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FÁTIMA na História

ISILDA PEGADO       VOZ DA VERDADE      14.05.17 1 – Portugal tem uma longa história de intervenção de mulheres na Política. Nascemos como País após uma luta entre D. Teresa e seu filho, D. Afonso Henriques. 2 – A Rainha Santa Isabel foi, no seu tempo, uma eximia política de que se destaca o seu papel de diplomata na relação entre seu filho (D. Afonso IV) e o primo (D. Afonso XI) – Rei de Castela. Morreu nessa sua missão quando foi a Estremoz, mediar esse conflito. 3 – Conta a história (com alguma lenda, por certo) que uma padeira de Aljubarrota terá contribuído para a vitória de D. João I e de Nuno Álvares Pereira. 4 – Filipa de Lencastre educou e incentivou os filhos para a grande expansão portuguesa pelo mundo – Os Descobrimentos – o que tornou este pequeno país de pouco mais de 1 milhão de habitantes no grande fazedor da História que uniu todos os continentes – Os Descobrimentos. 5 – D. Luísa de Gusmão , mulher do futuro rei D. ...

Desce daí ó Marquês que eles estão cá outra vez

P. Miguel Almeida, sj Observador 1/10/2016 O voto de obediência de um jesuíta inclui por natureza uma postura crítica. Mesmo quando a atitude crítica periga pisar o risco. Só assim se avança, só assim se caminha realmente ao encontro do outro. A Companhia de Jesus, fundada em 1540, viveu altos e baixos, entre a glória e a humilhação, ao ponto de chegar a ter sido suprimida. De Portugal foi expulsa três vezes. Depois da última expulsão, na República, os jesuítas voltam definitivamente para Portugal em 1932, instalando-se inicialmente no Minho e posteriormente, em 1934, chegam a Lisboa. Por curiosidade, a Estátua do Marquês de Pombal em Lisboa, tinha sido inaugurada em 1933. Conta-se, que os descontentes com o regresso da Companhia de Jesus, diziam à boca cheia, quando passavam pela estátua “Desce daí ó Marquês, que eles já cá estão outra vez!” De facto, vieram para ficar. E estão em fase de renovação a nível mundial. Nestes dias haverá em Roma uma magna reunião de jesuítas para...

Inimputável

João César das Neves DN 20160929 Os governos que conduzem os seus países ao colapso são especiais. Vimos isso com Vasco Gonçalves, Pinto Balsemão e José Sócrates, os primeiros-ministros que forçaram Portugal a programas internacionais de ajustamento em 1978, 1983 e 2011. Encaminhando-nos para a quarta derrocada financeira desta democracia, é interessante contrapor as características desses antecessores com as do executivo de António Costa. Antes de mais, destaca-se um aspecto que todos partilham. O actual governo está feliz por existir e espantado por ser aquilo que é. A "geringonça", como ficou conhecida, é uma experiência inédita na nossa democracia, a primeira coligação parlamentar de esquerda, desafiando a sabedoria estabelecida. O simples facto de subsistir delicia os seus partidários. Este é um traço comum aos três casos anteriores. Os governos provisórios viam-se naturalmente como pioneiros, abrindo novos rumos; mas também a governação AD, primeira maioria da ...

A armadilha

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Helena Matos Observador 26/9/2016 Como é possível que, vivendo nós aprisionados nas sucessivas ondas de indignação-condenação promovidas pelos radicais, não vejamos os moderados a ser capazes de trazer os seus assuntos para o debate? 30 de Outubro de 1793. A guilhotina espera-os. Tudo aquilo que nos últimos anos os aproximou e separou está-lhes consumado nos rostos. É como se ainda acreditassem que a sua verve os tornará imortais. Que no fim se lhes fará justiça. Que talvez o povo compreenda… Não sabem ainda que o silêncio e a indiferença serão a sua companhia no percurso que dentro em poucas horas os levará da prisão até ao cadafalso.  “O último jantar dos Girondinos” – é esta a designação por que se conhece este quadro – retrata com alguma liberdade a última refeição de um grupo de deputados que, também com alguma liberdade, podemos definir como moderados, durante a Revolução Francesa. A Revolução Francesa é o tempo a que temos de voltar sempre (ou pelo menos eu volto...

Ódio de classe!

Maria de Fátima Bonifácio Observador 22/9/2016 Mariana não sabe, não tem mundo para saber como são os verdadeiros ricos. Mas sabe uma coisa: “Não se pode ser rico inocentemente.” Todos roubaram, exploraram, ou são réus de qualquer crime semelhante Em Novembro de 1793, quando, na Convenção Nacional Francesa, já declarada a abolição da monarquia e proclamada a Primeira República, se iniciou o julgamento do rei Luis XVI, acusado de “conspiração contra a liberdade pública”, o deputado Louis Saint-Just, com apenas 26 anos, proferiu uma frase que ficou para a História: “Não se pode reinar inocentemente.” E de seguida explicou-se: “Todos os reis são rebeldes e usurpadores.” Todos. Portanto, todos merecem a morte, e esta pré-condenação universal dispensaria até as formalidades de um processo judicial. Na Convenção, Saint-Just depressa se destacou pela violência da linguagem, pela sede de vingança e de sangue; de muito sangue. Adorava a guilhotina, erguida na Praça da Revolução, que no...

40º aniversário da morte de Mao-Tsé-Tung

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Mao Tse-tung 26-12-1873  9-9-1976 Hugo Dantas 20160909 Facebook Quarenta anos atrás, morria este portento. Após uma longa luta com os exércitos nacionalistas de Chiang Kai-shek, desgastados e diminuídos pelo confronto com o invasor japonês, Mao alçou-se ao poder em 1949 com a proclamação da República Popular da China. Foi junto de Estaline que Mao procurou recolher a experiência histórica soviética, angariar auxílio técnico e económico e encontrar abrigo contra o arsenal atómico americano. O regime comunista chinês, que se fizera discípulo do estalinismo, não podia, pois, contemporizar com a denúncia de Estaline por Kruschev depois de 1956. Seguiram-se as acusações de revisionismo ao novo homem forte soviético, a excomunhão mútua, a cisão no bloco socialista, acelerada também pela relutância russa em auxiliar o programa nuclear chinês. Os soviéticos farão regressar os seus técnicos e o crescendo de tensão redundará em escaramuças entre as forças armadas dos dois paíse...

Esclerose dos interesses

João César das Neves DN20160908 Portugal começou este século da mesma forma que o anterior: em decadência. Há mais de 15 anos que vimos sucessivamente a enfraquecer, sem perspectivas de retoma. Em termos demográficos, económicos, financeiros, sociais, políticos e culturais, Portugal vai ficando menor. Na dolorosa trajectória de queda, de vez em quando passamos um novo marco do declínio. O último cartaz do PS assinala a descida de um degrau adicional de abjeção. O slogan "em defesa da escola pública" não é propriamente original. Aliás limita-se a glosar palavras de ordem anteriores de alguns partidos e movimentos extremistas ou corporativos. Apesar disso, ver o Partido Socialista afinar por esse diapasão constitui um grau inesperado de infâmia. Tal hipocrisia não é habitual nas forças democráticas portuguesas. Uma coisa é ler isto em grupos minoritários, que nos habituaram às atoardas mais boçais. Aliás, na boca deles nem sequer chega a ser hipocrisia, de tal modo a ...

De vez em quando… o I.M.I. sobre as casas dos padres

Pe. J. Correia Duarte Voz de Lamego, ano 86/40, n.º 4376, 30 de agosto de 2016  Chegou ao meu conhecimento de que, há dois ou três dias atrás, uma dedicada funcionária pública, escutando atenta na repartição onde trabalha, que alguns párocos foram notificados para pagarem I. M. I. sobre os imóveis das suas paróquias, assim se dignou comentar: - Acho muito bem! Porque é que os padres não hão pagar IMI das casas deles, como toda a gente paga? Também me foi referido que alguém aí presente, mais conhecedor do assunto, lhe fez ver por A mais B que a sua afirmação não estava certa. Efetivamente, o que ela chamava “Casas dos Padres” – igrejas, residências paroquiais e outros edifícios das paróquias destinadas a dar apoio religioso, social e cultural às pessoas da comunidade, nomeadamente na educação das crianças e dos jovens, ou para cuidarem dos doentes, dos pobres e dos idosos – não são dos padres. São da Igreja. São do Povo Cristão. Todas erguidas com as esm...

Perder a cor

João César das Neves DN20160901 Dentro de dias as folhas das árvores começarão a perder a cor, e as viçosas paisagens do Verão tomarão tons sombrios. O mesmo acontece noutras áreas, onde as atitudes democráticas parecem caducas. A Turquia permaneceu décadas um raro exemplo de democracia islâmica, demonstrando a compatibilidade entre a cultura muçulmana e os valores contemporâneos. Agora a ambição de um homem lançou grave mancha no símbolo e prejudicou muito esse diálogo, crucial nos tempos que correm. Aquilo que para Hitler foi o incêndio no Reichstag, a 27 de Fevereiro de 1933, e para Estaline o assassínio de Sergei Kirov, em 1 de Dezembro de 1934, parece ser para Erdogan o golpe falhado de 15 de Julho de 2016. Com truques típicos de tirano, o presidente da Turquia usou o alarme e a ameaça como pretexto para uma vasta purga que ainda dura. O resultado está a ser a imposição do poder de um homem que se revela muito diferente do que era. Porque, é bom lembrar, Recep Erdog...

Walter Alvarez: Ciência moderna nasceu com os Descobrimentos portugueses, antes de Copérnico e Galileu

LUÍS MIGUEL QUEIRÓS Público 22/05/2014 O geólogo, que em 1980 revolucionou a ciência ao descobrir que os dinossauros tinham sido extintos pelo impacto de um asteróide, acredita hoje que a ciência moderna nasceu em Portugal. Na conferência que dá esta quinta-feira à tarde no Porto, na Fundação de Serralves, explica porquê. Ao propor, em 1980, que o desaparecimento dos dinossauros, há 66 milhões anos, foi acompanhado pela extinção de muitas outras espécies e se ficou a dever ao impacto de um asteróide, o geólogo norte-americano Walter Alvarez tornou-se um desses raros cientistas que alteraram radicalmente a nossa visão do passado. O cientista está no Porto e dará na tarde desta quinta-feira, no Auditório da Fundação de Serralves, pelas 17h30, uma conferência intitulada O Estudo da Grande História – Supercontinentes, e como Portugal Inventou a Ciência. A sessão, que incluirá também o lançamento da edição portuguesa do seu livro As Montanhas de São Francisco – À Descoberta dos Eve...