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Sócrates, o manipulador

Luis Rosa Observador 25/10/2015 Sócrates quis retratar-se com uma vítima de um quase Estado totalitário, recorrendo a vários exemplos judiciais para tentar demonstrar que a Justiça em Portugal não é democrática. Nada de mais errado. 1. Começando pelo óbvio. José Sócrates tem razão: todos os arguidos presumem-se inocentes até se verificar uma condenação transitada em julgado. Logo, o próprio Sócrates só deixará de ser inocente se for acusado e se o último tribunal que o julgar considerá-lo culpado dos crimes que lhe são imputados na Operação Marquês: corrupção passiva para ato ilícito, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Sócrates fez bem em recordar essa verdade incontestável em qualquer Estado de Direito. Mas falhou em toda a linha no resto da sua pequena aula de Ciência Política – até Hobbes, Espinosa e Rawls devem ter dado voltas nos caixões com tanta deturpação do seu pensamento. Aliás, está cada vez mais parecido com um secretário-geral do PCP: a casse...

Sócrates. Há uns mais iguais do que outros

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Luís Rosa  ionline 2014.11.24 Não é uma Justiça igual para todos que destrói a democracia - é a impunidade Trabalhei com um jornalista, assumidamente do PS, que analisava qualquer caso judicial sobre políticos com uma lente infalível: "não há corrupção na esquerda. A direita, por defender o capital, é naturalmente corrupta". Uma visão simples que o deixava dormir mais descansado e que lhe permitia ver num processo contra uma figura de esquerda uma conspiração da direita. Vem esta pequena história a propósito de muitas das posições dos comentadores de esquerda sobre a prisão de José Sócrates. Ouve-se e ficamos incrédulos. Parece que a elite de esquerda, num assomo aristocrático, pensa que não somos todos iguais perante a lei. Ou melhor, há uns mais iguais do que outros. Como dizem essas mentes brilhantes, não se pode tratar de forma igual o que é diferente. Quem tanto deu ao país, como José Sócrates, merece um tratamento privilegiado à altura do s...

Os tempos estão a mudar

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Luís Rosa ionline 22 Nov 2014 - 15:43 A detenção do ex-primeiro-ministro fortalece o regime democrático e prova que a Justiça consegue ser cega. António Costa rompeu com Sócrates ao afastar-se das críticas à Justiça - o que significa que o líder socialista aprendeu alguma coisa com o caso Casa Pia. Ontem viveu-se um dia histórico. O momento da detenção de José Sócrates ficará na memória de todos os portugueses que assistiram aos directos das televisões. Não por qualquer argumento justiceiro (já lá vamos) mas porque a democracia portuguesa ficou mais forte.  Prender para interrogatório um ex-primeiro-ministro significa que a Justiça é cega: não olha a nomes quando age. Só uma democracia madura consegue ter uma justiça assim. Essa é a precisamente a primeira mensagem a reter: ninguém está acima da lei; somos todos iguais perante a lei. Muitos dos chamados poderosos da sociedade portuguesa, entre os quais se inclui José Sócrates, nunca conviveram bem com e...