descansar o bom do monge, Com a resignação de quem é santo… . O luar, um luar claríssimo nasceu. Num raio dessa linda claridade, O Menino Jesus baixou do céu, Pôs-se a brincar com o capuz do frade. . Perto, uma bica de água murmurante Juntava o seu murmúrio ao dos pinhais. Os rouxinóis ouviam-se distante. O luar, mais alto, iluminava mais. . De braço dado, para a fonte, vinha Um par de noivos todo satisfeito. Ela trazia ao ombro a cantarinha, Ele trazia… o coração no pei...