Sócrates, o manipulador
Luis Rosa Observador 25/10/2015 Sócrates quis retratar-se com uma vítima de um quase Estado totalitário, recorrendo a vários exemplos judiciais para tentar demonstrar que a Justiça em Portugal não é democrática. Nada de mais errado. 1. Começando pelo óbvio. José Sócrates tem razão: todos os arguidos presumem-se inocentes até se verificar uma condenação transitada em julgado. Logo, o próprio Sócrates só deixará de ser inocente se for acusado e se o último tribunal que o julgar considerá-lo culpado dos crimes que lhe são imputados na Operação Marquês: corrupção passiva para ato ilícito, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. Sócrates fez bem em recordar essa verdade incontestável em qualquer Estado de Direito. Mas falhou em toda a linha no resto da sua pequena aula de Ciência Política – até Hobbes, Espinosa e Rawls devem ter dado voltas nos caixões com tanta deturpação do seu pensamento. Aliás, está cada vez mais parecido com um secretário-geral do PCP: a casse...